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Sarna: sintomas, transmissão e formas de tratamento

Pessoa com dor na região lombar devido à irritação ou queimadura na pele na região da cintura, vestindo roupas esportivas cinza.
Pessoa com dor na região lombar devido à irritação ou queimadura na pele na região da cintura, vestindo roupas esportivas cinza.

A sarna é uma doença de pele infecciosa provocada pelo parasita Sarcoptes scabiei, um ácaro que escava túneis na camada córnea da pele, onde deposita seus ovos.

Ao se alimentar da queratina — proteína presente na pele —, o parasita desencadeia uma resposta inflamatória e imunológica responsável pelos sinais e sintomas da doença.

Conhecida também como escabiose, a sarna é altamente contagiosa e transmitida principalmente por contato físico direto entre pessoas, podendo também ocorrer pelo compartilhamento de objetos pessoais. Em contextos de surtos comunitários, a escabiose é considerada uma doença negligenciada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Leia o nosso artigo!

Causas e transmissão da sarna

A transmissão de sarna ocorre principalmente pelo contato físico direto e prolongado, como ao dormir juntos, em relações íntimas e em ambientes de alta densidade populacional. 

Além disso, o contágio também pode ocorrer por meio do compartilhamento de itens pessoais, como roupas de cama, toalhas e vestimentas. Embora em menor grau, esse risco é significativamente maior em casos mais graves, especialmente na sarna crostosa, em que a carga parasitária na pele é muito elevada.

O tempo necessário para que haja a transmissão da escabiose costuma ser de alguns minutos, pois contatos mais rápidos, como apertos de mão, têm menor probabilidade de contágio.

Vale ressaltar que a sarna humana não é transmitida por animais domésticos, como cães e gatos, pois trata-se de variedades diferentes de Sarcoptes. A sarna animal pode, no máximo, provocar uma reação cutânea transitória em humanos, sem estabelecer infecção ou sobrevivência prolongada na pele.

Sintomas da sarna

Um dos sintomas mais comuns da sarna é a coceira intensa na pele, que tende a piorar durante a noite, causando dificuldade para dormir. Esse prurido noturno ocorre devido à maior atividade do ácaro nesse período, associada à resposta imunológica tardia do organismo.         

As regiões mais afetadas são as coxas, virilhas, axilas, cintura, glúteos, ao redor dos mamilos, entre os dedos e também nos punhos. 

Os primeiros sinais em pessoas que nunca tiveram escabiose costumam surgir entre 2 a 6 semanas após o contágio, porém, em quem já contraiu sarna humana anteriormente, o período de incubação é bem menor, variando de 1 a 4 dias. 

As lesões manifestam-se em pequenos nódulos avermelhados, bem semelhantes a traços finos tortuosos ou serpentiformes na pele, que são os caminhos por onde os ácaros transitam.

Além disso, em adultos, a cabeça normalmente não é uma região acometida pela infestação, pois as lesões se localizam abaixo do pescoço. 

Já em crianças e bebês, a sarna afeta também o couro cabeludo, rosto, pescoço, palmas das mãos e plantas dos pés.

Tipos de sarna

A sarna pode se manifestar em diferentes tipos, cada uma com características específicas, variando em sintomas, gravidade e intensidade. Entenda a seguir:

  • Sarna clássica: forma mais comum desencadeada por uma pequena quantidade de ácaros, sendo transmitida pelo contato prolongado. Ela afeta áreas como punhos, entre os dedos, região genital, dobras e cintura, causando coceira noturna. 

  • Sarna nodular: é caracterizada por nódulos avermelhados e coceira intensa, principalmente, na genitália e nas dobras. Em casos de longa duração e generalizados, pode ser persistente mesmo após o tratamento. 

  • Sarna crostosa: é o tipo mais grave e mais contagioso da escabiose com a presença de milhões de ácaros na pele, provocando hiperqueratose, descamação intensa e crostas espessas. Afeta principalmente pessoas debilitadas ou imunocomprometidas.

Diagnóstico da sarna

O diagnóstico da sarna é realizado por um médico dermatologista por meio de uma avaliação clínica, considerando sintomas como coceira intensa, lesões típicas na pele e histórico de contato com uma pessoa infectada. 

Em alguns casos, exames complementares podem ser solicitados para confirmar o diagnóstico, como teste de tinta, dermatoscopia e raspado de pele para avaliação microscópica, além de biópsia em situações mais complexas.

Durante a investigação, é essencial que o especialista diferencie a sarna de outras doenças de pele com sintomas parecidos, como dermatites, psoríase, eczema, e até picadas de insetos para propor o tratamento mais adequado.  

Tratamento da sarna

O tratamento da sarna envolve o uso de medicamentos orais e tópicos conforme a gravidade do quadro, a intensidade dos sintomas e as condições do paciente. 

A permetrina 5% em creme é um dos tratamentos mais indicados e considerada terapia de primeira linha, conforme recomendações do CDC e da British Association of Dermatologists (BAD). Deve ser aplicada do pescoço para baixo, incluindo unhas e pregas cutâneas, permanecendo na pele entre 8 e 14 horas antes de ser removida.

Em casos mais complexos ou resistentes, é possível adicionar o ivermectina oral ou outras substâncias tópicas para potencializar a eficácia do tratamento. 

Durante o tratamento, é importante que todas as pessoas próximas sejam tratadas ao mesmo tempo, para evitar reinfecção. Em muitos casos, o médico recomenda repetir a aplicação após uma semana. 

Para aliviar os sintomas de coceira, loções calmantes ou corticoides leves e anti-histamínicos podem ser usados para controle sintomático. 

Cuidados complementares ao tratamento

Para garantir a melhora do quadro e evitar a reinfecção, a adoção de medidas complementares ao tratamento é essencial. Confira:

  • Lavar roupas de cama, vestimenta e toalhas em água quente;

  • Fazer o isolamento dos objetos que não puderem ser lavados em sacos plásticos;

  • Evitar contato direto com outras pessoas até a conclusão do tratamento;

  • Tratar todos os contatos próximos para evitar continuidade da transmissão ou reinfecção;

  • Manter a pele limpeza e cuidada com hidratação regular e unhas aparadas;

  • Evitar coçar as lesões para acelerar a recuperação.

Prevenção da sarna

A prevenção da sarna é importantíssima para impedir a transmissão da doença, evitando, surtos, principalmente em regiões com alta densidade populacional.

Confira a seguir algumas medidas simples que podem reduzir o risco de transmissão:

  • Evitar o contato físico direto e prolongado com pessoas infectadas. 

  • Não compartilhar objetos pessoais, como toalhas, vestimentas, roupas de cama com uma pessoa com escabiose. 

  • Em caso de infecção, informar espaços de uso coletivo, como escolas, creches e instituições para monitorar suspeitos e adotar medidas preventivas.

  • Realizar a limpeza e higienização de móveis, tapetes e carpetes onde a pessoa infectada vive ou frequenta. 

  • Lavar vestimentas, toalhas, roupas de cama e peças íntimas com água quente e secar em ciclo de alta temperatura.

Complicações possíveis

A sarna é uma doença que pode desencadear infecções bacterianas secundárias, principalmente, em pessoas que apresentam feridas decorrentes de coceiras intensas, favorecendo o surgimento de abscessos, celulite e impetigo.

Em casos mais complexos, a sarna também pode evoluir para infecção generalizada, o que traz risco à vida. 

Somado a isso, após o tratamento, é comum a ocorrência de alterações na pele por conta da inflamação local persistente, coceira duradoura e reações autoecemáticas, que podem provocar desconforto mesmo sem a presença da sarna na pele. 

Não podemos deixar de citar os impactos psicológicos e sociais em razão das lesões visíveis na pele, pela coceira crônica que prejudica o sono e pelo estigma associado à doença, que pode levar ao isolamento social, ansiedade e até depressão

Sarna em grupos específicos

A sarna pode se manifestar de formas variadas em diferentes grupos. Entenda como ela se apresenta em bebês, crianças, idosos, gestantes, lactantes e pacientesimunodeprimidos:

  • Bebês e crianças: manifesta-se de maneira mais abrangente, podendo afetar o couro cabeludo, pescoço, rosto, plantas dos pés e palmas das mãos.  

  • Idosos: nesse grupo o controle da sarna e o diagnóstico podem ser mais complexos em razão da fragilidade e ressecamento da pele, além de uma maior predisposição a desenvolver a sarna crostosa.

  • Gestantes e lactantes: a escabiose pode ser tratada com segurança sob orientação médica. A permetrina tópica é considerada segura (categoria B) e está entre as opções mais utilizadas nesses casos, mas a avaliação médica é essencial para analisar riscos e benefícios individualmente.

  • Pacientes imunodeprimidos: maior risco de desenvolver quadros mais graves de sarna, exigindo cuidados preventivos rigorosos para evitar novas transmissões e complicações. 

Mitos e verdades sobre a sarna

A sarna é uma doença cercada por muitas dúvidas e informações equivocadas, que podem atrapalhar a identificação dos sinais, o diagnóstico e até a adesão ao tratamento.

Pensando nisso, listamos os principais mitos e verdades sobre a sarna:

Mito: animais domésticos são transmissores da sarna humana.

Verdade: os ácaros que afetam cães ou gatos são de espécies diferentes, e não sobrevivem na pele humana.

Mito: sarna está associada somente à falta de higiene.

Verdade: a escabiose não depende apenas da limpeza da pele, já que ela pode ser provocada pela infestação de ácaros, principalmente, em locais com superlotação ou de contato próximo.

Mito: após o tratamento para sarna, a pessoa fica imune.

Verdade: não há imunidade vitalícia, podendo ocorrer reinfecção ao ter contato com pessoas ou itens contaminados.

Mito: tratamentos caseiros são suficientes.

Verdade: muitos tratamentos feitos em casa não acabam com os ácaros ou ovos. Por isso, o tratamento médico é fundamental para a melhora do quadro. 

Quando procurar um médico?

É importante buscar atendimento médico diante de alguns sinais de alerta, que incluem o surgimento de novas lesões, coceira intensa, indícios de infecção, como pus, vermelhidão e dor. 

Nesse caso, busque um dermatologista para fazer um diagnóstico preciso antes de tomar qualquer medicação, pois há outras condições de pele que possuem sintomas semelhantes. 

Ao apresentar sinais de alerta, a telemedicina oferecida pela Conexa Saúde pode te ajudar. Nossa plataforma disponibiliza consultas online, que garantem acesso rápido a médicos de diversas especialidades, incluindo dermatologistas.

Após a consulta, lembre-se da importância de manter um acompanhamento médico para a realização de ajustes no tratamento e também para obter orientação sobre o retorno à consulta nos casos de sintomas persistentes. 

Saúde e bem-estar a qualquer hora com a Conexa Saúde

Quer garantir a sua saúde e bem-estar? Conte com a  Conexa Saúde, que disponibiliza serviços de telemedicina e atendimento de dermatologia online de forma segura e eficiente.

No caso de sarna, nossos especialistas podem avaliar as lesões por meio de fotos e vídeos. Se necessário, o paciente é encaminhado para exames complementares ou uma consulta presencial. 

Com a Conexa Saúde, você tem acesso a diagnóstico preciso e o tratamento adequado sem sair de casa. Agora ficou mais fácil cuidar da sua saúde e bem-estar!

Quem orienta

Juliana Seixas

Médica de Família e do Trabalho

CREMERJ 52981249

Especialista em Medicina de Família pela UERJ. Médica do Trabalho pela Funorte. Pós graduanda em gestão de saúde pela FGV.

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