Conjuntivite é a inflamação da conjuntiva, membrana transparente que reveste a parte interna das pálpebras e cobre a parte branca do olho (esclera). Quando os pequenos vasos sanguíneos dessa membrana ficam inflamados, eles se tornam mais visíveis, e é aí que surge o característico olho vermelho que afeta milhões de brasileiros todo ano.
Principais sintomas da conjuntivite
Os sintomas variam conforme a causa, mas existe um conjunto de sinais que aparece na maioria dos casos. De acordo com dados médicos, a secreção ocular é o sintoma mais comum, presente em até 86% das pessoas que buscam atendimento por olho vermelho. Veja os principais sinais:
Vermelhidão em um ou nos dois olhos, presente em 61% dos casos, é o principal motivo de consulta
Coceira intensa, relatada por 44% das pessoas, quando muito intensa, aponta fortemente para causa alérgica
Sensação de areia ou corpo estranho no olho, causada pela superfície do olho irritada e irregular
Lacrimejamento excessivo, observado em 45% dos casos, é mais comum nas formas virais e alérgicas
Secreção que varia de aquosa e clara (viral) a espessa e amarelada (bacteriana)
Crostas nas pálpebras ao acordar, que podem "colar" os olhos
Inchaço no olho, especialmente nas pálpebras, é mais frequente em crianças
Sensibilidade à luz, presente em 22% dos casos, é um sinal de alerta para inflamações mais sérias
Se você perceber os sinais acima, não exite em buscar ajuda médica. Pela Conexa Saúde, você consegue atendimento sem precisar ficar horas em fila de espera.
Tipos de conjuntivite e suas diferenças
Identificar o tipo correto é fundamental para escolher o tratamento adequado. Usar o colírio errado, como um antibiótico em um caso viral, não resolve o problema e ainda contribui para a resistência bacteriana.
Conjuntivite viral
É o tipo mais comum, responsável pela grande maioria dos casos de conjuntivite em adultos. O adenovírus é o vírus causador em 75% a 90% dos casos e é extremamente resistente: sobrevive em objetos e superfícies por até 5 semanas, dependendo da umidade e temperatura do ambiente.
O quadro costuma começar em um olho e se espalhar para o outro em poucos dias. A secreção é aquosa e clara, e é comum que outros sintomas apareçam junto, como dor de garganta, febre e até um pequeno íngua perto da orelha. Casos mais graves, chamados de ceratoconjuntivite epidêmica, podem afetar a córnea e comprometer temporariamente a visão.
Conjuntivite bacteriana
Embora menos comum que a viral em adultos, a conjuntivite bacteriana é o tipo que mais aparece em crianças. Os agentes mais frequentes são Staphylococcus aureus, Streptococcus pneumoniae e Haemophilus influenzae. Os sinais mais característicos são:
Secreção espessa, amarelada ou esverdeada
Olhos que "amanhecem grudados" pelas crostas
Vermelhidão intensa, geralmente começando em um olho
Um caso que merece atenção especial é a conjuntivite por Neisseria gonorrhoeae, que se manifesta de forma muito intensa: secreção abundante, inchaço severo nas pálpebras e piora rápida - considerada uma emergência médica pelo risco de perfuração da córnea em menos de 24 horas.
Conjuntivite alérgica
Diferente das formas infecciosas, não é contagiosa.
Ocorre como uma reação do sistema imunológico a alérgenos como pólen, ácaros, pelos de animais ou fungos. O sintoma que mais incomoda é a coceira intensa, que geralmente afeta os dois olhos ao mesmo tempo.
O olho pode ficar com um aspecto inchado e gelatinoso, e a secreção costuma ser clara e filamentosa. Pessoas com rinite alérgica ou asma têm maior chance de ter esse tipo. Os sintomas podem piorar em certas épocas do ano ou em situações específicas de exposição ao gatilho.
Como saber se estou com conjuntivite?
O diagnóstico inicial é visual e pode começar com uma observação cuidadosa diante do espelho. Alguns passos úteis:
Olhe para a parte branca do olho: se a vermelhidão for espalhada por todo o olho, aponta para conjuntivite. Já um anel vermelho escuro bem ao redor da íris (a parte colorida) é um sinal de alerta para problemas internos e pede avaliação urgente.
Avalie a secreção: seque o olho com um lenço descartável e observe: líquido transparente sugere causa viral ou alérgica; secreção densa e colorida aponta para bacteriana.
Verifique a pálpebra: puxe levemente a pálpebra inferior para baixo. Pequenas bolinhas esbranquiçadas na parte interna costumam indicar causa viral; já um aspecto rugoso, como uma superfície granulada, é mais associado à alergia ou uso de lentes de contato.
Faça um teste rápido de visão: cubra um olho de cada vez. Se houver queda súbita e nítida na visão que não melhora ao piscar, não é conjuntivite simples. Busque atendimento imediatamente.
Apesar desses sinais orientarem a suspeita, apenas um profissional de saúde pode confirmar o diagnóstico. Isso é especialmente importante porque a dor nos olhos intensa e a queda de visão podem indicar condições mais sérias, como glaucoma agudo ou ceratite.
Conjuntivite é contagiosa?
Depende do tipo.
As formas viral e bacteriana se espalham com muita facilidade (tão facilmente quanto a gripe comum). O adenovírus, por exemplo, pode ser transmitido até o 14º dia após o início dos sintomas, mesmo quando o olho já parece estar melhorando.
A transmissão acontece principalmente por:
Contato direto com as secreções oculares de quem está infectado
Objetos de uso pessoal contaminados: toalhas, fronhas, maquiagem, óculos e até celulares que podem carregar até 10 vezes mais bactérias que um vaso sanitário
Contato mão-olho: tocar superfícies contaminadas (maçanetas, teclados) e depois levar a mão ao rosto
Água contaminada: piscinas com cloração inadequada ou lagos podem abrigar o vírus
As formas alérgica, química e tóxica não se transmitem de pessoa para pessoa, pois resultam de uma reação individual do organismo a um agente externo.
Tratamento para conjuntivite para cada tipo
O tratamento deve ser sempre orientado por um médico. O uso de colírios com corticoides ou anestésicos sem prescrição é perigoso, pode mascarar sintomas de glaucoma ou causar úlceras de córnea.
A telemedicina tem sido uma alternativa cada vez mais eficaz nesses casos: estudos mostram que a avaliação remota por vídeo é extremamente precisa para condições como a conjuntivite, permitindo diagnóstico ágil e prescrição digital sem sair de casa.
Tratamento para conjuntivite viral
Por ser causada por vírus, antibióticos não têm nenhum efeito. O tratamento é de suporte, enquanto o próprio sistema imunológico combate a infecção:
Compressas frias com gaze embebida em soro fisiológico gelado, por 15 minutos, várias vezes ao dia, ajudam a reduzir o inchaço e a queimação
Lágrimas artificiais sem conservantes para "lavar" o olho e aliviar o desconforto
Limpeza com soro fisiológico 0,9% para remover as secreções
Em casos causados pelo vírus Herpes Simplex ou Zoster, o médico pode prescrever antivirais específicos como Aciclovir ou Ganciclovir.
Tratamento para conjuntivite bacteriana
Esse tipo responde bem a colírios ou pomadas antibióticas, mas a prescrição precisa vir de um médico. Os mais usados como primeira linha são Tobramicina 0,3%, Polimixina B com Trimetoprima e Ciprofloxacino, geralmente aplicados a cada 4 horas por 7 a 10 dias.
Alguns pontos essenciais:
Não interrompa o tratamento antes do prazo mesmo com o olho aparentemente normal. Parar cedo favorece a resistência bacteriana
A melhora visível costuma acontecer em 2 a 5 dias
Pomadas oculares são uma boa opção para usar ao deitar ou em crianças, porque ficam mais tempo em contato com o olho
Casos bacterianos geralmente deixam de ser contagiosos 24 horas após o início correto do antibiótico
Tratamento para conjuntivite alérgica
O foco é em duas frentes: reduzir a reação inflamatória e eliminar o contato com o alérgeno causador:
Colírios anti-histamínicos, como Olopatadina ou Cetotifeno, que bloqueiam a resposta alérgica do organismo
Lágrimas artificiais para diluir os alérgenos presentes no olho
Higiene ambiental: capas antiácaro, janelas fechadas em períodos de alta polinização, evitar contato com animais
Em casos severos, o médico pode indicar colírios com corticoides — sempre com acompanhamento, pelo risco de efeitos colaterais com uso prolongado
Evitar coçar os olhos é fundamental: o atrito libera mais histamina e piora a inflamação
Quanto tempo dura a conjuntivite?
A duração varia conforme o tipo e a velocidade com que o tratamento é iniciado:
Tipo | Duração estimada |
|---|---|
Viral | 7 a 14 dias (casos graves com adenovírus agressivo podem durar até 3 ou 4 semanas) |
Bacteriana | 2 a 5 dias com tratamento adequado |
Alérgica | Enquanto houver exposição ao alérgeno (pode desaparecer em horas ou durar estações inteiras) |
Atenção: mesmo após a melhora dos sintomas visíveis, a conjuntivite viral pode permanecer contagiosa. Manter os cuidados de higiene até a resolução completa é essencial para não transmitir a infecção a outras pessoas.
Como prevenir conjuntivite no dia a dia?
Hábitos simples do dia a dia já fazem uma diferença enorme para evitar a conjuntivite — especialmente as formas virais e bacterianas, que se espalham com facilidade:
Lavar as mãos com água e sabão por pelo menos 20 segundos ou usar álcool em gel 70%, especialmente após tocar superfícies públicas
Não compartilhar toalhas, fronhas, maquiagem, óculos ou lentes de contato — mesmo dentro de casa
Trocar a fronha diariamente durante um quadro infeccioso e lavar roupas de cama em água quente
Suspender o uso de lentes de contato ao primeiro sinal de irritação e descartar as lentes e o estojo usados no início da infecção
Evitar tocar o rosto em locais públicos, principalmente após manusear superfícies de uso coletivo
Desinfetar eletrônicos e objetos pessoais: celulares devem ser limpos com álcool isopropílico 70% em pano de microfibra (2 a 3 vezes ao dia durante a infecção); óculos, com água e sabão neutro
Quando procurar um médico para conjuntivite?
Embora muitos casos se resolvam com cuidados básicos, alguns sinais indicam que é necessário buscar avaliação médica com urgência:
Dor forte no olho (não apenas desconforto ou sensação de areia)
Queda súbita e nítida na visão que não melhora ao piscar ou limpar o olho
Pupila fixa ou irregular (que não reage à luz)
Náuseas e vômitos associados à dor no olho — podem indicar glaucoma agudo
Uso de lentes de contato com olho vermelho e dor — risco de infecção por bactérias agressivas como Pseudomonas
Sintomas que pioram após 2 ou 3 dias de cuidados domiciliares
Bebês e crianças pequenas com qualquer sinal de conjuntivite
Os números também reforçam a importância de agir rápido: dados de 2025 mostram aumento expressivo de casos em grandes cidades brasileiras, com alta de 35,5% em São Paulo e 47% em Porto Alegre, associados ao relaxamento dos hábitos de higiene e à circulação de novos tipos do vírus.
A boa notícia é que você não precisa sair de casa para ter acesso a um médico. Pela consulta online da Conexa Saúde, o médico avalia a aparência do seu olho em tempo real pela câmera, identifica o tipo de conjuntivite e emite a prescrição digital com segurança, com atendimento 24 horas por dia, 7 dias por semana. Além de prático, o atendimento remoto evita que você circule em ambientes hospitalares, onde o adenovírus se espalha com facilidade entre pacientes.
Não espere os sintomas piorarem para cuidar da sua visão.














