Hepatite A: o que é, sintomas, causas, transmissão e vacina

Profissional apresentando modelo anatômico do fígado e órgãos digestivos
Profissional apresentando modelo anatômico do fígado e órgãos digestivos

A hepatite A é uma infecção viral aguda que causa a inflamação do fígado. Ela é transmitida principalmente pela via fecal-oral, através da ingestão de água ou alimentos contaminados.

Na maioria das vezes, a doença tem evolução autolimitada, ou seja, o próprio organismo elimina o vírus. Reconhecer os sintomas e procurar avaliação médica ajuda a garantir um acompanhamento seguro.


O que provoca a hepatite A?

A doença é provocada pelo vírus VHA, que entra no organismo por via fecal-oral. Isso acontece ao consumir água ou alimentos contaminados com pequenas partículas de fezes infectadas. A falta de saneamento básico e de higiene pessoal são os principais fatores que facilitam a circulação desse vírus.

Como a hepatite A é transmitida?

A transmissão é favorecida por condições inadequadas de higiene e saneamento básico. Conhecer as principais situações de risco ajuda a evitar o contágio no dia a dia.

Alguns dos cenários que mais elevam o risco de infecção incluem:

  • Consumo de água não tratada ou de fontes duvidosas;

  • Ingestão de alimentos crus mal lavados ou preparados sem higiene;

  • Ingestão acidental de água contaminada durante atividades em praias, lagoas ou rios atingidos por esgoto;

  • Contato físico próximo com pessoas infectadas sem a devida higienização das mãos.

Hepatite A passa de pessoa para pessoa?

Sim. A transmissão entre pessoas pode ocorrer pelo contato próximo, especialmente quando não há higiene adequada das mãos após usar o banheiro ou trocar fraldas. O vírus não é transmitido habitualmente pela saliva ou pelo beijo. A transmissão ocorre principalmente quando partículas microscópicas de fezes contaminam as mãos, alimentos, água ou objetos levados à boca.

Embora não seja classificada como uma IST tradicional, práticas sexuais que envolvem o contato oral-anal podem transmitir o vírus. O risco pode ser reduzido com vacinação, higiene adequada das mãos e uso de barreiras de proteção em práticas que envolvam contato oral-anal.

Sintomas da hepatite A

A infecção pode passar despercebida, especialmente em crianças pequenas, que frequentemente apresentam poucos sintomas ou permanecem assintomáticas. Quando surgem, os sintomas geralmente aparecem de forma súbita após um período de incubação que costuma variar de 15 a 50 dias.

A evolução desse quadro clínico costuma ser dividida em etapas bem definidas, facilitando o acompanhamento médico adequado.

Sintomas iniciais da hepatite A (fase prodrômica)

Esta fase inicial marca o começo da infecção e costuma durar de alguns dias a uma semana. Como os sinais são genéricos, a condição pode ser facilmente confundida com uma gripe ou virose gastrointestinal comum.

Durante esse período, os principais sintomas que costumam aparecer são:

  • Febre;

  • Cansaço, fraqueza e mal-estar;

  • Perda de apetite e náuseas;

  • Vômitos e dores musculares.

Sintomas característicos da hepatite A (fase ictérica)

Em alguns pacientes, a icterícia surge após os sintomas iniciais e está relacionada ao aumento da bilirrubina no sangue. Ela ocorre devido ao acúmulo de bilirrubina no sangue, um pigmento que pode se acumular no sangue quando o fígado está inflamado e seu processamento e sua eliminação ficam prejudicados.

Os sinais clássicos desta etapa incluem:

  • Icterícia (pele e olhos amarelados);

  • Urina escura, semelhante à cor de café;

  • Fezes claras, quase esbranquiçadas.

Hepatite A é grave?

Na grande maioria dos casos, a infecção não é grave e evolui para a cura espontânea. Por ser uma doença autolimitada, ela não se torna crônica e, na maioria dos casos, ocorre recuperação completa, sem sequelas permanentes no fígado.

Apesar disso, existe o risco raro de hepatite fulminante, uma complicação grave que exige atendimento médico urgente. Essa condição pode causar insuficiência hepática aguda e colocar a vida em risco de forma rápida.

Qual é a hepatite mais grave?

Não existe uma única hepatite que seja sempre a mais grave. As hepatites B e C preocupam principalmente pela possibilidade de se tornarem crônicas, enquanto a hepatite A raramente pode causar insuficiência hepática aguda. Diferente do tipo A, esses dois vírus podem se tornar silenciosos e crônicos no organismo.

Sem o tratamento adequado, a infecção contínua pode evoluir para quadros de cirrose, insuficiência hepática crônica e até câncer de fígado.

Como é feito o diagnóstico de hepatite A?

O diagnóstico preciso não pode ser definido apenas pela avaliação dos sintomas clínicos do paciente. É fundamental realizar exames laboratoriais de sangue específicos para confirmar a presença do vírus no organismo.

Para confirmar uma infecção aguda ou recente, o principal exame é a pesquisa do anticorpo anti-HAV IgM. O anti-HAV IgG indica contato prévio com o vírus ou resposta à vacinação, mas não confirma, isoladamente, uma infecção aguda. Além disso, exames como TGO e TGP ajudam a avaliar a lesão das células do fígado. Outros testes, como bilirrubinas e tempo de coagulação, podem ser necessários para avaliar a gravidade.


Tratamento da hepatite A

Não existe um remédio antiviral específico para combater o vírus; o foco é o alívio dos sintomas. O tratamento inclui hidratação, alimentação equilibrada, controle dos sintomas e redução das atividades conforme o estado geral do paciente. O acompanhamento médico deve ser mantido até a recuperação clínica e laboratorial.

Medicamentos, inclusive analgésicos e produtos naturais, devem ser usados apenas com orientação médica, pois algumas substâncias podem causar ou agravar lesões no fígado. O uso inadequado de remédios sem orientação médica pode sobrecarregar ainda mais o fígado inflamado.

Tratamento complementar e cuidados caseiros para a hepatite A

Alguns cuidados em casa ajudam a manter a hidratação e aliviar os sintomas durante a recuperação:

  • Manter hidratação adequada com água e outros líquidos, conforme a tolerância;

  • Manter uma alimentação equilibrada, em pequenas porções se houver náuseas, respeitando a tolerância do paciente;

  • Evitar bebidas alcoólicas durante a doença e até a liberação médica.

Quando a internação por hepatite A é necessária?

Embora o tratamento seja predominantemente caseiro, alguns sinais exigem avaliação médica urgente e podem indicar necessidade de internação:

  • Vômitos persistentes que impeçam a ingestão de líquidos;

  • Sinais visíveis de sangramentos espontâneos;

  • Dor abdominal intensa ou progressiva;

  • Alterações neurológicas, como sonolência excessiva ou desorientação.

Prevenção da hepatite A

As medidas de saneamento básico e higiene pessoal são os pilares essenciais para bloquear a transmissão. Práticas como lavar as mãos constantemente, antes de comer e após usar o banheiro, fazem toda a diferença.

No entanto, a vacinação é uma das medidas mais eficazes e seguras para prevenir a hepatite A.

Quem deve tomar a vacina contra hepatite A?

No Calendário Nacional de Vacinação, a vacina é oferecida pelo SUS em dose única aos 15 meses, podendo ser administrada em crianças não vacinadas dos 12 meses até antes dos 5 anos de idade. Ela garante uma excelente proteção inicial contra o vírus durante a infância.

A vacinação também pode ser indicada para adultos suscetíveis, viajantes e pessoas com maior risco de infecção ou de complicações. No SUS, pessoas com determinadas condições clínicas podem receber a vacina nos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais, conforme os critérios vigentes. Nesses casos, na rede privada e em algumas indicações especiais, geralmente é utilizado o esquema de duas doses, com intervalo definido conforme a vacina empregada.

Diferenças entre hepatite A, B e C

Apesar do nome comum aos três tipos, os vírus causadores são diferentes, resultando em consequências distintas associadas a cada infecção.

Critério

Hepatite A

Hepatite B

Hepatite C

Transmissão

Fecal-oral (água/alimentos)

Sangue, sêmen e outros fluidos corporais, inclusive durante relações sexuais, compartilhamento de materiais contaminados e transmissão da gestante para o bebê.

Sangue contaminado

Cronificação

Não cronifica (sempre aguda)

Pode cronificar 

Pode se tornar crônica com frequência

Sintomas

Comuns em adultos, raros em crianças

Frequentemente assintomática

Frequentemente assintomática, especialmente na fase crônica

Vacina

Sim

Sim

Não

Como a Conexa Saúde auxilia no manejo da hepatite A?

Como a infecção é transmissível e exige repouso, a telemedicina pode ser uma alternativa para a avaliação inicial e o acompanhamento de casos estáveis, sem necessidade de deslocamento imediato.

Através da nossa plataforma, você realiza uma consulta online com clínicos gerais ou infectologistas. Nossos médicos avaliam seus sintomas e orientam quando é necessário procurar atendimento presencial, serviço de urgência ou avaliação especializada, emitindo receitas e exames digitais, se necessário.

Aproveite a praticidade e cuide da saúde do seu fígado sem sair de casa com o suporte completo da Conexa Saúde!


Perguntas frequentes sobre a hepatite A

Quem já teve hepatite A pode pegar de novo?

Em geral, não. Após a infecção, o organismo desenvolve imunidade duradoura contra o vírus da hepatite A.

Quem tem hepatite A precisa ficar em isolamento?

Não há necessidade de isolamento hospitalar rígido, mas é fundamental reforçar a lavagem das mãos, especialmente após usar o banheiro e antes de preparar alimentos. A pessoa infectada não deve preparar alimentos para outras pessoas durante o período de maior transmissão.

A hepatite A pode deixar sequelas no fígado?

Na maioria dos casos, não. A recuperação costuma ser completa e a doença não se torna crônica. Raramente, entretanto, pode ocorrer insuficiência hepática aguda.

Quanto tempo a hepatite A dura?

Os sintomas geralmente duram algumas semanas, mas cansaço e alterações nos exames podem persistir por vários meses em parte dos pacientes.

Quem orienta

Rafael Leite Aguilar

Médico

CRM-ES 18586

Pós graduando em gestão de saúde pela FGV. Atua como Rotina Médica no Pronto Atendimento Conexa Saúde.

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