Testosterona baixa: sintomas, causas e tratamentos eficazes

Gestante cuidando da barriga durante a gravidez
Gestante cuidando da barriga durante a gravidez

A testosterona baixa é a redução dos níveis deste hormônio no sangue, o que pode causar sintomas como cansaço excessivo e perda de desejo sexual. As causas e o tratamento variam de caso a caso, e serão abordadas neste texto.

O que é testosterona?

A testosterona costuma ser rotulada apenas como o "hormônio da masculinidade", mas ela é muito mais do que isso. Ela funciona como um mensageiro químico essencial para o equilíbrio do organismo, tanto de homens quanto de mulheres.

A testosterona é um hormônio esteroide. Na prática, isso significa que ela é uma substância produzida a partir do colesterol, que ajuda a controlar diversas funções vitais. A produção ocorre em lugares diferentes dependendo do corpo:

  • Nos homens é produzida principalmente nos testículos.

  • Nas mulheres é produzida em quantidades menores nos ovários e nas glândulas suprarrenais (que ficam em cima dos rins).

A produção atinge o auge durante a adolescência e o início da vida adulta. A partir dos 30 ou 40 anos, é natural que ocorra uma queda gradual (cerca de 1% ao ano), tanto em homens quanto em mulheres.

Testosterona baixa em homens

No homem, a testosterona é o combustível para o desenvolvimento e manutenção das características que associamos ao corpo masculino. Suas principais funções são:

  • Puberdade: é a responsável pelo engrossamento da voz, crescimento de pelos e desenvolvimento dos órgãos sexuais.

  • Músculos e ossos: estimula o ganho de massa muscular e mantém a densidade dos ossos, prevenindo o enfraquecimento.

  • Fertilidade: é indispensável para a produção de espermatozoides.

  • Desejo sexual: atua diretamente na manutenção da libido e da função erétil.

A baixa testosterona, clinicamente chamada de hipogonadismo, ocorre quando os testículos não produzem o volume de hormônio necessário para manter estas funções.

Geralmente, médicos consideram como nível de testosterona preocupante valores abaixo de 300 ng/dL, já que o intervalo considerado normal para o adulto saudável costuma variar entre 300 e 1.000 ng/dL, dependendo da idade.

TESTOSTERONA EM HOMENS

Faixa etária

Nível médio (ng/dL)

20 - 29 anos

400 – 950

30 - 39 anos

350 – 850

40 - 49 anos

300 – 800

50 - 59 anos

250 – 750

60+ anos

200 – 650

Sintomas de testosterona baixa em homens

A falta desse hormônio afeta o corpo de forma sistêmica, da mente aos músculos:

  • Desejo sexual reduzido: é um dos sinais mais claros, já que o interesse por sexo diminui drasticamente e com frequência.

  • Disfunção erétil: dificuldade em manter ou conseguir uma ereção, além da redução de ereções espontâneas (como as matinais).

  • Fadiga e falta de energia: sensação de cansaço extremo que não melhora mesmo após uma boa noite de sono.

  • Perda de massa muscular: o corpo tem dificuldade em manter os músculos, que acabam sendo substituídos por gordura, especialmente na barriga.

  • Alterações de humor: aumento da irritabilidade, episódios de tristeza ou falta de motivação para tarefas simples do dia a dia.

  • Dificuldade de concentração: conhecido como "névoa mental", há dificuldade em focar ou lembrar de detalhes triviais.

Causas da testosterona baixa masculina

Vários fatores podem "desligar" ou diminuir a produção hormonal, desde a genética até o comportamento:

  • Fatores genéticos: condições como a Síndrome de Klinefelter, onde o homem nasce com um cromossomo X extra, afetando o desenvolvimento dos testículos.

  • Problemas congênitos: testículos que não desceram para o saco escrotal na infância podem comprometer a produção de hormônios no futuro.

  • Comorbidades: obesidade, diabetes tipo 2 e doenças renais ou hepáticas crônicas interferem diretamente no equilíbrio hormonal.

  • Medicamentos: uso prolongado de corticoides, analgésicos fortes (opioides) ou tratamentos contra o câncer, como quimioterapia.

  • Estilo de vida: consumo excessivo de álcool, falta crônica de sono e níveis de estresse muito elevados sabotam a produção natural.

  • Envelhecimento natural: a partir dos 30 anos, é comum uma queda gradual de cerca de 1% ao ano, embora quedas bruscas exijam atenção.

Testosterona baixa em mulheres

Apesar de produzirem cerca de 10 a 20 vezes menos testosterona que os homens, as mulheres dependem dela para funções vitais. Ela é essencial para a manutenção da massa muscular, a preservação da densidade óssea, o estímulo do desejo sexual e a melhora da capacidade cognitiva e do humor.

Identificar níveis baixos de testosterona em mulheres é muito mais difícil do que em homens. Isso ocorre porque, como os níveis naturais já são baixos, as variações mínimas são difíceis de medir com precisão em exames comuns. 

Além disso, os níveis flutuam naturalmente durante o mês, o que exige que o médico saiba exatamente em que fase do ciclo a mulher está ao analisar o exame. A idade também é outro fator de interferência.

Faixa Etária

Nível Estimado (ng/dL)

20 a 30 anos

15 a 70

30 a 45 anos

10 a 55

Pós-menopausa

7 a 40

Sintomas e impactos da testosterona baixa feminina

Os sinais podem ser sutis e costumam ser confundidos com cansaço excessivo ou estresse:

  • Falta de libido.

  • Fadiga persistente e falta de energia.

  • Perda de tônus muscular e dificuldade em ganhar massa.

  • Acúmulo de gordura abdominal.

  • Dificuldade de concentração e "névoa mental".

  • Mudanças de humor e irritabilidade.

Muitos desses sintomas são idênticos aos da menopausa, o que complica o diagnóstico. No entanto, a testosterona baixa é rara em mulheres e não deve fazer parte dos exames de rotina, a não ser na desconfiança de excesso do hormônio ou de doenças endócrinas específicas.

Causas da testosterona baixa feminina

A diminuição desse hormônio pode ocorrer por diversos fatores:

  • Envelhecimento natural: a produção cai gradualmente a partir dos 30 anos.

  • Menopausa: a queda é acentuada quando os ovários reduzem sua atividade.

  • Uso de anticoncepcionais: pílulas orais podem aumentar proteínas que "prendem" a testosterona, deixando menos hormônio livre para o corpo usar.

  • Cirurgias: remoção dos ovários (ooforectomia).

  • Estresse crônico: o cortisol alto pode interferir na produção hormonal.

Como é feito o diagnóstico de baixa testosterona?

Se você sente cansaço extremo, perda de libido ou mudanças de humor persistentes, é hora de investigar. Homens devem procurar um urologista, enquanto mulheres devem consultar um ginecologista. A avaliação inicial também pode ser feita por um médico de família ou um endocrinologista.

Nunca inicie remédios por conta própria! Muitos sintomas, como desânimo e ganho de peso, são comuns em outras condições, como depressão, estresse crônico, problemas de tireoide ou até mesmo de uma rotina de sobrecarga.

O médico analisa seu histórico clínico e solicita exames para diagnosticar, focando principalmente na testosterona total e livre como ponto de partida, mas outros marcadores devem ser pedidos para excluir diagnósticos diferentes.

Um único exame de sangue é apenas um "retrato" do momento e pode sofrer interferências; por isso, geralmente a coleta é feita mais de uma vez, em dias diferentes, para confirmar se os níveis estão realmente baixos de forma constante.

A Conexa Saúde pode te ajudar no agendamento de uma consulta online com um dos especialistas indicados para avaliar os sintomas de testosterona baixa.

Como é feito o tratamento para testosterona baixa?

O tratamento médico é sempre personalizado, pois cada organismo reage de um jeito. O objetivo final não é apenas "bater a meta" nos exames de sangue, mas garantir que você se sinta disposto, focado e com a libido em dia novamente.

Reposição de testosterona: tipos e formatos

Existem diferentes métodos para repor o hormônio, e a escolha depende da sua rotina. O protocolo exige exames de sangue regulares para ajustar as doses, e se a causa da deficiência for permanente, o tratamento costuma ser contínuo.

Método

Vantagens

Desvantagens

Gel  Adesivos

Níveis estáveis e sem agulhas

Uso diário e risco de transferência por contato

Injeções

Aplicações quinzenais ou trimestrais

Pode causar picos e quedas de energia

Implantes

Conveniência (duram meses)

Exige um pequeno procedimento cirúrgico

Mudanças no estilo de vida que podem ajudar

Priorizar o sono de qualidade, praticar musculação e manter uma alimentação rica em nutrientes são estratégias fundamentais para qualquer tratamento hormonal ter sucesso, de forma natural e sustentável. 

Sem esses pilares, o tratamento medicamentoso perde grande parte do seu potencial.

Riscos e benefícios da terapia de reposição hormonal

O acompanhamento médico é inegociável para garantir que o processo seja seguro, especialmente para quem tem problemas cardíacos ou de próstata.

  • Benefícios: melhora da massa muscular, densidade óssea, humor e desejo sexual.

  • Riscos: possível aumento de glóbulos vermelhos, acne e alterações na fertilidade.

Atenção: homens com histórico de câncer de próstata ou apneia do sono grave precisam de avaliação criteriosa antes de iniciar e manter tratamento hormonal.

Quando procurar ajuda médica para tratar baixa testosterona?

Saber a hora de investigar seus níveis hormonais é o que separa um desconforto passageiro de um problema que pode ser resolvido com foco e cuidado.

Fique atento a cansaço persistente, queda no desejo sexual, irritabilidade constante e perda de massa muscular, mesmo treinando. Não aceite o mal-estar somente como parte normal do envelhecimento; seu corpo dá sinais quando algo precisa de ajuste.

Homens acima de 45 anos, diabéticos ou aqueles que lutam contra a obesidade podem precisar da dosagem de testosterona com mais frequência. Nesses grupos, a queda hormonal é mais comum e pode ser silenciosa.

Pela plataforma Conexa Saúde, você consegue agendar consultas de forma prática e segura, via telemedicina, eliminando as barreiras de deslocamento e oferecendo a discrição necessária para discutir sua saúde hormonal. 

Quem orienta

Julianna Siciliano de Araújo

Médica de Família e Comunidade

Médica formada pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, especialista em Medicina de Família e Comunidade pela SMS/RJ. Atua há 4 anos na Atenção Primária à Saúde, com foco na prevenção e tratamento de doenças em regiões de alta vulnerabilidade. Mestre e doutora em Ciências pelo IOC/Fiocruz.

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