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Tipos de depressão: sintomas e tratamentos

Amanda Ferreira Maximiano

Psicóloga

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A depressão pode se manifestar de diferentes formas. Conhecer seus sintomas ajuda a reconhecer quando buscar apoio, mas o diagnóstico e o tratamento exigem avaliação profissional.

O que é um transtorno depressivo?

Um transtorno depressivo é uma condição de saúde mental caracterizada por uma tristeza persistente e perda de interesse ou prazer em atividades diárias. 

Vale ressaltar que tais condições não são apenas momentos de tristeza ou melancolia. Eles são condições clínicas sérias que podem afetar todos os aspectos da vida de uma pessoa. Além disso, a depressão está frequentemente associada a outras condições de saúde mental, como a ansiedade, aumentando a complexidade do tratamento.

Estudos indicam que a depressão pode ter uma base genética, mas fatores ambientais e psicológicos, como traumas, estresse crônico, e mudanças significativas na vida também desempenham um papel significativo, podendo desencadear episódios depressivos. 

Afinal, a depressão é um fator de alto risco para ideação suicida e a realização do ato. 

Impacto da depressão na sociedade

A depressão não afeta apenas o indivíduo, mas também tem um impacto significativo na sociedade como um todo e a contribuição total dos transtornos mentais para a carga global de doenças continua a crescer.

Os custos indiretos da depressão, incluindo a perda de produtividade e os custos associados ao tratamento de outras condições médicas, são substanciais. Em muitos casos, a depressão pode resultar em incapacidade de longo prazo, o que não só afeta a vida do paciente, mas também a dinâmica familiar e social. 

O sociólogo Émile Durkheim, em seu estudo clássico sobre o suicídio, observou como a integração social e o suporte da comunidade são cruciais para a saúde mental. A falta de suporte social pode exacerbar os sintomas da depressão, enquanto uma rede de apoio forte pode atuar como um fator de proteção.

Políticas para amenizar o impacto da depressão

Intervenções comunitárias, programas de educação sobre saúde mental e a implementação de ambientes de trabalho saudáveis são essenciais para mitigar o impacto da depressão na sociedade. 

Depressão maior (transtorno depressivo maior)

A depressão maior é caracterizada por episódios de intensa tristeza e desespero que duram pelo menos duas semanas. Esses episódios podem ocorrer uma vez na vida ou ser recorrentes.

Sintomas da depressão maior

  • Sentir-se deprimido a maior parte do tempo e quase todos os dias;

  • Prazer diminuído em atividades que antes eram interessantes;

  • Perda ou ganho de peso não intencional;

  • Insônia ou excesso de sonolência;

  • Problemas psicomotores, como agitação ou lentidão nos movimentos;

  • Fadiga anormal e frequente;

  • Falta de concentração;

  • Sentimento de culpa e inutilidade frequente;

  • Pensamentos de suicídio ou morte.

Diagnóstico e tratamento da depressão maior

O diagnóstico da depressão maior é feito por um profissional de saúde mental com base em uma avaliação clínica detalhada. Durante essa avaliação, o profissional considerará os sintomas relatados pelo paciente, o histórico médico, e a presença de outros transtornos mentais que possam coexistir. 

O tratamento da depressão maior geralmente envolve uma combinação de medicamentos antidepressivos e um dos tipos de terapia. Antidepressivos como os inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS), inibidores da recaptação de serotonina e noradrenalina (IRSN) e antidepressivos tricíclicos são frequentemente prescritos. 

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Distimia (transtorno depressivo persistente)

A distimia é uma forma crônica de depressão que dura por pelo menos dois anos. Embora os sintomas possam ser menos graves do que na depressão maior, sua persistência pode causar um impacto significativo na qualidade de vida.

Sintomas da distimia

  • Apetite reduzido ou em excesso;

  • Insônia ou hipersonia;

  • Fadiga ou baixa de energia;

  • Baixa autoestima;

  • Concentração pobre;

  • Sentimentos de desesperança.

Este tipo de depressão pode ser particularmente difícil de diagnosticar porque seus sintomas são crônicos, mas menos intensos, levando muitas pessoas a acreditarem que é apenas “parte de quem elas são”.

Estratégias de tratamento para distimia

O tratamento da distimia frequentemente inclui uma combinação de psicoterapia e medicamentos.

Mudanças no estilo de vida também desempenham um papel crucial no tratamento da distimia. Exercícios regulares têm mostrado melhorar significativamente o humor e a saúde mental geral, devido à liberação de endorfinas, que são hormônios que promovem a sensação de bem-estar. 

Uma dieta equilibrada rica em nutrientes essenciais pode ajudar a manter os níveis de energia e promover uma saúde mental mais estável. Práticas de autocuidado, como garantir um sono adequado, praticar mindfulness e encontrar tempo para atividades prazerosas, são essenciais para combater os sintomas da distimia.

O suporte social é outro componente crítico no tratamento da distimia. Intervenções familiares podem ser particularmente úteis, ajudando a criar um ambiente de apoio e compreensão.

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Transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM)

O transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM) é um tipo grave de síndrome pré-menstrual, com sintomas são mais intensos e debilitantes do que os da TPM.

Sintomas do TDPM

  • Irritabilidade: irritabilidade intensa e frequente, muitas vezes levando a explosões de raiva ou frustração;

  • Humor deprimido: sentimentos de tristeza profunda ou desesperança, semelhantes aos da depressão;

  • Ansiedade severa: preocupação excessiva, nervosismo e sensação de estar “no limite”;

  • Interesse reduzido em atividades: perda de interesse nas atividades que normalmente são prazerosas;

  • Dificuldade de concentração: incapacidade de focar em tarefas diárias, afetando o desempenho no trabalho ou nos estudos;

  • Letargia: sensação de fadiga constante e falta de energia, tornando difícil a realização de atividades cotidianas;

  • Alteração do apetite: mudanças significativas no apetite, incluindo desejos intensos por certos alimentos ou perda completa de apetite.

Além dos sintomas emocionais, o TDPM pode provocar sintomas físicos, como dores de cabeça, inchaço, sensibilidade nos seios e dores musculares.

Tratamento do TDPM

O tratamento para TDPM pode incluir medicamentos antidepressivos, terapias hormonais e mudanças no estilo de vida, como dieta e exercícios. A psicoterapia também pode ser útil para gerenciar os sintomas emocionais.

Depressão pós-parto

A depressão pós-parto ocorre após o nascimento de um bebê e pode afetar a capacidade de uma nova mãe de cuidar de si mesma e do seu filho(a).

Sintomas da depressão pós-parto

  • Tristeza intensa: um sentimento persistente de tristeza ou desespero que não desaparece, mesmo quando a mãe está com o bebê;

  • Ansiedade: preocupação excessiva com a saúde e o bem-estar do bebê, medo constante de que algo ruim possa acontecer;

  • Exaustão extrema: cansaço que não passa mesmo com descanso suficiente, dificultando as tarefas diárias e o cuidado com o bebê;

  • Dificuldade de vinculação com o bebê: incapacidade de sentir uma conexão emocional com o bebê, sentimento de desapego ou indiferença.

Esses sintomas podem começar logo após o parto ou se desenvolver lentamente ao longo dos primeiros meses após o nascimento. 

Estudos mostram que mães com depressão pós-parto têm mais dificuldade em responder às necessidades do bebê, o que pode influenciar negativamente o desenvolvimento cognitivo e emocional da criança.

Além dos sintomas emocionais, a depressão pós-parto pode apresentar sintomas físicos, como mudanças no apetite, insônia ou sono excessivo, e perda de interesse em atividades que antes eram prazerosas. 

Abordagens de tratamento para depressão pós-parto

O tratamento pode incluir terapia, medicamentos antidepressivos e grupos de apoio. A telepsicologia pode ser uma opção conveniente para novas mães que têm dificuldade em sair de casa.

Além disso, a criação de um ambiente de apoio no lar, onde as responsabilidades são compartilhadas e as mães recebem o tempo necessário para cuidar de si mesmas, pode ser extremamente benéfica. Assegurar que as novas mães tenham acesso a recursos e suporte adequado pode fazer uma diferença significativa em sua recuperação.

Depressão sazonal (transtorno afetivo sazonal)

A depressão sazonal, ou transtorno afetivo sazonal (TAS), ocorre em certas épocas do ano, geralmente no inverno, quando há menos luz solar.

A exposição à luz natural ajuda a regular o ciclo circadiano, o relógio interno do corpo que controla os padrões de sono e vigília. Quando a luz solar atinge nossos olhos, ela envia sinais ao núcleo supraquiasmático no cérebro, que coordena a liberação de hormônios e ajusta o ritmo biológico de acordo com o ambiente.

Estudos mostram que a exposição à luz solar pode aumentar os níveis de serotonina no cérebro. A serotonina é produzida a partir do aminoácido triptofano e está envolvida na regulação do humor, apetite e sono. Assim, durante os meses de inverno, a menor exposição à luz solar pode levar a uma diminuição nos níveis de serotonina, contribuindo para o desenvolvimento do TAS.

Sintomas do transtorno afetivo sazonal

  • Letargia;

  • Aumento do apetite e ganho de peso;

  • Dificuldade de concentração;

  • Sentimentos de desesperança.

Tratamento da depressão sazonal

O tratamento para a depressão sazonal pode incluir fototerapia (terapia de luz), medicamentos antidepressivos e mudanças no estilo de vida, como aumento da exposição à luz natural e exercícios físicos.

Depressão atípica

A depressão atípica se apresenta com padrões de sintomas diferentes dos típicos da depressão maior.

Sintomas da depressão atípica

  • Reatividade do humor (melhora temporária do humor em resposta a eventos positivos);

  • Aumento do apetite;

  • Ganho de peso;

  • Excesso de sono;

  • Sensação de peso nos braços e pernas.

Apesar do nome, a depressão atípica é bastante comum. As pessoas com esse tipo de depressão podem experimentar períodos de melhora temporária do humor em resposta a eventos positivos, o que pode dificultar o diagnóstico.

Estratégias de tratamento para depressão atípica

O tratamento pode incluir medicamentos antidepressivos e psicoterapia. Mudanças no estilo de vida, como exercícios regulares, também podem ser benéficas.

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Transtorno bipolar

O transtorno bipolar é caracterizado por episódios de depressão e mania, ou hipomania.

Episódios depressivos no transtorno bipolar

Durante os episódios depressivos, as pessoas com transtorno bipolar podem experimentar sintomas semelhantes aos da depressão maior, como tristeza profunda, perda de interesse em atividades e fadiga.

Tratamento para episódios depressivos no transtorno bipolar

O tratamento do transtorno bipolar exige acompanhamento psiquiátrico e pode incluir estabilizadores do humor e psicoterapia. Antidepressivos, quando indicados, requerem cuidado específico; não se automedique.

A terapia pode ajudar os pacientes a reconhecer e gerenciar os sintomas, enquanto o suporte de amigos e familiares é vital para proporcionar um ambiente estável e compreensivo. A educação sobre a condição e a aderência ao tratamento são fundamentais para o manejo eficaz do transtorno bipolar.

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Depressão resistente

Afinal, este é um tipo de depressão que não responde adequadamente aos tratamentos convencionais.

Sintomas da depressão resistente

Os sintomas são semelhantes aos da depressão maior, mas persistem apesar do tratamento adequado com antidepressivos e terapia.

Estratégias de tratamento para depressão resistente

A combinação de terapias pode incluir intervenções farmacológicas, psicoterapias avançadas e mudanças no estilo de vida. A colaboração entre diferentes especialidades médicas pode fornecer uma abordagem mais holística e eficaz.

Como saber se devo buscar ajuda profissional?

Procure ajuda se os sintomas persistirem ou prejudicarem a rotina. Em risco imediato de suicídio ou autoagressão, procure um pronto-socorro ou ligue para o SAMU (192). Para apoio emocional, o CVV atende pelo 188.

O que esperar da consulta com o psiquiatra ou o psicólogo?

Durante a consulta, o profissional de saúde mental avaliará seus sintomas, histórico médico e estado mental. Eles trabalharão com você para desenvolver um plano de tratamento que pode incluir medicamentos, terapia ou ambos. A telepsicologia pode ser uma opção acessível e conveniente.

Outros tipos de depressão

Existem outros tipos de depressão, como a depressão induzida por medicamentos e a depressão devido a uma condição médica. 

Por exemplo, a depressão induzida por medicamentos pode ser tratada ajustando ou mudando a medicação, enquanto a depressão devido a uma condição médica pode exigir o tratamento da condição subjacente.

Conclusão

Compreender os diferentes tipos de depressão é essencial para reconhecer os sintomas e buscar o tratamento adequado. 

A intervenção precoce e o suporte adequado são cruciais para melhorar a qualidade de vida dos pacientes. Buscar ajuda profissional é vital, e a telepsicologia pode ser uma opção conveniente e acessível.

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Quem orienta

Amanda Ferreira Maximiano

Psicóloga

CRP 06/148389

Psicóloga graduada pela UNESP, especialista em psicologia hospitalar pelo HCFMUSP e especialista em atenção básica e saúde da família pela UNINOVE. Atua como Psicóloga Supervisora no time de Gestão em Saúde Mental na Conexa.

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Amanda Ferreira Maximiano

Psicóloga

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Psicóloga graduada pela UNESP, especialista em psicologia hospitalar pelo HCFMUSP e especialista em atenção básica e saúde da família pela UNINOVE. Atua como Psicóloga Supervisora no time de Gestão em Saúde Mental na Conexa.