Tuberculose: o que é, como se transmite e como tratar

Cuidados de saúde para mãe e criança
Cuidados de saúde para mãe e criança

A tuberculose é uma doença infecciosa causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis, que afeta principalmente os pulmões, mas que também pode atingir outras partes do corpo. Embora o Brasil ainda registre milhares de casos anualmente, é fundamental saber que essa condição tem cura e o tratamento é gratuito. 

Neste artigo, vamos explicar como acontece a transmissão, quais são os sintomas e a importância do diagnóstico rápido. Mas lembre-se que ele não substitui a busca por um profissional de saúde!

Como se pega tuberculose?

A transmissão acontece de forma direta pelo ar, por meio de vias respiratórias. Quando uma pessoa doente tosse, fala ou espirra, ela libera pequenas gotículas que contêm a bactéria.  Quem está por perto pode respirar essas gotículas e se infectar, o que gera um alto potencial de contágio em ambientes fechados. 

No entanto, vale destacar que iniciar o tratamento reduz rapidamente a transmissão, protegendo as pessoas ao redor (normalmente, nos primeiros quinze dias de uso da medicação).  

O que NÃO transmite tuberculose?

Muitas pessoas têm dúvidas sobre como se pega tuberculose, mas a verdade é que o contato com objetos não transmite a doença. Você não vai se contaminar ao compartilhar roupas de cama ou assentos de transporte público.

A bactéria não sobrevive bem em ambientes abertos, por isso a ventilação constante e a luz solar são ótimas aliadas na proteção da casa. Além disso, praticar a etiqueta da tosse, cobrindo a boca com o braço ao tossir, ajuda a proteger a todos.

Principais sintomas da tuberculose

O sinal mais marcante da doença é a tosse persistente, que dura por 3 semanas ou mais. Essa tosse pode ser seca ou apresentar secreção e catarro com sangue, sendo um forte indicativo de doenças do pulmão.

Fique ainda mais atento se a tosse vier acompanhada de outros sintomas clássicos:

  • Febre baixa, que costuma surgir no final da tarde;

  • Suor noturno intenso, que chega a molhar a roupa;

  • Emagrecimento rápido e sem motivo aparente;

  • Cansaço extremo e falta de apetite.  

Se você ou alguém próximo notar esses sinais, é hora de buscar atendimento para uma avaliação detalhada.  

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico da doença une a avaliação do médico com exames específicos para identificar o problema. O principal exame é a baciloscopia (análise do escarro), acompanhada do teste rápido molecular (que procura o DNA da bactéria) e da cultura da bactéria.  

O médico também solicita a radiografia (raio-X) de tórax para verificar possíveis lesões causadas pela tuberculose no pulmão. Existe ainda o PPD (derivado proteico purificado), um teste feito na pele para identificar se a pessoa teve contato com a bactéria, mesmo sem estar doente (como através da vacina, por exemplo). 

Quanto mais cedo for o diagnóstico, mais fácil e seguro será o processo de recuperação.  

Infecção latente vs. doença ativa

  • Infecção latente: a bactéria está no corpo, mas o sistema de defesa a mantém sob controle; a pessoa não tem sintomas e não transmite.  

  • Doença ativa: a bactéria consegue se multiplicar, o paciente desenvolve os sintomas e passa a transmitir a infecção para outros.  

Atualmente, existem medicações usadas na infecção latente para evitar que a pessoa desenvolva a forma ativa da doença. Identificar e tratar as duas situações é essencial para frear o avanço da doença na sociedade. 

Tuberculose tem cura? Entenda o tratamento

A resposta é sim, a tuberculose tem cura quando o protocolo médico é seguido à risca do início ao fim. 

Todo o tratamento da tuberculose é oferecido de forma inteiramente gratuita pelo Sistema Único de Saúde (SUS).  O cuidado dura no mínimo 6 meses e utiliza uma combinação de antibióticos potentes fornecidos pelo posto de saúde. 

Muitas vezes é feito o tratamento diretamente observado (TDO), onde um profissional acompanha a tomada da dose para garantir o sucesso da cura.  O maior perigo é o abandono do tratamento antes do prazo, pois a melhora inicial surge logo nas primeiras semanas. Parar de tomar os remédios antes da hora faz com que as bactérias fiquem resistentes e a doença volte ainda mais forte

Tipos de tuberculose

Embora o foco principal seja o sistema respiratório, a infecção pode se espalhar e afetar diferentes órgãos do corpo. Pessoas com a imunidade baixa, como aquelas que vivem com HIV, possuem um risco maior de desenvolver formas mais raras da doença.  

Tuberculose pulmonar

É a forma mais comum encontrada nos consultórios e também a única responsável pela transmissão aérea. Ela ataca diretamente os alvéolos pulmonares, provocando os sintomas mais conhecidos da doença.  

Tuberculose extrapulmonar

Acontece quando a bactéria viaja pelo sangue e se aloja fora do pulmão, manifestando-se de várias formas.

  1. Ganglionar: ataca os linfonodos do corpo, causando inchaço persistente.  

  2. Pleural: afeta a membrana que envolve o pulmão, gerando forte dor no pulmão e falta de ar.  

  3. Óssea: pode atingir a coluna e as articulações, provocando dor crônica.  

  4. Urinária: causa desconforto e dor ao urinar.  

  5. Cerebral: forma grave que atinge as membranas do cérebro.  

  6. Miliar: quando pequenas lesões se espalham por múltiplos órgãos ao mesmo tempo.  

Como prevenir a tuberculose

A principal forma de prevenção é a vacina contra tuberculose, conhecida como BCG, que deve ser aplicada logo após o nascimento. Ela protege os bebês e as crianças pequenas contra o desenvolvimento das formas mais graves e perigosas da doença.  

Além da vacina, não compartilhar cigarros e manter os cômodos de casa bem ventilados diminuem as chances de o microrganismo sobreviver no ar. 

Caso alguém na sua casa seja diagnosticado, os outros moradores (contactantes) devem passar por exames preventivos para checar se precisam tomar remédios antes que a doença se manifeste. 

Quando procurar um médico para tuberculose?

Você deve buscar ajuda médica imediatamente se estiver com uma tosse que já dura mais de 3 semanas sem apresentar melhora. Não ignore o problema achando que é apenas um resfriado longo ou uma crise de bronquite.  

Sinais de alerta como febre constante, perda de peso sem explicação e escarro com sangue exigem avaliação em um posto de saúde. O diagnóstico rápido evita que o quadro piore e protege a saúde de toda a sua família. Nunca recorra ao autodiagnóstico ou à automedicação, pois isso pode mascarar o problema.  

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Quem orienta

Julianna Siciliano de Araújo

Médica de Família e Comunidade

Médica formada pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, especialista em Medicina de Família e Comunidade pela SMS/RJ. Atua há 4 anos na Atenção Primária à Saúde, com foco na prevenção e tratamento de doenças em regiões de alta vulnerabilidade. Mestre e doutora em Ciências pelo IOC/Fiocruz.

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