A gastroenterocolite aguda (GECA) é uma condição inflamatória que afeta simultaneamente o estômago, o intestino delgado e o intestino grosso, caracterizada por sintomas como diarreia, vômitos, dor abdominal e febre.
Embora geralmente causada por vírus, a GECA também pode ser desencadeada por bactérias, parasitas ou até mesmo pela ingestão de alimentos contaminados.
Este artigo oferece uma visão abrangente da GECA, abordando diversos tópicos em detalhes para auxiliar na compreensão completa dessa condição.
É importante lembrar que este guia tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. Se você estiver com algum sintoma, procure um médico o mais rápido possível para obter um diagnóstico preciso e o tratamento adequado.
O Que é GECA (Gastroenterocolite Aguda)?
A Gastroenterocolite Aguda (GECA), também conhecida como "inflamação do estômago e intestinos", é uma condição comum que afeta pessoas de todas as idades, caracterizada por uma inflamação repentina do revestimento do estômago e intestinos.
Ela costuma ser infecciosa, geralmente causada por infecções virais, bacterianas ou parasitárias no contexto de intoxicações alimentares, mas também pode decorrer de reações adversas a medicamentos.
A GECA acontece com frequência, especialmente em regiões com saneamento básico inadequado, e pode variar em gravidade, desde casos leves e autolimitados, onde o corpo combate a infecção por conta própria, até episódios graves que necessitam de hospitalização, principalmente em crianças, idosos e indivíduos imunocomprometidos.
Quais são as causas da GECA?
A Gastroenterocolite Aguda (GECA) é causada por diversos agentes, geralmente infecciosos, que provocam a inflamação do revestimento do estômago e intestinos. Vamos conhecer os principais:
Infecções virais
As infecções virais são uma das principais causas da Gastroenterocolite Aguda (GECA), especialmente em crianças menores de 5 anos. Os vírus causadores da GECA geralmente se propagam através do contato com fezes ou vômito contaminados, seja diretamente ou por meio de alimentos, água ou superfícies infectados.
Ao entrar no corpo, os vírus infectam as células do revestimento do estômago e intestinos, provocando uma série de alterações celulares e imunológicas que levam aos sintomas característicos da GECA, como:
Diarreia;
Náuseas e Vômitos;
Febre.
Vale destacar alguns exemplos de vírus que são causadores da GECA:
Rotavírus: a causa mais comum em crianças, é responsável por surtos frequentes em creches e escolas;
Norovírus: é transmitido por alimentos contaminados ou pelo contato com pessoas infectadas;
Adenovírus: pode causar GECA com sintomas mais leves;
Sapovírus: também causa sintomas mais levas, mas é menos comum;
Astrovírus: é responsável por causar a doença em crianças e adultos.
Alguns fatores, como idade, sistema imunológico fraco e condições de vida precárias, aumentam significativamente os riscos de contrair a doença.
Infecções Bacterianas
As infecções bacterianas são uma causa importante da Gastroenterocolite Aguda (GECA), especialmente em crianças e adultos com sistema imunológico fraco.
Abaixo separamos alguns exemplos de bactérias que são causadoras da GECA:
Salmonela: presente em carnes mal cozidas, ovos crus e frango contaminado. Causa diarreia com sangue, febre, dor abdominal e náuseas;
Shigella: transmitida por contato fecal-oral, comum em creches e locais com má higiene. Provoca diarreia sanguinolenta, cólicas abdominais intensas e febre;
Escherichia coli (E. coli): algumas cepas de E. coli podem causar GECA, especialmente em crianças. Causa diarreia aquosa, cólicas abdominais e febre;
Campylobacter jejuni: presente em carne de frango mal cozida e leite não pasteurizado. Provoca diarreia com sangue, febre, dor abdominal e dor de cabeça.
Infecções Parasitárias
As infecções parasitárias são um dos fatores mais relevantes da Gastroenterocolite Aguda (GECA), especialmente em regiões com saneamento básico precário e acesso limitado à água potável.
Os parasitas causadores da GECA geralmente se propagam através do contato com fezes ou solo contaminados, seja diretamente ou por meio de alimentos, água ou superfícies contaminadas.
Ao entrar no corpo, os parasitas se instalam no intestino e se multiplicam, causando diversos danos à mucosa intestinal e levando aos sinais e sintomas característicos da GECA, como: diarreia, náuseas e vômito, dor abdominal, febre e perda de peso.
Alguns exemplos de parasitas responsáveis por causar a GECA, são:
Giardia lamblia: transmitida por água ou alimentos contaminados com cistos do parasita. Causa diarreia crônica, náuseas, perda de peso e fadiga;
Cryptosporidium: presente em água contaminada com fezes de animais ou pessoas infectadas. Provoca diarreia aquosa, náuseas e vômitos, principalmente em pessoas com sistema imunológico fraco.
Existem fatores de risco para a GECA?
Sim, diversos fatores de risco podem aumentar a probabilidade de uma pessoa desenvolver gastroenterocolite aguda (GECA). Alguns dos principais fatores incluem:
Idade:
Crianças menores de 5 anos: sistema imunológico em desenvolvimento, tornando-as mais suscetíveis a infecções por vírus, bactérias e parasitas causadores da GECA;
Idosos: o sistema imunológico tende a se enfraquecer com a idade, aumentando o risco de infecções graves e complicações da GECA;
Sistema imunológico fraco:
Doenças: indivíduos com HIV/AIDS, diabetes, doenças autoimunes ou que fazem uso de medicamentos corticosteroides apresentam maior risco de GECA grave;
Tratamentos: quimioterapia e radioterapia podem enfraquecer o sistema imunológico, aumentando a suscetibilidade à GECA;
Condições de vida precárias:
Falta de acesso à água potável: consumo de água contaminada é um dos principais meios de transmissão;
Saneamento básico deficiente: a falta de esgoto adequado facilita a proliferação de vírus, bactérias e parasitas no ambiente, aumentando o risco de contrair essa doença;
Higiene pessoal inadequada: hábitos como não lavar as mãos com frequência ou consumir alimentos mal manipulados contribuem para a propagação de agentes causadores da GECA;
Outras situações:
Viagens: viajar para países em desenvolvimento, especialmente aqueles com saneamento básico precário, aumenta o risco de contrair GECA causada por vírus, bactérias ou parasitas;
Contato com animais: contato com animais infectados, principalmente cães e gatos, pode transmitir alguns parasitas causadores da doença;
Cirurgias no trato gastrointestinal: procedimentos cirúrgicos no estômago ou intestinos podem alterar a flora intestinal e aumentando risco de contrair essa doença.
Contaminação alimentar:
Alimentos contaminados: consumo de alimentos contaminados por vírus, bactérias ou parasitas;
Manipulação inadequada de alimentos: armazenamento incorreto, o consumo de alimentos crus ou mal cozidos ou consumo de alimentos de origem vegetal contaminados pode ser uma causa;
Alimentos com alto risco de contaminação: exemplos de alimentos que possuem alto risco de contaminação, incluem: carnes, ovos, frutos-do-mar, laticínios e frutas e verduras.
Como identificar os principais sintomas da gastroenterocolite aguda?
Por se tratar de uma inflamação do trato gastrointestinal que pode ser causada por diversos fatores, como vírus, bactérias, parasitas ou toxinas alimentares, seus principais sintomas geralmente se manifestam de forma repentina e podem incluir:
Diarreia: a característica mais comum da GECA, podendo ser aquosa, pastosa ou sanguinolenta. A frequência e a intensidade da diarreia variam conforme a causa da doença;
Náuseas e vômitos: são frequentes e também são sintomas comuns da GECA, e podem levar à desidratação se não forem tratados adequadamente;
Cólicas abdominais: dor abdominal em cólica, geralmente localizada na região do baixo ventre, é muito comum. A dor pode ser intensa e pode ser acompanhada por distensão abdominal e gases;
Febre: baixa a moderada é comum, especialmente em casos causados por vírus ou bactérias.
Porém, em alguns casos, essa doença também pode causar sintomas como:
Dor de cabeça;
Mal-estar geral;
Perda de apetite;
Fraqueza;
Desidratação (boca seca, sede intensa, urina escura, diminuição da frequência urinária).
Já os sintomas mais graves da gastroenterocolite aguda requerem atenção médica imediata, pois podem indicar desidratação grave ou outras complicações sérias. Dentre eles, incluem:
Boca seca e pegajosa: a saliva parece espessa e pegajosa, e pode ser difícil falar;
Falta de lágrimas: a não produção de lágrimas, principalmente ao chorar;
Olhos fundos: os olhos podem parecer afundados nas órbitas;
Pouca urina: urina com pouca frequência (menos de uma vez a cada 6 horas para adultos ou menos de 8 horas para bebês) ou a urina tem cor escura e forte odor;
Letargia ou confusão: a pessoa pode parecer sonolenta, apática ou confusa;
Pele enrugada: a pele pode parecer enrugada, especialmente nas mãos e nos pés;
Batimentos cardíacos acelerados: o coração bate mais rápido do que o normal;
Respiração rápida: respirar mais rápido do que o comum;
Tontura ou desmaio: a pessoa pode sentir tontura ou desmaiar;
Febre alta: acima de 38,5 °C que persiste por mais de 3 dias;
Dor abdominal: intensa ou persistente;
Fezes com sangue ou muco: a presença de sangue ou muco nas fezes pode indicar uma infecção grave;
Vômitos persistentes: incapacidade de manter qualquer líquido ou alimento no estômago por mais de 24 horas;
Dificuldade para respirar: a pessoa pode ter dificuldade para respirar ou respirar rápido e superficialmente;
Dor no peito: pode indicar um problema cardíaco, que pode ser uma complicação rara da GECA.
É importante lembrar que nem todos os casos de GECA apresentarão todos os sintomas graves listados acima. No entanto, se você apresentar qualquer um desses sintomas, é fundamental procurar atendimento médico imediato para evitar maiores complicações.
Possuo os sintomas da GECA: como ocorre o diagnóstico?
Se você está com os sintomas da GECA, é importante consultar um médico, como um clínico geral, gastroenterologistas, pediatras (no caso de crianças) ou também, infectologistas, para obter um diagnóstico preciso e iniciar o tratamento adequado.
O médico irá questioná-lo sobre seus sintomas, incluindo quando eles começaram, quanto tempo duraram, sua gravidade e se você teve outros sintomas como febre, náuseas, vômitos, dor abdominal e diarreia.
Ele também irá perguntar sobre seu histórico médico, incluindo doenças crônicas, medicamentos em uso, viagens recentes e contato com pessoas doentes.
Esse primeiro contato pode ser realizado com eficiência por meio da telemedicina, que oferece maior acessibilidade e facilidade na busca por atendimento médico. Se necessário, o médico online pode encaminhar o paciente para uma consulta presencial para uma avaliação mais detalhada.
Em alguns casos, exames laboratoriais como exames de sangue, fezes e exames de imagem, como ultrassom ou tomografia computadorizada, podem ser solicitados para confirmar o diagnóstico de gastroenterite e excluir outros diagnosticos diferenciais.
Como tratar a GECA após o diagnóstico?
O tratamento da gastroenterocolite aguda após o diagnóstico visa aliviar os sintomas, prevenir a desidratação e promover a recuperação do paciente. O plano de tratamento dependerá da causa, da gravidade dos sintomas e do estado geral de saúde do paciente.
Esse tratamento pode incluir repouso, hidratação com bastante água, caldos, sucos e bebidas isotônicas e dieta leve, evitando alimentos gordurosos, fritos e picantes.
Em alguns casos, é necessário usar medicações, mas apenas com prescrição médica. Portanto, não se automedique.
Nos casos mais graves, o paciente pode precisar receber líquidos e eletrólitos por via intravenosa no hospital, antibióticos intravenosos ou, em situações raras, ser submetido a cirurgias.
Quais complicações podem ocorrer ao não tratar a gastroenterocolite aguda?
Quando não tratada da forma correta, a gastroenterocolite aguda pode levar a diversas complicações graves. As principais são:
Desidratação: complicação mais comum da condição e possivelmente grave, podendo causar desde sintomas leves até os extremos como:
Fadiga;
Tontura;
Dor de cabeça;
Boca seca;
Pele seca;
Urina escura e em pouca quantidade;
Batimentos cardíacos acelerados;
Confusão;
Convulsões;
Coma;
Morte;
Choque séptico: complicação grave que pode ocorrer quando a infecção se espalha para a corrente sanguínea;
Pancreatite: inflamação do pâncreas, causada por alguns vírus que causam a GECA. Pode ser leve ou grave e pode levar a dor abdominal intensa, náuseas, vômitos e outras complicações;
Síndrome de Guillain-Barré: doença rara que afeta o sistema nervoso e pode ser causada por alguns vírus e bactérias que causam a GECA. Pode causar fraqueza muscular, formigamento, dormência e paralisia;
Colite pseudomembranosa: é uma infecção do intestino grosso causada pela bactéria Clostridium difficile (C. diff). Pode se desenvolver após o uso de antibióticos, especialmente aqueles de amplo espectro, causando diarreia grave, dor abdominal, febre e desidratação;
Perfuração intestinal: um furo na parede do intestino que pode ocorrer em casos raros dessa doença. Pode causar dor abdominal intensa, febre, náuseas, vômitos e sepse.
Ao surgirem os primeiros sintomas, não hesite em procurar um médico. Ele saberá orientar e prescrever o tratamento correto para o seu caso e, se necessário, indicar o uso de medicamentos.
Como procurar um médico especialista após os primeiros sintomas?
Ao apresentar os primeiros sintomas da Gastroenterocolite Aguda (GECA), como diarreia, náuseas, vômitos, dor abdominal e febre, é fundamental buscar ajuda médica o mais rápido possível para evitar complicações e garantir o tratamento adequado.
No Conexa Saúde, você pode contar com o auxílio de gastroenterologistas, pediatras e infectologistas, especialistas que saberão indicar o tratamento correto para essa condição por meio da saúde digital.
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