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H. pylori: o que é, sintomas, diagnóstico e tratamento da infecção

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A H.pylorié uma bactéria que pode colonizar a mucosa do estômago e provocar complicações de saúde. Isso ocorre porque a Helicobacter pylori sobrevive em ambiente  ácido, permitindo sua colonização persistente da mucosa gástrica por muito tempo. 

Essa bactéria silenciosa pode desencadear problemas, como úlceras, gastrite e outras complicações decorrentes da ausência de tratamento da bactéria. Leia o nosso artigo e conheça os principais sintomas da  H.pylorie como tratar essa infecção. Confira!

Como ocorre a transmissão da H. pylori?

A transmissão da H. pylori ocorre, frequentemente, de pessoa para pessoa pelas vias oral-oral e fecal-oral, isto é, essa bactéria pode ser transmitida de uma pessoa para outra ou por alimentos contaminados e até pela água. 

No caso do contato oral-oral, a bactéria H. pylori é transmitida pela saliva ao beijar a boca de uma pessoa infectada, compartilhar utensílios, como copos, talheres e até escovas de dente.

Na transmissão via fecal-oral, a infecção ocorre quando fezes contaminadas com essa bactéria entram em contato com água ou comida que depois são ingeridas, principalmente, quando há uma higiene ineficiente.

Locais com aglomerações, saneamento precário, higiene inadequada das mãos e o compartilhamento de itens ampliam o risco da transmissão da H. pylori.

A infecção por H. pylori é frequentemente adquirida na infância, podendo persistir no organismo por anos, quando não tratada de forma adequada.

Sintomas da infecção por H. pylori

Muitas pessoas infectadas por H. pylori permanecem assintomáticas, mesmo quando a bactéria permanece alojada no estômago por muito tempo.

Quando há manifestação clínica, normalmente, estão relacionados ao processo de inflamação da parede gástrica ou a complicações de saúde, como úlcerasgastrite.

Sintomas mais comuns

  • Inchaço ou distensão abdominal;

  • Dor ou queimação na região superior do abdômen;

  • Arrotos e gases constantes;

  • Sensação de saciedade precoce ou perda de apetite;

  • Náuseas;

  • Vômitos ocasionais;

Sintomas de alerta

Além desses sintomas comuns, há alguns sinais de alerta para complicações ou infecção grave, que são:

  • Perda de peso sem motivo aparente;

  • Fadiga extrema;

  • Anemia ferropriva (por deficiência de ferro), manifestada por fraqueza, cansaço e palidez;

  • Sangue nas fezes ou no vômito;

  • Dor abdominal intensa e persistente.

Diante desses sinais de alerta, busque atendimento médico imediatamente para uma avaliação detalhada. 

Complicações da infecção por H. pylori não tratada

A infecção crônica por H. pylori costuma provocar complicações relevantes quando não tratada corretamente, em razão da inflamação prolongada da mucosa gástrica e das alterações que essa condição causa no estômago. 

Confira a seguir quais são elas:

Gastrite crônica

A gastrite crônica é uma inflamação persistente da parede do estômago. Quando a H. pylori permanece por muitos anos no organismo, ela desencadeia uma resposta inflamatória contínua que causa lesões progressivas da mucosa gástrica

Essa condição pode gerar dor ou queimação na região superior do abdômen, indigestão frequente, náuseas e sensação de inchaço.

Úlcera péptica

A úlcera péptica é uma lesão aberta que se desenvolve na mucosa do estômago, formando uma úlcera gástrica, ou na primeira região do intestino delgado, que configura a úlcera duodenal. 

A H. pylori está comumente associada ao surgimento dessas úlceras, já que essa bactéria interfere no equilíbrio entre o ácido e as defesas da mucosa, favorecendo a formação de feridas. 

Entre os sintomas mais comuns estão o desconforto abdominal, principalmente, entre as refeições ou à noite, náuseas e, em casos mais severos, perfuração gastrointestinal e sangramento. 

Câncer gástrico

A infecção por H. pylori também eleva as chances de câncer de estômago, quando não tratada corretamente. Essa bactéria está relacionada à inflamação crônica, que tende a desencadear alterações celulares e até tumores no estômago.

A H. pylori é classificada como um agente carcinogênico de classe I pela OMS (Organização Mundial da Saúde), ou seja, há evidências sólidas de que a existência dessa bactéria no estômago está ligada ao câncer gástrico. 

Há dados que indicam que cerca de 60% dos casos de câncer de estômago no mundo têm relação direta com infecção por H. pylori. A erradicação da H. pylori é uma medida de prevenção essencial para reduzir o risco de desenvolver câncer.

Como é feito o diagnóstico da H. pylori?

O diagnóstico de H. pylori envolve métodos não invasivos e invasivos, dependendo dos sintomas do paciente, complicações e orientação médica. 

Dessa forma, garantir um diagnóstico preciso é imprescindível para direcionar o tratamento adequado e assegurar a erradicação da bactéria. Confira quais são os exames indicados:

Exames não invasivos

Os exames não invasivos são usados como primeira linha de investigação para detectar a infecção ativa:

  • Teste respiratório de ureia: a pessoa ingere um líquido com ureia marcada e, se a bactéria estiver presente, a substância é metabolizada e o gás liberado pode ser identificado, confirmando a infecção ativa.

  • Pesquisa de antígeno nas fezes: os antígenos da bactéria são detectados nas amostras fecais, um exame muito usado para diagnóstico inicial e acompanhamento depois do tratamento.

  • Sorologia: exame de sangue para investigar anticorpos contra a H. pylori, podendo apontar exposição anterior à bactéria. Esse teste não diferencia a infecção ativa de exposição prévia, não sendo indicado para controle de erradicação.

Esses exames são, em geral, bem tolerados e amplamente utilizados na prática clínica e costumam ser escolhidos quando há sinais de alerta que exijam avaliação mais aprofundada. 

Exames invasivos

Os exames invasivos são mais abrangentes, incluindo a coleta de amostras diretamente do estômago, sendo usados quando há sintomas mais graves, indícios de complicações ou necessidade de analisar lesões da mucosa. 

  • Endoscopia com biópsia: é usado um tubo fino com câmera, que vai da boca até o estômago e duodeno, possibilitando que o médico visualize claramente a mucosa e colete pequenas amostras do tecido para investigação.

  • Teste rápido da urease: é realizado durante a endoscopia e aplicado sobre a amostra extraída, para identificar a existência da bactéria pela atividade da enzima urease produzida pela H. pylori.

  • Cultura e outros testes de laboratório: é feito a partir das biópsias, nas quais as partes do tecido retirado são cultivadas e analisadas por métodos como PCR, auxiliando na confirmação da infecção e na avaliação de resistência bacteriana.

Esses exames invasivos são indicados quando é necessário avaliar inflamações, úlceras, ou outras alterações que não são confirmadas pelos exames não invasivos.

Tratamento da infecção por H. pylori

O tratamento da infecção por H. pylori envolve a combinação de diferentes medicamentos prescritos pelo médico. O objetivo principal é erradicar a bactéria e proteger os revestimentos do estômago. 

Para a eficácia do tratamento, é importante completar todo o processo terapêutico, mesmo se os sintomas melhorarem, pois a suspensão dos medicamentos pode favorecer resistência bacteriana e falha na erradicação.

Confira como funciona o tratamento da infecção por H. pylori

Esquemas de antibióticos

Essa abordagem medicamentosa inclui a combinação de antibióticos e outros fármacos que reduzem a acidez. O tratamento mais comum é a terapia tripla, que utiliza o inibidor da bomba de prótons com dois antibióticos por 14 dias. 

Dependendo do caso, pode ser indicada a terapia quádrupla, com o uso de bismuto, IBP (inibidor da bomba de prótons), e antibióticos, além de outras combinações, principalmente, quando existe uma resistência ao tratamento ou falha do esquema inicial.

Nessa abordagem, os antibióticos atuam na eliminação da bactéria, enquanto o IBP diminui a acidez do estômago, facilitando a absorção dos fármacos e a cicatrização da mucosa.

Lembre- se de seguir corretamente o tratamento e o esquema prescrito para evitar falhas e resistência bacteriana.

Medicamentos para reduzir a acidez estomacal

Os inibidores da bomba de prótons (IBPs) ajudam a reduzir a produção de ácido no estômago, aliviando sintomas, como queimação, além de auxiliar na cicatrização da mucosa.

Quando combinados, esses medicamentos favorecem a recuperação do revestimento do estômago, visto que, ao ter uma menor acidez, o tecido se regenera de forma mais adequada.

Acompanhamento após o tratamento

Após a conclusão do tratamento, é fundamental realizar novos exames, como a pesquisa de antígeno nas fezes e o teste respiratório de ureia, para confirmar a erradicação da H. pylori.

De modo geral, a recomendação é que os exames de controle sejam feitos após, no mínimo, 4 semanas do término do tratamento para evitar falsos negativos.

Nos casos em que a infecção não for extinta, é preciso ajustar o tratamento, com outro esquema de antibióticos ou mudar os medicamentos para assegurar que a bactéria seja erradicada de forma efetiva. 

Dieta e cuidados durante o tratamento de H. pylori

Embora não exista uma dieta específica comprovada, há algumas abordagens alimentares durante o tratamento de H.pylori, que podem aliviar os sintomas e ajudar na recuperação do estômago. 

Confira:

Alimentos a priorizar

  • Proteínas magras: carnes brancas, peixes e ovos que são menos irritantes.

  • Carboidratos de rápida digestão: pão branco, arroz e massas simples, indicados em caso de desconforto estomacal.

  • Frutas e vegetais sem casca: legumes cozidos, banana e mamão, que fornecem nutrientes importantes e são leves para o estômago. 

  • Probióticos: iogurte natural que contribui com a saúde intestinal, podendo reduzir efeitos colaterais dos antibióticos.

  • Gorduras saudáveis: peixes ricos em ômega-3 e azeite de oliva possuem efeito anti-inflamatório.

Alimentos a evitar

  • Bebidas irritantes: bebidas alcoólicas, refrigerantes, café, chás com cafeína, pois estimulam a produção de ácido e aumentam o desconforto.

  • Alimentos muito gordurosos ou frituras: embutidos e fast food podem piorar a inflamação.

  • Condimentos fortes e picantes: molhos industrializados, pimenta e temperos agravam a queimação.

  • Frutas muito ácidas: limão, laranja e abacaxi aumentam a acidez e irrita a mucosa gastrintestinal.

  • Álcool e tabaco: evite esses hábitos, pois podem prejudicar a cicatrização da mucosa e comprometer a eficácia do tratamento.

Essas orientações alimentares servem apenas como complemento ao tratamento médico, e não substituem a abordagem terapêutica fornecida pelo profissional. 

Como prevenir a infecção por H. pylori?

A prevenção de H. pylori envolve a adoção de hábitos simples, que ajudam a reduzir as chances de transmissão da bactéria, principalmente, em locais com saneamento básico ineficiente e ambientes com higiene.

Listamos a seguir:

  • Consumo de água tratada: consumir água de fontes tratadas e seguras reduz significativamente as chances de transmissão fecal-oral da H. pylori, principalmente, em áreas com saneamento básico precário.

  • Higiene pessoal: lavar as mãos regularmente com água e sabão após usar o banheiro e antes das refeições, para eliminar as bactérias que podem causar a infecção. É importante ensinar às crianças as boas práticas de higiene.

  • Higiene alimentar: evitar o consumo de alimentos crus ou mal lavados. Nunca compartilhe utensílios, como talheres, copos e objetos pessoais com outras pessoas, para evitar a transmissão via oral-oral.

  • Investigação de contatos domiciliares: em casos em que a pessoa é diagnosticada com H. pylori, pode-se considerar a investigação de contatos domiciliares, conforme orientação médica para evitar que a bactéria possa se propagar. 

  • Saneamento básico: condições adequadas de saneamento diminuem o risco de contaminação de fontes hídricas e, consequentemente, reduzem a infecção pela via fecal-oral. 

Adotar esses cuidados de maneira consistente pode mitigar risco de aquisição e transmissão da H. pylori, protegendo, assim, a saúde gastrointestinal.

Quando procurar atendimento médico?

É importante buscar atendimento médico quando os sintomas forem persistentes ou quando há um desconforto significativo no sistema digestivo, como dor abdominal frequente, náuseas e desconforto no estômago que não melhora.

Além disso, há sinais de alerta que indicam complicações gravese uma emergência médica, como:

  • Dor abdominal muito intensa;

  • Sangue nas fezes ou no vômito;

  • Fezes escuras (aspecto de borra de café);

  • Perda de peso sem causa aparente.

Nesses casos, a busca por atendimento imediato é imprescindível para evitar complicações e riscos mais sérios. 

Ao buscar orientação médica, conte com a telemedicina, uma opção eficaz para triagem inicial de sintomas de H. pylori, garantindo atendimento eficiente, seguro e conveniente, sem sair de casa. 

Na Conexa Saúde, é possível agendar consultas online com médicos especialistas, avaliar exames e receber orientações para o tratamento.

Lembre-se que seguir as orientações médicas e manter um acompanhamento médico é essencial para ajustar o tratamento e prevenir complicações. 

Sua saúde em boas mãos com a Conexa Saúde

Em caso de suspeitas de H. pylori, agende agora mesmo uma consulta online com os nossos especialistas. Com a Conexa, o atendimento médico é seguro, eficiente e acessível.

Em caso de dor intensa, a plataforma ainda conta com o Pronto Atendimento online, que está disponível 24 horas por dia, 7 dias por semana. 

Não adie o cuidado, acesse a Conexa Saúde e receba o atendimento médico que você precisa!

Quem orienta

Rafael Leite Aguilar

Médico

CRM-ES 18586

Pós graduando em gestão de saúde pela FGV. Atua como Rotina Médica no Pronto Atendimento Conexa Saúde.

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