Cirrose: causas, sintomas, diagnóstico, tratamento, prevenção e cuidados

foto do tronco de um homem com suas mãos apertando a barriga e um símbolo vermelho ao redor do fígado para indicar dor causada pela cirrose

A cirrose, ou cirrose hepática, é uma doença crônica irreversível caracterizada pela substituição do tecido hepático saudável por cicatrizes (fibrose). Com a progressão, o fígado perde a capacidade de desempenhar funções vitais, processo que pode culminar em insuficiência hepática

A cirrose é um grave problema de saúde pública. As doenças hepáticas, em geral, são responsáveis por 1 em cada 33 mortes no Brasil (3% do total). Um estudo com dados do DATASUS registrou 47.444 mortes por cirrose entre 2019 e 2023, afetando predominantemente homens (71%) na faixa de 55 a 74 anos.

Embora os danos não retrocedam, identificar a causa rapidamente e tratá‑la pode frear a evolução da doença e melhorar a qualidade de vida do paciente.

O que é cirrose?

A cirrose ocorre quando processos inflamatórios prolongados (por álcool, hepatites, gordura no fígado, entre outros) destroem parte dos hepatócitos (células do fígado). 

O organismo tenta se reparar criando tecido de cicatrizes, mas esse tecido não cumpre funções metabólicas essenciais: produção de proteínas, síntese de fatores de coagulação, armazenamento de vitaminas, destoxificação, formação da bile, entre outras.

Nos estágios iniciais, a doença pode ser assintomática (oligossintomática); por isso, exames de rotina são importantes para detecção precoce. Ao longo prazo, se não houver tratamento, pode ser fatal.

Cirrose tem cura?

A cirrose é crônica e irreversível: as cicatrizes formadas não podem ser revertidas. Entretanto, tratar a causa subjacente (por exemplo, interrupção do consumo de álcool ou controle da hepatite) pode impedir a progressão. Em estágios avançados, o transplante de fígado é a única intervenção curativa, mas só pode ser indicada por um médico.

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Tipos de cirrose

A cirrose é sempre a mesma, mas pode se manifestar a partir de alguns quadros específicos. A seguir, conheça alguns tipos da doença:

TipoCausa principalCaracterística
AlcoólicaConsumo excessivo de álcoolEvolui após anos de ingestão diária; costuma regredir quando o paciente adota abstinência total.
ViralHepatites B e C crônicasLesão contínua devido à inflamação viral; controle com antivirais pode retardar fibrose.
Metabólica (gordura no fígado)Esteatose hepática associada à obesidade, diabetes ou dislipidemiaAtinge número crescente de pacientes; a perda de peso é fundamental.
AutoimuneHepatite autoimune, cirrose biliar primária ou colangite esclerosante primáriaSistema imunológico ataca as próprias células do fígado ou ductos biliares.
MedicamentosaUso prolongado de fármacos que fazem mal ao fígadoSuspender a substância agressora é a principal conduta.
OutrosDoenças genéticas ou vascularesDoença de Wilson, hemocromatose, deficiência de alfa‑1 antitripsina, síndrome de Budd‑Chiari, etc.

Causas da cirrose

Principais causas

Um artigo divulgado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), estima que homens com o costume de ingerir de 30 a 40 gramas de álcool diariamente, dentro de um período de 5 anos, podem desenvolver o quadro de cirrose hepática. As causas mais comuns de cirrose são:

  • Consumo excessivo de álcool
  • Hepatites virais B e C (infecções crônicas
  • Esteatose hepática (gordura no fígado) relacionada a obesidade e síndrome metabólica
  • Uso prolongado de medicamentos hepatotóxicos
  • Doenças autoimunes (hepatite autoimune, cirrose biliar primária)
  • Doenças metabólicas genéticas (hemocromatose, doença de Wilson, deficiência de alfa‑1 antitripsina)
  • Obstruções vasculares do fígado (síndrome de Budd‑Chiari)

Além das causas acima, a cirrose pode ser consequência de:

  • Doenças metabólicas raras: galactosemia, tirosinemia, glicogenose
  • Doenças colestáticas: colangite esclerosante primária, síndrome de Alagille
  • Infecções crônicas: sífilis, brucelose
  • Exposição prolongada a solventes ou toxinas industriais

Fatores de risco 

  • Abuso de álcool (homens > 40 g/dia; mulheres > 20 g/dia)
  • Hepatites B, C ou D não tratadas
  • Obesidade, diabetes, colesterol alto
  • Uso de anabolizantes, fitoterápicos ou suplementos sem orientação
  • Dieta inadequada
  • Histórico familiar de doenças metabólicas (hemocromatose, doença de Wilson)
  • Exposição ocupacional a solventes ou toxinas

Quem pode desenvolver cirrose? 

Qualquer pessoa exposta às causas descritas pode desenvolver cirrose hepática. No Brasil, a doença foi a 10.ª causa de morte em 2017, segundo o Ministério da Saúde. Estima‑se que 1,5 bilhão de pessoas no mundo tenham algum grau de doença hepática crônica. Embora a prevalência seja maior em homens, o número de casos em mulheres cresce devido ao aumento da esteatose hepática.

Sintomas da cirrose

  • Cansaço e fraqueza persistentes
  • Perda de apetite e de peso
  • Náuseas ou vômitos
  • Inchaço abdominal (ascite ou “barriga d’água”)
  • Edema em pernas e pés
  • Icterícia (pele e olhos amarelados)
  • Coceira generalizada
  • Hematomas ou sangramentos fáceis
  • Confusão mental ou sonolência (encefalopatia hepática)

No início do quadro, o fígado ainda consegue desempenhar a maioria de suas funções. Por isso, muitas pessoas não apresentam sintomas ou têm apenas queixas vagas e inespecíficas. Quando o dano ao fígado vai se agravando, o órgão não consegue mais funcionar adequadamente, levando ao surgimento de sintomas e complicações graves e evidentes. 

Complicações avançadas podem incluir varizes esofágicas sangrantes, insuficiência renal (síndrome hepatorrenal) e infecções recorrentes. Pessoas com cirrose também tem um risco aumentado de desenvolver câncer de fígado.

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Diagnóstico da cirrose

O diagnóstico inicial deve ser feito por um médico de família, que pode solicitar exames e, se necessário, encaminhar para especialistas como hepatologistas ou gastroenterologistas. O diagnóstico combina história clínica (álcool, hepatites, medicamentos), exame físico e exames complementares. A Conexa oferece consultas online com mais de 30 especialistas.

Os exames para diagnosticar a cirrose incluem:

  • Exames laboratoriais: Exames de sangue (como hemograma e hepatograma) para avaliar a função do fígado, anemia, plaquetas baixas e a presença de hepatites.
  • Exames de imagem do fígado: Ultrassonografia, tomografia computadorizada (TC) ou ressonância magnética (RM) são úteis para estágios avançados.
  • Biópsia do fígado: Retirada de um pequeno pedaço do tecido hepático para análise, usada para confirmar o diagnóstico quando outros exames são imprecisos.
  • Sorologias e ultrassom.

Tratamento

O objetivo do tratamento para cirrose é interromper a causa, controlar sintomas e prevenir complicações.

  1. Mudança de estilo de vida – abstenção alcoólica, perda de peso, dieta balanceada;
  2. Controle da causa – antivirais para hepatites, corticoides ou imunossupressores nas causas autoimunes, flebotomia na hemocromatose ou terapia de quelação na doença de Wilson;
  3. Medicamentos sintomáticos – diuréticos para ascite, lactulose e rifaximina para encefalopatia, betabloqueadores para varizes;
  4. Transplante de fígado – a única cura definitiva em casos avançados.

Alerta: nunca use fitoterápicos ou suplementos sem liberação do hepatologista, muitos podem ser tóxicos ao fígado.

Autocuidados e estilo de vida

  • Álcool zero: abstenção total é essencial.
  • Dieta balanceada: prefira frutas, verduras, proteínas magras; evite ultraprocessados e excesso de sal.
  • Controle de peso: obesidade acelera a progressão da doença.
  • Vacinação em dia: hepatites A e B, gripe, COVID‑19.
  • Acompanhamento multidisciplinar: hepatologista, nutricionista e, se necessário, psicoterapia com psicólogo. Você tem acesso a todos esses profissionais através da plataforma de telemedicina da Conexa  Saúde.
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Prevenção

  1. Consumo responsável de álcool ou abstinência, especialmente se houver fatores de risco.
  2. Vacinação contra hepatites A e B.
  3. Proteção corporal em procedimentos de tatuagem, piercings e sexo seguro, com preservativo (prevenção de hepatites).
  4. Alimentação equilibrada e atividade física regular para evitar gordura no fígado.
  5. Exames periódicos se houver histórico familiar ou comorbidades.

Quando ir ao médico investigar?

Para maior eficácia do diagnóstico e, por consequência, sua prevenção, é necessário a realização de exames regulares, incluindo o famoso check-up, e sempre ter um acompanhamento médico a qualquer momento. 

Assim, os benefícios da telemedicina proporcionam aos pacientes uma gama de profissionais da saúde, de todas as áreas, com atendimentos remotos e para qualquer lugar do país, promovendo o acesso aos cuidados com a saúde e garantindo uma assistência médica adequada.

A plataforma Conexa Saúde possibilita uma ponte entre pacientes e médicos, altamente qualificados, em qualquer área da medicina, por meio de consultas online — feito pelo próprio celular, tablet ou notebook —, o que assegura uma orientação médica imediata, personalizada e dentro das necessidades de cada pessoa e, tudo isso, sem sair de casa. Agende sua consulta agora e tenha uma experiência de atendimento humanizado e que valorize sua saúde e vida!

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