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Dor no joelho: causas, diagnóstico e quando procurar um médico

acidente de trabalho mao joelho
acidente de trabalho mao joelho

A dor no joelho pode ter mais de 15 causas diferentes, desde uma sobrecarga simples até desgaste da cartilagem, rompimento de menisco ou problemas como gota e artrite. Segundo um levantamento do Instituto Ferrer, com base em dados de estudos populacionais, esse desconforto atinge cerca de 69% dos brasileiros acima de 18 anos, com maior frequência em mulheres.

Na maioria das vezes, o tratamento pode ser feito sem cirurgia: fisioterapia para fortalecer os músculos da perna, controle de peso e uso de anti-inflamatórios orientado por um médico costumam resolver. Mas, quando a dor não passa depois de duas semanas, vem junto com inchaço ou o joelho trava e parece “falhar”, é hora de procurar um ortopedista.

Aqui você vai entender o que pode estar causando sua dor, os sinais que merecem atenção, os exames que o médico costuma pedir, as formas de tratamento (do gelo caseiro até infiltrações e cirurgia) e exercícios simples que ajudam a proteger o joelho no dia a dia.

Dor no joelho: o que pode ser?

Dor no joelho é qualquer incômodo sentido nessa articulação. Não é uma doença, mas um sinal de que alguma parte do joelho pode estar sobrecarregada, inflamada ou machucada. Na medicina, o nome técnico é gonalgia, mas o que importa é entender o que está por trás dela.

O joelho é a maior articulação do corpo. Ele funciona como uma dobradiça que liga o osso da coxa (fêmur) ao osso da canela (tíbia), com a rótula (patela) na frente protegendo o conjunto. Por dentro, existem dois meniscos (que funcionam como amortecedores), quatro ligamentos que seguram tudo no lugar, tendões e um líquido que lubrifica o movimento.

Quando qualquer uma dessas peças sofre desgaste, pancada ou inflamação, o resultado é dor. E como o joelho aguenta de duas a seis vezes o peso do corpo ao subir escadas ou correr, ele está entre as articulações que mais sofrem ao longo da vida.

Principais causas de dor no joelho

São dezenas de motivos possíveis para o joelho doer. Abaixo, as causas mais comuns, o que acontece por dentro, o que leva a isso e o que fazer em cada situação.

1. Artrose (desgaste da cartilagem)

A cartilagem que reveste as pontas dos ossos dentro do joelho vai se gastando aos poucos, como uma borracha que perde material com o uso. No começo, a dor aparece só quando a pessoa se movimenta e alivia com o repouso. Com o avanço, o joelho pode doer mesmo parado, inchar, ficar rígido de manhã e fazer estalos ao dobrar. Em casos mais avançados, o espaço entre os ossos diminui tanto que eles quase se tocam, e podem surgir “bicos” ósseos (osteófitos) ao redor da articulação.

O que causa: idade (o desgaste se acentua a partir dos 50–60 anos), excesso de peso (mais carga sobre a cartilagem), lesões anteriores no joelho (quem já machucou menisco ou ligamento tem mais risco), predisposição genética e trabalho com esforço repetitivo. 

Dados do Ministério da Saúde citados pela Radioagência Nacional estimam que a artrose atinja cerca de 15 milhões de brasileiros, sendo o joelho a articulação mais afetada. A mesma reportagem traz dados da OMS mostrando que cerca de 80% das pessoas acima de 65 anos apresentam algum grau de desgaste articular.

Como tratar: o tratamento começa sem cirurgia. A Diretriz Brasileira para Tratamento da Osteoartrite de Joelho (Conitec/Ministério da Saúde, Relatório nº 340, 2018) recomenda como base exercícios físicos supervisionados e controle de peso

Anti-inflamatórios em pomada são a primeira opção medicamentosa. Quando a dor não cede, infiltrações com ácido hialurônico (uma substância que imita o lubrificante natural do joelho) podem ajudar. Em casos de artrose muito avançada, a prótese de joelho substitui a superfície desgastada por peças de metal e plástico especial. Entretanto, é sempre essencial que o médico seja consultado antes de qualquer coisa.

2. Lesão de menisco


Os meniscos são duas “almofa­das” de cartilagem em formato de meia-lua que ficam entre o osso da coxa e o da canela, amortecendo o impacto. Quando um deles rasga, o joelho dói (geralmente num ponto bem localizado), incha, e a pessoa pode sentir uma travada, como se o joelho “enganchasse” e não deixasse dobrar ou esticar por completo. Estalos ao mover o joelho também são comuns.

O que causa: um giro brusco do corpo com o pé preso no chão é o mecanismo clássico, acontece muito no futebol, no basquete e em esportes de contato. Mas não precisa ser um lance dramático: em pessoas mais velhas, o menisco já desgastado pode rasgar até com um agachamento simples. Trabalhos que exigem ficar muito tempo de cócoras ou subir e descer escadas repetidamente também aumentam o risco.

Como tratar: lesões pequenas e estáveis podem melhorar com fisioterapia, fortalecimento muscular e anti-inflamatórios. Quando o menisco causa travamentos frequentes, dor que não cede ou grande acúmulo de líquido no joelho, a artroscopia (cirurgia por dois furinhos com câmera) permite reparar ou retirar a parte danificada. A decisão depende do tamanho e da localização do rasgo; o ortopedista avalia caso a caso.

3. Lesão de ligamento (cruzado anterior e colaterais)

O joelho tem quatro ligamentos que funcionam como “cabos de aço” segurando os ossos no lugar. O mais famoso é o ligamento cruzado anterior (LCA), que fica no centro do joelho. Quando ele rompe, a pessoa geralmente ouve um estalo na hora, sente o joelho “soltar” e não consegue continuar a atividade. 

Nesses casos, o inchaço aparece rápido (nas primeiras horas) porque sangra por dentro. Os ligamentos colaterais (um de cada lado) podem se esticar ou romper em pancadas laterais, causando dor e instabilidade para o lado afetado.

O que causa: mudanças bruscas de direção, freadas repentinas, aterrissar de um salto com o joelho torcido ou receber uma pancada lateral. A lesão de ligamento é muito comum no futebol, basquete, esqui e handebol. Mulheres atletas têm incidência maior de lesão de LCA do que homens no mesmo esporte, por diferenças na anatomia e no padrão muscular.

Como tratar: lesões parciais dos ligamentos colaterais costumam cicatrizar com repouso, uso de joelheira e fisioterapia. Já a ruptura total do LCA, especialmente em pessoas jovens e ativas, quase sempre exige cirurgia de reconstrução (feita por artroscopia) seguida de vários meses de reabilitação. A decisão entre operar ou não depende do nível de atividade da pessoa e de quanto o joelho fica instável no dia a dia.

4. Tendinite no joelho

Os tendões são cordões que ligam os músculos aos ossos. Quando um tendão do joelho fica inflamado por sobrecarga, aparece dor localizada que piora ao forçar. A tendinite patelar (também chamada de “joelho do saltador”) causa dor bem na frente, logo abaixo da rótula. A tendinite da “pata de ganso” dói na parte interna do joelho, logo abaixo da articulação. Nos dois casos, a dor costuma aumentar durante o exercício e melhorar com repouso.

O que causa: esforço repetitivo, principalmente em esportes de salto (vôlei, basquete) e corrida. Aumento repentino do volume de treino, treinar em superfície muito dura, usar calçado sem amortecimento adequado ou ter músculos da coxa encurtados também contribuem para a tendinite no joelho. Trabalhadores que ficam muito tempo em pé ou sobem muitas escadas durante o dia podem desenvolver tendinite mesmo sem praticar esporte.

Como tratar: o primeiro passo é reduzir a carga sobre o tendão, diminuir a intensidade do treino ou trocar temporariamente por atividade de baixo impacto (como natação ou bicicleta ergométrica). Gelo no local por 15–20 minutos após a atividade ajuda. A fisioterapia com exercícios chamados “excêntricos” (que alongam o tendão enquanto ele trabalha) é o tratamento com melhor evidência. Em casos que não melhoram, o médico pode indicar infiltração ou, raramente, cirurgia.

5. Condromalácia patelar (desgaste da cartilagem da rótula)

A cartilagem que reveste a parte de trás da rótula amolece e começa a se desgastar. Isso gera dor na frente do joelho, principalmente ao subir escadas, agachar, ajoelhar ou ficar sentado por muito tempo com o joelho dobrado; é o que algumas pessoas chamam de “dor de cinema”. Pode haver também uma sensação de “rangido” ou atrito quando o joelho dobra e estica.

O que causa: fraqueza dos músculos da coxa (especialmente o quadríceps), desalinhamento da rótula (ela não desliza reto sobre o osso da coxa), pisada errada, excesso de atividade de impacto, sobrepeso e até ficar sentado com o joelho dobrado por longos períodos no trabalho. É mais frequente em mulheres jovens.

Como tratar: a boa notícia é que a maioria dos casos melhora sem cirurgia. O tratamento central é a fisioterapia para fortalecer o quadríceps e os glúteos, corrigir desequilíbrios musculares e melhorar o alinhamento da rótula. Palmilhas podem ajudar se houver problema de pisada. Evitar agachamentos profundos e escadas em excesso durante a fase de dor faz diferença. Em casos que não respondem, o médico pode considerar infiltrações ou, mais raramente, um procedimento cirúrgico.

6. Bursite no joelho

As bursas são bolsinhas de líquido espalhadas ao redor do joelho que servem para reduzir o atrito entre tendões e ossos. Quando uma bursa inflama, aparecem inchaços localizados (geralmente na frente do joelho, abaixo da rótula), dor ao pressionar a região e dificuldade para ajoelhar. A pele pode ficar vermelha e quente.

O que causa: ficar ajoelhado por longos períodos é a causa mais comum, por isso a bursite do joelho já foi chamada de “joelho de empregada” ou “joelho de carpinteiro”. Pancada direta no joelho, esforço repetitivo e infecções locais também podem inflamar a bursa.

Como tratar: repouso, gelo e anti-inflamatório costumam resolver. Evitar a posição que causou o problema (como ajoelhar) é essencial para não voltar. Se o inchaço for grande, o médico pode drenar o líquido com uma agulha no consultório. Em casos de bursite por infecção (a pele fica bem vermelha, quente e pode haver febre), é preciso drenar e usar antibiótico.

7. Artrite reumatoide no joelho

A artrite reumatoide é uma doença autoimune, o sistema de defesa do corpo, que deveria proteger contra infecções, passa a atacar o revestimento interno das próprias articulações. No joelho, isso causa dor, inchaço e rigidez, geralmente pior de manhã (a pessoa acorda com o joelho “duro” e demora mais de 30 minutos para soltar). Com o tempo, a inflamação pode danificar cartilagem e osso.

O que causa: a causa exata ainda não é totalmente conhecida. Sabe-se que envolve predisposição genética e fatores ambientais (como tabagismo). Costuma aparecer entre os 30 e 60 anos e é mais frequente em mulheres. O joelho pode ser a primeira articulação a doer, mas normalmente a doença afeta várias articulações ao mesmo tempo; mãos, punhos e pés são os alvos mais comuns.

Como tratar: o tratamento é conduzido pelo reumatologista. Medicamentos específicos (chamados de “modificadores de doença”) conseguem frear a inflamação e evitar danos permanentes. Quanto antes o tratamento começar, melhor o resultado. Fisioterapia ajuda a manter a movimentação do joelho. Em estágios avançados, com destruição articular importante, a prótese de joelho pode ser necessária.

8. Gota

Cristais de ácido úrico se acumulam dentro da articulação e provocam uma inflamação intensa. A crise de gota no joelho chega de repente, geralmente de madrugada: dor forte, inchaço, pele vermelha e tão quente que até o contato com o lençol incomoda. A crise dura alguns dias e pode sumir sozinha, mas tende a voltar se a pessoa não tratar a causa.

O que causa: nível alto de ácido úrico no sangue, que pode vir de alimentação rica em carnes vermelhas, frutos do mar, cerveja e bebidas adoçadas, além de fatores genéticos e uso de certos medicamentos (como diuréticos). É mais comum em homens acima dos 40 anos e em mulheres após a menopausa.

Como tratar: na crise, o médico prescreve anti-inflamatório potente ou colchicina para cortar a dor rápido. No longo prazo, é preciso baixar o nível de ácido úrico com medicamento específico e mudanças na alimentação. Se não tratar, as crises ficam cada vez mais frequentes e podem causar danos permanentes na cartilagem.

9. Dor do corredor (síndrome da banda iliotibial)

A banda iliotibial é uma faixa de tecido fibroso que vai do quadril até a lateral do joelho. Quando ela fica “presa” demais, atrita contra o osso do lado de fora do joelho a cada passada, causando dor na lateral externa. A dor costuma aparecer depois de um certo tempo correndo (por exemplo, a partir do quilômetro 3 ou 4) e obriga a pessoa a parar. A dor melhora com repouso, mas costuma voltar assim que o treino recomeça.

O que causa: corrida de rua é a campeã, mas ciclismo e caminhadas longas também podem causar a dor do corredor. Os gatilhos mais comuns são: músculos do quadril e glúteos fracos, encurtamento dos músculos da parte de trás da coxa, aumento rápido de quilometragem, correr sempre no mesmo sentido de uma pista inclinada e usar tênis gasto ou inadequado. 

Como tratar: parar de correr temporariamente e trocar por atividade sem impacto (bicicleta, natação). Aplicar gelo na região após o exercício, alongamento da banda iliotibial e, principalmente, fortalecimento dos glúteos e do quadril são a base do tratamento. Além disso, fisioterapia direcionada costuma resolver, e cirurgias são uma exceção rara. O mais importante para o tratamento é entender o que desencadeou (volume, terreno, calçado) para não repetir.

10. Sobrecarga e esforço repetitivo (sem lesão visível em exames)

O joelho dói, mas os exames de imagem não mostram nenhuma lesão clara. Isso é mais comum do que parece. A dor pode ser difusa, piorar com atividades e melhorar com repouso. A pessoa às vezes ouve que “não tem nada”, mas a dor no joelho continua ali e pode acender um alerta. .

O que causa: fraqueza muscular (o quadríceps e os glúteos não “seguram” bem o joelho durante os movimentos), desequilíbrios na forma de pisar ou correr, excesso de treino sem descanso adequado ou permanecer muito tempo sentado ou em pé no trabalho. Além disso, fatores como o estresse e má qualidade de sono também podem aumentar a sensibilidade à dor. Como tratar: o tratamento é baseado em fisioterapia com foco no fortalecimento dos músculos ao redor do joelho e na correção de movimentos errados. Ajustar a carga de atividade (não treinar “mais do que o corpo aguenta”), usar calçado adequado e cuidar do peso também são intervenções importantes. Mesmo sem lesão nos exames, a sobrecarga no joelho merece atenção para que não evolua para uma outra condição mais séria. Com o tratamento certo, a melhora costuma ser boa.

Dor no joelho por região: o que cada local indica

A parte do joelho onde a dor se concentra ajuda o médico a suspeitar da causa. Veja um resumo:

Dor na frente do joelho

Quase sempre ligada a problemas na rótula: condromalácia, tendinite do tendão que fica logo abaixo da rótula ou síndrome da rótula. Piora ao subir e descer escadas, agachar ou ficar sentado por muito tempo.

Dor na lateral externa do joelho

Causa mais frequente: a já mencionada “dor do corredor” (síndrome da banda iliotibial). Também pode indicar lesão do menisco lateral ou do ligamento da lateral.

Dor atrás do joelho

Pode ser um cisto de Baker (um caroço cheio de líquido que se forma na parte de trás), lesão na parte posterior do menisco ou, mais raramente, um problema vascular (como trombose), que precisa de atendimento urgente.

Dor na parte de dentro do joelho

Frequentemente ligada à lesão do menisco interno, do ligamento da parte de dentro, artrose localizada ou inflamação dos tendões da “pata de ganso” (três tendões que se inserem juntos na parte interna da canela, logo abaixo do joelho).

Dor no joelho conforme o movimento: agachar, correr, subir escadas e repouso

  • Dor no joelho ao agachar: o agachamento aumenta a pressão sobre a rótula e sobre os meniscos. Se a dor for na frente do joelho, as maiores suspeitas são condromalácia ou síndrome da rótula. Se for uma dor mais “profunda”, pode ser no menisco.

  • Dor no joelho ao correr: dor do lado de fora geralmente aponta para a síndrome da banda iliotibial. Na frente, pode ser tendinite do tendão abaixo da rótula. Dor que vai piorando a cada treino pode ser fratura por estresse, especialmente se houver aumento repentino de quilometragem.

  • Dor no joelho ao subir ou descer escadas: a escada multiplica a carga sobre a rótula. Esse é um dos primeiros sintomas de condromalácia e também de artrose no começo.

  • Dor no joelho em repouso: quando dói mesmo parado, o sinal é mais sério. Pode indicar artrose avançada, artrite inflamatória (reumatoide ou gota) ou, em casos raros, infecção dentro da articulação. O Protocolo Clínico de Dor Crônica do Ministério da Saúde (Portaria Conjunta SAES/SAPS/SECTICS nº 1, de 22 de agosto de 2024) classifica dores que duram mais de três meses como dor crônica, com indicação de acompanhamento profissional.

Quais são os fatores de risco da dor no joelho?

  • Excesso de peso: cada quilo a mais representa de duas a quatro vezes mais carga sobre o joelho durante a caminhada. A artrose é mais comum em quem tem IMC acima de 30, conforme revisão publicada no Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences.

  • Idade: o desgaste natural da cartilagem aumenta a partir dos 40-50 anos. Depois dos 60, a artrose vira a principal causa de dor no joelho.

  • Sexo feminino: mulheres têm mais dor no joelho e mais artrose. Isso tem a ver com diferenças na estrutura óssea e com as mudanças hormonais da menopausa, que aceleram a perda de cartilagem.

  • Sedentarismo: músculo fraco protege menos a articulação. A fraqueza do músculo da frente da coxa (quadríceps) é um dos fatores de risco mais documentados para artrose de joelho.

  • Lesões anteriores: quem já torceu o joelho, rompeu ligamento ou machucou menisco tem mais chance de desenvolver artrose no futuro.

  • Trabalho repetitivo: atletas de corrida e salto, assim como trabalhadores que ficam muito tempo em pé, agachados ou ajoelhados, expõem o joelho a lesões por esforço repetitivo.

Quando a dor no joelho é preocupante?

A maioria das dores no joelho melhora em poucos dias com repouso e gelo. Mas alguns sinais pedem avaliação médica:

Marque uma consulta com ortopedista se: a dor não melhorar em duas semanas, mesmo com repouso; o joelho ficar inchado sem motivo aparente; você sentir o joelho travando (não conseguir dobrar ou esticar por completo); sentir que o joelho “foge” ou está frouxo; a dor aparecer depois de uma pancada e você não conseguir pisar; a pele sobre o joelho ficar vermelha e quente.

Vá ao pronto-socorro se: a dor for muito forte e incapacitante depois de uma queda ou batida; o joelho parecer torto ou deformado; aparecer febre junto com dor e inchaço (pode ser infecção dentro da articulação, que é uma urgência médica e requer tratamento rápido).

Como o médico descobre a causa da dor no joelho?

O primeiro passo é uma conversa sobre quando a dor começou, como surgiu, o que piora e o que melhora. Depois, o ortopedista examina o joelho: apalpa em busca de pontos dolorosos, testar a firmeza dos ligamentos com movimentos específicos e vê até onde o joelho consegue dobrar e esticar.

Conforme a suspeita, exames complementares podem ser pedidos:

  • Raio-X: é quase sempre o primeiro exame. Mostra os ossos, identifica fraturas, sinais de desgaste (como redução do espaço entre os ossos e formação de “bicos” ósseos) e calcificações.

  • Ressonância magnética: é o exame que mais detalha as partes “moles” do joelho, meniscos, ligamentos, cartilagem e tendões. Costuma ser pedido quando se suspeita de rompimento de ligamento, lesão de menisco ou problema na cartilagem.

  • Ultrassom: útil para avaliar tendões, bursas e presença de líquido dentro do joelho. Tem a vantagem de ser feito na hora e sem radiação.

  • Exames de sangue: quando a suspeita é de doença inflamatória (artrite reumatoide, gota), o médico pode pedir exames para medir marcadores de inflamação e ácido úrico. Em alguns casos, colhe-se o líquido de dentro do joelho com uma agulha para análise.

Como tratar a dor no joelho?

O tratamento depende da causa e da gravidade. A lógica geral segue um escalonamento: primeiro medidas mais simples, depois intervenções mais avançadas e, por último, cirurgia.

Tratamento sem cirurgia (conservador)

  • Gelo e repouso relativo: aplicar gelo enrolado em um pano por 15 a 20 minutos, de 2 a 3 vezes ao dia, ajuda a reduzir dor e inchaço na fase aguda. Repouso não significa ficar parado: manter atividades leves evita a perda de força muscular.

  • Medicamentos: anti-inflamatórios em pomada (tópicos) são a primeira opção recomendada pela Diretriz Brasileira para Tratamento da Osteoartrite de Joelho (Conitec/Ministério da Saúde, 2018), por terem menos efeitos colaterais que os comprimidos. Além disso, anti-inflamatórios por via oral podem ser usados por tempo limitado. Qualquer medicamento só pode ser usado após orientação médica.

  • Fisioterapia: é um dos tratamentos com mais evidência científica. Exercícios para fortalecer o quadríceps (músculo da frente da coxa), os músculos de trás da coxa e os glúteos, combinados com alongamentos e treino de equilíbrio, reduzem a dor e melhoram o funcionamento do joelho. Uma revisão publicada na Revista Nursing (2025) reforça que exercícios supervisionados devem ser a base do tratamento antes de qualquer medicamento.

  • Perda de peso: em quem está acima do peso, emagrecer tira carga do joelho e freia o avanço da artrose. Estudos mostram que reduzir 5% do peso corporal já traz melhora perceptível na dor.

Quem orienta

Juliana Seixas

Médica de Família e do Trabalho

CREMERJ 52981249

Especialista em Medicina de Família pela UERJ. Médica do Trabalho pela Funorte. Pós graduanda em gestão de saúde pela FGV.

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