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Sono excessivo: por que sinto tanta sonolência durante o dia?

Cuidados de saúde para mãe e criança
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O sono excessivo, também chamado de sonolência diurna excessiva, é a dificuldade de se manter acordado e alerta durante o dia, mesmo depois de uma noite de sono suficiente. Na maioria das vezes ele vem de noites mal dormidas ou de poucas horas de sono, mas também pode ser sinal de distúrbios do sono (como a apneia), de doenças clínicas (anemia, diabetes, alterações da tireoide) ou de quadros emocionais como ansiedade e depressão.

O problema é mais comum do que parece. A sonolência diurna excessiva é considerada o segundo distúrbio do sono mais frequente, atrás apenas da insônia, e estudos brasileiros já encontraram taxas acima de 20% em amostras da população adulta.

É importante entender que sentir sono não é o mesmo que sentir cansaço. A sonolência é a vontade de cochilar ou adormecer em horas inadequadas. Já o cansaço (fadiga) é a falta de energia, que nem sempre vem com a vontade de dormir. Saber qual dos dois você sente ajuda o médico a chegar mais rápido à causa.

Neste artigo, vamos explorar as principais causas do sono excessivo e oferecer dicas práticas para lidar com esse problema.

O que é considerado um sono excessivo?

Sentir-se cansado durante o dia é uma experiência comum. No entanto, quando essa sonolência é excessiva, há compulsão para dormir e acontece com frequência por pelo menos três meses e interfere nas suas atividades, pode ser um sinal de sono excessivo (hipersonia).

Na prática, é uma vontade de dormir que foge do controle durante o dia, com cochilos involuntários e, em alguns casos, "ataques de sono", mesmo depois de uma noite de sono adequada. É uma alteração na necessidade de sono que atrapalha a rotina e afeta a concentração, a memória e o desempenho nas atividades diárias.

Como saber se a minha sonolência é excessiva?

Uma forma simples de ter uma primeira noção é a Escala de Sonolência de Epworth, um questionário curto e validado em que você avalia a chance de cochilar em situações do dia a dia (lendo, vendo TV, no transporte, após o almoço). 

Pontuações mais altas indicam maior sonolência diurna e a necessidade de avaliação médica. É um instrumento de triagem e que não substitui o diagnóstico, mas ajuda a decidir quando procurar ajuda.

Níveis de sono excessivo

O sono excessivo pode se manifestar em diferentes intensidades, normalmente classificadas pelo impacto na rotina:

  • Leve: sonolência diurna persistente e dificuldade para manter o foco, com queda de produtividade nas atividades do dia a dia;

  • Moderado: a sonolência atrapalha tarefas que exigem atenção, com falhas de concentração e maior dificuldade para permanecer alerta em situações monótonas (reuniões, trânsito, sala de aula);

  • Grave: sonolência intensa e cochilos involuntários ao longo do dia, dificuldade acentuada para acordar pela manhã e prejuízo importante em estudos, trabalho e relações, com risco aumentado de acidentes.

Reconhecer esses níveis ajuda a identificar o problema mais cedo e a buscar tratamento médico adequado para melhorar a qualidade de vida.

Quais são as causas do sono excessivo?

Distúrbios do sono, doenças clínicas e psiquiátricas e hábitos de vida podem levar a sonolência excessiva.

A principal causa, porém, é sono insuficiente, ou seja, dormir menos do que o corpo precisa por conta da rotina de trabalho, estudos e compromissos. Em boa parte dos casos, a sonolência melhora quando a pessoa recupera as horas de sono. Mas, quando o sono em quantidade adequada não resolve, é hora de investigar outras causas, como:

1. Distúrbios do sono

Os distúrbios do sono são um grupo de condições que afetam a qualidade, a quantidade ou o padrão do sono. Diversos deles podem levar ao sono excessivo, como:

  • Apneia do sono: é a causa mais importante de sonolência diurna ligada ao sono. Caracteriza-se por episódios repetidos de obstrução das vias respiratórias durante o sono, com despertares frequentes para restaurar a respiração. Isso fragmenta o sono e gera sonolência e fadiga durante o dia. Saiba mais sobre os sintomas e o tratamento da apneia do sono;

  • Síndrome das pernas inquietas: provoca sensações desconfortáveis nas pernas durante o repouso, levando a movimentos repetitivos para aliviá-las. O resultado é dificuldade para adormecer e sono fragmentado, contribuindo para a sonolência diurna;

  • Narcolepsia: distúrbio neurológico crônico caracterizado por sonolência excessiva durante o dia e episódios súbitos de sono, que podem ocorrer a qualquer momento. É raro, mas frequentemente subdiagnosticado, e costuma se manifestar entre os 15 e os 30 anos;

  • Terror noturno: despertares abruptos durante o sono profundo, acompanhados de gritos, agitação e confusão. Esses episódios interrompem o ciclo normal de sono e podem causar sonolência no dia seguinte;

  • Sonambulismo: realização de atividades motoras complexas durante o sono profundo, como caminhar ou conversar, sem consciência total.

É essencial diagnosticar corretamente o distúrbio específico para um manejo adequado e melhorar a qualidade de vida.

2. Anemia

A anemia é uma condição em que há uma quantidade insuficiente de glóbulos vermelhos saudáveis para transportar oxigênio aos tecidos do corpo. Isso pode ocorrer por deficiência de ferro, vitamina B12, ácido fólico ou outros nutrientes essenciais para a produção de glóbulos vermelhos.

A falta de oxigenação adequada nos tecidos leva à fadiga e ao cansaço constantes, sintomas comuns na anemia. Como resultado, quem sofre dessa condição pode sentir cansaço persistente e sonolência diurna, mesmo após períodos de descanso adequados.

3. Diabetes

Em pessoas com diabetes, os níveis de glicose no sangue podem oscilar bastante, especialmente quando não estão bem controlados. A hiperglicemia (açúcar alto) pode causar sensação de cansaço constante, enquanto a hipoglicemia (açúcar baixo) pode levar a episódios de fraqueza e fadiga.

A diabetes também pode gerar complicações de longo prazo, como neuropatia, problemas de circulação e doenças cardíacas, que aumentam a fadiga e o cansaço pelo impacto no funcionamento dos sistemas nervoso e cardiovascular.

4. Alterações na tireoide

Alterações na tireoide, como hipotireoidismo e hipertireoidismo, afetam os hormônios que regulam o metabolismo. No hipotireoidismo, a produção insuficiente de hormônios deixa o metabolismo mais lento, resultando em cansaço, fraqueza muscular e sonolência diurna.

Já no hipertireoidismo, o excesso de hormônios acelera o metabolismo e causa nervosismo, insônia e também cansaço pela alta demanda de energia. Essas condições interferem na regulação do sono e podem contribuir tanto para insônia quanto para sonolência excessiva.

5. Depressão

A depressão tem como sintoma frequente as alterações do sono, cerca de 80% dos pacientes com transtorno depressivo apresentam algum tipo de alteração no padrão de sono, segundo a literatura científica. Essas alterações, como insônia ou sono fragmentado, levam a um descanso inadequado e, consequentemente, à sonolência diurna.

O estresse emocional persistente da depressão também pode levar à exaustão física e mental. A desregulação de neurotransmissores, como serotonina e noradrenalina, interfere no ciclo sono-vigília, resultando em mais dificuldade para dormir e sonolência durante o dia.

6. Ansiedade

A ansiedade também tem papel relevante no cansaço e no sono excessivo. Dificuldades para adormecer, manter o sono ou despertares precoces são comuns em pessoas ansiosas e contribuem para uma sensação persistente de cansaço durante o dia.

A tensão emocional e as preocupações constantes podem levar à fadiga física e mental, tornando difícil sentir-se revigorado mesmo após o descanso. A hipervigilância (estado de alerta constante) atrapalha o relaxamento e o sono tranquilo, agravando a sonolência diurna.

7. Estresse

Quando estamos sob estresse, o corpo libera hormônios como cortisol e adrenalina, que nos preparam para reagir rapidamente. Esse estado prolongado de alerta consome energia e leva à fadiga física.

A tensão muscular associada ao estresse também causa desconforto e fadiga. No plano emocional, lidar o tempo todo com preocupações esgota mentalmente e contribui para o cansaço mental e emocional.

8. Doenças cardíacas

A insuficiência cardíaca pode causar falta de ar à noite devido ao acúmulo de líquido nos pulmões, resultando em sono fragmentado e sonolência diurna. Além disso, alguns medicamentos usados no tratamento cardíaco, como os betabloqueadores, podem causar sonolência como efeito colateral.

A fadiga crônica decorrente da menor capacidade do coração de fornecer oxigênio durante a atividade física também pode levar à sonolência diurna.

9. Sedentarismo

A falta de atividade física regular reduz o gasto energético diário. Sem um nível adequado de atividade, o corpo pode não estar suficientemente cansado para adormecer com facilidade à noite.

A prática regular de exercícios ajuda a regular o ritmo circadiano, o ciclo natural de sono-vigília. As consequências do sedentarismo podem desregular esse ciclo, resultando em dificuldade para adormecer e despertares frequentes.

10. Fatores externos

Fatores externos têm grande influência na qualidade do sono. Horários irregulares para dormir, por exemplo, desregulam o relógio biológico e dificultam o adormecimento.

O uso excessivo de eletrônicos antes de dormir também interfere na produção de melatonina, o hormônio do sono, dificultando o início do sono. Iluminação inadequada, ruídos e temperatura desconfortável (quente ou fria demais) no quarto completam a lista de fatores que prejudicam o descanso.

Entender esses fatores e adotar hábitos saudáveis pode melhorar significativamente o sono.

Sono excessivo durante a gravidez é comum?

Sim, o sono excessivo durante a gravidez é comum, devido a uma combinação de mudanças hormonais e desconfortos físicos que afetam muitas gestantes. Durante a gravidez, o corpo passa por ajustes hormonais importantes, como o aumento da progesterona, que pode aumentar a sonolência diurna.

Além disso, o corpo da gestante se adapta ao aumento de peso, às mudanças de postura e ao aumento do volume sanguíneo, o que pode elevar a sensação de cansaço e a necessidade de mais descanso.

É importante que as gestantes entendam essas mudanças como parte natural do processo e busquem mais conforto para dormir — ajustando posições, mantendo uma rotina de sono regular e conversando com o obstetra sobre qualquer preocupação, para garantir um descanso adequado ao longo da gestação.

Sono excessivo em crianças e adolescentes é normal?

O sono é essencial para o desenvolvimento físico, mental e emocional de crianças e adolescentes. No entanto, o sono excessivo pode ser sinal de um problema subjacente. Algumas causas incluem:

  • Mudanças hormonais: a puberdade é um período de grandes mudanças que podem afetar o ciclo do sono;

  • Distúrbios do sono: crianças e adolescentes também podem ter apneia do sono, narcolepsia e síndrome das pernas inquietas;

  • Problemas de saúde: anemia, diabetes e problemas de tireoide podem levar ao sono excessivo;

  • Hábitos irregulares: horários inconsistentes, cochilos frequentes e uso de telas antes de dormir prejudicam a qualidade do sono;

  • Problemas emocionais: estresse, ansiedade e depressão podem afetar o sono.

O sono excessivo pode prejudicar o desenvolvimento. Na escola, a sonolência atrapalha a concentração, a memória e o aprendizado. Podem surgir irritabilidade e dificuldades emocionais, e a falta de sono de qualidade pode comprometer o sistema imunológico.

Os tempos médios de sono recomendados variam com a idade:

  • Crianças de 3 a 5 anos: 10 a 13 horas por dia, incluindo cochilos;

  • Crianças de 6 a 12 anos: 9 a 12 horas por dia;

  • Adolescentes de 13 a 18 anos: 8 a 10 horas por dia.

Se você está preocupado com o sono excessivo do seu filho, consulte um médico para obter um diagnóstico preciso e um plano de tratamento adequado.

Como o sono excessivo pode prejudicar a sua vida?

Dormir bem é uma das funções que mais deveria ser priorizada pelas pessoas, pois ela interfere em inúmeras condições de saúde. O sono excessivo está associado a maior risco de problemas cardiovasculares, como hipertensão arterial e doenças cardíacas. A interrupção do ritmo circadiano também pode contribuir para obesidade e diabetes tipo 2.

A queda na imunidade que costuma acompanhar o sono ruim também pode aumentar a vulnerabilidade a infecções.

A sonolência diurna excessiva também afeta a saúde mental e a cognição. É comum o relato de dificuldade de concentração, lentidão nas respostas e menor clareza mental, com impacto no desempenho acadêmico, profissional e social. Estudos mostram relação entre alterações do sono e maior risco de ansiedade e depressão, em uma via de mão dupla: o sono ruim agrava os sintomas, que por sua vez pioram o sono.

Se você está enfrentando preocupações com sono excessivo, é essencial consultar um médico para um diagnóstico preciso e um plano de tratamento adequado.

Como descobrir a raiz do meu sono excessivo?

Descobrir a causa do sono excessivo envolve uma avaliação médica detalhada. Inicialmente, o médico faz uma anamnese para entender seus sintomas, histórico e padrões de sono. Um diário do sono ajuda a identificar comportamentos que afetam o descanso.

A telemedicina oferece uma alternativa conveniente e acessível para o primeiro contato com um profissional de saúde. Com base na avaliação online, o médico pode orientar, solicitar exames complementares ou encaminhar para um especialista presencial, se necessário.

O exame mais comum é a polissonografia (PSG), que monitora atividades cerebrais, respiratórias, cardíacas e musculares durante o sono, essencial para diagnosticar apneia do sono e narcolepsia. Outros testes, como a poligrafia respiratória e exames de sangue e hormônios, também podem ser solicitados.

Dependendo dos sintomas, o médico pode encaminhar para otorrinolaringologistas, neurologistas ou psiquiatras. Pela plataforma da Conexa Saúde, você agenda uma consulta online com um médico qualificado.

Quais são os tratamentos para o sono excessivo?

O primeiro passo é um diagnóstico preciso. Por meio de consulta médica e exames complementares, o médico identifica a causa e recomenda o tratamento adequado.

Para distúrbios como apneia do sono, narcolepsia ou síndrome das pernas inquietas, o tratamento pode incluir o uso de CPAP (pressão positiva contínua nas vias aéreas) para a apneia, medicamentos para a narcolepsia ou tratamentos específicos para as pernas inquietas.

Tratar condições como anemia, diabetes e distúrbios da tireoide é fundamental para melhorar o sono.

Além do tratamento específico, algumas mudanças no estilo de vida ajudam a melhorar a qualidade do sono e reduzir o cansaço excessivo:

  • Horários de sono regulares: dormir e acordar sempre nos mesmos horários ajuda a regular o ciclo sono-vigília;

  • Ambiente adequado: um quarto escuro, silencioso e confortável melhora a qualidade do sono;

  • Limitar eletrônicos: evitar telas antes de dormir, pela luz azul que interfere na melatonina;

  • Evitar estimulantes: reduzir cafeína e outros estimulantes, especialmente à tarde e à noite.

A combinação de tratamentos personalizados, mudanças no estilo de vida, terapias comportamentais e, quando indicado, medicamentos, pode ajudar de forma significativa no controle do sono excessivo e do cansaço crônico.

Qual médico devo procurar se estou tendo problemas de sono excessivo?

Se você está enfrentando sono excessivo, o profissional mais indicado para o primeiro contato é um especialista em medicina do sono ou um neurologista com experiência em distúrbios do sono. Esses profissionais são treinados para diagnosticar e tratar condições como apneia do sono, narcolepsia e insônia.

Se houver questões emocionais envolvidas, uma consulta com psicólogo ou psiquiatra também é recomendável, para identificar e tratar ansiedade, depressão ou estresse crônico, que frequentemente afetam a qualidade do sono.

Para marcar uma consulta online pela Conexa, você pode seguir estes passos:

  1. Acesse o site da Conexa ou baixe o aplicativo no seu celular;

  2. Crie uma conta ou faça login, se já tiver uma conta registrada;

  3. Procure por médicos, psicólogos ou psiquiatras na plataforma, filtrando por especialidade e disponibilidade;

  4. Escolha o profissional que melhor atenda às suas necessidades e agende uma consulta online;

  5. Durante a consulta, descreva seus sintomas de sono excessivo e receba orientações sobre os próximos passos.

As consultas online oferecem conveniência e acesso a profissionais qualificados no conforto da sua casa. A saúde do sono é fundamental para o bem-estar, e buscar ajuda profissional é o primeiro passo para encontrar a solução adequada.

Quem orienta

Karine Bonfim Pereira

Psicóloga

CRP 06/149013

Psicóloga graduada pela PUC-SP, pós-graduada em Psicanálise Clínica pela UniAmerica e em Atendimento Psicanalítico de Casal e Família pelo Instituto Sedes Sapientiae. Atua como Psicóloga Supervisora do time de Gestão em Saúde Mental na Conexa.

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