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Dor nos olhos: causas, o que pode ser, quando é grave e como tratar

A dor nos olhos é um sintoma que pode surgir por motivos variados, de cansaço por usar o celular ou computador por muito tempo até condições que precisam de atendimento urgente, como o glaucoma agudo (quando a pressão dentro do olho sobe de repente). Na maioria dos casos, o incômodo está ligado a causas tratáveis, como fadiga digital, alergia nos olhos ou óculos com grau desatualizado. No entanto, se a dor vier acompanhada de perda de visão, náuseas ou vermelhidão intensa, é preciso procurar um oftalmologista o quanto antes.

Vale saber que dor nos olhos não é a mesma coisa que ardência. A dor ocular costuma ser mais profunda: você pode senti-la dentro do olho, atrás do globo ocular ou ao redor da órbita (a cavidade óssea onde o olho fica). Já a ardência é uma sensação mais leve e superficial, ligada à irritação externa, como cisco, suor, fumaça ou alergia. Essa diferença ajuda o médico a entender melhor o que está acontecendo.

A seguir, você encontra um guia sobre as causas de dor nos olhos, os sinais que merecem atenção, as opções de tratamento e como uma consulta por vídeo pode ajudar na avaliação inicial.

Causas de dor nos olhos que pedem avaliação médica

Algumas situações que causam dor nos olhos precisam de acompanhamento médico para não evoluir para algo mais sério.

Conjuntivite

A conjuntivite é uma inflamação da conjuntiva, a película fina e transparente que cobre a parte branca do olho e o interior das pálpebras. A doença pode ser causada por vírus, bactérias ou alergia, e os sintomas incluem olho vermelho, secreção (que fica amarelada quando é bacteriana), sensação de ter algo no olho e, em alguns tipos, dor leve. A conjuntivite infecciosa é contagiosa, então é preciso redobrar os cuidados de higiene para evitar passar para outras pessoas.

Blefarite e terçol

A blefarite é uma inflamação crônica na borda das pálpebras, perto dos cílios, que causa coceira, descamação e ardência. Já o terçol (também chamado de hordeólo) é uma bolinha vermelha e dolorida na pálpebra, que aparece quando uma glândula de gordura local infecciona. Nos dois casos, a higiene cuidadosa das pálpebras é parte do tratamento. Se o quadro persistir, vale procurar um médico para evitar que a inflamação chegue à córnea.

Lesão na córnea

A córnea é a camada transparente que fica na frente do olho, e é uma das regiões mais sensíveis do corpo humano. Um simples arranhão nela (como por um cisco que entrou no olho ou pelo uso inadequado de lente de contato) já provoca dor forte, sensibilidade à luz e lacrimejamento intenso. Se não tratada, a lesão pode evoluir para uma úlcera (ferida mais profunda) e infecção. O tratamento envolve colírios antibióticos e, em casos avançados, acompanhamento cirúrgico.

Causas graves de dor nos olhos: quando é emergência

Existem situações em que a dor nos olhos precisa de atendimento imediato. A demora pode causar danos permanentes na visão.

Glaucoma agudo

O glaucoma agudo (chamado de glaucoma de ângulo fechado) acontece quando a pressão dentro do olho sobe de forma repentina e intensa. Os sintomas são dor forte no olho, visão embaçada e círculos coloridos ao redor de luzes, olho muito vermelho e, frequentemente, enjoo e vômitos. O glaucoma é uma emergência médica: sem tratamento nas primeiras horas, há risco real de cegueira que não pode ser revertida.

Segundo dados do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), mais de 1,7 milhão de brasileiros têm glaucoma, e até 90% deles podem não saber do diagnóstico, já que a doença crônica costuma ser silenciosa no início. No mundo, a World Glaucoma Association (WGA) estima que cerca de 78 milhões de pessoas convivam com a doença, com projeção de passar de 100 milhões até 2040.

Uveíte e ceratite

A uveíte é uma inflamação das camadas internas do olho (íris, corpo ciliar e coroide, estruturas que ficam por trás da parte visível do olho). Causa dor, incômodo com luz forte e pontos escuros flutuando na visão. Pode aparecer sozinha ou ligada a doenças que afetam a imunidade do corpo.

A ceratite é uma inflamação ou infecção da córnea que provoca dor, vermelhidão e secreção. Quem dorme com lente de contato ou não higieniza as lentes corretamente tem mais chance de desenvolver ceratite. Quando não tratada, pode deixar uma cicatriz na córnea e prejudicar a visão.

Endoftalmite, esclerite e neurite óptica

São três condições mais raras, mas que merecem atenção:

  • Endoftalmite: infecção grave dentro do olho, que geralmente aparece após cirurgias oculares ou traumas. Causa dor intensa e perda rápida de visão. O tratamento exige antibióticos aplicados diretamente dentro do olho.

  • Esclerite: inflamação da esclera (a parte branca do olho). Gera uma dor profunda, que muitas pessoas descrevem como "dor por dentro do olho", podendo irradiar para a cabeça.

  • Neurite óptica: inflamação do nervo que leva as imagens do olho até o cérebro. Causa dor ao movimentar os olhos e alterações na visão. Pode estar ligada a condições neurológicas, como a esclerose múltipla (uma doença autoimune que afeta o sistema nervoso).

Dor nos olhos e dor de cabeça: qual a relação?

Muitas pessoas sentem dor nos olhos e dor de cabeça ao mesmo tempo. Isso acontece porque várias condições afetam tanto o olho quanto os nervos e músculos da face e do crânio. Veja as mais comuns:

Enxaqueca e dor nos olhos

A enxaqueca pode causar uma dor latejante e forte atrás de um dos olhos, geralmente acompanhada de enjoo e incômodo com luz forte. Em parte dos casos, antes da dor começar, a pessoa enxerga pontos brilhantes, linhas em zigue-zague ou tem a visão parcialmente escurecida, o que os médicos chamam de "aura visual". 

Esses sintomas visuais duram entre 20 e 60 minutos e depois dão lugar à dor de cabeça. Se você tem crises frequentes, vale buscar um neurologista ou oftalmologista para identificar os gatilhos e definir um tratamento preventivo.

Sinusite e pressão nos olhos

A sinusite é a inflamação dos seios da face (cavidades cheias de ar que ficam na testa, nas bochechas e ao redor dos olhos), que causa uma sensação de pressão e peso ao redor dos olhos, na testa e nas maçãs do rosto. A dor tende a piorar quando você abaixa a cabeça. Se, além da dor nos olhos, você tiver nariz entupido, secreção espessa e febre, é muito provável que seja sinusite e você precisa de avaliação médica.

Doenças que causam dor nos olhos, além dos problemas oculares

Dengue e dor no fundo dos olhos

A dengue frequentemente causa dor no fundo dos olhos, descrita como uma sensação de peso ao olhar para os lados ou para cima. Isso acontece porque o vírus da dengue provoca inflamação nos músculos que controlam o movimento dos olhos. A dor costuma vir junto com febre alta, dores no corpo e mal-estar. Se você sentir esses sintomas durante um período de surto de dengue na sua região, procure atendimento médico para confirmação e acompanhamento.

COVID-19 e desconforto nos olhos

A COVID-19, assim como a dengue, pode causar dor muscular que se estende aos músculos ao redor dos olhos, gerando sensação de olho pesado e dolorido. Algumas pessoas com COVID-19 também desenvolvem conjuntivite viral. Se a dor nos olhos aparecer junto com febre, tosse ou perda de olfato, vale considerar fazer o teste para COVID-19.

Onde é a dor nos olhos? O que a localização da dor pode indicar

Dizer ao médico onde exatamente você sente a dor ajuda bastante na investigação. Cada região aponta para estruturas e condições diferentes.

Dor atrás dos olhos

Pode ter relação com enxaqueca, neurite óptica (inflamação do nervo do olho) ou sinusite. No caso da neurite óptica, o desconforto piora ao mexer o olho e pode vir com perda parcial de visão. Na sinusite, a dor vem com sensação de pressão no rosto e nariz entupido.

Dor ao redor dos olhos e nas pálpebras

Quando a dor fica mais nas pálpebras ou ao redor dos olhos, as causas mais frequentes são terçol, calázio (uma bolinha dura na pálpebra causada por uma glândula entupida), blefarite e sinusite. Os sinais incluem inchaço, coceira e vermelhidão. Geralmente são leves, mas, se não melhorarem em poucos dias, vale uma consulta.

Dor ao piscar ou mover os olhos

Dor ao piscar pode indicar olho seco grave, cisco preso no olho ou arranhão na córnea. Já a dor ao movimentar os olhos pode apontar para neurite óptica ou inflamação dos músculos que movem o globo ocular. Se a dor for intensa ou vier com alterações na visão, procure atendimento rápido.

Dor nos olhos em crianças: sinais para ficar atento

Crianças nem sempre conseguem explicar direito o que estão sentindo nos olhos. Por isso, pais e cuidadores devem observar sinais como: esfregar os olhos com frequência, piscar demais, lacrimejar sem motivo, evitar luz forte, ou reclamar de dor de cabeça ao final do dia.

As causas mais comuns em crianças são conjuntivite (especialmente em ambiente escolar), cisco no olho, alergia e problemas de grau que ainda não foram diagnosticados. Se a criança senta muito perto da TV, aperta os olhos para enxergar o quadro da escola ou inclina a cabeça de lado com frequência, pode ser hora de levá-la ao oftalmologista.

O Conselho Brasileiro de Oftalmologia recomenda que a primeira consulta oftalmológica aconteça ainda no primeiro ano de vida, e que seja repetida todo ano.

Como é feito o diagnóstico da dor nos olhos?

O diagnóstico começa com uma conversa entre você e o médico oftalmologista. Ele vai perguntar onde dói, há quanto tempo começou, qual o tipo de dor (pontada, pressão, ardência), o que piora e o que melhora. Também vai querer saber se você usa lentes de contato, se sofreu algum trauma no olho e se tem histórico de doenças oculares na família.

Os principais exames que o médico pode pedir incluem:

  • Lâmpada de fenda: um microscópio especial que permite ver de perto lesões, inflamações ou ciscos na córnea e na parte da frente do olho.

  • Tonometria: mede a pressão dentro do olho. É o principal exame para detectar glaucoma.

  • Oftalmoscopia: o médico examina o fundo do olho (nervo óptico e retina) para verificar se há alterações.

  • Teste de fluoresceína: um corante especial é pingado no olho para revelar arranhões ou feridas na córnea.

  • Tomografia ou ressonância: pedidas quando há suspeita de inflamação no nervo óptico ou infecção mais profunda ao redor do olho.

Se você sentir dor nos olhos e quiser uma orientação antes de ir ao consultório, a telemedicina permite conversar com um médico por vídeo, que pode avaliar seus sintomas e dizer se o caso pede atendimento presencial ou exames complementares.

Tratamentos para dor nos olhos

O tratamento depende da causa. Por isso, evite usar qualquer remédio, especialmente colírios com corticoide, sem orientação médica. O uso errado pode piorar o problema.

Como aliviar a dor nos olhos em casa?

  • Compressas: frias para irritação e olho vermelho; mornas para blefarite e olho seco.

  • Colírios lubrificantes (lágrimas artificiais): ajudam em casos de ressecamento e irritação leve. Dá para comprar sem receita, mas o ideal é que um médico indique o melhor tipo para o seu caso.

  • Pausas para descanso visual: a cada 20 minutos de tela, olhe para longe por 20 segundos (regra 20-20-20).

  • Higiene dos olhos: lave as mãos antes de tocar nos olhos, não durma com maquiagem e não compartilhe produtos de uso ocular.

Tratamentos médicos

Os medicamentos abaixo costumam ser receitados para tratar as causas da dor no olho. Todo medicamento deve ser indicado por um médico. Nunca se automedique.

  • Colírios antibióticos: para conjuntivite causada por bactérias e outras infecções nos olhos.

  • Colírios anti-inflamatórios ou antialérgicos: para inflamações e alergias que causam incômodo, coceira e vermelhidão.

  • Antibióticos aplicados dentro do olho: nos casos de endoftalmite (infecção grave interna).

  • Cirurgia ou procedimentos específicos: para glaucoma que não responde a colírio, úlceras de córnea avançadas ou ceratites resistentes a remédio.

Mesmo que os sintomas melhorem, complete o tratamento conforme o médico orientou. Parar antes da hora pode fazer a infecção ou inflamação voltar.

Como prevenir a dor nos olhos?

  • Consultas regulares com oftalmologista: o CBO recomenda check-up anual. Muitas doenças oculares (como o glaucoma) não dão sintomas no começo e só são descobertas em exame de rotina.

  • Cuidado com lentes de contato: lave as mãos antes de colocar ou tirar, não durma com as lentes (a não ser que o médico tenha liberado), troque o estojo de armazenamento com frequência e evite usar lentes na piscina ou no mar.

  • Proteção contra telas: aplique a regra 20-20-20, ajuste o brilho do monitor e mantenha uma distância de cerca de um braço entre você e a tela.

  • Higiene das pálpebras: limpar a borda das pálpebras com produtos próprios ajuda a prevenir blefarite e terçol.

  • Óculos de sol com proteção UV: protegem a córnea e a retina contra danos da radiação ultravioleta, especialmente em ambientes abertos.

Quando a dor nos olhos é preocupante?

Procure atendimento médico imediato se a dor nos olhos vier com algum destes sinais:

  • Dor forte que não melhora com descanso ou colírio comum.

  • Perda repentina de visão, mesmo que em só um olho.

  • Olho muito vermelho, com visão embaçada e incômodo com luz.

  • Enjoo, vômitos e círculos coloridos ao redor de luzes (pode ser glaucoma agudo).

  • Pancada no olho, contato com produto químico ou cisco que não sai com lavagem.

  • Dor ao mexer os olhos, junto com visão dupla.

Situações leves, como irritação passageira ou ardência pelo uso de telas, que melhoram com descanso, podem esperar uma consulta agendada. Na dúvida, o mais seguro é buscar orientação profissional.

Como a Conexa Saúde pode ajudar?

Se você está com dor nos olhos e precisa de orientação médica, a Conexa Saúde oferece consultas online com médicos que podem avaliar seus sintomas, analisar fotos e vídeos dos seus olhos e indicar se o caso precisa de atendimento presencial ou exames.

A consulta por vídeo funciona como uma triagem inicial: você recebe orientação profissional sem sair de casa, no horário que for melhor para você. Em casos urgentes, como suspeita de glaucoma agudo ou trauma no olho, o atendimento presencial imediato continua sendo necessário.


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Quem orienta

Juliana Seixas

Médica de Família e do Trabalho

CREMERJ 52981249

Especialista em Medicina de Família pela UERJ. Médica do Trabalho pela Funorte. Pós graduanda em gestão de saúde pela FGV.

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