Sobrepeso: causas, diferença para obesidade e como tratar

Homem com sobrepeso segurando uma balança digital
Homem com sobrepeso segurando uma balança digital

O sobrepeso é o excesso de peso corporal acima da faixa considerada saudável, identificado por um cálculo simples chamado Índice de Massa Corporal, o IMC. Não é ainda obesidade, mas é o sinal de que o corpo começou a acumular gordura além do que faz bem para ele.

Principais causas do sobrepeso

Se você está nessa faixa, saiba que está longe de ser exceção. Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde, do IBGE, mais de 56% dos adultos brasileiros estão com excesso de peso, e esse número vem subindo há duas décadas.

O motivo raramente é um só. O peso sobe quando o corpo recebe mais energia do que gasta, de forma repetida ao longo de meses e anos. O que muda de pessoa para pessoa é o que empurra esse desequilíbrio.

  • Alimentação com muitos ultraprocessados: produtos industrializados prontos para consumo concentram muitas calorias em pouco volume e são feitos para serem difíceis de parar de comer. Você acaba ingerindo bastante energia antes que o corpo tenha tempo de avisar que está satisfeito.

  • Pouco movimento no dia a dia: trabalho sentado, deslocamento de carro e lazer em telas reduzem o gasto de energia. Com o tempo, a perda de massa muscular faz o corpo gastar ainda menos, mesmo em repouso.

  • Herança genética: a genética não decide o seu peso, mas define o quanto você é sensível a um ambiente que favorece o ganho. É por isso que duas pessoas com a mesma rotina podem ter resultados diferentes.

  • Alterações hormonais: condições como o hipotireoidismo, quando a tireoide funciona abaixo do esperado, e a síndrome dos ovários policísticos deixam o corpo mais propenso a acumular gordura. São causas minoritárias, mas precisam ser descartadas por exame.

  • Pouco sono e muito estresse: dormir menos de seis a sete horas desregula os hormônios que controlam fome e saciedade. O estresse prolongado mantém o cortisol alto, e o cortisol aumenta a vontade de comer alimentos calóricos.

  • Uso contínuo de certos medicamentos: alguns antidepressivos, antipsicóticos, corticoides e remédios para pressão favorecem o ganho de peso. Se você usa medicação de uso contínuo, vale levar a lista completa para a consulta.

  • Condições de vida: morar longe de feiras e mercados com alimentos frescos, trabalhar muitas horas e enfrentar longos deslocamentos reduzem o tempo e o acesso necessários para comer melhor. Isso é parte do problema, não falta de força de vontade.

Diferença entre sobrepeso e obesidade

A diferença principal está no quanto de gordura o corpo acumulou e no tamanho do risco que isso representa. São estágios do mesmo processo, não condições distintas.

No sobrepeso, o tecido que armazena gordura ainda dá conta do recado. Quando o acúmulo continua, essa capacidade se esgota e a gordura passa a se depositar onde não deveria, como no fígado, no pâncreas e ao redor do coração. É essa virada que marca a passagem para a obesidade.

Na prática, as faixas são estas:

  • Sobrepeso: IMC entre 25 e 29,9

  • Obesidade grau I: IMC entre 30 e 34,9

  • Obesidade grau II: IMC entre 35 e 39,9

  • Obesidade grau III, também chamada de mórbida: IMC acima de 40

Aqui está a boa notícia: o sobrepeso é altamente reversível.

Mudanças no estilo de vida têm taxa de sucesso bem maior nessa faixa do que nos graus mais avançados de obesidade, quando o corpo já criou mecanismos que defendem o peso acumulado. Quanto mais cedo, mais fácil.

As duas condições aumentam o risco cardiovascular, ou seja, o risco de problemas no coração e nos vasos sanguíneos. A diferença é de intensidade: a obesidade tem ligação bem mais forte com diabetes tipo 2, pressão alta e doenças do coração.

Como calcular e classificar o IMC?

O cálculo é direto: divida o seu peso, em quilos, pela sua altura em metros elevada ao quadrado.

IMC = peso ÷ (altura × altura), com peso em quilos e altura em metros.

Um exemplo: uma pessoa de 82 quilos e 1,75 metro faz 82 dividido por 3,06, o que resulta em um IMC de 26,8. Ela está na faixa de sobrepeso.

Classificação

Faixa de IMC

Risco para a saúde

Baixo peso

Abaixo de 18,5

Aumentado, por risco de desnutrição

Peso saudável

18,5 a 24,9

Padrão da população

Sobrepeso

25 a 29,9

Pouco elevado a aumentado

Obesidade grau I

30 a 34,9

Elevado

Obesidade grau II

35 a 39,9

Muito elevado

Obesidade grau III

40 ou mais

Muito grave

O IMC serve como triagem inicial, e só. Ele não distingue músculo de gordura, o que faz atletas aparecerem como sobrepeso sem qualquer problema de saúde.

Também não mostra onde a gordura está, e esse detalhe importa muito: a gordura acumulada na barriga é bem mais associada a doenças do que a distribuída em quadris e pernas.

Por isso o médico costuma medir também a circunferência abdominal, com uma fita na altura da cintura.

O risco é considerado aumentado a partir de 94 centímetros em homens e 80 centímetros em mulheres, e substancialmente aumentado acima de 102 e 88 centímetros, respectivamente. O diagnóstico definitivo depende dessa avaliação completa, feita por um profissional.

Riscos do sobrepeso para a saúde

O sobrepeso costuma ser silencioso, e é justamente por isso que ele passa despercebido por anos. As alterações começam antes de qualquer sintoma aparecer, e é por isso que vale conhecê-las.

  • Cardiovascular

Mais tecido no corpo significa mais vasos para irrigar, e o coração precisa bombear um volume maior de sangue a cada batida. Com o tempo, o músculo cardíaco engrossa para dar conta desse esforço extra.

Esse mesmo processo eleva a pressão arterial, tanto pelo aumento do trabalho do coração quanto pela gordura que se acumula ao redor dos rins e interfere no controle da pressão.

Ao mesmo tempo, muda o perfil das gorduras no sangue: sobem os triglicerídeos e o colesterol LDL, o chamado colesterol ruim, e cai o HDL, que ajuda a limpar as artérias. A combinação favorece o acúmulo de placas de gordura nas paredes arteriais, quadro que abre caminho para infarto, AVC e insuficiência cardíaca.

  • Metabólico

A gordura acumulada libera ácidos graxos na circulação, e isso atrapalha a ação da insulina, o hormônio que coloca o açúcar do sangue para dentro das células. É a chamada resistência à insulina: o pâncreas precisa produzir cada vez mais hormônio para o mesmo efeito.

Enquanto o pâncreas consegue compensar, o quadro fica em pré-diabetes. Quando ele não dá mais conta, instala-se o diabetes tipo 2. Quem está com sobrepeso tem risco de 2 a 5 vezes maior de desenvolver a doença do que quem está na faixa de peso saudável, e entender como o metabolismo funciona ajuda a enxergar por que isso acontece.

Quando pressão alta, açúcar elevado, triglicerídeos altos, HDL baixo e gordura abdominal aparecem juntos, o conjunto recebe o nome de síndrome metabólica. Bastam três desses cinco fatores para fechar o diagnóstico, e a soma multiplica o risco de doenças do coração.

  • Músculo-esquelético

A conta é mais direta do que parece: cada quilo a mais no corpo representa de 3 a 4 quilos de força extra sobre o joelho a cada passo que você dá.

Essa sobrecarga contínua sobre joelhos, quadris e coluna acelera o desgaste da cartilagem e favorece a osteoartrite, o desgaste das articulações. O resultado é dor crônica e perda progressiva de mobilidade, o que dificulta justamente a atividade física que ajudaria a melhorar o quadro.

  • Respiratório

A gordura acumulada no pescoço estreita a passagem do ar durante o sono e favorece a apneia obstrutiva, condição em que a respiração para por alguns segundos várias vezes por noite. O sono fica picado, e o cansaço aparece mesmo depois de oito horas na cama.

Além disso, o acúmulo na barriga e no tórax limita o movimento do diafragma, o músculo que puxa o ar para os pulmões. Daí vem a falta de ar em esforços que antes eram tranquilos, como subir um lance de escadas.

  • Impactos em outros sistemas do organismo

O fígado costuma ser um dos primeiros a sentir. Parte da gordura excedente se deposita nele e causa a esteatose hepática, popularmente conhecida como gordura no fígado, que em alguns casos evolui para inflamação e cicatrização do órgão.

A pressão da gordura abdominal sobre o estômago também empurra o conteúdo ácido de volta para o esôfago, o que explica a maior frequência de refluxo. E a alteração no processamento do colesterol favorece a formação de pedras na vesícula.

Há ainda um dado menos conhecido: o excesso de peso é o segundo maior fator de risco evitável para câncer, atrás apenas do cigarro, segundo o INCA. A associação é mais estabelecida com os cânceres de mama após a menopausa, de endométrio, de intestino e de próstata.

  • Saúde mental e qualidade de vida

Não é frescura nem exagero: a relação entre peso e saúde mental é real, e funciona nos dois sentidos.

A insatisfação com o corpo, alimentada por padrões estéticos inalcançáveis, desgasta a autoestima e aumenta a vulnerabilidade à ansiedade e à depressão. Some a isso o estigma do peso, que aparece no trabalho, nas relações e, com frequência, nos próprios consultórios, e o resultado é que muita gente deixa de procurar ajuda médica justamente por medo de julgamento.

Esse ciclo se retroalimenta. O sofrimento emocional mantém o cortisol elevado, o cortisol estimula a busca por comida como conforto, o peso sobe e a insatisfação aumenta. Reconhecer esse mecanismo já é parte do tratamento, e é por isso que o apoio psicológico tem lugar garantido no cuidado.

Os riscos crescem quanto mais tempo a pessoa permanece com excesso de peso, mas praticamente todos podem ser prevenidos ou controlados com acompanhamento adequado.

Como é o diagnóstico e avaliação médica para sobrepeso?

A avaliação vai muito além da balança. O médico, que pode ser um clínico geral, endocrinologista e nutrólogo, começa entendendo a sua história: quando o peso começou a subir, como é a sua rotina de sono e trabalho, quais medicamentos você usa e se há histórico de diabetes ou problemas cardíacos na família.

Também entram nessa conversa questões de saúde mental, como episódios de comer por ansiedade ou compulsão. Isso muda completamente a estratégia de tratamento.

Depois vêm as medidas: peso, altura, IMC e circunferência abdominal. Em alguns casos, a bioimpedância, exame rápido feito com um aparelho que passa uma corrente elétrica imperceptível pelo corpo, ajuda a separar o quanto do peso é músculo e o quanto é gordura.

Por fim, os exames de sangue mostram o que está acontecendo por dentro: glicemia de jejum e hemoglobina glicada para o açúcar, perfil lipídico para as gorduras, TSH e T4 livre para a tireoide, e enzimas hepáticas para o fígado.

Esses pedidos podem ser feitos por telemedicina, com retorno depois para interpretar os resultados junto com o médico.

Tratamento para o sobrepeso

Não existe fórmula única, e desconfie de quem promete uma. O tratamento se apoia em eixos que funcionam juntos.

  • Alimentação

A prioridade é o que você consegue manter por anos, não o que funciona por três semanas. Isso significa reduzir bebidas açucaradas e ultraprocessados e aumentar alimentos frescos, fibras e proteínas ao longo do dia. O ajuste das quantidades deve ser definido com um profissional, de acordo com a sua rotina e o seu gasto de energia.

  • Atividade física

A recomendação da OMS é de 150 a 300 minutos semanais de atividade moderada, como caminhada rápida ou bicicleta, somados a exercícios de força em pelo menos dois dias da semana. A parte de força é a que preserva a massa muscular, e sem ela o corpo passa a gastar menos energia.

  • Mudanças comportamentais

Identificar os gatilhos emocionais que levam à comida, ajustar a rotina de sono e praticar a atenção ao comer têm efeito comprovado. É aqui que a terapia costuma entrar.

  • Acompanhamento profissional

O cuidado com médico, nutricionista, profissional de educação física e psicólogo reduz muito a chance de abandono no meio do caminho.

  • Medicamentos

Podem ser indicados por médicos em situações específicas: IMC igual ou maior que 30, ou a partir de 27 quando já existe alguma comorbidade ligada ao peso, como pressão alta, pré-diabetes ou apneia do sono. São sempre complemento às mudanças de estilo de vida, nunca substituto, e jamais devem ser usados por conta própria.

Sobre o ritmo: a perda de peso saudável fica entre 0,5 e 1 quilo por semana. Parece pouco, mas é o que preserva a massa muscular e mantém o resultado.

Emagrecimentos ultrarrápidos fazem o corpo entender que está em privação, reduzem o gasto de energia em repouso e disparam uma fome intensa que leva ao efeito sanfona, quando o peso volta com percentual de gordura ainda maior.

Como prevenir o sobrepeso?

Prevenir é mais simples do que tratar, e passa por decisões pequenas e repetidas.

  • Movimente-se ao longo do dia, não só na academia. Escadas em vez de elevador, pausas ativas a cada hora sentado e trechos curtos a pé somam mais do que parece. Combater o sedentarismo começa fora do horário de treino.

  • Planeje as refeições da semana. Decidir o que comer com fome e sem opção em casa é o que empurra para o ultraprocessado. Deixar comida pronta na geladeira resolve boa parte disso.

  • Durma de 7 a 9 horas, em horários regulares. O sono é o regulador mais subestimado do apetite.

  • Cuide do estresse com o que funciona para você. Lazer, respiração, convívio social. O objetivo é não deixar a comida virar a única válvula de escape.

  • Faça check-ups periódicos. Acompanhar peso, medidas e exames de rotina permite corrigir o rumo enquanto a mudança ainda é pequena.

Como a Conexa Saúde ajuda no acompanhamento do sobrepeso?

Muita gente adia essa consulta por um motivo específico: o receio de ser julgada pelo próprio peso. Esse receio é legítimo e bem documentado, e é justamente ele que faz o cuidado começar tarde demais.

Na Conexa Saúde, maior ecossistema de saúde digital e telemedicina da América Latina, a primeira conversa acontece do lugar onde você já está, sem sala de espera e sem constrangimento. No Pronto Atendimento Virtual, disponível 24 horas por dia, você é atendido em poucos instantes.

Um clínico geral, endocrinologista ou nutrólogo calcula e interpreta o seu IMC, investiga causas hormonais e outros fatores associados e monta um plano de acompanhamento contínuo. Os exames são solicitados de forma digital, e você retorna em uma consulta online para revisar os resultados com o mesmo profissional.

São mais de 30 especialidades médicas disponíveis, incluindo cardiologia, endocrinologia e nutrologia. E como referência em saúde mental e bem-estar, a plataforma também oferece atendimento psicológico e psiquiátrico, apoio importante para quem lida com ansiedade, compulsão alimentar ou o desgaste emocional que acompanha a questão do peso.

Perguntas frequentes sobre sobrepeso

O que significa estar com sobrepeso?

Significa ter IMC entre 25 e 29,9, ou seja, peso acima da faixa saudável para a sua altura. É um alerta metabólico, não uma doença instalada, e tem alta chance de reversão quando tratado cedo.

O que fazer para sair do sobrepeso?

Comece por uma avaliação médica para medir, investigar causas e descartar alterações hormonais. Em paralelo, reduza bebidas açucaradas e ultraprocessados e comece a se movimentar com regularidade.

70 kg é considerado sobrepeso?

Depende da altura. Com 1,50 metro, 70 quilos dão IMC de 31, que já é obesidade grau I. Com 1,80 metro, o mesmo peso resulta em IMC de 21,6, dentro da faixa saudável.

É possível eliminar 10 kg em 1 mês?

As diretrizes médicas consideram essa perda insegura. Boa parte do que se elimina nesse ritmo é água e músculo, e o corpo responde reduzindo o gasto de energia, o que favorece o reganho logo em seguida.

Referências

Quem orienta

Juliana Seixas

Médica de Família e do Trabalho

CREMERJ 52981249

Especialista em Medicina de Família pela UERJ. Médica do Trabalho pela Funorte. Pós graduanda em gestão de saúde pela FGV.

Conheça a saúde que conecta

Saúde que conecta

Cuidado médico digital de qualidade, oferecido pelas melhores empresas e parceiros de saúde.

Cuidado médico digital de qualidade, oferecido pelas melhores empresas e parceiros de saúde.

Médica em telemedicina
Paciente da conexa realizando chamada de vídeo em seu celular
Paciente da conexa realizando chamada de vídeo em seu celular
Paciente da conexa realizando chamada de vídeo em seu celular

Newsletter Saúde Conectada

Newsletter Saúde Conectada

Quer se manter informado sobre saúde? Receba os artigos de saúde e bem-estar direto no seu e-mail

Quer se manter informado sobre saúde? Receba os artigos de saúde e bem-estar direto no seu e-mail