A gota é uma doença inflamatória causada pelo depósito de cristais de urato monossódico nas articulações e outros tecidos.
Essa condição afeta homens adultos e mulheres após a menopausa, podendo causar crises súbitas, inchaço e vermelhidão em algumas regiões, como base do pé, joelhos, tornozelos, punhos, cotovelos e mãos.
Neste artigo, entenda o que causa a gota, principais sintomas, tratamentos disponíveis e formas de prevenção. Confira!
O que é gota e como ela se desenvolve?
A gota é uma doença que ocorre quando o ácido úrico permanece em níveis altos no sangue por um período prolongado e forma cristais de urato dentro ou em volta das articulações.
Esses cristais funcionam como “agulhas microscópicas”, que irritam o tecido articular e desencadeiam dor intensa, calor local, inchaço e inflamação.
Essa elevação do ácido úrico é conhecida como hiperuricemia, mas isso não indica, necessariamente, que a pessoa desenvolverá essa condição.
Por exemplo: há pessoas com ácido úrico alto que não apresentam crises; a doença se manifesta quando os cristais se fixam nas articulações e o organismo reage com inflamação.
Ela costuma ser mais frequente em homens adultos, principalmente entre 40 e 50 anos, mas também acomete mulheres após a menopausa.
Embora seja uma doença crônica, a boa notícia é que ela pode ser controlada com acompanhamento médico, mudanças de hábitos e o uso de medicamentos para prevenir novas crises e reduzir o ácido úrico no sangue, quando necessário.
Sintomas da gota: como identificar uma crise
A crise de gota normalmente se manifesta de forma repentina, muitas vezes durante a noite, com dor intensa na articulação atingida.
A região costuma ficar quente, vermelha, inchada e extremamente sensível que até o contato com o lençol ou tecido provoca um forte incômodo.
De modo geral, a base do pé é a área mais afetada, mas ela também pode atingir joelhos, tornozelos, punhos, cotovelos e mãos.
Na maioria dos casos, as crises melhoram em poucos dias, podendo durar de uma a duas semanas. Contudo, se o ácido úrico permanecer elevado e não houver tratamento adequado, novos episódios podem ocorrer.
Busque atendimento médico com urgência quando a dor vier acompanhada dos seguintes sintomas:
Febre alta;
Mal-estar intenso;
Piora rápida do inchaço;
Dificuldade importante para movimentar a articulação.
Esses sinais de alerta devem ser avaliados principalmente porque infecções articulares e outras condições de saúde podem se parecer com uma crise de gota.
Causas da gota e fatores de risco
A gota se manifesta quando há excesso de ácido úrico no sangue. Isso costuma ocorrer porque o corpo produz ácido úrico em maior volume ou, mais constantemente, porque os rins não conseguem eliminá-lo de maneira adequada pela urina.
Ao longo do tempo, esse acúmulo contribui para a formação de cristais nas articulações, podendo desencadear crises de inflamação. Entre as causas e os fatores de riscos mais comuns para o desenvolvimento da gota estão:
Obesidade;
Consumo de álcool;
Sedentarismo;
Bebidas açucaradas;
Dieta rica em purinas (sobretudo quando há excesso de carnes vermelhas, vísceras e determinados frutos do mar).
O risco de desenvolver essa condição é maior em pessoas com histórico familiar de gota, idade avançada, mulheres após a menopausa e homens adultos. O uso de medicamentos, como diuréticos, também podem elevar os níveis de ácido úrico.
Outros fatores como hipertensão, diabetes e doença renal crônica também estão associadas à gota, já que afetam o metabolismo e interferem na eliminação do ácido úrico, além de elevar o risco cardiovascular relacionado à doença.
Vale lembrar que a alimentação isoladamente não explica a doença, que costuma envolver uma combinação de fatores, como metabolismo do ácido úrico, predisposição genética e outras condições de saúde.
Como é feito o diagnóstico da gota?
O diagnóstico da gota é feito a partir de uma avaliação clínica, considerando o histórico dos sintomas, a intensidade da dor, a articulação afetada e os sinais constatados no exame físico, como calor, inchaço e vermelhidão.
Dependendo do caso, também podem ser solicitados exames de sangue, incluindo ácido úrico e avaliação da função renal.
É importante esclarecer que o ácido úrico pode estar normal durante uma crise, por isso os resultados dos exames não devem excluir essa condição quando os sintomas são sugestivos.
O exame de referência (padrão-ouro) é a análise do líquido articular com identificação de cristais de urato monossódico ao microscópio. Na prática, entretanto, muitos casos são diagnosticados com base na história clínica, exame físico e exames complementares.
Em casos avançados ou quando há dúvida diagnósticas, exames de imagem como radiografia, ultrassom e tomografia de dupla energia, ajudam na identificação de cristais ou lesões articulares.
Essa investigação aprofundada permite diferenciar a gota de outras condições, como artrite séptica, infecção articular e pseudogota, provocada por outro tipo de cristal.
Tratamento da gota: medicamentos e controle da doença
O tratamento da gota tem como objetivo aliviar a dor e a inflamação durante a crise e, no longo prazo, reduzir os níveis de ácido úrico para evitar novos episódios.
A definição da abordagem ideal depende da frequência das crises, da existência de tofos, da função renal, de doenças associadas e dos medicamentos usados.
Por isso, o acompanhamento médico contínuo é essencial. Normalmente, o cuidado envolve três vertentes: tratamento da crise aguda e controle do ácido úrico, além de medidas de prevenção. Entenda:
Tratamento de crise aguda de gota
O tratamento busca reduzir rapidamente a inflamação, envolvendo o uso de medicamentos como anti-inflamatórios não esteroides, colchicina e corticoides, definidos de acordo com o perfil do paciente, função renal, riscos gastrointestinais, doenças cardíacas e outros fármacos usados.
Alguns medicamentos, como colchicina, podem provocar efeitos colaterais como náuseas, vômitos e diarreia. No caso dos anti-inflamatórios, eles podem causar irritação no estômago e não são indicados para todas as pessoas.
Por sua vez, os corticoides são uma alternativa quando anti-inflamatórios não esteroidais ou colchicina são contraindicados, não são tolerados ou não são suficientes, mas também exigem indicação médica.
Vale lembrar que o tratamento tende a ser mais eficaz quando iniciado nas primeiras horas da crise, mas lembre-se que os medicamentos de uso contínuo não devem ser suspensos sem orientação médica.
Tratamento para reduzir o ácido úrico
O tratamento contínuo visa reduzir o ácido úrico e costuma ser indicado quando há crises frequentes, alterações articulares, tofos, cálculo renal por ácido úrico ou alto risco de complicações.
Nessa fase, o médico pode indicar o uso de alopurinol e febuxostate para manter o ácido úrico em níveis mais baixos, além de prevenir novos depósitos de cristais.
De modo geral, a meta recomendada de ácido úrico é mantê-lo abaixo de 6 mg/dL, com ajustes de dose guiados por respostas clínicas e resultados de exames. Esse controle deve ser contínuo para diminuir as chances de novas crises.
É importante destacar que o tratamento para redução do ácido úrico não deve ser iniciado durante uma crise aguda, salvo se o paciente já fazia uso previamente ou houver indicação específica conforme avaliação médica.
Limitações da alimentação para quem tem gota
A alimentação auxilia no controle da gota, mas não substitui o tratamento médico e o uso de medicamentos quando indicados pelo médico.
Mudanças nos hábitos alimentares podem reduzir as crises e ajudar a controlar o ácido úrico. Entenda as limitações na dieta para quem tem gota:
Alimentos que devem ser reduzidos
É indicado limitar alimentos e bebidas que favorecem crises ou aumentam os níveis de ácido úrico, como:
Bebidas alcoólicas;
Refrigerantes;
Sucos adoçados;
Excesso de carnes vermelhas, vísceras e alguns frutos do mar.
Bebidas açucaradas e ultraprocessados doces.
Alimentos que podem ser incluídos na rotina
A dieta deve priorizar alimentos saudáveis e pouco processados, como:
Vegetais;
Frutas;
Grãos integrais;
Leguminosas, leite;
Derivados com baixo teor de gordura.
Além disso, é importante fazer o controle do peso, principalmente em caso de sobrepeso ou obesidade.
Hidratação
Manter hidratação adequada pode reduzir o risco de formação de cálculos urinários e faz parte das medidas gerais recomendadas para pacientes com gota.
Complicações da gota não tratada
Quando essa condição não é controlada, os cristais de ácido úrico costumam se acumular e formar tofos, nódulos endurecidos sob a pele perto das articulações ou em outros locais do corpo.
Ao longo do tempo, esses depósitos podem levar a deformidades, lesões em ossos e tecidos moles e dor, além de comprometer a movimentação da articulação.
As crises também podem se tornar mais constantes e prolongadas quando não há tratamento adequado para a doença, além de evoluir para artrite crônica, destruição articular, limitação de movimentos e perda de qualidade de vida.
Essa condição também pode estar relacionada à complicações nos rins, como cálculos renais, além de aparecer com mais frequência em pessoas com doença renal crônica.
Ela também costuma acometer pessoas com doenças cardiovasculares. Por isso, o tratamento adequado é essencial para controlar a dor, o ácido úrico e os fatores de risco.
Quando procurar um reumatologista?
Busque avaliação de um reumatologista quando as crises são intensas, se for o primeiro episódio de dor repentina com inchaço articular ou se as crises forem recorrentes.
Entre os sinais de alerta estão febre alta, mal-estar importante, articulação muito quente e inchada, dor persistente ou piora progressiva, pois esses sintomas podem indicar artrite séptica, que é muito semelhante a uma crise de gota e exige de atendimento urgente.
O reumatologista é o especialista mais indicado no controle de casos complexos e na indicação do tratamento mais adequado.
Com o diagnóstico correto e acompanhamento médico contínuo, essa condição pode ser controlada e provocar menos impacto na mobilidade e na qualidade de vida.
Como a Conexa Saúde auxilia no cuidado da gota?
Em casos de dor leve a moderada, a telemedicina ajuda na realização de triagem inicial da gota.
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Durante a consulta, o médico avalia os sintomas, o histórico de crises e os sintomas relatados pelo paciente, indicando a necessidade de buscar atendimento hospitalar ou se é possível iniciar o tratamento em casa com receita digital.
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