Receita azul: o que é, remédios, validade e como conseguir

Redação da Conexa

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A receita azul é a notificação de receita B, documento obrigatório para comprar remédios psicotrópicos das listas B1 e B2 da Anvisa, como o clonazepam, o zolpidem e a sibutramina. Ela vale por 30 dias a partir da emissão, pode ser usada em qualquer estado do Brasil e, desde 30 de setembro de 2026, também pode ser emitida em formato digital.

Cada receita azul serve para um único remédio e fica retida na farmácia no momento da compra. Abaixo, você encontra a lista dos principais remédios, a quantidade que pode ser comprada, como conseguir ou renovar a receita e os cuidados com esses medicamentos.

O que é a receita azul?

A receita azul é o nome popular da notificação de receita B, um formulário de cor azul controlado pela Vigilância Sanitária e usado para prescrever psicotrópicos, remédios que agem no sistema nervoso central e podem causar dependência. Cada notificação tem numeração oficial, que o médico solicita à Vigilância Sanitária, e desde 2024 essa numeração é gerenciada pelo SNCR, o sistema nacional de controle de receitas da Anvisa.

A receita azul não é a mesma coisa que a receita de controle especial, aquela branca em duas vias usada para a maioria dos antidepressivos, como sertralina e fluoxetina. Também não é a receita amarela, que tem controle ainda mais rígido e serve para opioides e estimulantes. O controle existe para que a venda desses remédios seja rastreada, o que reduz o uso sem acompanhamento médico.

Quais remédios precisam de receita azul

Precisam de receita azul os remédios das listas B1 (psicotrópicos) e B2 (psicotrópicos anorexígenos). Os mais conhecidos são os calmantes da família dos benzodiazepínicos e alguns remédios para dormir.

Remédios da lista B1

Substância

Para que costuma ser usada

Clonazepam

Ansiedade, pânico

Alprazolam

Ansiedade, pânico

Diazepam

Ansiedade, pânico

Bromazepam

Ansiedade, pânico

Zolpidem

Insônia

Zopiclona e eszopiclona

Insônia

Remédios da lista B2

A lista B2 reúne os anorexígenos, remédios que reduzem o apetite e são usados no tratamento da obesidade. 

São eles sibutramina, anfepramona, femproporex e mazindol. A sibutramina é a mais prescrita e tem uma exigência a mais: junto com a receita azul, o médico preenche um termo de responsabilidade em três vias, uma para o prontuário, uma para a farmácia e outra que fica com o paciente (RDC 50/2014).

Os remédios mais novos para obesidade, como semaglutida e tirzepatida, não usam receita azul. Eles exigem receita branca retida na farmácia, com validade de 90 dias.

Qual a diferença entre receita azul B1 e B2?


Receita azul B1

Receita azul B2

Tipo de remédio

Psicotrópicos (calmantes, remédios para dormir)

Anorexígenos (inibidores de apetite)

Exemplos

Clonazepam, alprazolam, zolpidem

Sibutramina

Validade

30 dias, em todo o Brasil

30 dias, em todo o Brasil

Quantidade máxima

Até 60 dias de tratamento

Até 30 dias (60 dias para sibutramina)

Exigência extra

Não

Termo de responsabilidade para sibutramina

As duas são azuis e funcionam do mesmo jeito na farmácia. O que muda é a lista do remédio e o limite de quantidade.

Qual é a validade da receita azul?

A receita azul vale 30 dias, contados a partir da data de emissão, e pode ser usada em qualquer estado.  Na receita azul digital, a data de emissão é o dia em que o médico assinou digitalmente o documento. Passados os 30 dias, a farmácia não pode mais aceitar a receita, e você vai precisar de uma nova.

Qual a quantidade de medicamento permitida para compra em uma receita azul?

Na receita azul B1, o limite é de 5 ampolas ou remédio para até 60 dias de tratamento. Na B2, o limite é de 30 dias, com exceção da sibutramina, que pode ser prescrita para 60 dias (CRF-SP).

Na prática, isso quer dizer que a receita precisa ser apresentada em até 30 dias, mas pode liberar remédio suficiente para até dois meses, conforme a dose indicada pelo médico. Se o médico prescrever mais do que o permitido, a farmácia só pode vender até o limite.

Como é preenchida a receita azul

A receita azul traz a identificação do médico, o nome do remédio, a dose, a quantidade e a forma de uso, e cada notificação vale para um remédio só. 

Talões impressos no modelo antigo continuam válidos. Veja tudo o que mudou em nova norma de receita controlada.

É possível fazer a emissão de receita azul digitalmente?

Sim. Desde 30 de setembro de 2026, o médico já pode procurar a vigilância sanitária de seu município para dar entrada no processo de obtenção da numeração da prescrição de receitas azuis em formato digital, com numeração do SNCR e assinatura com certificado ICP-Brasil (CFM). Você recebe a receita no celular e mostra o QR Code na farmácia, que confere a autenticidade no sistema da Anvisa e registra a compra. A receita de papel continua valendo. Para saber como usar, veja o guia da receita azul digital.

Quem pode passar receita azul?

Apenas médicos podem prescrever remédios de receita azul. Cirurgiões-dentistas também podem, para uso odontológico, e médicos veterinários, para animais (CRO-RN). Os anorexígenos da lista B2 são prescritos por médicos. Psicólogos e nutricionistas não prescrevem remédios.

Para emitir a receita, o profissional precisa estar cadastrado na Vigilância Sanitária, que libera a numeração dos talões ou da receita digital.

Como conseguir ou renovar a receita azul

Para conseguir ou renovar a receita azul, você precisa de uma consulta com um médico, que avalia se o remédio ainda é indicado. Não existe renovação automática: cada receita nova é uma nova prescrição.

A consulta pode ser presencial ou online. Com a receita digital, o médico que atende por vídeo consegue enviar a receita azul direto para o seu celular, desde que use uma plataforma integrada ao SNCR. Veja como funciona a receita azul e amarela na teleconsulta. Em tratamentos longos, o médico pode pedir consultas presenciais periódicas.

Na Conexa Saúde, você pode agendar sua consulta médica online com mais de 35 especialidades médicas, pelo site, whatsapp, ou aplicativo.

Outra pessoa pode comprar o remédio por mim?

Sim. A receita azul pode ser apresentada por outra pessoa, como um familiar. Na hora da compra, a farmácia registra os dados de quem está comprando: nome, endereço e número do documento de identidade. Por isso, quem for buscar o remédio precisa levar um documento oficial de identificação.

Cuidados com os remédios de receita azul

Os calmantes de receita azul podem causar dependência, e parar de tomar de uma vez pode provocar sintomas de abstinência. Em 2020, a FDA, agência reguladora dos Estados Unidos, passou a exigir alerta máximo na bula de todos os benzodiazepínicos sobre riscos de abuso, dependência física e reações de retirada, e orientou que a redução da dose seja feita de forma gradual (FDA).

Alguns cuidados são importantes para quem usa esses remédios:

  • não aumente a dose nem pare de tomar sem falar com o médico;

  • evite bebida alcoólica, que potencializa o efeito sedativo;

  • conte ao médico todos os remédios que você usa, inclusive os sem receita;

  • tenha cuidado ao dirigir ou operar máquinas, principalmente no início do tratamento;

  • não empreste nem use remédio de outra pessoa.

Os idosos merecem atenção especial. Segundo a pesquisa nacional PNAUM (Pesquisa Nacional sobre Acesso, Utilização e Promoção do Uso Racional de Medicamentos no Brasil), cerca de 2 milhões de brasileiros com 60 anos ou mais usam benzodiazepínicos, e 41,3% deles usam clonazepam (dados citados pelo Sincofarma-SP). Nessa idade, o risco de sonolência, quedas e confusão é maior, e o acompanhamento médico regular faz diferença.

Receita azul, amarela e branca: qual a diferença?

Receita

Cor

Para quais remédios

Validade

Receita amarela (notificação A)

Amarela

Opioides e estimulantes, como morfina e metilfenidato

30 dias

Receita azul (notificações B e B2)

Azul

Calmantes, remédios para dormir e inibidores de apetite

30 dias

Receita de controle especial

Branca, em duas vias

Antidepressivos e anticonvulsivantes, entre outros

30 dias

Receita simples

Branca

Remédios de venda sob prescrição sem controle especial

Definida pelo médico

Para conhecer todos os formatos, incluindo as receitas de antibióticos e de talidomida, veja os tipos de receita médica.

Referências consultadas

  • Anvisa. Perguntas e respostas: RDC 1.000/2025, 1ª edição. 2026. https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/medicamentos/controlados/sncr/perguntas-e-respostas/perguntas-e-respostas-rdc-1000-2025-1-ed/@@display-file/file

  • Anvisa. RDC nº 873, de 27 de maio de 2024 (texto publicado pelo Sindusfarma). https://sindusfarma.org.br/uploads/files/4ee5-solaine-martins/RDC_N%C2%BA_873_DE_27_DE_MAIO_DE_202.pdf

  • Anvisa. RDC nº 50, de 25 de setembro de 2014 (anorexígenos). https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/anvisa/2014/rdc0050_25_09_2014.html

  • Conselho Federal de Farmácia (CFF). Qualquer medicamento contendo zolpidem deverá ser prescrito por meio de Notificação de Receita B. 16 maio 2024. https://site.cff.org.br/noticia/Noticias-gerais/16/05/2024/qualquer-medicamento-contendo-zolpidem-devera-ser-prescrito-por-meio-de-notificacao-de-receita-b

  • Conselho Federal de Medicina (CFM). Notificações de Receitas (amarela, azul e outras) poderão ser emitidas eletronicamente a partir desta quarta-feira (30). 29 set. 2026. https://portal.cfm.org.br/noticias/notificacoes-de-receitas-amarela-azul-e-outras-poderao-ser-emitidas-eletronicamente-a-partir-desta-quarta-feira-30/

  • CRF-SP. Orientações sobre períodos de tratamento da Portaria SVS/MS nº 344/98. 2023. https://portal.crfsp.org.br/orienta%C3%A7%C3%A3o-farmac%C3%AAutica/641-fiscaliza%C3%A7%C3%A3o-orientativa/farm%C3%A1cia/12608-confira-as-orienta%C3%A7%C3%B5es-sobre-per%C3%ADodos-de-tratamento-da-portaria-svs-ms-n%C2%BA-344-98.html

  • CRF-SP. Campos de preenchimento obrigatório das prescrições. https://portal.crfsp.org.br/orienta%c3%a7%c3%a3o-farmac%c3%aautica/641-fiscalizacao-parceira/farm%c3%a1cia/10191-fiscaliza%c3%a7%c3%a3o-orientativa-51.html

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