A queimação na garganta é, na maioria das vezes, sinal de refluxo gastroesofágico, que acontece quando o ácido do estômago sobe até a garganta e provoca ardor. Mas ela também pode ser causada por gripes, resfriados, faringite, alergias respiratórias, hérnia de hiato e até pela Covid-19, além de fatores emocionais como estresse e ansiedade.
Na maior parte dos casos, é um sintoma passageiro e sem gravidade, que melhora com hidratação, ajustes na alimentação e cuidados simples. Quando é frequente, intensa ou vem acompanhada de sinais de alerta, como dificuldade para engolir ou falta de ar, é hora de procurar um médico.
Neste guia, você vai entender o que pode estar por trás da queimação na garganta, como aliviar o desconforto e em que momento buscar ajuda médica.
O que significa queimação na garganta?
A queimação na garganta é uma sensação de ardor ou irritação na região da faringe, em geral provocada pelo contato da mucosa com o ácido do estômago ou por uma inflamação local. Não é uma doença em si, e sim um sintoma: um sinal de que algo está acontecendo no aparelho digestivo ou nas vias respiratórias.
Com frequência, ela tem origem no estômago e no esôfago, onde são produzidos os ácidos digestivos que decompõem os alimentos. Esses ácidos podem subir até a faringe e a traqueia, principalmente após refeições pesadas, gordurosas ou ácidas. É isso que aumenta a acidez e provoca a azia. Em outros casos, a origem é respiratória, como na obstrução nasal que leva a respirar pela boca e resseca as vias aéreas.
Principais causas de queimação na garganta
A queimação na garganta pode ter várias origens, que costumam vir acompanhadas de outros sinais e sintomas. Confira as causas mais comuns:
1. Refluxo gastroesofágico
O refluxo gastroesofágico é a causa mais frequente da queimação na garganta, no peito e na parte superior do abdômen, em especial após as refeições ou ao deitar. Ele ocorre quando o conteúdo do estômago (líquido, sólido ou gasoso) retorna ao esôfago. É uma condição muito comum: atinge cerca de 25,2 milhões de brasileiros, o equivalente a 12% da população, segundo o Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva (CBCD).
Quando o ácido alcança a laringe e a faringe, pode causar o chamado refluxo laringofaríngeo, associado a rouquidão, pigarro e tosse. O refluxo também é mais comum em pessoas com obesidade e em recém-nascidos, e nem sempre está ligado a uma doença. Por ser crônico, no entanto, pode prejudicar a qualidade de vida e levar a complicações, como a inflamação do esôfago (esofagite).
2. Gripes, resfriados e infecções de garganta
Gripes e resfriados estão entre as principais causas de queimação na garganta: os vírus provocam inflamação e irritação das vias respiratórias. Nesses casos, é comum haver também tosse, espirros, coriza, congestão nasal e febre baixa.
Infecções da própria garganta também causam o sintoma, como a faringite (inflamação da faringe), a amigdalite (inflamação das amígdalas) e a laringite (que afeta as cordas vocais). Elas podem ser virais, que costumam melhorar sozinhas, ou bacterianas, como a faringite causada pelo estreptococo, que pode exigir antibiótico prescrito pelo médico.
3. Alergias respiratórias
Alergias respiratórias a poeira, pólen ou pelos de animais podem inflamar as vias aéreas e provocar queimação na garganta. Muitas vezes, o gotejamento nasal posterior, quando a secreção escorre do nariz para a garganta, agrava a irritação. Outros sintomas comuns são coriza, espirros, olhos lacrimejantes e rouquidão.
4. Hérnia de hiato
A hérnia de hiato ocorre quando parte do estômago se desloca para cima através do diafragma, músculo que separa o tórax do abdômen. Além da queimação, pode causar dor no peito, às vezes confundida com problemas cardíacos. Por isso, quando a queimação na garganta vem junto desses sinais, de faringite ou de sintomas de Covid-19, é importante procurar um médico para um diagnóstico preciso.
Quais sintomas costumam acompanhar a queimação na garganta?
A queimação raramente aparece sozinha. Dependendo da causa, ela pode vir acompanhada de:
Azia e queimação no peito;
Gosto amargo ou ácido na boca e regurgitação;
Tosse seca, que costuma piorar à noite;
Rouquidão e pigarro;
Sensação de “bolo” na garganta;
Dificuldade para engolir (disfagia).
Observar esses sinais ajuda o médico a identificar a origem do problema e a definir o melhor tratamento.
Queimação na garganta é a mesma coisa que azia?
Não. Embora estejam relacionadas, queimação na garganta e azia não são a mesma coisa. A queimação pode ter relação com resfriados, gripes, alergias, hérnia de hiato e refluxo gastroesofágico. Já a azia é um sintoma mais leve, em geral ligado à ingestão de alimentos ácidos ou gordurosos, e é uma manifestação comum do refluxo, que tem origem no esôfago.
Azia | Queimação na garganta |
Ardor que sobe do estômago em direção ao peito | Ardor/irritação sentido na região da garganta |
Costuma passar algumas horas após a refeição | Pode persistir conforme a causa (refluxo, infecção, alergia) |
Quase sempre ligada ao refluxo/alimentação | Pode ter origem digestiva OU respiratória |
Como aliviar a queimação na garganta?
Para aliviar a queimação na garganta, o ideal é tratar a causa. Ainda assim, algumas medidas simples ajudam a reduzir o desconforto no dia a dia.
Cuidados em casa
Beba bastante água: a hidratação ajuda a diluir os ácidos e a aliviar a irritação;
Evite alimentos gordurosos, condimentados, pesados ou ácidos, que aumentam a acidez;
Prefira refeições menores e mais frequentes, em vez de poucas e volumosas;
Não se deite nas 2 a 3 horas seguintes às refeições;
Eleve a cabeceira da cama para dormir;
Evite cigarro, álcool e excesso de cafeína;
Use roupas confortáveis, sem aperto na região do abdômen.
Remédios caseiros que podem aliviar a queimação
Gargarejo com água morna e sal, que ajuda a reduzir a inflamação e a irritação;
Mel, que tem efeito calmante sobre a mucosa da garganta;
Chá de gengibre, conhecido por sua ação anti-inflamatória.
Essas medidas aliviam o desconforto, mas não substituem o tratamento da causa. Consulte um médico na Conexa Saúde e tenha atendimento rápido para queimação na garganta.
Quando são necessários medicamentos para a queimação no estômago?
Se os sintomas forem frequentes ou intensos, o médico pode indicar o tratamento conforme a causa: antiácidos e inibidores da bomba de prótons (como o omeprazol) para o refluxo; anti-histamínicos para alergias; e antibióticos apenas quando há infecção bacteriana confirmada. Evite a automedicação: usar remédios por conta própria alivia no momento, mas pode mascarar um problema que precisa de avaliação.
Quando procurar um médico? Sinais de alerta
Na maioria das vezes, a queimação na garganta é passageira. Mas procure um médico se ela for frequente, não melhorar com os cuidados em casa ou vier acompanhada de sinais de alerta como:
Dor ou dificuldade para engolir;
Falta de ar ou respiração ruidosa;
Dor no peito intensa ou persistente;
Febre alta (acima de 38 °C);
Rouquidão ou perda da voz que não passa;
Sangue na saliva ou no escarro;
Perda de peso sem explicação.
Esses sinais não significam, necessariamente, algo grave, mas precisam ser avaliados por um profissional o quanto antes.
Queimação na garganta durante a gravidez é comum?
Sim. Gestantes podem ter queimação na garganta, principalmente por causa das mudanças anatômicas do período. Com o crescimento do bebê, o estômago é deslocado e todo o fluxo gástrico se altera. Por isso, arrotos e queimação por refluxo são tão comuns na gravidez.
A sensação pode ficar mais intensa a partir da 26ª semana, embora também possa aparecer antes. A boa notícia é que esse quadro não é grave nem oferece risco ao bebê. Para aliviar, medidas como elevar a cabeceira da cama e fazer refeições menores ajudam, e o obstetra pode orientar ou prescrever medicamentos seguros para a gestação. Diante de qualquer desconforto significativo, vale consultar o médico.
Como descobrir a causa da queimação na garganta?
Se os sintomas persistirem ou forem intensos, procure um médico para um diagnóstico preciso. O especialista mais indicado costuma ser o gastroenterologista, mas o clínico geral ou o médico de família também podem avaliar o quadro e, quando necessário, encaminhar a um otorrinolaringologista.
Para investigar a origem, o médico pode solicitar exames como:
Endoscopia digestiva alta: visualiza o interior do esôfago, do estômago e do duodeno, identificando inflamações, úlceras e outras alterações;
pHmetria esofágica de 24 horas: mede a quantidade de ácido que sobe do estômago ao esôfago, útil para diagnosticar o refluxo;
Manometria esofágica: avalia a função dos músculos do esôfago e os movimentos da deglutição;
Laringoscopia: quando há suspeita de causa respiratória ou laríngea, examina a garganta e as cordas vocais.
Identificar a causa exata permite um tratamento mais eficaz e direcionado. Para uma primeira avaliação rápida, é possível recorrer a consultas online com médicos qualificados e, se necessário, complementar com exames presenciais e acompanhamento.
Na Conexa Saúde, você conta com profissionais especialistas para uma avaliação detalhada do seu caso, como uma consulta presencial, e com o Pronto Atendimento, que oferece atendimento rápido para o seu caso. Agende sua consulta ou acesse com o seu plano de saúde (se for parceiro da Conexa).














