Hérnia umbilical: causas, sintomas e quando fazer cirurgia

Ilustração anatômica de hérnia umbilical com região inflamada
Ilustração anatômica de hérnia umbilical com região inflamada

A hérnia umbilical acontece quando parte do que está dentro da barriga, como um pedaço de gordura ou uma alça do intestino, escapa por uma abertura na região do umbigo. Você percebe isso como uma protuberância no umbigo, que costuma ficar mais evidente quando você faz força.

O que é hérnia umbilical?

Para entender a hérnia, vale olhar para o umbigo como ele realmente é: uma cicatriz que ficou por cima de uma antiga passagem. Durante a gestação, os vasos do cordão umbilical precisam atravessar a parede da barriga do bebê, e para isso existe ali uma abertura natural, um anel. Depois do nascimento, esse anel deveria se fechar sozinho.

Como a hérnia umbilical se forma?

Quando o fechamento não acontece por completo, o orifício permanece aberto e permite que o conteúdo da barriga se projete para fora. É a hérnia umbilical congênita, típica de bebês e crianças, e ela é bastante comum: atinge de 10% a 20% dos recém-nascidos a termo e chega a 30% entre os prematuros.

Em adultos, a história é outra. O anel já se fechou há muito tempo, mas a camada de tecido fibroso que sustenta os músculos da barriga, uma espécie de lona resistente que segura tudo no lugar, vai perdendo firmeza com o passar dos anos. Quando a pressão dentro do abdômen aumenta de forma constante, essa área acaba cedendo e se abrindo de novo. Surge então a hérnia adquirida, que afeta cerca de 8% das pessoas ao longo da vida.

Como identificar uma hérnia umbilical?

Visualmente, a hérnia aparece como um abaulamento arredondado que deixa o umbigo estufado ou virado para fora. O tamanho varia bastante: existem hérnias de menos de um centímetro, quase imperceptíveis, e outras maiores que cinco centímetros nos casos mais avançados.

Causas da hérnia umbilical em adultos e bebês

O motivo por trás da hérnia muda conforme a idade, e essa diferença ajuda a entender tanto a evolução do quadro quanto a forma de tratamento.

Critério

Bebês e crianças

Adultos

Principais fatores

Prematuridade, baixo peso ao nascer, atraso natural no fechamento do anel umbilical e fatores genéticos

Excesso de peso, gestações, esforço físico repetido, tosse crônica, prisão de ventre, acúmulo de líquido na barriga e cirurgias anteriores na região

Causa mais comum

Fechamento incompleto do anel umbilical depois do nascimento

Pressão interna elevada agindo sobre uma parede abdominal já enfraquecida

Evolução esperada

Fechamento espontâneo em 80% a 90% dos casos, entre os 2 e os 5 anos de idade

Não fecha sozinha; tende a crescer aos poucos e aumenta o risco de complicação

Aqui vale um esclarecimento que tranquiliza muitos pais: nem o tipo de parto, nem a forma como o cordão foi cortado, nem os cuidados com o coto umbilical têm qualquer relação com o surgimento da hérnia. Ela depende de como a parede abdominal do bebê se desenvolveu, e não de como o cordão foi tratado.

Principais sintomas da hérnia umbilical

Na maior parte dos casos, o único sinal é visual. A hérnia costuma ser silenciosa, e muita gente convive anos com ela sem sentir absolutamente nada.

Os sinais mais frequentes são:

  • Protuberância no umbigo: um abaulamento arredondado e macio ao toque, que muda o formato natural da cicatriz umbilical.

  • Aumento com o esforço: o volume cresce quando você tosse, ri, evacua ou levanta peso. No caso dos bebês, cresce quando eles choram.

  • Redução ao deitar: basta relaxar ou deitar de barriga para cima e a protuberância costuma diminuir ou até sumir.

  • Desconforto no fim do dia: em adultos, é comum sentir peso, queimação ou uma dor pontual na região depois de esforço ou de muitas horas em pé.

  • Ausência de dor em crianças: a hérnia infantil é tipicamente indolor. O bebê não chora por causa dela; a hérnia é que aparece porque ele está chorando. Se a criança sentir dor no local, esse é um sinal fora do comum e merece avaliação rápida.

Diagnóstico da hérnia no umbigo

O diagnóstico da hérnia umbilical é essencialmente clínico, ou seja, na maioria das vezes o exame físico já resolve. O médico avalia você deitado e em pé, observa o formato do umbigo e, com uma pressão suave dos dedos, delimita as bordas da abertura para medir o diâmetro dela em centímetros. Essa medida parece um detalhe, mas é ela que vai decidir o tratamento.

Ele também vai pedir que você faça força ou levante a cabeça e os ombros. É uma manobra simples, que faz aparecer as hérnias pequenas e ajuda a diferenciar a hérnia do afastamento dos músculos abdominais, uma condição de aparência parecida, mas que exige uma conduta completamente diferente. O mesmo raciocínio vale para outras hérnias da parede abdominal, como a hérnia inguinal, que surge na virilha.

Exames de imagem entram em cena apenas em situações específicas:

  • Ultrassonografia da parede abdominal: é a primeira escolha quando resta alguma dúvida, quando há mais gordura abdominal e o toque fica difícil, em defeitos muito pequenos ou diante da suspeita de complicação.

  • Tomografia computadorizada: reservada para hérnias volumosas, para casos que voltaram depois de uma cirurgia ou quando existe suspeita de obstrução do intestino.

  • Ressonância magnética: útil quando o ultrassom não foi conclusivo e também em gestantes, já que não usa radiação.

Na infância, quem avalia é o pediatra e, se for necessário, o cirurgião pediátrico. Em adultos, o acompanhamento fica com o cirurgião geral ou o cirurgião do aparelho digestivo. Em nenhum dos dois casos a autoavaliação substitui o exame médico, e o motivo é bem concreto: o tamanho da abertura, que é o dado que define a conduta, não tem como ser estimado em casa.

Quando a hérnia umbilical é uma emergência?

A hérnia vira uma emergência quando o conteúdo que saiu fica preso no anel e não consegue mais voltar para dentro da barriga. Esse é o chamado encarceramento. Se essa compressão apertar a ponto de interromper a chegada de sangue ao tecido preso, instala-se o estrangulamento, que pode levar à morte do tecido do intestino em poucas horas. Por isso a pressa aqui não é exagero.

Busque atendimento de urgência diante de qualquer um destes sinais:

  • Protuberância que endurece de repente e não volta mais para o lugar;

  • Dor abdominal intensa, contínua e que só piora;

  • Mudança na cor da pele sobre o umbigo (vermelhidão, tom arroxeado ou escurecido);

  • Náuseas e vômitos que não passam;

  • Parada na eliminação de gases e fezes;

  • Febre, coração acelerado e barriga inchada.

Uma informação que costuma acalmar as famílias: essa complicação é rara em bebês, acontecendo em menos de 1% dos casos. Em adultos, porém, o risco é bem maior, porque o anel é mais rígido e tolera menos a pressão.

Tratamento da hérnia umbilical

Não existe uma conduta única: o tratamento depende da idade, do tamanho da abertura e da presença de sintomas. E o primeiro ponto a esclarecer é o que não funciona.

Nenhum remédio, pomada, suplemento ou exercício é capaz de fechar uma hérnia.

A fisioterapia tem um papel importante na reabilitação muscular e no afastamento dos músculos abdominais, mas ela não fecha um orifício que já se formou. Se alguém prometer o contrário, está vendendo algo sem respaldo científico.

Em crianças, a conduta padrão é o acompanhamento clínico, e a explicação é boa: entre 80% e 90% das hérnias fecham sozinhas até os 2 a 5 anos, conforme a musculatura se fortalece com o engatinhar e o caminhar. Na prática, basta observar e não faltar às consultas de rotina.

Em adultos, a lógica se inverte. A hérnia não regride, ela tende a crescer. Por isso a cirurgia costuma ser o tratamento indicado, e adiar a decisão por conta própria só aumenta o risco de complicação.

Faixas, moedas e esparadrapo: por que não funcionam

O costume de amarrar faixas ou prender moedas sobre o umbigo do bebê é expressamente contraindicado pela Sociedade Brasileira de Pediatria e pela Academia Americana de Pediatria.

O motivo é simples: o anel se fecha nas camadas profundas da parede abdominal, e nenhuma pressão feita por cima da pele acelera esse processo. Pior do que ser inútil, a prática traz risco real. A umidade que fica retida embaixo do objeto provoca assadura, feridas e infecções na pele, e as faixas apertadas atrapalham a respiração do bebê e favorecem o refluxo.

Quando a cirurgia é indicada?

Em crianças, a correção costuma ser recomendada quando:

  • A abertura mede mais de 1,5 a 2 centímetros em crianças acima de 2 a 3 anos, porque a partir daí a chance de fechamento espontâneo cai bastante.

  • A hérnia persiste depois dos 4 a 5 anos de idade, mesmo sendo pequena.

  • Existe dor causada pela hérnia ou já aconteceu um episódio de encarceramento.

  • A pele do umbigo fica muito pendente, com uma deformidade importante.

Em adultos, a indicação segue outra lógica. A cirurgia é urgente e absoluta diante de encarceramento, estrangulamento ou obstrução do intestino. Fora da urgência, ela é indicada nas hérnias que causam dor ou desconforto e também naquelas que não dão sintoma nenhum, mas têm abertura a partir de 1 centímetro, conforme as diretrizes atualizadas das sociedades de hérnia.

Existem situações em que a cirurgia programada precisa esperar, como no acúmulo importante de líquido na barriga por doença do fígado, em distúrbios de coagulação e em outras condições que precisam ser estabilizadas antes. É por isso que a decisão é sempre individualizada, avaliada caso a caso pelo cirurgião.

Como é realizada a cirurgia para hérnia no umbigo?

O objetivo do procedimento é devolver o conteúdo para dentro da barriga e fechar a abertura. Quando esse fechamento é feito só com pontos, a cirurgia se chama herniorrafia. Quando ele é reforçado com uma tela, o nome é hernioplastia.

A anestesia varia conforme a técnica: é geral nas cirurgias por vídeo, nas robóticas e em todas as crianças. Nas cirurgias abertas de menor porte em adultos, pode ser raquianestesia, aquela aplicada nas costas, que adormece da cintura para baixo, ou anestesia local com sedação.

Técnica

Vantagens

Pontos de atenção

Recuperação média

Aberta

Menor custo, dispensa equipamentos especiais e pode ser feita com anestesia local

Corte maior sobre o umbigo e mais dor nos primeiros dias

20 a 30 dias para esforço moderado

Video

Cortes milimétricos, menos dor e ótima visualização do defeito

Exige anestesia geral e instrumentais específicos

7 a 15 dias

Robótica

Visão em três dimensões e mais precisão na sutura

Disponibilidade restrita e custo mais alto

5 a 10 dias

A tela é uma malha de material sintético, geralmente polipropileno, que reforça a região sem deixar a costura sob tensão. Com o tempo, o próprio corpo forma tecido cicatricial ao redor dela, e a parede da barriga fica mais resistente do que era antes. As diretrizes recomendam o uso da tela em adultos com aberturas a partir de 1 a 2 centímetros; em orifícios menores, os pontos simples podem bastar. E se a preocupação for rejeição, pode ficar tranquilo: ela é rara a ponto de ser praticamente inexistente.

O procedimento leva de 30 a 60 minutos, em média, e costuma ser feito em regime de hospital-dia, aquele em que você entra e sai no mesmo dia, com alta entre 6 e 24 horas. Em crianças, a correção é feita apenas com pontos, sem tela, porque a parede abdominal ainda está crescendo e a prótese impediria essa expansão.

Recuperação e cuidados pós-operatórios

A cicatrização do tecido profundo leva semanas, mesmo quando o corte por fora já parece bem. Respeitar esse tempo é o que garante o resultado a longo prazo.

  • Primeiros 3 a 5 dias: repouso em casa, com caminhadas leves para ativar a circulação.

  • 5 a 7 dias: retorno às atividades de escritório e liberação para dirigir, desde que você não sinta dor ao usar os pedais.

  • 15 a 30 dias: liberação para exercícios aeróbicos leves, mantendo a restrição a pesos acima de 5 a 10 quilos.

  • 30 a 45 dias: retorno à musculação e às atividades de alta intensidade.

A alimentação também faz parte do tratamento, e por um motivo bem prático: uma dieta rica em fibras, com frutas, verduras e cereais integrais, somada a uma boa ingestão de água, evita a prisão de ventre. E evitar a prisão de ventre significa evitar o esforço que pressiona justamente a área que acabou de ser operada.

Procure o médico se aparecer febre que não passa, saída de secreção com pus ou odor forte pela ferida, aumento da vermelhidão e do inchaço na cicatriz, dor que não cede com os analgésicos prescritos ou vômitos repetidos. O acompanhamento pós-operatório pode ser feito por telemedicina, o que facilita muito tirar dúvidas sobre a cicatriz e sobre o retorno às atividades sem precisar sair de casa logo depois da cirurgia.

Os resultados são muito bons: em crianças, a hérnia volta em menos de 1% dos casos. Em adultos, o reparo com tela reduz esse retorno para algo entre 1% e 3%.

Como prevenir o agravamento da hérnia umbilical?

Em adultos, hábitos saudáveis reduzem o risco de desenvolver ou de agravar uma hérnia, ainda que não eliminem essa possibilidade por completo. Existe um componente individual, ligado à qualidade do tecido de cada pessoa, que simplesmente não está sob o nosso controle. Mas há bastante coisa que está.

O que está ao seu alcance:

  • Controle o peso: o sobrepeso aumenta a gordura interna e distende continuamente a parede da barriga.

  • Fortaleça a musculatura abdominal com orientação: o trabalho da musculatura profunda protege a região, mas os exercícios abdominais tradicionais podem piorar o quadro em quem já tem hérnia. Antes de começar qualquer programa, converse com um profissional.

  • Levante peso da forma correta: dobre os joelhos, mantenha a coluna reta e use a força das pernas. Nunca curve o tronco nem estufe a barriga.

  • Trate a tosse crônica: parar de fumar e controlar as doenças respiratórias reduz os picos de pressão sobre o abdômen.

  • Evite o esforço para evacuar: fibras, água e o tratamento da prisão de ventre poupam a parede da barriga de uma sobrecarga diária.

  • Cuide da saúde urológica: em homens mais velhos, o esforço para urinar por causa do aumento da próstata também pressiona a região.

Se você está grávida e tem uma hérnia pequena, sem sintomas, a orientação é manter o acompanhamento clínico. O obstetra pode indicar cintas de sustentação para conforto, e a cirurgia costuma ficar para depois do parto, exceto se houver complicação. E se você já passou pela cirurgia, respeite integralmente o período de afastamento das cargas pesadas: voltar antes da hora é a principal causa de retorno da hérnia que poderia ter sido evitada.

Como a Conexa Saúde ajuda na avaliação da hérnia umbilical?

Perceber uma protuberância no umbigo levanta uma dúvida imediata e angustiante: isso é grave? Vou precisar operar? Dá para esperar? E marcar uma consulta presencial só para fazer essas perguntas costuma levar semanas.

Na Conexa Saúde, maior ecossistema de saúde digital e telemedicina da América Latina, essa primeira resposta chega rápido. No Pronto Atendimento Virtual, disponível 24 horas por dia, você é atendido em poucos instantes por um clínico geral, que avalia o seu histórico, orienta sobre os sinais de alerta e indica se o caso pede encaminhamento para uma avaliação cirúrgica ou apenas acompanhamento.

Nossos médicos também solicitam exames de forma digital, como a ultrassonografia da parede abdominal, e recebem você de volta em uma consulta online para interpretar os resultados e definir os próximos passos, com acompanhamento contínuo quando necessário.

Para as famílias, há um cuidado a mais: a plataforma conta com pediatras de plantão 24 horas no Pronto Atendimento Virtual e com especialistas infantis dentro de um portfólio de mais de 30 especialidades médicas. Diante da suspeita de hérnia no bebê, os pais conseguem orientação qualificada na hora, sem improviso e sem precisar recorrer a práticas caseiras que só trazem risco.

Perguntas frequentes sobre hérnia umbilical

O que é hérnia umbilical e é perigoso?

É a saída de tecido interno pela região do umbigo. Na maioria das vezes ela é benigna, mas se torna perigosa quando esse conteúdo fica preso e deixa de receber sangue. Aí sim é uma emergência cirúrgica.

O que não se pode fazer quando se tem hérnia umbilical?

Evite levantar peso sem orientação, abdominais tradicionais, esforço intenso para evacuar e esportes de alto impacto. Todos eles aumentam a pressão sobre a abertura e podem agravar o quadro.

Como fica a barriga de quem tem hérnia umbilical?

O umbigo fica estufado ou virado para fora, com uma protuberância arredondada. O volume aumenta quando você fica em pé, tosse ou faz força, e diminui quando você deita.

Qual o tamanho da hérnia umbilical para operar?

Em adultos, a partir de 1 a 2 centímetros de abertura, ou em qualquer tamanho se houver dor. Em crianças, acima de 1,5 a 2 centímetros depois dos 2 a 3 anos, ou se a hérnia persistir depois dos 4 a 5 anos.

É possível curar hérnia umbilical sem cirurgia?

Em bebês e crianças, sim: até 90% fecham espontaneamente até os 5 anos. Em adultos, não. A cirurgia é o único tratamento com efeito curativo.

Referências

Quem orienta

Juliana Seixas

Médica de Família e do Trabalho

CREMERJ 52981249

Especialista em Medicina de Família pela UERJ. Médica do Trabalho pela Funorte. Pós graduanda em gestão de saúde pela FGV.

Conheça a saúde que conecta

Saúde que conecta

Cuidado médico digital de qualidade, oferecido pelas melhores empresas e parceiros de saúde.

Cuidado médico digital de qualidade, oferecido pelas melhores empresas e parceiros de saúde.

Médica em telemedicina
Paciente da conexa realizando chamada de vídeo em seu celular
Paciente da conexa realizando chamada de vídeo em seu celular
Paciente da conexa realizando chamada de vídeo em seu celular

Newsletter Saúde Conectada

Newsletter Saúde Conectada

Quer se manter informado sobre saúde? Receba os artigos de saúde e bem-estar direto no seu e-mail

Quer se manter informado sobre saúde? Receba os artigos de saúde e bem-estar direto no seu e-mail