Pedras nos rins são pequenos depósitos sólidos formados pelo acúmulo de sais e minerais no trato urinário. Elas podem variar de tamanho, causar dor intensa (cólica renal), alterações na urina e, em alguns casos, passar despercebidas. O problema é comum, mas merece atenção porque pode levar a complicações graves se não tratado corretamente.
Principais causas da pedra nos rins
A formação das pedras nos rins acontece quando há um desequilíbrio na urina, favorecendo o acúmulo de sais e minerais. Isso pode ocorrer por fatores genéticos, hábitos de vida ou condições médicas específicas. Conhecer as principais causas ajuda a entender como prevenir e quando buscar ajuda médica.
Baixa ingestão de líquidos: a urina mais concentrada aumenta a chance de formação de cristais. Diretrizes recomendam manter um volume urinário diário de, no mínimo, 2 a 2,5 litros como medida preventiva.
Predisposição genética: o histórico familiar aumenta o risco de desenvolver cálculos renais, especialmente nos casos de cálculos de cálcio e de cistina.
Dieta rica em proteínas, sódio e oxalato: excesso de carne vermelha, sal e alimentos como espinafre e beterraba favorece a formação das pedras.
Doenças intestinais inflamatórias: condições como doença de Crohn, situações pós-cirurgia bariátrica e quadros de diarreia crônica podem alterar a absorção de nutrientes, aumentando a excreção de oxalato na urina e o risco de formação de cálculos.
Infecções urinárias recorrentes: podem levar à formação de pedras de estruvita.
Condições hormonais: como o hiperparatireoidismo, que eleva cálcio no sangue e na urina.
Obesidade e sedentarismo: influenciam no metabolismo e aumentam o risco.
Uso de certos medicamentos: como diuréticos em excesso, antiácidos com cálcio ou suplementos sem orientação médica.
Além disso, estudos mostram que a dieta cetogênica, por ser rica em proteínas e gorduras e pobre em carboidratos, pode aumentar o risco de formação de cálculos renais em algumas pessoas. Isso acontece porque ela altera o equilíbrio de substâncias eliminadas na urina, favorecendo a cristalização de sais.
Tipos de pedras nos rins
Nem todas as pedras nos rins são iguais. Elas se diferenciam pelo material que as compõem, o que influencia nos sintomas, causas e até no tratamento indicado. Os principais tipos são:
Pedras de cálcio
São as mais comuns, correspondendo à maioria dos casos. Geralmente se formam a partir de oxalato de cálcio ou fosfato de cálcio e estão associadas a fatores como dietas ricas em sal e oxalato, baixa ingestão de líquidos e condições metabólicas, como o hiperparatireoidismo. É importante destacar que a redução do cálcio da dieta não previne a formação de cálculos e pode, inclusive, aumentar o risco.
Pedras de ácido úrico
Relacionadas a uma urina muito ácida, aparecem com maior frequência em pessoas que consomem muita proteína animal ou que têm doenças como a gota. Também podem surgir em quem perde líquidos em excesso (como atletas ou pessoas com diarreia crônica).
Pedras de estruvita
Geralmente associadas a infecções urinárias recorrentes, essas pedras crescem rápido e podem atingir grandes tamanhos. São mais comuns em mulheres e podem formar cálculos chamados coraliformes, que ocupam boa parte do rim.
Pedras de cistina
São as mais raras e aparecem em pessoas com cistinúria, uma condição genética que afeta a forma como os rins processam certos aminoácidos. Tendem a ser recorrentes e exigem acompanhamento médico constante.
Tipo de pedra | Causa principal | Características | Tratamento mais comum* |
Cálcio | Excesso de oxalato, fosfato ou cálcio na urina | Mais frequente (≈80% dos casos) | Hidratação, dieta, medicação, cirurgia se necessário |
Ácido úrico | Urina muito ácida, dieta rica em proteínas, gota | Mais comum em homens e atletas desidratados | Ajuste da acidez urinária, dieta, medicamentos |
Estruvita | Infecções urinárias recorrentes | Cresce rápido, pode formar cálculos grandes (coraliformes) | Tratar infecção, procedimentos para remoção |
Cistina | Doença genética (cistinúria) | Mais rara, recorrente, difícil de controlar | Acompanhamento médico, medicamentos específicos, cirurgia em alguns casos |
Sintomas da pedra nos rins
As pedras nos rins podem provocar sintomas diferentes dependendo do tamanho e da localização. Algumas passam despercebidas, mas quando se movem ou obstruem as vias urinárias, costumam causar sinais intensos que exigem atenção médica.
Cólica renal: dor no rim, que pode irradiar para o abdômen, virilha ou região genital. Costuma ocorrer em ondas (dor em cólica) e não apresenta posição de alívio, sendo um quadro bastante característico.
Sangue na urina: a pedra pode lesionar o trato urinário, deixando a urina rosada, avermelhada ou amarronzada.
Urgência e aumento da frequência para urinar: principalmente quando a pedra se desloca para o ureter ou bexiga.
Urina turva ou com odor forte: pode indicar presença de infecção associada.
Náuseas e vômitos: reflexo da dor intensa ou da obstrução urinária.
Desconforto abdominal: muitas vezes confundido com dor no pé da barriga ou problemas intestinais.
Em pedras muito pequenas, os sintomas podem ser quase inexistentes, mas quando maiores, podem comprometer a função renal e aumentar o risco de complicações.
Quando procurar atendimento médico
Embora algumas pedras pequenas sejam eliminadas espontaneamente, é fundamental reconhecer os sinais que exigem atenção profissional. Ignorar os sintomas pode levar a complicações sérias, como infecção urinária grave ou até danos renais permanentes.
Procure atendimento médico imediato se houver:
Dor intensa persistente que não melhora com analgésicos comuns.
Febre acompanhada de calafrios, sugerindo infecção associada.
Náuseas e vômitos constantes, que impedem a hidratação adequada.
Incapacidade de urinar ou redução significativa do volume urinário.
Em situações como essas, o suporte rápido faz toda a diferença. Pela Conexa Saúde, você pode ter uma avaliação inicial online com especialistas, que orientam sobre a urgência do caso e, quando necessário, encaminham para atendimento presencial imediato.
Como é feito o diagnóstico da pedra nos rins
O diagnóstico das pedras nos rins combina a avaliação clínica com exames laboratoriais e de imagem. O objetivo é confirmar a presença do cálculo, identificar seu tamanho, localização e possíveis complicações.
Exames de imagem
Ultrassom: exame inicial mais utilizado, sem radiação e indicado até em gestantes.
Raio-X simples: útil para detectar pedras ricas em cálcio, mas pode falhar em outros tipos.
Tomografia computadorizada: exame considerado padrão-ouro para o diagnóstico de cálculos renais, capaz de identificar cálculos de qualquer composição e possíveis complicações associadas, sendo idealmente realizada sem uso de contraste.
Exames laboratoriais
Urina: detecta sangue, cristais e sinais de infecção urinária.
Sangue: avalia função renal e alterações químicas, como cálcio e ácido úrico.
Análise do cálculo eliminado: revela a composição da pedra, ajudando a definir estratégias de prevenção.
Avaliação das causas
Além de confirmar o diagnóstico, o médico também investiga fatores que favoreceram a formação da pedra, como dieta inadequada, uso de medicamentos ou doenças associadas. Essa etapa é essencial para evitar novos episódios.
Tratamentos disponíveis para cálculo renal
O tratamento das pedras nos rins depende do tamanho do cálculo, da intensidade dos sintomas e da presença de complicações. Em alguns casos, a pedra pode ser eliminada naturalmente, mas em outros é necessário recorrer a procedimentos específicos.
Hidratação e analgésicos: indicados para cálculos pequenos, que podem ser eliminados espontaneamente com o aumento da ingestão de líquidos e o controle da dor. Os anti-inflamatórios não esteroides são frequentemente utilizados como primeira linha para alívio da dor, desde que não haja contraindicações.
Litotripsia extracorpórea (LECO): técnica que utiliza ondas de choque para fragmentar a pedra em pedaços menores, facilitando sua eliminação pela urina.
Ureteroscopia: procedimento endoscópico que permite visualizar e remover ou fragmentar a pedra diretamente.
Nefrolitotomia percutânea: cirurgia minimamente invasiva usada para cálculos grandes ou complexos, por meio de uma pequena incisão no rim.
Cirurgia aberta: cada vez mais rara, mas ainda indicada em casos extremos, quando outros métodos não funcionam.
Além de aliviar os sintomas, o tratamento busca evitar complicações como infecção, obstrução urinária e perda da função renal. A escolha da abordagem é sempre individualizada, considerando o estado clínico do paciente e o tipo de cálculo.
Como prevenir a formação de pedras nos rins?
A prevenção das pedras nos rins é fundamental para evitar crises dolorosas e reduzir o risco de complicações. Pequenas mudanças no dia a dia ajudam a manter o trato urinário saudável e diminuem as chances de novos cálculos.
Hidratação adequada: beber bastante água ao longo do dia dilui a urina e reduz a concentração de sais.
Reduzir o sódio: excesso de sal aumenta a excreção de cálcio pela urina, favorecendo a formação de cálculos.
Equilibrar proteínas animais: consumo exagerado de carne vermelha, frango ou peixe pode elevar ácido úrico e cálcio na urina.
Controlar alimentos ricos em oxalato: como espinafre, beterraba, nozes e chocolate, especialmente em pessoas predispostas. Associar o consumo desses alimentos a fontes adequadas de cálcio na dieta pode ajudar a reduzir a absorção intestinal de oxalato.
Manter peso saudável: obesidade e sedentarismo elevam o risco de cálculos renais.
Tratar doenças associadas: como gota, diabetes e doenças intestinais, que alteram a composição da urina.
Acompanhamento médico regular: essencial para quem já teve cálculo, ajustando dieta e monitorando exames periodicamente.
A prevenção é individualizada: o que funciona para uma pessoa pode não ser ideal para outra, já que cada tipo de pedra tem causas específicas.
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Se surgirem sintomas de urgência, o paciente deve buscar atendimento médico imediato. A presença de febre associada à dor é um sinal de alerta que exige avaliação presencial. Já nos casos leves ou para acompanhamento, a consulta online pode ser uma alternativa eficaz.
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