O hipotireoidismo é uma disfunção na tireoide, glândula responsável pela regulação da função de órgãos, como cérebro, coração, rins e fígado, caracterizada pela queda na produção dos hormônios tireoidianos e das funções vitais do organismo.
Essa condição é mais comum em mulheres, mas podem acometer pessoas de qualquer idade e gênero. Leia o nosso artigo e entenda o que é hipotireoidismo, sintomas e tratamentos mais recomendados.
Tipos de hipotireoidismo
O hipotireoidismo pode se manifestar de diferentes formas, dependendo da origem dessa condição e da forma como o organismo regula a produção dos hormônios tireoidianos
Confira os tipos de hipotireoidismo e como cada um afeta o funcionamento da tireoide:
Hipotireoidismo secundário: ocorre quando a glândula tireoide funciona normalmente, mas recebe pouco estímulo da hipófise, levando a redução dos hormônios tireoidianos e TSH. Pode estar ligado a disfunções da hipófise ou tumores.
Hipotireoidismo congênito: já existe no nascimento e ocorre quando a tireoide não tem um desenvolvimento adequado. Ou seja, o bebê já nasce com produção reduzida de hormônios tireoidianos importantes para o desenvolvimento do cérebro.
Hipotireoidismo subclínico: ocorre quando os níveis deTSH estão altos, mas os hormônios tireoidianos, como o T4 livre, se mantêm dentro da faixa normal, indicando um distúrbio leve. Em muitos casos, não há sintomas claros.
Conhecer os tipos de hipotireoidismo é importante, pois cada condição apresenta causas, exames e tratamentos diferentes, garantindo uma abordagem correta.
Sintomas do hipotireoidismo
Os sintomas do hipotireoidismo surgem de forma gradual, podendo ser confundidos facilmente com outras condições de saúde, como o envelhecimento e o estresse, atrasando o diagnóstico e a obtenção do tratamento adequado.
Listamos a seguir os sintomas mais comuns, confira:
Dores musculares;
Constipação intestinal;
Cansaço excessivo;
Intolerância ao frio;
Voz rouca;
Pele seca;
Ganho de peso sem motivo claro;
Dificuldade de concentração;
Queda de cabelo;
Alterações do colesterol;
Batimentos cardíacos lentos.
Sintomas de hipotireoidismo em grupos específicos
O hipotireoidismo pode causar sintomas que comprometem o funcionamento do organismo de forma abrangente e progressiva.
Por isso, os sinais manifestam-se de maneiras diferentes, conforme o sexo, a faixa etária e a fase da vida, principalmente, em grupos específicos.
Confira quais são eles:
Recém-nascidos: os sinais podem não surgir imediatamente, sendo fundamental a realização do teste do pezinho para a obtenção de um diagnóstico precoce.
Crianças e adolescentes: costuma afetar o crescimento e o desenvolvimento cognitivo e físico, manifestando-se por meio de uma menor atividade da glândula tireoide, lentidão no crescimento e dificuldades de aprendizado.
Adultos: esse grupo pode apresentar sinais, como ganho de peso, cansaço e pele seca. O diagnóstico tende a ser mais lento, porque os sintomas costumam ser confundidos com outras causas.
Gestantes: na gravidez, pode ocorrer o hipotireoidismo subclínico, gerando riscos como parto prematuro, comprometimento do desenvolvimento fetal e hipertensão gestacional.
Idosos: neste grupo, os sintomas são mais sutis, podendo ser confundidos com confusão mental, fraqueza e o envelhecimento, tornando mais difícil a identificação do hipotireoidismo sem exames específicos
Principais causas do hipotireoidismo
O hipotireoidismo pode ter várias causas, afetando a função da tireoide de formas distintas e em diferentes níveis. Confira as origens mais comuns desta condição:
Tireoidite de Hashimoto: doença autoimune em que o sistema imunológico ataca a própria tireoide, provocando a destruição progressiva das células que produzem hormônios e inflamação crônica, levando a redução da função glandular.
Carência de iodo: esse mineral é fundamental para a síntese dos hormônios tireoidianos. A ausência de iodo na alimentação pode prejudicar sua produção, provocando hipotireoidismo.
Tratamentos específicos: remoção parcial ou total da tireoide e a radioterapia na região do pescoço podem danificar o tecido tireoidiano, reduzindo significativamente a atividade hormonal da glândula.
Medicamentos: fármacos podem afetar a produção de hormônios, como amiodarona, e outros utilizados em tratamentos de doenças cardíacas e psiquiátricas.
Causas congênitas: ocorre quando um indivíduo nasce com má-formação, ausência ou com defeitos de funcionamento da glândula tireoide, ou quando há disfunções da hipófise ou hipotálamo.
Diagnóstico do hipotireoidismo
O diagnóstico do hipotireoidismo é feito a partir de uma análise clínica, que considera o histórico médico do paciente, o relato dos sintomas, o uso de medicamentos, as condições associadas e o histórico familiar de doenças da tireoide.
Para confirmar as suspeitas, testes de sangue são solicitados, como o TSH, T4 livre e anticorpos anti-TPO para identificar condições que comprometem a função da glândula tireoide.
Dependendo do caso, outros exames podem ser necessários, como ultrassonografia e biópsia ao da tireoide para investigar alterações estruturais, inflamações ou nódulos.
O diagnóstico precoce é essencial para evitar a progressão da doença e prevenir complicações, comodoenças cardiovasculares e problemas metabólicos e cognitivos, além de garantir um controle eficaz e reduzir os impactos na saúde.
Tratamento do hipotireoidismo
O tratamento do hipotireoidismo primário envolve a reposição hormonal com levotiroxina, um hormônio sintético da tireoide, que atua na normalização dos níveis hormonais no organismo e na redução dos sintomas da doença.
De modo geral, a dose inicial do levotiroxina costuma ser mais baixa, sendo ajustada de forma progressiva. Esse ajuste ocorre à medida que os níveis de TSH se aproximam da normalidade, considerando ainda outros fatores, como condição cardíaca, idade e peso.
O acompanhamento do hipotireoidismo inicialmente ocorre a cada 4 a 8 semanas, com a realização de exames de TSH e T4 livre, para adequar a dose do medicamento.
Vale lembrar que o tratamento é contínuo e exige consultas regulares, principalmente, diante de mudanças ao longo da vida, como gravidez, uso de medicamentos e variação de peso.
Complicações do hipotireoidismo não tratado
Quando o hipotireoidismo não é tratado de forma adequada, complicações importantes podem surgir, que são as seguintes:
Bócio: caracterizado pelo aumento da tireoide por conta do esforço para produzir hormônios, uma resposta à ação prolongada do TSH.
Problemas cardiovasculares: arritmias, colesterol elevado e risco de desenvolvimento de doenças cardíacas.
Comprometimento de fertilidade: isso ocorre porque os hormônios tireoidianos interferem na regulação do ciclo menstrual e os processos reprodutivos em homens e mulheres.
Coma mixedematoso: uma complicação grave associada a hipotireoidismo avançado, que inclui risco de falência orgânica e depressão do sistema nervoso central.
Prejuízo à saúde mental: níveis hormonais baixos por um longo tempo podem impactar a saúde mental, favorecendo o desenvolvimento de depressão e dificuldade de raciocínio.
Hipotireoidismo e alimentação
A alimentação é muito importante no tratamento do hipotireoidismo, principalmente, porque os alimentos interferem na absorção da medicação.
Dessa forma, a levotiroxina precisa ser administrada em jejum, visto que alguns alimentos, como fibras, cafés, soja, suplementos de ferro e laticínios ricos em cálcio, podem reduzir sua absorção ao serem consumidos próximos ao horário da medicação.
Inclusive, é importante salientar que não existem “dietas milagrosas” para tratar o hipotireoidismo. O ideal é adotar uma dieta saudável, com o consumo de soja, leguminosas, peixes, grãos integrais, frutas e vegetais de maneira equilibrada.
Além disso, o iodo também é importante para contribuir com a produção dos hormônios da tireoide, que pode ser consumido por meio do sal iodado e de alimentos marinhos.
Vale lembrar que o uso de suplementos deve ser prescrito por um profissional de saúde, pois uma alimentação balanceada já é suficiente para contribuir com o tratamento do hipotireoidismo.
Convivendo com hipotireoidismo
Conviver com o hipotireoidismo pode ser mais fácil quando o tratamento é seguido de forma adequada. Por isso, é importante manter a reposição hormonal e o acompanhamento médico periódico, garantindo qualidade de vida.
Somado a isso, algumas estratégias simples podem ajudar a controlar essa condição e a lidar com eventuais sintomas residuais. Confira quais são elas:
Administrar corretamente medicação, respeitando horários e indicações médicas;
Praticar exercício física regularmente;
Manter um sono de qualidade e horários regulares para dormir;
Adotar estratégias de controle de estresse, com práticas de relaxamento;
Seguir uma alimentação equilibrada com consumo de alimentos nutritivos;
Ficar atento a sintomas persistentes, como cansaço excessivo ou mudanças de humor.
Mesmo com o tratamento adequado, algumas pessoas podem ter sintomas residuais, como cansaço leve ou dificuldade de concentração.
Nesses casos, o ideal é realizar mudanças no estilo de vida e adotar uma alimentação equilibrada. No entanto, em caso de mudanças nos sintomas, como piora do bem-estar, efeitos colaterais da medicação, gravidez e variações de peso, procure seu médico.
Diferenças entre hipotireoidismo e hipertireoidismo
O hipotireoidismo e o hipertireoidismo são disfunções diferentes da tireoide, ligados à quantidade de hormônios presentes no organismo.
Como já explicamos ao longo deste artigo, o hipotireoidismo é caracterizado pela produção insuficiente de hormônios tireoidianos, tornando o metabolismo mais lento.
Essa condição costuma estar associada a condições, como tireoidite de Hashimoto, deficiência de iodo, tratamentos específicos e até o uso de medicamentos. Entre os principais sintomas estão o ganho de peso, cansaço, dores musculares, etc.
No hipertireoidismo, essa condição ocorre quando a produção de hormônios da tireoide é excessiva, acelerando o metabolismo. Os sinais incluem ansiedade, perda de peso, tremores e agitação. Pode estar associada a nódulos tireoidianos hiperfuncionantes.
Em muitos casos, o tratamento do hipertireoidismo pode reduzir excessivamente a função da tireoide, levando ao hipotireoidismo.
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