Úlceras: tipos, causas, sintomas, tratamentos e prevenção

Estetoscópio em ambiente clínico
Estetoscópio em ambiente clínico

Uma úlcera é, essencialmente, uma ferida aberta que se desenvolve na pele ou nas membranas mucosas do corpo. Embora o termo seja frequentemente associado ao estômago, as úlceras podem surgir em diversos locais, como pernas, boca e até na córnea. Abaixo vamos explicar as causas, o diagnóstico e o tratamento dessas lesões.

Quais são os tipos de úlceras?

Entender os diferentes tipos de úlceras é o primeiro passo para buscar o tratamento correto, já que a causa varia drasticamente dependendo de onde ela surge.

Úlcera gástrica (péptica)

Ocorre na parede interna do estômago ou no início do intestino (duodeno). É causada principalmente pela bactéria Helicobacter pylori, que corrói a proteção do órgão, ou pelo uso excessivo de anti-inflamatórios. O estresse não causa a úlcera sozinho, mas pode piorar muito os sintomas de quem já a tem.

Os sintomas incluem azia, intensa dor no estômago e até mesmo vômitos com sangue. Costuma ser precedida por um quadro de gastrite, que se agrava até de fato gerar uma lesão ulcerada na parede.

Úlcera arterial

Surge devido à má circulação do sangue nas artérias, que deveriam levar oxigênio para as pernas, por conta do acúmulo de placas de colesterol (aterosclerose). 

As feridas costumam aparecer nas pontas dos dedos ou no calcanhar; a pele ao redor fica pálida, fria e a dor é intensa, especialmente ao elevar as pernas.

Úlcera venosa

É o tipo mais comum nas pernas e acontece quando o sangue tem dificuldade de voltar para o coração (insuficiência venosa). O sangue "represado" causa inchaço e varizes; a pele das regiões afetadas fica escurecida e bem fina antes da ferida abrir.

Normalmente são feridas que produzem bastante secreção e edema ao redor, podendo levar anos para completa cicatrização. Por ter muita umidade, é preciso atenção a sinais de infecção, com presença de pus e vermelhidão ao redor.

Úlcera por pressão (escaras)

Causada pela pressão contínua em pontos do corpo que ficam contra uma cama ou cadeira, interrompendo o fluxo sanguíneo. É comum em idosos ou pessoas acamadas. 

Elas variam de uma vermelhidão superficial (estágio inicial) até feridas profundas com exposição óssea, atingindo locais como o região sacral, quadris, cotovelos e calcanhares.

Úlceras em pacientes com diabetes

Resultam da combinação de perda de sensibilidade nas extremidades (neuropatia) e má circulação. Como o paciente não sente pequenos cortes, a ferida evolui rápido. O risco de infecção é altíssimo, podendo levar a amputações se não houver cuidado imediato.

Quais são os sintomas das úlceras?

Os sintomas que você sente dependem diretamente de onde a úlcera está localizada e do que a causou.

  • Úlceras gástricas e duodenais: dor intensa ou queimação no estômago, sentido entre o umbigo e o peito, que costuma piorar quando o estômago está vazio; sensação de estufamento, náuseas e má digestão.

  • Úlceras venosas, arteriais e diabéticas: feridas que não cicatrizam; inchaço e alteração na cor da pele; dor ao caminhar ou em repouso, dependendo da circulação; perda de sensibilidade local.

  • Úlceras por pressão: mudanças na textura da pele, que começa a ficar mais fina e brilhante; manchas vermelhas em locais como calcanhares e quadris que não desaparecem mesmo após aliviar a pressão no local.

Quando a úlcera é grave?

Uma úlcera se torna uma emergência médica quando indica que houve um rompimento de vasos sanguíneos ou uma perfuração em algum órgão. Os sinais de alerta que exigem atendimento imediato são:

  • Hemorragia, com vômito com sangue, fezes escuras e com odor forte (melena).

  • Perfuração ou obstrução, com dor súbita, intensa e persistente, barriga endurecida e sensível ao toque, vômitos persistentes e incapacidade de reter líquidos.

  • Infecção grave nas úlceras de pele, evoluindo com febre, mau cheiro e secreção amarelada.

  • Sinais de infecção sistêmica, como febre alta, tontura extrema, desmaio ou palidez excessiva.

Como é feito o diagnóstico das úlceras?

É fundamental não realizar o autodiagnóstico nem usar pomadas ou remédios caseiros sem orientação. Sintomas semelhantes podem esconder condições graves, e apenas um profissional pode definir o tratamento seguro.

O diagnóstico geralmente começa com a endoscopia (para úlceras no estômago) ou pelo exame físico da ferida (para úlceras na pele). Em alguns casos, o médico solicita uma biópsia, retirando um pequeno fragmento do tecido para análise.

Para investigar a origem do problema, podem ser necessários exames de sangue, testes para detectar a bactéria H. pylori ou exames de circulação (como o doppler arterial e venoso).

Qual especialista procurar para úlceras?

Para úlceras gástricas, o ideal é o gastroenterologista, enquanto para úlceras nas pernas ou pele, procure um angiologista, cirurgião vascular ou um dermatologista. O médico de família também é uma boa porta de entrada para avaliação correta.

A Conexa Saúde facilita esse processo permitindo que você consulte esses especialistas via telemedicina, no conforto de casa. Pela plataforma, você recebe orientações, pedidos de exames e receitas digitais, agilizando seu tratamento.

Como é feito o tratamento para úlceras?

O tratamento de úlceras foca em eliminar a causa da ferida e acelerar a cicatrização.

Para úlceras no estômago, usam-se remédios que diminuem a acidez e antibióticos. Já para as úlceras na pele, o foco é a limpeza da ferida, o uso de curativos especiais e, por vezes, o controle da pressão nas veias com o uso de meias elásticas.

A cirurgia é reservada para casos graves onde a úlcera causa sangramentos que não param, perfuração no órgão ou quando não cicatriza com tratamento conservador. O objetivo do procedimento é fechar a lesão ou corrigir o problema de circulação que impede a melhora.

Manter as consultas em dia é essencial para garantir que a úlcera está fechando e para ajustar as medicações conforme necessário. O acompanhamento evita que o problema volte a aparecer e previne complicações.

Quais são as complicações das úlceras não tratadas?

O abandono do tratamento das úlceras gera riscos de complicações graves.

  • Úlceras digestivas: podem causar perfuração ou hemorragias internas severas.

  • Úlceras nas pernas/pés: podem levar a infecções profundas (osteomielite) e, em casos extremos, à amputação do membro.

  • Úlceras por pressão: podem causar sepse (infecção generalizada), que coloca a vida em risco.

Tratar uma lesão logo no início é muito mais simples e seguro do que remediar suas consequências. Fique atento aos sinais de que o quadro se agravou e procure um pronto-socorro imediatamente! 

Como é feita a prevenção de úlceras?

A prevenção foca em reduzir a pressão e a irritação nos tecidos.

  • Úlceras digestivas: evite o uso excessivo de anti-inflamatórios sem receita, modere o álcool e não fume.

  • Úlceras por pressão: em pessoas com mobilidade reduzida, é vital mudar de posição a cada 2 horas e manter a pele hidratada.

  • Úlceras varicosas e diabéticas: use meias de compressão (se indicado), mantenha as pernas elevadas e examine os pés diariamente em busca de pequenos machucados.

Quando procurar ajuda médica para tratar úlceras?

Não espere a dor se tornar insuportável para buscar orientação profissional. Se notar uma ferida que não fecha em até duas semanas, se houver inchaço persistente, mudança na cor da pele ou queimação constante no estômago, procure atendimento.

Diabéticos, idosos e pessoas com problemas circulatórios devem realizar exames vasculares e de sangue regulares para monitorar a saúde dos tecidos e a glicemia. Além deles, os acamados devem estar em constante supervisão de lesões de pele.

Pela Conexa Saúde, você pode realizar uma consulta online com especialistas sem sair de casa. Isso garante agilidade no diagnóstico e permite que o tratamento comece antes que qualquer complicação apareça.

Quem orienta

Julianna Siciliano de Araújo

Médica de Família e Comunidade

Médica formada pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, especialista em Medicina de Família e Comunidade pela SMS/RJ. Atua há 4 anos na Atenção Primária à Saúde, com foco na prevenção e tratamento de doenças em regiões de alta vulnerabilidade. Mestre e doutora em Ciências pelo IOC/Fiocruz.

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