Ginecomastia: o que é, principais causas e tratamentos

Profissional marcando o tórax masculino antes de procedimento para ginecomastia
Profissional marcando o tórax masculino antes de procedimento para ginecomastia

A ginecomastia é caracterizada pelo aumento benigno do tecido glandular mamário em homens, normalmente provocado por um desequilíbrio entre estrogênios e androgênios, como a testosterona.

Esse crescimento pode se manifestar em uma ou duas mamas e precisa ser diferenciado do acúmulo de gordura na região peitoral.

Neste artigo, entenda o que causa a ginecomastia em homens, quais são os principais graus, como é feito o diagnóstico e quais tratamentos podem ser indicados.

O que provoca a ginecomastia?

A ginecomastia ocorre quando existe um descompasso hormonal entre a ação dos estrogênios e dos androgênios, como a testosterona, no tecido mamário masculino.

Essa condição decorre de um aumento da ação estrogênica em relação à ação androgênica sobre a mama, o que pode ocorrer mesmo com níveis hormonais séricos normais.

Esse desequilíbrio pode se manifestar em diferentes fases da vida, como no recém-nascido, na puberdade e no envelhecimento.

O crescimento das mamas em homens também pode ter relação com o uso de alguns medicamentos, esteroides anabolizantes e álcool.

Além disso, pode estar associada a doenças sistêmicas ou surgir sem causa definida, situação chamada de ginecomastia idiopática.

Ginecomastia masculina e ginecomastia feminina

O termo ginecomastia é usado para descrever estritamente o aumento benigno do tecido mamário em homens, normalmente por crescimento glandular. Por isso, a expressão “ginecomastia feminina” não é o mais correto sob a ótica médica.

Nas mulheres, o desenvolvimento das mamas é um processo natural da puberdade. Quando ocorre o crescimento excessivo ou desproporcional, o quadro é chamado de hipertrofia mamária ou, em casos mais raros, gigantomastia.

Essas alterações podem estar relacionadas a condições genéticas, obesidade, oscilações hormonais ou hipersensibilidade do tecido mamário aos hormônios.

Dessa forma, é importante ressaltar que a ginecomastia masculina e hipertrofia mamária feminina não são enquadradas no mesmo diagnóstico.

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Tipos de ginecomastia

A ginecomastia pode ser dividida em três tipos principais, de acordo com o período da vida e o fator que altera o equilíbrio hormonal. Entenda:

Ginecomastia fisiológica

  • Neonatal: é muito comum em recém-nascidos pela interferência dos hormônios maternos durante a gestação. Costuma ser transitória e desaparece de forma espontânea.

  • Puberal: surge na adolescência em razão de descompasso temporário entre estradiol e testosterona. Costuma regredir espontaneamente em 6 meses a 2 anos na maioria dos adolescentes.

  • Senil: pode aparecer com o envelhecimento, quando a queda gradual da testosterona e o aumento do tecido adiposo favorecem maior conversão de androgênios em estrogênios.

Ginecomastia patológica

  • Falência testicular ou hipogonadismo: acontece quando os testículos produzem menos testosterona, diminuindo a ação androgênica sobre o tecido mamário.

  • Tumores secretores de hCG: alguns tumores (principalmente testiculares e alguns tumores germinativos) podem elevar o hCG favorecendo o aumento mamário.

  • Disfunções hepáticas: doenças do fígado, como cirrose, podem dificultar a depuração de estrogênios e comprometer o equilíbrio hormonal.

  • Distúrbios da tireoide: oscilações tireoidianas, principalmente hipertireoidismo, podem alterar o metabolismo hormonal e contribuir para a condição.

Ginecomastia farmacológica ou induzida

  • Medicamentos e compostos com ação hormonal: alguns remédios tendem a intensificar a ação estrogênica, diminuir a testosterona ou bloquear receptores androgênicos, contribuindo para o crescimento glandular.

  • Esteroides anabolizantes: o aumento de testosterona sintética pode se converter em estrogênio pela enzima aromatase, acelerando o crescimento do tecido mamário masculino.


Classificação da ginecomastia

A classificação da ginecomastia permite compreender a extensão do aumento mamário e definir a conduta mais adequada.

A avaliação médica costuma considerar critérios anatômicos, como flacidez da pele e volume mamário, e critérios histológicos, que demonstram o estágio de evolução do tecido glandular.

Graus clínicos

Os graus clínicos analisam o tamanho do aumento mamário e a existência ou não de excesso de pele:

  • Grau 1: aumento pequeno, normalmente em forma de “botão” abaixo da aréola, sem sobra de pele;

  • Grau 2A: aumento moderado da mama, sem excesso de pele ou flacidez;

  • Grau 2B: aumento moderado, com algum grau de sobra ou flacidez de pele;

  • Grau 3: aumento acentuado, com sobra significativa de pele e ptose mamária, ou seja, queda da mama.

Critérios histológicos

  • Fase florida ou aguda: estágio inicial, com maior vascularização, proliferação dos ductos mamários e, em alguns casos, dor ou sensibilidade. Tende a ter uma boa resposta ao tratamento medicamentoso;

  • Fase intermediária: fase de transição entre a inflamação inicial e o endurecimento gradual do tecido;

  • Fase fibrosa ou crônica: etapa mais antiga, marcada por fibrose e menor resposta a fármacos. No caso de incômodo persistente, a cirurgia pode ser recomendada.

Qual a diferença entre ginecomastia e lipomastia?

Embora ambas as condições possam causar aumento do volume peitoral em homens, elas não têm a mesma origem. Entenda a seguir a diferença entre ginecomastia e lipomastia:

Atributo da análise

Ginecomastia

Lipomastia ou pseudoginecomastia

Composição

Aumento do tecido glandular mamário, normalmente, localizado atrás da aréola

Acúmulo do tecido adiposo, ou seja, gordura na região peitoral

Consistência

Costuma ser elástica, firme ou nodular, com sensação de caroço atrás do mamilo

Pode ser mais mole, macia e distribuída de maneira homogênea no peito. 

Causa primária

Desequilíbrio entre hormônios com ação androgênica e estrogênica

Predisposição ao acúmulo de gordura local, ganho de peso ou obesidade 

Dor ou sensibilidade

Pode provocar sensibilidade ou dor, especialmente em estágios iniciais

Normalmente não causa dor, pois não há inflamação glandular

Tratamento inicial sugerido

Depende da origem: pode incluir ajuste de medicamento, acompanhamento ou tratamento hormonal

Costuma envolver alimentação equilibrada, controle de peso e atividade física

Como é feito o diagnóstico da ginecomastia?

O diagnóstico é feito a partir de um exame clínico. O médico examina o crescimento das mamas, faz palpação ao redor do mamilo para verificar se há tecido glandular móvel, firme e centralizado abaixo da aréola, típico da condição.

Além disso, sinais de alerta também são observados como secreção pelo mamilo, nódulo endurecido, aumento de gânglios ou retração da pele.

A avaliação clínica também inclui uma anamnese detalhada, com perguntas sobre evolução, sensibilidade, dor, puberdade, ganho de peso, uso de medicamentos, anabolizantes, álcool e outras substâncias.

Essas informações ajudam a diferenciar ginecomastia de lipomastia e a investigar eventuais causas metabólicas, hormonais ou ligadas a outros órgãos.

Quando necessário, exames adicionais podem ser solicitados como ultrassonografia, mamografia e testes hormonais podem incluir testosterona total, LH, FSH, estradiol, β-hCG, prolactina e TSH, conforme a suspeita clínica.

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Qual médico procurar para diagnosticar e tratar ginecomastia?

Em caso de suspeita de ginecomastia, a avaliação pode ser feita por um médico generalista, endocrinologista ou mastologista.

O endocrinologista é o médico que investiga possíveis causas hormonais e metabólicas, enquanto o mastologista examina o tecido mamário e solicita exames complementares, quando necessário.

Se o aumento mamário for fibroso, persistente ou provocar incômodo relevante, o cirurgião plástico pode ser o profissional mais indicado para analisar a possibilidade de uma correção cirúrgica.

Pela Conexa Saúde, maior ecossistema de saúde digital e telemedicina da América Latina, é possível passar por consultas online com endocrinologistas e mastologistas, de maneira segura, ágil e prática por meio da telemedicina.

Tratamento para ginecomastia

O tratamento depende diretamente da causa, do tempo de evolução e do impacto físico ou emocional para o paciente.

Entenda a seguir os tratamentos mais usados para o aumento da mama masculina:

Tratamento medicamentoso

O tratamento do medicamento pode ser considerado na fase florida, quando o tecido ainda está mais sensível, ativo e com maior possibilidade de resposta clínica.

  • Tamoxifeno: modulador seletivo do receptor de estrogênio, pode ser indicado em alguns casos para aliviar dor e volume glandular;

  • Anastrozol: os inibidores da aromatase apresentam benefício limitado na maioria dos casos de ginecomastia e não são considerados tratamento de rotina;

  • Reposição de testosterona: a reposição de testosterona é indicada apenas em pacientes com hipogonadismo confirmado e pode, em alguns casos, inicialmente agravar a ginecomastia pela aromatização da testosterona em estradiol.

Vale lembrar que a indicação desses medicamentos depende da causa, fase de ginecomastia e da avaliação médica

Tratamento cirúrgico

A cirurgia costuma ser considerada quando a ginecomastia persiste por mais de 12 meses, principalmente após estabilização da causa de base.

O tipo de tratamento cirúrgico varia conforme a quantidade de gordura, flacidez da pele e o volume glandular:

  • Adenectomia mamária: técnica usada para remover diretamente a glândula aumentada;

  • Lipoaspiração associada: procedimento pode ser usado quando há gordura acumulada junto ao tecido glandular;

  • Ressecção de pele: recomenda quando há ptose mamária importante ou flacidez.

Como é tratada a ginecomastia da adolescência?

Na adolescência, essa condição costuma ser fisiológica e transitória. Por isso, a abordagem mais comum é observação e acompanhamento clínico, pois essa condição pode melhorar com o amadurecimento hormonal.

Vale lembrar que medicamentos costumam ser mais eficazes quando iniciados na fase inicial (florida) da ginecomastia.

Nesses casos, a Conexa Saúde, líder em engajamento de pacientes e humanização no cuidado digital, também oferece suporte psicológico via telemedicina para ajudar o adolescente a lidar com a situação e os impactos na autoestima.

Como prevenir a ginecomastia?

Nem sempre é possível prevenir a ginecomastia, sobretudo quando ela se manifesta em fases naturais da vida, como puberdade e envelhecimento.

Contudo, algumas medidas podem ajudar a reduzir o risco das formas secundárias, ligadas a medicamentos, substâncias e alterações metabólicas.

Veja a seguir algumas recomendações para prevenir formas secundárias:

  • Evitar o uso de esteroides anabolizantes sem indicação médica: o excesso de testosterona sintética pode ser transformado em estrogênio e contribuir para o crescimento do tecido mamário;

  • Moderar o consumo de álcool: o uso crônico pode contribuir para desequilíbrios hormonais e deve ser evitado em excesso;

  • Controlar o peso corporal: o excesso de tecido adiposo costuma intensificar a atividade da aromatase e acelerar a produção de estrogênios;

  • Observar alterações mamárias: diante do aumento ou sensibilidade nas mamas, principalmente se houver uso de medicamentos, buscar avaliação médica.

  • Não suspender tratamentos por conta própria: a troca ou ajuste de fármacos deve ser feita somente com orientação médica.

Como a Conexa Saúde auxilia no tratamento da ginecomastia?

Em caso de suspeita de ginecomastia, a avaliação deve ser feita por um médico qualificado para investigar mudanças hormonais e mamárias.

Na Conexa Saúde, você pode ter acesso a consultas online com médicos generalistas, endocrinologistas ou mastologistas para investigar essa condição, receber orientação sobre os cuidados, receitas digitais de medicamentos e pedidos de exames, quando necessário.


Perguntas frequentes sobre ginecomastia

O que acontece se não tirar a ginecomastia?

Dependendo do caso, principalmente na puberdade, essa condição pode regredir sozinha. Se ela for persistente, costuma ficar mais fibrosa e provocar desconforto físico ou impacto na autoestima.

Ginecomastia é sinal de baixa testosterona?

Não necessariamente. Ela costuma ocorrer por desequilíbrio entre estrogênio e testosterona, que pode estar relacionada ao aumento do estrogênio, queda da testosterona ou maior sensibilidade do tecido mamário aos hormônios.

Onde é o ponto de dor da ginecomastia?

A dor ou sensibilidade normalmente aparece na região atrás ou ao redor do mamilo, onde está localizado o tecido glandular aumentado. Em alguns casos, ela pode ser indolor.

Quais são os riscos e tempo de recuperação da cirurgia de ginecomastia?

Os riscos da cirurgia incluem hematoma, sangramento, cicatriz, infecção, assimetria e alterações de sensibilidade. O tempo de recuperação varia conforme a técnica e o caso.

Como o uso de esteroides anabolizantes causa ginecomastia?

Alguns anabolizantes costumam aumentar a oferta de testosterona sintética, que pode ser transformada em estradiol pela enzima aromatase. Esse aumento pode acelerar o crescimento do tecido mamário masculino.

Quem orienta

Rafael Leite Aguilar

Médico

CRM-ES 18586

Pós graduando em gestão de saúde pela FGV. Atua como Rotina Médica no Pronto Atendimento Conexa Saúde.

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