Tontura é uma palavra que usamos para descrever sensações bem diferentes: a impressão de que o chão ficou instável, uma fraqueza repentina, a cabeça leve demais ou o ambiente inteiro girando ao redor. Seja qual for a forma, ela não é uma doença. É um aviso. Um sinal de que alguma coisa saiu do lugar no sistema que mantém o seu corpo equilibrado.
O que pode causar tontura?
Pense no seu equilíbrio como um trio que toca junto o tempo inteiro.
i) O labirinto, uma estrutura que fica dentro do ouvido, avisa ao cérebro em que posição a sua cabeça está.
ii) Os olhos confirmam essa informação observando o ambiente ao redor.
iii) E os nervos dos pés e das articulações sentem o chão e a firmeza do apoio.
Quando os três contam a mesma história, você nem percebe que eles existem. Mas basta um deles desafinar para o cérebro receber informações desencontradas, e é justamente essa confusão que você sente como tontura.
É por isso que a tontura tem tantas origens possíveis. Ela pode nascer do ouvido, da circulação, do metabolismo, do sistema nervoso ou até das emoções.
E é muito mais comum do que se imagina: um estudo populacional realizado na cidade de São Paulo mostrou que 42% dos adultos relatam tontura.
Entre as origens mais frequentes estão:
Alterações no labirinto:
A campeã é a vertigem posicional paroxística benigna (VPPB).
Dentro do ouvido interno existem cristais minúsculos de cálcio que deveriam permanecer parados em um lugar específico. Quando eles se soltam e passam a flutuar pelos canais do ouvido, acabam enviando ao cérebro a informação errada de que você está girando.
O resultado são crises curtas, de poucos segundos, que aparecem ao virar a cabeça, deitar ou olhar para cima. Inflamações do ouvido interno, como a labirintite e a neurite vestibular, e também a doença de Ménière entram nesse mesmo grupo.
Causas circulatórias:
Quando você levanta muito rápido, o sangue leva um instante a mais para chegar ao cérebro. É a pressão baixa provocando aquela vista escura que dura alguns segundos. Alterações no ritmo dos batimentos do coração causam um efeito parecido, com uma diferença importante: costumam se repetir em episódios.
Causas metabólicas:
O cérebro precisa de combustível constante, e esse combustível chega pelo sangue na forma de açúcar e de oxigênio.
Quando a taxa de açúcar cai, quando o corpo está desidratado ou quando existe anemia, essa entrega diminui. A tontura que aparece nessas situações lembra mais uma fraqueza, aquela sensação de que as forças acabaram, do que a sensação de giro.
Causas neurológicas:
A enxaqueca vestibular provoca crises de tontura que podem vir acompanhadas de dor de cabeça ou surgir sem dor nenhuma.
A causa mais grave, porém, é o AVC que atinge a parte de trás do cérebro, justamente a região responsável pelo equilíbrio e pela coordenação dos movimentos. Nesse caso, cada minuto conta, e mais adiante você encontra a lista completa de sinais que pedem socorro imediato.
Causas emocionais:
Ansiedade e síndrome do pânico aceleram a respiração. Respirando rápido demais, você elimina mais gás carbônico do que o corpo precisa, e essa queda faz os vasos do cérebro se estreitarem.
Daí vem a clássica sensação de cabeça leve, de estar flutuando.
Medicamentos:
Remédios para pressão alta, diuréticos, calmantes, anticonvulsivantes e alguns antibióticos podem provocar tontura como efeito colateral. Se você usa algum deles, vale levar a lista completa para a consulta. E é mais um bom motivo para nunca se automedicar.
Quais são os tipos de tontura?
Pode parecer um detalhe, mas a forma como você descreve o que sentiu é uma das pistas mais valiosas para chegar ao diagnóstico.
Dizer "o quarto girou por trinta segundos quando eu me deitei" leva o médico por um caminho bem diferente de "senti a vista escurecer quando levantei".
Por isso, prestar atenção na própria sensação antes da consulta ajuda muito. A medicina reúne essas sensações em quatro tipos principais:
Tipo | O que a pessoa sente | Quanto costuma durar | O que geralmente está por trás |
Vertigem | Sensação de que o ambiente gira ou de que o próprio corpo roda | De segundos (VPPB) a horas ou dias (labirintite e neurite) | Cristais deslocados no ouvido interno, inflamações do labirinto, doença de Ménière, enxaqueca vestibular |
Pré-síncope | Sensação de desmaio próximo, vista escurecendo, "apagando" | Segundos a poucos minutos | Pressão baixa, alterações no ritmo cardíaco, uso de diuréticos, desidratação |
Desequilíbrio | Instabilidade nas pernas, falta de firmeza ao caminhar | Contínua ao andar ou em pé; some ao deitar | Perda de sensibilidade nos nervos das pernas, alterações no cerebelo, envelhecimento do sistema de equilíbrio |
Tontura psicogênica | Cabeça leve, flutuando, sensação de "algodão" na cabeça | Persistente, na maior parte dos dias, por três meses ou mais | Ansiedade, síndrome do pânico e tontura postural-perceptual persistente |
O que é bom para aliviar a tontura?
Se você sentir uma crise começando, a coisa mais importante a fazer é se proteger de uma queda. Interrompa o que estiver fazendo e sente-se ou deite-se em uma superfície firme, com a cabeça um pouco elevada, apoiada em um travesseiro.
Depois de se acomodar, tente fixar o olhar em um ponto parado à sua frente. Esse gesto ajuda o cérebro a reancorar a imagem e reduz a sensação de giro.
Evite movimentos bruscos com a cabeça e, se puder, escolha um ambiente escurecido, silencioso e arejado, longe de telas e de luzes piscando, porque elas intensificam o desconforto e a ânsia de vômito.
Manter a hidratação também ajuda. Durante a crise, tome pequenos goles de água, desde que não haja enjoo intenso ou vômitos.
E vale um alerta importante: por mais tentador que pareça, nenhum remédio para tontura deve ser tomado por conta própria. Usados sem critério, esses medicamentos atrapalham justamente a recuperação natural do equilíbrio.
Quando procurar um médico?
Toda tontura que se repete, que dura mais do que o esperado ou que vem acompanhada de outros sintomas merece ser investigada. E existe um grupo de sinais que não admite espera, porque podem indicar um AVC.
Procure socorro imediatamente se a tontura vier junto de:
Dor de cabeça súbita, muito intensa, diferente de qualquer outra que você já sentiu;
Fraqueza ou dormência de um lado do corpo, do rosto ou dos membros;
Boca torta ou rosto assimétrico;
Dificuldade para falar, para articular as palavras ou para entender o que dizem;
Visão dupla, perda de parte do campo de visão ou embaçamento repentino;
Incapacidade de ficar em pé, ou até sentado, sem apoio;
Desmaio, dor no peito ou falta de ar durante o episódio.
Fora das situações de urgência, também vale marcar uma consulta se as tonturas são frequentes, se atrapalham a sua rotina, se você já caiu mais de uma vez por causa delas ou se elas vêm acompanhadas de perda de audição ou zumbido.
Qual médico trata tontura?
Não existe um único especialista responsável por todos os casos de tontura. A escolha depende das características do seu quadro.
O clínico geral costuma ser a porta de entrada natural. É ele quem faz a avaliação inicial, revisa os medicamentos que você usa, mede a pressão em diferentes posições e identifica os sinais que pedem encaminhamento. Em muitos casos, esse primeiro passo já resolve o problema ou aponta o caminho.
O otorrinolaringologista entra em cena quando há vertigem, zumbido ou perda de audição, e é ele quem realiza as manobras que reposicionam os cristais do ouvido interno.
Se você tem dúvida sobre o momento certo dessa consulta, vale entender quando procurar um otorrinolaringologista. Já o otoneurologista, uma subespecialidade voltada exclusivamente ao equilíbrio, assume os casos crônicos ou que não responderam ao tratamento inicial.
O neurologista é indicado diante da suspeita de AVC, enxaqueca vestibular ou alterações de coordenação, e este conteúdo sobre quando devo procurar um neurologista? ajuda a reconhecer esses sinais.
E quando a tontura aparece junto de palpitações ou desmaios, é o cardiologista quem investiga o coração.
Na dúvida sobre por onde começar, uma triagem inicial por telemedicina resolve o impasse. O médico ouve a sua descrição do sintoma, avalia o histórico e indica o especialista certo, sem que você precise peregrinar entre consultórios.
Como é feito o diagnóstico da tontura?
O diagnóstico da tontura começa antes de qualquer exame. A conversa detalhada com o médico é a ferramenta mais poderosa que existe aqui, e ela vai atrás de informações bem específicas: o tipo de sensação, a duração das crises, o que desencadeia, o que alivia, quais sintomas aparecem junto e quais medicamentos você toma.
Em seguida vem o exame físico, sempre direcionado ao equilíbrio. O médico observa os movimentos involuntários dos olhos, testa a coordenação e avalia a postura.
Nos quadros agudos, existe ainda o protocolo HINTS, que ajuda a diferenciar uma alteração benigna do ouvido de um evento no cérebro, sendo muitas vezes mais preciso que a ressonância nas primeiras horas.
Quais exames identificam a causa da tontura?
Nem todo caso precisa de exames. Mas quando a origem não fica clara, o médico pode solicitar:
Manobra de Dix-Hallpike: um teste feito ali mesmo no consultório, em que o médico muda rapidamente a posição da sua cabeça para confirmar se existem cristais deslocados nos canais do ouvido interno.
Video Head Impulse Test (vHIT): você usa óculos equipados com uma câmera, que mede como os seus olhos respondem a movimentos rápidos da cabeça. Isso permite avaliar cada canal do labirinto separadamente.
Videonistagmografia e prova calórica: registram os movimentos dos olhos e comparam o funcionamento dos dois labirintos, mostrando qual lado está mais fraco.
Audiometria: mapeia a sua audição e ajuda a separar condições parecidas, já que algumas afetam a audição e outras a preservam.
Exames de sangue: hemograma, glicemia, sódio e potássio, função da tireoide, função dos rins, vitamina B12 e vitamina D investigam as causas metabólicas e nutricionais.
Avaliação cardiológica: eletrocardiograma, Holter de 24 horas e teste de inclinação verificam se existem arritmias ou quedas de pressão relacionadas à mudança de postura.
Ressonância magnética do crânio: indicada quando há suspeita de causa neurológica, como AVC, lesões no cerebelo ou tumores.
Tratamento para tontura
Não existe um tratamento único para a tontura, porque o tratamento é definido de acordo com a causa.
É por isso que o mesmo sintoma pode se resolver em uma única consulta para uma pessoa e exigir meses de acompanhamento para outra.
As principais abordagens são:
Manobras de reposicionamento: quando o problema é causado por cristais deslocados no ouvido interno, manobras como a de Epley reposicionam essas partículas. O alívio costuma ser rápido, muitas vezes já na primeira sessão.
Reabilitação vestibular: um programa de exercícios para os olhos, a cabeça e o corpo que ajuda o cérebro a compensar alterações no equilíbrio. É especialmente eficaz em tonturas crônicas, no desequilíbrio do idoso e em quadros persistentes.
Medicamentos específicos: os remédios para aliviar a tontura são indicados apenas nas primeiras 24 a 48 horas de uma crise intensa. Para prevenir novos episódios, o tratamento varia conforme a causa, sempre sob prescrição médica.
Correções metabólicas: controlar a glicemia, repor líquidos e sais e ajustar medicamentos para pressão podem resolver o problema sem necessidade de outros tratamentos.
Cuidado emocional: quando a tontura está relacionada à ansiedade, a combinação de reabilitação vestibular e terapia cognitivo-comportamental apresenta os melhores resultados, reduzindo o estado de alerta constante que contribui para a persistência dos sintomas.
Como prevenir a tontura?
Reduzir a frequência das crises depende menos de grandes mudanças e mais de hábitos consistentes no dia a dia. São cuidados pequenos, que protegem tanto a circulação quanto o sistema de equilíbrio.
Levante devagar: ao acordar, sente-se na cama e espere de 30 a 60 segundos antes de ficar em pé. Esse intervalo dá tempo ao corpo de reajustar a pressão.
Mantenha-se hidratado: a falta de líquidos reduz o volume de sangue circulante e é uma das causas mais evitáveis de tontura, principalmente em dias quentes, quando o risco de exaustão pelo calor aumenta.
Não pule refeições: comer em intervalos regulares evita as quedas de açúcar no sangue que provocam fraqueza e vista escura.
Durma bem: noites mal dormidas desequilibram o sistema vestibular e são um gatilho conhecido para as crises.
Movimente-se com regularidade: caminhadas, pilates e exercícios de fortalecimento melhoram a estabilidade postural e treinam os reflexos que sustentam o seu equilíbrio.
Controle o estresse e as telas: faça pausas durante o uso de dispositivos e evite ambientes com muitos estímulos visuais quando estiver mais sensível.
Como a Conexa Saúde auxilia no tratamento da tontura?
A tontura traz um desafio prático: ela raramente avisa quando vai aparecer. Sair de casa desequilibrado ou dirigir é justamente o que você menos consegue fazer no momento da crise.
É aí que a Conexa Saúde faz diferença.
No Pronto Atendimento Virtual, disponível 24 horas por dia, você conversa com um médico por vídeo e é atendido em poucos instantes, do conforto da sua casa, sem precisar se deslocar.
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O profissional avalia o seu quadro, emite prescrição digital quando necessário, solicita exames pelo próprio sistema e recebe você de volta em uma nova consulta online para interpretar os resultados e definir os próximos passos.
Como referência em cuidado integral, a Conexa também oferece acompanhamento psicológico e psiquiátrico.
É um apoio valioso para quem convive com a tontura ligada à ansiedade, uma das causas mais subestimadas do sintoma.
Perguntas frequentes sobre tontura
O que pode ser tontura ao deitar ou tontura do nada?
A tontura que aparece ao deitar, virar na cama ou olhar para cima é típica dos cristais deslocados no ouvido interno, e as crises costumam durar menos de um minuto. Já a tontura repentina e contínua, que não tem relação com o movimento, precisa de avaliação médica imediata.
Quando a tontura e dor de cabeça indicam algo grave?
Quando as duas aparecem juntas de forma recorrente, costumam apontar para a enxaqueca vestibular, que é uma condição benigna. O sinal de gravidade é outro: uma dor de cabeça súbita e intensíssima, especialmente se vier com rigidez no pescoço. Nesse caso, procure a emergência.
Como é a tontura de AVC?
Ela é súbita, não melhora quando você muda de posição e vem acompanhada de outros sinais neurológicos, como fala arrastada, fraqueza em um lado do corpo, visão dupla e incapacidade de se manter em pé ou sentado sem apoio.
Tontura é sinal de gravidez?
Pode ser. As alterações hormonais reduzem a pressão arterial, principalmente no segundo trimestre. E no fim da gestação, quando a gestante deita de barriga para cima, o útero pode comprimir a veia que traz o sangue de volta ao coração.
Existe suplemento alimentar recomendado para quem sente tonturas?
A reposição de vitamina D reduz as recaídas dos cristais deslocados em pessoas com deficiência comprovada, e o magnésio tem evidência na prevenção da enxaqueca vestibular. Ainda assim, nenhum dos dois deve ser tomado sem exame e prescrição médica.
Onde encontrar médicos especializados em tontura?
Na Conexa Saúde você acessa clínicos gerais, otorrinolaringologistas, neurologistas e cardiologistas por vídeo, 24 horas por dia, com prescrição e pedido de exames digitais.
Referências
https://aborlccf.org.br/documentos/tontura-postural-perceptual-persistente/
https://aborlccf.org.br/wp-content/uploads/2023/01/Tontura_e_Vertigem_Vascular.pdf
https://aborlccf.org.br/wp-content/uploads/2023/01/vertigem_visual.pdf
https://aborlccf.org.br/wp-content/uploads/2023/10/1696941846_Tonturas_Posicionais.pdf
https://www.scielo.br/j/bjorl/a/GxKGJcbLwjLHGFmZXPCyNTH/?lang=pt
https://www.scielo.br/j/medical/a/mLXhBpnXZPDjhc5hqrgpGgr/?lang=en
https://www.scielo.br/j/rcefac/a/JMqJLKW7bXpqyLvMcJPMKmv/?lang=pt












