A Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG ou SARS) é uma forma avançada e perigosa de infecções respiratórias, podendo levar à morte se não tratada. Ela provoca uma inflamação séria nos pulmões, dificultando a respiração.
Neste artigo, vamos abordar as principais causas, sinais de gravidade e quando procurar atendimento médico.
Principais causas da SRAG
A SRAG não é uma doença específica, e sim uma consequência de uma inflamação intensa nos pulmões, dificultando a respiração e a oxigenação. Neste texto, vamos focar nas causas diretas, que são as mais comuns, conforme descrito abaixo.
Infecções virais graves: SARS-CoV-2 (COVID-19); Influenza (Gripe A e B); Vírus Sincicial Respiratório (VSR); Adenovírus; Hantavírus.
Pneumonia bacteriana e fúngica: infecções graves causadas por bactérias (como Streptococcus pneumoniae ou Staphylococcus aureus) ou fungos, que se espalham pelos pulmões.
Aspiração: inalação de conteúdo gástrico (vômito) ou de água (afogamento) para os pulmões, o que causa uma inflamação química e destrói os tecidos.
Inalação de substâncias tóxicas: fumaça de incêndio, gases químicos ou até fumaça de cigarro (em casos extremos e prolongados).
Quais os principais vírus que causam SRAG?
Os vírus respiratórios mais comumente envolvidos na SRAG são: o SARS-CoV-2 (vírus da COVID-19), conhecido por ter alta transmissibilidade e potencial para causar danos pulmonares severos; o vírus Influenza, responsável pelas gripes A e B; o vírus sincicial respiratório (VSR), principal agente de infecções graves em bebês e crianças pequenas.
A SRAG não é causada pelo vírus em si, mas sim pela reação exagerada do corpo e pelo dano que o vírus provoca nos tecidos pulmonares. Eles atacam as células que revestem as vias aéreas e os vasos sanguíneos dos pulmões, gerando uma resposta inflamatória intensa que danifica os alvéolos (onde ocorre a troca de oxigênio).
A forma como vivemos e o clima influenciam diretamente na taxa de infecção e no surgimento de surtos de SRAG. No inverno, as pessoas tendem a ficar mais tempo em ambientes fechados e mal ventilados, o que concentra o ar e aumenta a chance de inalar as gotículas respiratórias carregadas de vírus.
Além disso, o ar seco e frio pode ressecar as vias aéreas, tornando as mucosas mais suscetíveis à infecção, além de permitir que as partículas virais fiquem suspensas no ar por mais tempo; essa característica é chamada de sazonalidade.
Já as aglomerações (transporte público, shoppings, escolas, eventos) facilitam o contato próximo e, consequentemente, a transmissão eficiente dos vírus de uma pessoa para outra.
Quais os sintomas da SRAG?
Um dos sintomas mais críticos, indicando que a função pulmonar está comprometida, é a falta de ar (dispneia), seguida pela tosse persistente e sensação de peso ou dor no pulmão.
Já um indicativo de que os níveis de oxigênio no sangue estão muito baixos é a cianose (lábios e extremidades arroxeadas/azuladas), que pode ser avaliada também pela queda na saturação de oxigênio com um equipamento específico (oxímetro).
A febre alta (acima de 39ºC) é um sintoma comum de infecções respiratórias, mas na SRAG ela tende a não ceder mesmo após uso dos medicamentos prescritos.
Outro ponto de atenção deve ser a frequência respiratória acelerada e curta (o normal para o adulto é respirar de 12 a 20 vezes por minuto), além do esforço para respirar.
Em bebês e crianças pequenas, é importante observar também a dificuldade para mamar ou se alimentar, irritabilidade excessiva e a retração da pele entre as costelas ao respirar (conhecida como tiragem).
Já em idosos, deve-se observar sinais como confusão mental, desidratação e agressividade, pois nesse grupo é comum que a febre não aconteça. Alguns sintomas mais gerais podem acontecer, como dor de cabeça, dores no corpo e até mesmo vômito e diarreia.
Nas doenças respiratórias virais, os sintomas iniciais costumam se confundir com resfriados comuns e até mesmo outras doenças, como dengue; as consultas online são uma boa ferramenta para triagem e identificação de casos que podem evoluir com gravidade.
Como é feito o diagnóstico da SRAG?
O diagnóstico da SRAG deve ser feito por um profissional de saúde e se baseia em uma combinação de avaliação clínica dos sintomas e exames complementares (laboratoriais e de imagem).
Ela é definida clinicamente quando um paciente apresenta os sintomas de uma síndrome gripal e manifesta os sinais de gravidade que indicam um comprometimento da função pulmonar, que foram citados acima.
Nas imagens, em geral, são realizadas a radiografia e/ou a tomografia de tórax, que mostram sinais de pneumonia ou infiltrado intersticial (alterações indicativas de inflamação pulmonar); durante a pandemia, o termo “vidro fosco” ganhou destaque.
Já os exames de sangue, ajudam a identificar o agente que causa a doença e a avaliar o comprometimento em outros órgãos. Eles incluem:
RT-PCR (reação em cadeia da polimerase com transcriptase reversa): é o método padrão para detectar o material genético de vírus respiratórios;
testes rápidos de antígeno: podem ser usados para resultados mais rápidos, mas são geralmente menos eficientes que o RT-PCR;
hemograma e bioquímica no sangue: avaliam a inflamação, a contagem de células de defesa (como leucócitos) e a função de outros órgãos (como rins e fígado).
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Possíveis complicações da SRAG
É de extrema importância que o diagnóstico seja feito cedo para evitar complicações ainda mais graves, sendo a mais imediata a insuficiência respiratória aguda, onde os pulmões não conseguem oxigenar o sangue adequadamente, muitas vezes exigindo intubação e internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Outra complicação respiratória comum é a pneumonia grave, que pode evoluir para a síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA), caracterizada por danos extensos aos alvéolos pulmonares e piora da troca do oxigênio.
Além do pulmão, a SRAG pode desencadear uma resposta inflamatória generalizada, levando ao choque séptico, que é uma queda perigosa na pressão arterial causada pela infecção e inflamação descontrolada. Este choque pode resultar em falência de múltiplos órgãos, afetando o funcionamento dos rins, do coração e do cérebro.
Em casos de internação prolongada, há também o risco de pneumonias bacterianas ou infecções hospitalares. E mesmo após a recuperação, alguns pacientes podem desenvolver fibrose pulmonar residual, que é a cicatrização do tecido pulmonar, o que pode causar sequelas respiratórias de longo prazo e exigir reabilitação.
Tratamento da SRAG
O tratamento da SRAG é complexo, exige internação hospitalar e é focado em duas áreas principais: suporte respiratório/clínico intensivo e o tratamento específico da causa, quando ela é conhecida.
O principal objetivo no tratamento é garantir que o paciente consiga oxigenar o sangue de forma eficaz, com suporte ventilatório, no qual pacientes com saturação de oxigênio baixa recebem oxigênio por cateter nasal ou máscaras.
Em casos de insuficiência respiratória aguda, o paciente é internado em UTI e pode precisar de ventilação mecânica invasiva, mais conhecida como intubação.
Durante toda a internação, o paciente é mantido sob monitoramento constante de sinais vitais (batimentos cardíacos, frequência respiratória, temperatura e pressão arterial).
Também é feita hidratação através da veia e acompanhamento nutricional, além de monitoramento a disfunção de órgãos vitais, como rins e coração. Os medicamentos são usados para aliviar os sintomas, como antitérmicos e analgésicos para febre e dor.
Outro ponto importante para recuperação completa é a fisioterapia respiratória, pois ajuda a mobilizar secreções e melhorar a função pulmonar.
A intervenção rápida e precoce é crucial para aumentar as chances de recuperação; a Conexa Saúde oferece ferramentas para uma avaliação inicial, que pode reconhecer uma síndrome gripal simples, identificar os sinais de gravidade e orientar sobre o que fazer em seguida.
Grupos de riscos para desenvolver SRAG
Os grupos de risco são aqueles indivíduos que, devido a certas condições de saúde ou idade, têm uma probabilidade maior de desenvolver complicações sérias após uma infecção respiratória viral. Dentre os principais, temos:
idosos (60 anos ou mais), que têm risco significativamente maior de complicações e mortalidade;
crianças pequenas, especialmente menores de 5 anos, com o maior risco em bebês menores de 2 anos;
pessoas com doenças do pulmão já existentes, como formas severas de asma, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e pacientes com tuberculose de todas as formas;
indivíduos com outras doenças crônicas, como cardiopatias, diabetes mellitus, doença renal crônica, hepatopatias, doenças do sangue e obesidade grave;
imunocomprometidos, que são as pessoas transplantadas, aquelas vivendo com HIV, em uso de medicamentos imunossupressores (para doenças autoimunes e quimioterapia, por exemplo);
gestantes em qualquer idade gestacional e puérperas (mulheres até dois meses após o parto, incluindo as que tiveram aborto);
população indígena, que vivem em aldeias isoladas ou com dificuldade de acesso a serviços de saúde.
transtornos neurológicos e de desenvolvimento que podem comprometer a função respiratória ou aumentar o risco de aspiração, como Síndrome de Down, paralisia cerebral ou sequelas de AVC.
Esses grupos são priorizados em campanhas de vacinação e necessitam de atenção médica imediata ao apresentar os primeiros sinais de gravidade.
Medidas para prevenir a SRAG
A prevenção da SRAG consiste, na verdade, em prevenir as infecções respiratórias que a causam, como a gripe, a COVID-19 e VSR. As medidas combinam imunização com hábitos de higiene e distanciamento social, especialmente durante os períodos de maior circulação viral (geralmente outono e inverno).
A vacinação é a principal e mais eficaz estratégia para evitar as formas graves das doenças que levam à SRAG, sendo as mais importantes:
vacina da gripe, que deve ser atualizada anualmente, especialmente para os grupos de risco;
vacinas contra COVID-19, seguindo o esquema vacinal e as doses de reforço recomendadas pelo Ministério da Saúde, conforme a faixa etária;
vacina antipneumocócica, que protege contra a pneumonia bacteriana, uma complicação comum.
A interrupção da cadeia de transmissão também é fundamental e inclui medidas básicas, como lavar as mãos com frequência água e sabão; etiqueta respiratória (ao tossir ou espirrar, cobrir nariz e boca com lenço de papel descartável ou com a parte interna do cotovelo)
Também é importante fazer lavagem nasal com soro fisiológico, especialmente em crianças; manter boa ventilação de ambientes; evitar aglomerações e usar máscaras; manter isolamento no caso de infecções respiratórias.
Lembre-se: a Conexa tem um profissional sempre a postos para ajudar a reconhecer sintomas gripais e identificar rapidamente a SRAG. Se você está sentindo algo do que foi discutido aqui ou conhece alguém que esteja, agende sua consulta com nossa equipe.













