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Abscesso: o que é, sintomas, causas e tratamento

Estetoscópio em ambiente clínico
Estetoscópio em ambiente clínico

O abscesso é um acúmulo de pus que se forma dentro do corpo como resposta a uma infecção, quase sempre causada por bactérias. Ele costuma aparecer como um caroço inchado, quente, avermelhado e dolorido, e pode surgir tanto na pele quanto em órgãos internos. Esse pus reúne bactérias, glóbulos brancos mortos e restos de células que o sistema imune produz ao tentar conter a infecção.

O ponto mais importante para quem tem um abscesso é simples: o tratamento principal é a drenagem do pus feita por um profissional de saúde, e não apenas o uso de antibióticos. Isso acontece porque o antibiótico tem dificuldade de chegar ao interior da bolsa de pus, que é fechada e recebe pouco sangue (Manuais MSD, 2025). Por isso, espremer ou furar o abscesso em casa pode empurrar a infecção para tecidos mais profundos e piorar o quadro.

Os abscessos são mais comuns nas axilas, nádegas, virilha e gengiva, mas também podem atingir o fígado, o pulmão e o cérebro. Nos casos de pele, a bactéria mais associada é o Staphylococcus aureus (NEJM). A seguir, você vê os sintomas, os tipos, as causas, o diagnóstico, o tratamento e a hora certa de procurar ajuda médica.

Abscesso, furúnculo, espinha ou cisto: qual a diferença?

É comum confundir o abscesso com outras lesões de pele, mas eles não são a mesma coisa. O abscesso é uma bolsa de pus fechada por uma infecção; a espinha e o cisto têm outra origem. A tabela abaixo exemplifica bem as diferenças:

Lesão

O que é

Tem pus?

Abscesso

Bolsa de pus fechada por uma infecção, na pele ou em órgãos internos

Sim, acumulado em uma bolsa

Furúnculo

Infecção do folículo do pelo; na prática, é um tipo de abscesso da pele

Sim

Espinha (acne)

Poro obstruído por sebo e bactérias, mais superficial

Pouco ou nenhum

Cisto

Bolsa fechada com líquido ou sebo, sem infecção no início

Não, a menos que infeccione

Resumindo: o furúnculo nada mais é que um abscesso que começa na raiz de um pelo, e o cisto só vira abscesso quando infecciona.

Quais são os sintomas dos abscessos?

Os sintomas mais comuns de um abscesso de pele são vermelhidão, inchaço, calor, dor ao toque e acúmulo de pus no local. Quando a infecção avança, podem aparecer febre e calafrios. Os sinais mais frequentes são:

  • Vermelhidão e inchaço na região afetada, por causa da inflamação

  • Dor e sensibilidade ao toque

  • Calor no local

  • Acúmulo de pus, às vezes com odor

  • Febre e calafrios

Alguns sinais pedem avaliação médica imediata: febre alta, calafrios intensos, confusão mental, falta de ar ou pus com odor forte.

Quais são os tipos de abscessos?

Os abscessos são classificados pela região onde aparecem. Cada tipo tem causas, sintomas e tratamentos próprios.

Abscesso cutâneo (abscesso na pele)

O abscesso cutâneo é um dos mais comuns. Ele se forma quando uma infecção atinge as camadas mais superficiais da pele. Cortes contaminados, pelos encravados, acne infectada ou picadas de inseto podem ser o ponto de partida.

As bactérias mais comuns nesse tipo são as do gênero Staphylococcus, em especial o Staphylococcus aureus, que vive naturalmente na pele sem causar problemas, mas se torna perigoso quando entra nos tecidos. O tratamento costuma envolver a drenagem do pus e, em alguns casos, antibióticos.

Abscesso dentário

O abscesso dentário acontece na região dos dentes, na gengiva ou na raiz do dente. Costuma vir de cáries não tratadas, gengivite intensa ou traumas dentários. Os sintomas incluem:

  • Dor intensa

  • Inchaço na boca

  • Dificuldade para mastigar

  • Febre

Quando não é tratado, pode se espalhar para outras áreas da face e do pescoço. O tratamento envolve drenagem, cuidado com a causa (como o canal) e, em alguns casos, antibióticos ou extração do dente.

Abscesso perianal e retal

Ligado a infecções nas glândulas anais e a doenças inflamatórias intestinais, como a Doença de Crohn, esse abscesso se desenvolve ao redor do ânus. Os sintomas incluem:

  • Dor intensa ao evacuar

  • Inchaço na região anal

  • Secreção purulenta

Sem tratamento, pode causar fístulas na região. A drenagem costuma ser cirúrgica, acompanhada de antibióticos.

Abscesso hepático

Localizado no fígado, pode ter origem em bactérias, parasitas ou fungos. Surge como complicação de infecções intestinais, doenças biliares ou cirurgias abdominais. Os sintomas incluem dor no lado direito do abdômen, febre alta, calafrios, náuseas e icterícia (pele e olhos amarelados). O tratamento usa antibióticos pela veia e, muitas vezes, drenagem guiada por ultrassom.

Abscesso cerebral

É uma infecção grave dentro do cérebro, em geral causada por bactérias de infecções não tratadas no ouvido, na face ou nos dentes. Também pode surgir após traumas na cabeça. Os sintomas mais comuns são:

  • Dores de cabeça intensas

  • Confusão mental

  • Febre

  • Náuseas

  • Convulsões

  • Fraqueza muscular

Por ser muito grave, o tratamento exige internação hospitalar, antibióticos pela veia e, em muitos casos, cirurgia para drenagem.

Abscesso pulmonar

Quando ocorre nos pulmões, costuma estar ligado à pneumonia bacteriana, à aspiração de líquidos ou corpos estranhos e a infecções fúngicas em pessoas com imunidade baixa. É comum ter secreção de pus, febre prolongada, cansaço e perda de apetite.

Outros tipos comuns de abscessos

Há ainda outros abscessos frequentes, como o periamigdaliano (ao lado da amígdala, com dor de garganta forte e dificuldade para abrir a boca), o abscesso mamário (que pode surgir durante a amamentação) e o abscesso da glândula de Bartholin (na entrada da vagina).

Quais são as principais causas de um abscesso?

Na maioria das vezes, o abscesso surge por causa de uma infecção. As principais causas são:

  • Infecções bacterianas

  • Fungos e parasitas (comuns em abscessos pulmonares e hepáticos)

  • Obstrução de glândulas (frequente em abscessos sebáceos e perianais)

  • Corpos estranhos, como brincos e piercings sem os devidos cuidados, que abrem porta para infecções


Entre os abscessos de pele, a causa mais frequente é a bactéria Staphylococcus aureus. Como dito, essa bactéria vive naturalmente na pele e no nariz e só se torna perigosa quando entra em tecidos mais profundos. Nas últimas décadas, cresceu a participação de uma cepa resistente aos antibióticos mais comuns, a MRSA adquirida na comunidade. Em alguns casos, identificar a bactéria certa é o que faz o tratamento dar certo.

Para se ter uma ideia, o S. aureus é a principal causa de morte por infecções da corrente sanguínea no mundo, e só os Estados Unidos registram mais de 70 mil infecções graves por MRSA a cada ano, de acordo com o CDC.

Quais são as possíveis complicações de um abscesso?

Sem o tratamento certo, o abscesso pode levar a complicações graves, principalmente porque a infecção pode se espalhar. Abscessos internos (cerebrais, pulmonares e hepáticos) são os que mais preocupam. As principais complicações são:

1. Aumento e disseminação da infecção

Sem tratamento, a infecção pode atingir outros tecidos, articulações e órgãos, e o tratamento fica mais difícil.

2. Formação de fístulas

O acúmulo de pus pode criar um canal anormal entre tecidos ou órgãos, chamado de fístula. É mais comum em abscessos perianais e intestinais, e pode causar infecções que voltam sempre e necessidade de cirurgia.

3. Sepse (infecção generalizada)

Quando a infecção atinge a corrente sanguínea, pode causar sepse, uma resposta exagerada do corpo que afeta vários órgãos e pode ser fatal. Os sintomas incluem febre alta, queda de pressão, confusão mental e respiração acelerada. Nesse caso, a busca por atendimento deve ser imediata.

4. Necrose dos tecidos

Quando a infecção bloqueia o fluxo de sangue, os tecidos ao redor podem morrer (necrose). Em casos graves, pode ser preciso remover cirurgicamente a área afetada.

Como é feito o diagnóstico do abscesso?

O diagnóstico de um abscesso de pele costuma ser clínico: o médico observa e apalpa a região para sentir a bolsa de pus. Já os abscessos internos exigem exames de imagem, como ultrassom, tomografia ou ressonância magnética.

Em situações específicas, como infecção grave, abscesso que volta a aparecer ou imunidade baixa, o médico pode coletar uma amostra do pus para identificar a bactéria e escolher o antibiótico mais eficaz.

Como tratar um abscesso?

O tratamento principal da maioria dos abscessos é a drenagem do pus, feita por um profissional de saúde. Quando o abscesso está localizado e é bem drenado, o antibiótico nem sempre é necessário: ele entra como complemento ao tratamento para evitar o retorno da infecção ou impedir novos abscessos. 

Abscessos pequenos de pele podem amadurecer e drenar sozinhos com compressas mornas; os maiores precisam de incisão. O tratamento certo depende do tipo, do tamanho e da gravidade da infecção.

1. Drenagem do pus

Se o abscesso for grande ou doloroso, a drenagem é necessária. O médico faz uma pequena incisão para retirar o pus, em geral com anestesia local. É o passo que mais alivia os sintomas.

2. Antibióticos e outros medicamentos

Os antibióticos ajudam a controlar a infecção, principalmente quando há sinais de que ela está se espalhando, como febre e vermelhidão crescente, ou em pessoas com imunidade baixa. Nos casos mais graves, podem ser aplicados pela veia. Sozinhos, sem a drenagem, costumam ter pouco efeito.

3. Compressas quentes

Para abscessos pequenos, aplicar compressas mornas no local ajuda a aliviar a dor e pode acelerar a drenagem natural. Mas não substitui a avaliação médica se o quadro não melhorar.

4. Cirurgia para remoção do abscesso

Em casos graves, como abscessos muito profundos, em órgãos internos ou que não respondem ao tratamento, pode ser preciso cirurgia para remover o abscesso por completo.

Nunca tente furar, espremer ou drenar um abscesso em casa. Usar agulha, alfinete ou as próprias mãos pode empurrar a infecção para dentro, atingir vasos sanguíneos, espalhar a infecção para outros locais do corpo e causar complicações mais sérias.

Quanto tempo leva para curar?

Depois da drenagem, o alívio da dor costuma ser quase imediato. A cicatrização completa leva de alguns dias a algumas semanas, conforme o tamanho, a localização e a resposta de cada pessoa.e ser necessária administração intravenosa.

Como prevenir abscessos?

A maioria dos abscessos externos não é grave, mas incomoda bastante. Para reduzir o risco, vale adotar alguns hábitos no dia a dia:

  • Mantenha a pele limpa e lave bem qualquer corte ou ferida

  • Evite espremer espinhas ou furúnculos, porque isso pode espalhar bactérias

  • Cuide da higiene bucal para prevenir infecções dentárias

  • Cuide da sua imunidade: manter doenças como diabetes sob controle e fazer um check-up médico regular ajuda a evitar infecções que voltam sempre

  • Em brincos, piercings e alargadores, limpe a região com soro fisiológico e evite mexer com as mãos sujas

Quando procurar um médico para abscessos?

Procure ajuda médica se o abscesso está crescendo, dói muito, vem acompanhado de febre ou calafrios, ou não melhora em alguns dias. Em geral, é hora de buscar um profissional quando:

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Quem orienta

Rafael Leite Aguilar

Médico

CRM-ES 18586

Pós graduando em gestão de saúde pela FGV. Atua como Rotina Médica no Pronto Atendimento Conexa Saúde.

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