Apneia do sono: causas, sintomas, como diagnosticar e tratar esse distúrbio

Rafael Leite Aguilar | Telemedicina | Atualizado em: 28/05/2025

homem com apneia do sono roncando

A apneia do sono é um distúrbio crônico em que a respiração para repetidamente ou fica muito superficial durante o sono. Essas pausas podem durar de alguns segundos a mais de um minuto e ocorrer diversas vezes ao longo da noite. Isso faz com que o corpo tenha menos oxigênio e mais dióxido de carbono no sangue, temporariamente.

Geralmente, isso acontece porque os músculos da garganta relaxam demais, fazendo com que a língua e a mandíbula se desloquem para trás e bloqueiem total ou parcialmente a passagem do ar. Esse ciclo de obstrução e despertar impede que você alcance as fases mais profundas e reparadoras do sono.

Entender a apneia do sono é o primeiro passo para buscar ajuda e melhorar significativamente sua qualidade de vida. Continue lendo para descobrir o que é, quais os tipos, causas, sintomas, como é feito o diagnóstico e as opções de tratamento disponíveis.

Quais são os tipos de apneia do sono?

Existem três tipos de apneia do sono:

  1. Apneia Obstrutiva do Sono (AOS): É o tipo mais comum. Ocorre quando há um bloqueio físico (obstrução) das vias aéreas superiores durante o sono, mesmo que a pessoa continue tentando respirar.
  2. Apneia Central do Sono (ACS): Menos comum, a ACS acontece quando o cérebro não envia os sinais corretos para os músculos que controlam a respiração. Diferente da AOS, não há um bloqueio físico, mas sim uma falha no comando respiratório. Pode estar associada a condições como insuficiência cardíaca ou problemas neurológicos, como AVC.
  3. Apneia Mista: Como o nome sugere, é uma combinação da apneia obstrutiva e da apneia central.

O que causa a apneia do sono e quais os fatores de risco?

As causas da apneia do sono variam conforme o tipo. Na AOS, a principal causa é a obstrução física das vias aéreas. Na ACS, a causa está relacionada a disfunções no controle cerebral da respiração.

Diversos fatores podem aumentar o risco de desenvolver apneia do sono:

  • Obesidade: O excesso de peso, especialmente o acúmulo de gordura ao redor do pescoço, é um dos principais fatores de risco para a apneia obstrutiva do sono.
  • Idade: Embora possa ocorrer em qualquer idade, é mais comum em adultos mais velhos.
  • Anatomia das vias aéreas: queixo pequeno, pescoço largo, amígdalas ou adenoides grandes podem estreitar a passagem do ar.
  • Histórico familiar: ter parentes com apneia do sono pode aumentar suas chances.
  • Uso de álcool e sedativos: essas substâncias relaxam os músculos da garganta, podendo piorar ou causar apneia.
  • Tabagismo: Fumar pode inflamar e estreitar as vias aéreas.
  • Congestão nasal crônica: dificuldade para respirar pelo nariz pode agravar o quadro.
  • Certas condições médicas: hipotireoidismo, insuficiência cardíaca, doenças neuromusculares e síndrome dos ovários policísticos podem estar associadas.

Quais são os sintomas da apneia do sono?

Os sintomas podem variar de pessoa para pessoa, mas os mais comuns incluem:

Sintomas noturnos, que acontecem durante o sono:

  • Ronco alto e frequente (muitas vezes relatado por outra pessoa).
  • Pausas na respiração durante o sono (testemunhadas por outros).
  • Despertares súbitos com sensação de sufocamento ou engasgo.
  • Sono agitado e com muitos despertares (mesmo que não lembrados).
  • Necessidade de urinar várias vezes durante a noite (noctúria).
  • Suor excessivo durante o sono.

Sintomas diurnos, após o episódio de apneia:

  • Sonolência excessiva durante o dia, mesmo após uma noite inteira na cama.
  • Fadiga e cansaço constantes.
  • Dores de cabeça pela manhã.
  • Dificuldade de concentração e problemas de memória.
  • Irritabilidade e alterações de humor.
  • Boca seca ou dor de garganta ao acordar.
  • Redução da libido ou impotência sexual.

Em crianças, os sintomas podem incluir ronco frequente, respiração pela boca durante o dia, sono agitado, dificuldade de aprendizado, problemas de comportamento como hiperatividade e atraso no crescimento.

Como é feito o diagnóstico?

Se você suspeita que tenha apneia do sono, é fundamental procurar um médico. O diagnóstico geralmente envolve:

  1. Avaliação clínica: O médico (geralmente otorrinolaringologista, pneumologista ou médico do sono) irá perguntar sobre seus sintomas, histórico de saúde e hábitos de vida.
  2. Polissonografia: É o principal exame para diagnosticar a apneia do sono. Você passará uma noite em um laboratório do sono (ou, em alguns casos, em casa com um aparelho portátil) enquanto diversos parâmetros são monitorados, como atividade cerebral, movimentos oculares, frequência cardíaca, fluxo respiratório, níveis de oxigênio no sangue e movimentos musculares.
  3. Índice de Apneia-Hipopneia (IAH): O resultado da polissonografia inclui o IAH, que é o número de episódios de apneia (parada total da respiração) e hipopneia (redução significativa da respiração) por hora de sono. O IAH ajuda a classificar a gravidade da apneia:
  • Leve: IAH entre 5 e 4 eventos por hora.
  • Moderada: IAH entre 5 e 9 eventos por hora.
  • Grave (ou Acentuada): IAH igual ou superior a 0 eventos por hora.

A telemedicina também pode ser uma ferramenta útil na investigação inicial. Em uma consulta online, o médico pode avaliar seus sintomas, discutir seu histórico e, se necessário, encaminhar para a polissonografia. A Conexa Saúde oferece acesso a médicos qualificados por meio de consultas online.

Quais as complicações da apneia do sono não tratada?

Ignorar a apneia do sono pode trazer sérias consequências para a saúde. As interrupções na respiração causam quedas nos níveis de oxigênio no sangue e aumentam o estresse sobre o coração e outros órgãos. Com o tempo, isso pode levar a:

  • Hipertensão arterial (pressão alta).
  • Doenças cardíacas, como arritmias, infarto e insuficiência cardíaca.
  • Acidente Vascular Cerebral (AVC ou derrame).
  • Diabetes tipo 2.
  • Depressão e ansiedade.
  • Dificuldade de concentração e problemas de memória, podendo aumentar o risco de demências a longo prazo (conforme estudos da American Heart Association)
  • Sonolência diurna excessiva, aumentando o risco de acidentes de trabalho e de trânsito.
  • Piora da qualidade de vida, com cansaço crônico e irritabilidade.
  • Dificuldade para perder peso.

Como tratar a apneia do sono?

O tratamento da apneia do sono visa manter as vias aéreas abertas durante o sono, melhorando a respiração, a qualidade do sono e prevenindo complicações. As opções variam conforme o tipo, a gravidade da apneia e as características individuais:

  • Mudanças no Estilo de Vida: para pessoas acima do peso, emagrecer pode reduzir ou até eliminar a apneia. Alimentação saudável, evitar álcool ou sedativos, parar de fumar e ajustar sua posição durante o sono também podem diminuir os episódios de apneia.
  • CPAP (Pressão Positiva Contínua nas Vias Aéreas): É o tratamento mais comum e eficaz para apneia moderada a grave. Consiste em uma máscara conectada a um aparelho que fornece um fluxo contínuo de ar, mantendo as vias aéreas abertas durante o sono. A adaptação ao CPAP pode levar um tempo, mas o acompanhamento médico é fundamental para ajustar a máscara e a pressão, tornando o uso mais confortável e eficaz.
  • Aparelhos intraorais: dispositivos feitos sob medida por dentistas especializados, que se encaixam na boca e ajudam a avançar a mandíbula e a língua, liberando a passagem do ar. São uma opção para apneia leve a moderada ou para quem não se adapta ao CPAP.
  • Terapia miofuncional orofacial: Segundo a Sleep Research Society, essa terapia pode reduzir em 50% o índice de apneia-hipopneia em adultos. e podem ser úteis como complemento a outros tratamentos.
  • Cirurgias: Indicadas em casos específicos, quando outras terapias não funcionam ou quando há uma alteração anatômica clara que pode ser corrigida cirurgicamente (como remoção de amígdalas e adenoides aumentadas, especialmente em crianças, ou correção de desvios de septo e outras estruturas).

É possível prevenir a apneia do sono?

Adotar hábitos saudáveis pode ajudar a prevenir o desenvolvimento da apneia do sono ou a reduzir sua gravidade:

  • Mantenha um peso saudável por meio de dieta equilibrada e atividade física regular.
  • Evite o consumo excessivo de álcool, especialmente antes de dormir.
  • Não fume.
  • Tente dormir de lado.
  • Trate problemas de congestão nasal.
  • Evite refeições pesadas próximo da hora de dormir.

Quando procurar ajuda médica?

Se você apresenta sintomas de apneia do sono, como ronco alto, pausas respiratórias durante o sono, sonolência diurna excessiva ou cansaço constante, não hesite em procurar um médico. Um diagnóstico correto e o tratamento adequado são essenciais para evitar complicações e recuperar sua qualidade de vida.

A Conexa Saúde oferece consultas online com médicos qualificados que podem realizar uma avaliação inicial, orientar sobre os próximos passos e, se necessário, encaminhar para exames e tratamentos especializados. Cuide da sua saúde e do seu sono!


Rafael Leite Aguilar

Pós graduando em gestão de saúde pela FGV. Atua como Rotina Médica no Pronto Atendimento Conexa Saúde. CRM-ES 18586.

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