Conheça os Tipos de Autismo e os Níveis do TEA

João Gobira | Psicologia geral | Atualizado em: 30/06/2026

tipos de autismo

Afinal, quantos tipos de autismo existem? Hoje, o autismo é um diagnóstico único, o Transtorno do Espectro Autista (TEA), organizado em três níveis de suporte (1, 2 e 3). Por muitos anos, porém, ele foi dividido em quatro subtipos, como a Síndrome de Asperger e o Transtorno Autista, nomes que continuam sendo incorretamente usados no dia a dia.

Neste guia, você vai entender esses subtipos históricos, os níveis de suporte atuais e como o autismo é diagnosticado e tratado. Continue a leitura.

O que é o autismo?

O autismo, ou Transtorno do Espectro Autista (TEA), é um transtorno do neurodesenvolvimento que afeta a comunicação, a interação social e o comportamento, geralmente percebido nos primeiros anos de vida. Não é uma doença nem sinônimo de deficiência intelectual: é uma condição que acompanha a pessoa por toda a vida e se manifesta de formas muito diferentes de um indivíduo para outro. Por isso o termo “espectro”.

Os números mais recentes mostram que o autismo é mais comum do que se imaginava. Nos Estados Unidos, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), em levantamento divulgado em abril de 2025, estima que 1 em cada 31 crianças de 8 anos tenha TEA, cerca de 3,2%. Antes, essa proporção era de 1 em 36. 

Para se ter ideia, nos primeiros anos de produção desse estudo, a proporção era de 1 a cada 150 crianças. Hoje, com mais compreensão do espectro, conhecimento popular mais acessível e melhores ferramentas para avaliar e diagnosticar, temos uma visão mais verdadeira sobre a prevalência de autismo na população.

No Brasil, o Censo 2022 do IBGE, divulgado em maio de 2025, trouxe o primeiro dado oficial sobre o tema: 2,4 milhões de pessoas com diagnóstico de autismo, o equivalente a 1,2% da população. O diagnóstico foi mais frequente entre os homens (1,5%) do que entre as mulheres (0,9%) e maior na faixa de 5 a 9 anos (2,6%).

Para entender a condição de forma mais ampla, vale conferir nosso conteúdo completo sobre o que é o autismo

A classificação do TEA também evoluiu: o autismo entrou na Classificação Internacional de Doenças (CID) da OMS em 1993 e, em 2013, o termo “Transtorno do Espectro Autista” passou a reunir todas as manifestações em um único diagnóstico. A CID-11, em vigor desde 2022, seguiu o mesmo caminho.

As causas exatas para o surgimento do transtorno ainda não são totalmente conhecidas, e o diagnóstico é clínico, feito pela observação do comportamento, e não por exame de sangue ou imagem. Identificar o autismo cedo e iniciar o acompanhamento adequado faz muita diferença na qualidade de vida da criança.

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Quais eram os tipos de autismo antigamente?

Você vai encontrar, em muitos lugares, os tipos de autismo descritos como quatro categorias diferentes. Essa divisão é histórica: desde 2013, o DSM-5 (manual da Associação Americana de Psiquiatria) e, depois, a CID-11 deixaram de tratar esses subtipos como diagnósticos separados e passaram a usar um único diagnóstico, o TEA, classificado por níveis de suporte. 

Ainda assim, nomes como Síndrome de Asperger seguem populares e ajudam a entender como o autismo pode se manifestar.

Veja abaixo os quatro subtipos clássicos e suas principais características.

1. Síndrome de Asperger

Era considerada a forma mais leve entre os subtipos e é mais comum em meninos. Em geral, a pessoa tem inteligência dentro ou acima da média e foi por isso muitas vezes chamada de “autismo de alto funcionamento”, termo hoje pouco recomendado por simplificar demais a experiência de cada pessoa.

Também é comum o interesse intenso e focado por um assunto específico. Quando não diagnosticada na infância, a Síndrome de Asperger pode estar associada, na vida adulta, a quadros de ansiedade e depressão, situações que se beneficiam de acompanhamento e, em alguns casos, de psicoterapia.

2. Transtorno Invasivo do Desenvolvimento

Era usado como uma “categoria intermediária”, um pouco mais marcante que a Síndrome de Asperger, mas menos intenso que o Transtorno Autista. Os sinais variavam bastante, mas, de forma geral, a pessoa apresentava:

  • menos comportamentos repetitivos;
  • dificuldades de interação social;
  • linguagem mais desenvolvida que no Transtorno Autista, porém com mais limitações que na Síndrome de Asperger.

3. Transtorno Autista

É o subtipo com sinais mais perceptíveis, afetando de forma mais intensa relacionamentos sociais, cognição e linguagem, com forte presença de comportamentos repetitivos. Costuma ser o quadro “clássico” e é, em geral, diagnosticado cedo, antes dos 3 anos. Entre os principais sinais estão:

  • pouco contato visual;
  • comportamentos repetitivos, como balançar ou bater as mãos;
  • dificuldade para fazer pedidos usando a fala;
  • desenvolvimento tardio da linguagem.

4. Transtorno Desintegrativo da Infância

Era o mais raro entre os subtipos. A criança apresenta um período de desenvolvimento dentro do esperado e, geralmente entre os 2 e os 4 anos, passa a perder habilidades intelectuais, de linguagem e sociais já adquiridas.

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Quais são os níveis de suporte do autismo usados hoje?

Mais importante que os subtipos históricos são os níveis de suporte, a forma atual de classificar o TEA. O DSM-5 define três níveis conforme a quantidade de apoio que a pessoa precisa no dia a dia. Os termos “leve”, “moderado” e “grave” são usados de modo popular, mas a referência oficial é o nível de apoio necessário.

Nível 1: exige apoio (autismo leve)

Há dificuldade para iniciar interações sociais e pouco interesse em interagir, com respostas atípicas a aproximações. São comuns problemas para trocar de atividade e para se organizar e planejar.

Nível 2: exige apoio substancial (autismo moderado)

As dificuldades de comunicação verbal e não verbal são mais evidentes e aparecem mesmo com apoio. A pessoa tende a ser mais inflexível, tem mais dificuldade com mudanças e com comportamentos repetitivos, e sofre para mudar o foco das ações.

Nível 3: exige apoio muito substancial (autismo grave)

Há déficits acentuados na comunicação verbal e não verbal, grande dificuldade para iniciar interações e prejuízos importantes no funcionamento diário. Lidar com mudanças e com comportamentos repetitivos é extremamente difícil.

Vale destacar que os exemplos de comportamento esperado em cada nível é apenas um recorte, e as expressões do autismo podem ser diversas e multifacetadas, o que requer a avaliação caso a caso para definir a presença ou não do transtorno. 

Uma pessoa pode ter dificuldade de interação e inflexibilidade sem ser autista, enquanto outra que consegue interagir e é mais flexível pode ser autista. Casos mais “clássicos” normalmente são de níveis mais altos, que costumam ser de mais fácil diagnóstico.

Como é o autismo em mulheres?

O autismo costuma apresentar sinais mais evidentes em meninos do que em meninas, tanto por questões sociaisculturais quando comportamentais e, por isso, muitas mulheres passam a vida subdiagnosticadas, ou seja, dentro do espectro, mas sem o diagnóstico fechado.

Em geral, apenas as meninas com quadros mais marcantes recebem o diagnóstico na infância. As demais costumam passar despercebidas ou receber diagnósticos equivocados, como transtorno obsessivo-compulsivo, transtorno de personalidade ou quadros de ansiedade.

Isso acontece porque, com frequência, as meninas apresentam menos comportamentos restritivos e repetitivos e conseguem “camuflar” melhor os sinais, imitando o comportamento social de outras crianças. Na adolescência, essa camuflagem fica mais difícil, e muitas enfrentam depressão e ansiedade. A boa notícia é que a pesquisa avança para tornar o diagnóstico mais preciso entre as mulheres.

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Quais os principais sintomas?

Os sinais do espectro autista são variados e costumam aparecer na infância, embora, em quadros mais leves, possam ser percebidos só na vida adulta. De forma geral, podem ser observados:

  • entre 8 e 10 meses, pouca resposta ao ser chamada e menor interesse pelas pessoas ao redor;
  • dificuldade em brincadeiras em grupo e em interpretar expressões faciais e gestos;
  • ausência de balbucio e de comunicação por gestos;
  • atraso na fala;
  • dificuldade para combinar palavras em frases ou repetição da mesma frase várias vezes;
  • comportamentos repetitivos, como balançar o corpo, bater as mãos, enfileirar objetos e repetir sons;
  • na vida adulta, interesse obsessivo por temas específicos, como datas, números ou assuntos.

Também podem aparecer: crises de raiva, hiperatividade ou passividade, necessidade intensa de repetição, baixa atenção, sensibilidade a determinados ruídos e alterações na resposta à dor. Um sinal isolado não confirma o diagnóstico: o que importa é o conjunto de características.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico do autismo é clínico, feito por observação e bateria de testes psicológicos também. Ele é feito pela observação do comportamento e por entrevista com os pais ou responsáveis, idealmente por uma equipe que pode envolver psiquiatra, neuropediatra e psicólogo. Normalmente são os pais que notam os primeiros sinais, ainda nos primeiros 3 anos de vida.

Em alguns casos, o diagnóstico só ocorre na adolescência ou no início da vida escolar, quando surgem dificuldades para fazer amigos. Nos quadros mais leves, pode acontecer apenas na vida adulta, muitas vezes quando a própria pessoa percebe os sinais e procura ajuda. Quadros como o TDAH em adultos podem coexistir com o autismo e merecem avaliação cuidadosa.

Existe tratamento para o autismo?

Não existe cura, mas o autismo tem tratamento, voltado a melhorar a qualidade de vida. Em geral, é indicada uma equipe multidisciplinar, já que cada profissional trabalha uma necessidade específica. Em crianças, costuma-se indicar:

  • fonoaudiólogo, para o desenvolvimento da linguagem verbal e não verbal;
  • ludoterapia, que usa jogos e brincadeiras para trabalhar interação social e contato visual;
  • Acompanhante Terapêutico com compreensões de Análise do Comportamento Aplicada (ABA), para reduzir comportamentos prejudiciais e estimular outros mais benéficos;
  • grupos de habilidades sociais, para praticar interações do dia a dia;
  • medicamentos que, embora não tratem o autismo em si, ajudam com ansiedade, hiperatividade, impulsividade e alterações de humor.

Abordagens como a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) também podem apoiar o manejo da ansiedade e de outras questões associadas. Em todos os casos, a rede de apoio, especialmente a família, é fundamental.

Direitos da pessoa com TEA no Brasil

A Lei nº 12.764/2012 (Lei Berenice Piana) garante que a pessoa com Transtorno do Espectro Autista seja considerada pessoa com deficiência para todos os efeitos legais, com direito a acesso à saúde, à educação e à proteção social.

João Gobira

Pai coruja da Helena e apaixonado por marketing! 🎯 Com mais de 10 anos de experiência, sou pós-graduado em Psicologia do Consumidor e tenho um MBA em Digital Product Management pela FIAP. Vivo mergulhado no universo do consumidor e na criação de produtos digitais que fazem a diferença! 🚀

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