Síndrome de Tourette: entenda o que é, sintomas, causas e tratamentos

Felipe Haberfeld | Telemedicina | Atualizado em: 05/08/2025

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A síndrome de Tourette é um distúrbio neuropsiquiátrico que se manifesta por tiques — movimentos repetitivos, rápidos, indesejados e súbitos, podendo ser vocais ou motores. 

Esse distúrbio costuma variar em intensidade e tende a piorar em situações de estresse. Apesar disso, ele não está necessariamente ligado a fatores emocionais, podendo ter relação com condições, como TOC, TDAH e transtornos de aprendizagem.

Compreender o que é síndrome de Tourette, conhecer as causas e sintomas permite identificar essa condição e buscar orientação médica adequada, seja para você ou para alguém próximo. Leia o nosso artigo!

O que causa a síndrome de tourette?

Embora não tenha uma causa totalmente esclarecida pela medicina, a síndrome de Tourette pode estar associada a fatores genéticos e hereditários, como mutações em genes ligados ao desenvolvimento neurológico. 

Certas regiões e circuitarias cerebrais, como disfunções no circuito-cortico-estriato-talamo-cortical vêm sendo pesquisadas e envolvidas na explicação para essa síndrome.

Além disso, outras causas também podem ser correlacionadas a infecções no sistema nervoso central e lesões cerebrais traumáticas.

Principais sintomas da Síndrome de Tourette

Os primeiros sintomas da síndrome de Tourette devem começar ainda na infância e podem se apresentar em tiques simples, que normalmente são leves, e complexos, que podem impactar diretamente na rotina diária do indivíduo. 

Listamos alguns dos sintomas comuns associados à síndrome de tourette. 

Tiques motores simples

Os tiques motores simples são caracterizados por movimentos súbitos, breves, repetitivos e sem propósito, que atingem somente alguns grupos musculares.

A frequência pode variar, assim como os tipos de tiques, que costumam mudar ao longo do tempo. Os mais comuns incluem: piscar os olhos, franzir o nariz e balançar a cabeça.

Tiques motores complexos

São movimentos rápidos que aparentam ser intencionais, normalmente coordenados e mais elaborados, podendo envolver sequências mais longas que utilizam diferentes grupos musculares. 

Esses movimentos costumam ser mais complexos do que os tiques motores. Entre os principais exemplos estão pular, tocar em objetos e fazer gestos obscenos, chamados de copropraxia.

Tiques vocais simples

São tiques vocais mais simples e involuntários, podendo ser confundidos com sintomas de resfriado ou alergias. Entre os movimentos estão pigarrear, fungar, tossir ou grunhir. 

Tiques vocais complexos

São manifestações sonoras mais elaboradas, que não se restringem a apenas ruídos ou sons curtos. 

Elas incluem a ecolalia, uma repetição involuntária de palavras ouvidas de outras pessoas, e a palilalia, que está associada a repetição das próprias palavras, normalmente em sequência rápida.

Há o tique vocal complexo chamado de coprolalia, caracterizado pela fala involuntária de palavras ou expressões inadequadas socialmente, como palavrões ou termos ofensivos. Embora seja estereotipada, no cinema, como essencial para o diagnóstico da síndrome de Tourette, ela acomete somente 10% a 15% dos pacientes, sendo muito rara.

Sensações premonitórias

As sensações premonitórias são aquelas que antecedem um tique, uma espécie de desconforto físico ou uma sensação de urgência ou premonitória.

Elas são descritas por pessoas com síndrome de Tourette como uma “coceira interna” ou uma necessidade crescente de realizar os movimentos. Mesmo sendo tiques involuntários, eles são necessários para aliviar essa sensação.

Quais são os fatores de risco para a síndrome de tourette?

Existem fatores de risco que aumentam a probabilidade de desenvolver essa síndrome. 

No caso das crianças com tique, elas também podem apresentar outros transtornos, como déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), transtornos de ansiedade e de aprendizado.

No caso de pessoas jovens e adultas, é possível que outras condições estejam associadas, como depressão e transtorno por uso de substâncias e bipolaridade.

Quando começa a síndrome de tourette?

Os tiques costumam começar entre os 4 e 6 anos de idade, agravando-se entre os 10 e 12 anos, quando esse distúrbio atinge o pico, podendo diminuir durante a adolescência. 

Inclusive, com o passar do tempo, muitos tiques tendem a desaparecer de forma espontânea.

Contudo, os primeiros sinais observados incluem tiques motores simples, como piscar olhos, movimentos de cabeça e caretas, evoluindo para os tiques vocais, como fungar e  tossir ou grunhir.

Como é feito o diagnóstico da Síndrome de Tourette?

O diagnóstico da síndrome de Tourette deve ser feito por um neuropediatra ou por um psiquiatra infantil, no caso de crianças. No caso de um paciente não ter diagnóstico até a fase adulta, apesar do quadro ter começado na infância, ele deve ser avaliado por um neurologista ou por um psiquiatra.

Para confirmar esse distúrbio neuropsiquiátrico, o profissional precisa levar em consideração alguns critérios, que são os seguintes:

  • Os sintomas devem começar na infância;
  • Presença de múltiplos tiques motores e, pelo menos, um tique vocal deve apresentar-se durante um determinado período, mas não é necessário ser ao mesmo tempo.
  • Os tiques devem manifestar-se em episódios, diversas vezes ao dia, diariamente, ou de forma intermitente, durante três meses, no mínimo.

Além disso, ao realizar o diagnóstico, o médico deve diferenciar essa síndrome de Tourette de outros transtornos que desencadeiam comportamentos estereotipados, como TOC, o transtorno do espectro autista e o transtorno de movimentos estereotipados.

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Síndrome de Tourette tem cura?

Não. A síndrome de Tourette é um distúrbio que não tem cura, porém, pode ser controlada com abordagens médicas e terapêuticas adequadas.

Quais são os tratamentos para a síndrome de tourette?

De forma geral, o tratamento para a síndrome de Tourette deve envolver a abordagem psicoterápica e medicamentosa. Os medicamentos auxiliam no controle dos sintomas agudos e na prevenção e estabilização do quadro. 

Lembramos que a automedicação nunca é indicada, sendo que o uso de medicamentos deve ser feito sob orientação médica para equilibrar os eventuais efeitos colaterais com os benefícios desejados.

Na área psicoterápica, os pacientes devem ser estimulados a frequentar sessões de terapia, como a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), que auxilia na mudança de padrões de pensamento e comportamento.

Qual a diferença entre tiques e síndrome de Tourette?

As principais diferenças entre tiques e a síndrome de Tourette estão na duração, frequência e variedade dos movimentos. 

Os tiques são mais comuns durante a infância, sendo caracterizados por sons ou movimentos breves e involuntários, que costumam desaparecer espontaneamente e não requerem tratamento. 

Por outro lado, a  síndrome de Tourette é considerada um distúrbio neuropsiquiátrico mais complexo com múltiplos tiques motores e, pelo menos, um vocal, manifestando-se  na infância ou adolescência e podendo persistir por mais de um ano. 

Como mencionamos, ela pode estar associada a outras condições, como o TOC e o TDAH.

Os tiques da síndrome de Tourette desaparecem com o tempo?

Os tiques da  síndrome de Tourette podem desaparecer com o tempo, como explicamos. Normalmente, os sintomas têm início entre 4 e 6 anos com aumento da intensidade, alcançando o ponto máximo entre 10 e 12 anos.

Depois disso, ela pode diminuir na adolescência, desaparecendo espontaneamente ao longo do tempo ou na idade adulta. No entanto, vale lembrar que essa condição pode variar da pessoa e do tratamento adotado.

Quais os impactos da síndrome de tourette?

A síndrome de Tourette é uma condição que pode afetar significativamente a vida de um indivíduo, já que os tiques podem se manifestar severamente, prejudicando as relações pessoais e profissionais.

Na vida social, esse distúrbio pode provocar constrangimento excessivo, já que os tiques envolvem sons e movimentos indesejados que, muitas vezes, podem ser inadequados, como a pronúncia de palavrões. 

Da mesma forma ocorre no ambiente de trabalho, impactando a concentração e a produtividade, principalmente, quando a pessoa tem outras condições, como o TDAH e o TOC. Ela causa constrangimento e dificuldade de manter o vínculo empregatício.

Síndrome de Tourette em diferentes fases da vida

Os sintomas da síndrome de Tourette evoluem da infância à vida adulta, o que exige cuidados em cada fase.

Na infância, os tiques costumam começar por volta dos 4 anos, com movimentos motores leves, como piscar ou fazer caretas. Nesta faixa etária, o mais indicado é observar os sinais e buscar orientação médica. 

Já na adolescência, os sintomas tendem a intensificar, incluindo tiques vocais e sensações de urgência antes dos movimentos. Aqui, o acompanhamento psicológico é essencial, além de ajustes no espaço escolar e em outros ambientes sociais.

Na fase adulta, a tendência é que os tiques diminuam de forma espontânea, com  movimentos mais leves e espaçados.

Entretanto, o apoio profissional e a participação em grupos de apoio são essenciais para a promoção de espaços mais inclusivos, principalmente, no trabalho.

Como acalmar alguém com síndrome de Tourette?

A síndrome de Tourette é muito desafiadora, principalmente, porque os tiques são visíveis e, muitas vezes, complexos, podendo causar desconforto e vergonha.  

Para acalmar alguém durante momentos de crise, há algumas estratégias eficazes, que são as seguintes:

  • Mantenha a calma: evite repreensões e quaisquer reações negativas. Manter-se tranquilo ajuda a não aumentar os tiques e amenizar as crises.
  • Ofereça um espaço seguro e calmo: nesses momentos, se possível, leve a pessoa para um local tranquilo e discreto para que ela possa se acalmar. 
  • Aja com naturalidade: evite olhar excessivos, expressões de espanto ou comentários para não aumentar a pressão sobre a pessoa.
  • Sugira práticas de relaxamento: nesses momentos, algumas técnicas, como respiração profunda, podem ajudar a diminuir a pressão.

Como conviver com a síndrome de Tourette?

Se você conhece alguém com a síndrome de Tourette, lidar com essa situação de forma adequada é essencial para oferecer apoio e auxiliar a pessoa a superar essa condição. 

O primeiro passo é proporcionar um suporte contínuo por meio de educação sobre a síndrome, a fim de compreender melhor as condições desse distúrbio, criando um ambiente acolhedor e sem julgamentos.

Para promover o bem-estar emocional, professores devem ser informados para oferecer suporte adequado, e no trabalho, pausas podem ajudar a pessoa a lidar com os tiques. O apoio psicológico e a participação em grupos de apoio também são importantes.

Quando procurar um médico?

O ideal é buscar ajuda profissional quando os tiques forem intensos, constantes e quando afetarem a rotina e causarem desconforto emocional.

Além disso, se a pessoa apresentar sintomas, como dificuldade de concentração, crises de ansiedade e comportamentos compulsivos, a orientação médica é fundamental. 

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Felipe Haberfeld

CRM RJ/1082264. Neurologista. Chefe de Especialidades Clínicas na Conexa. Diretor Executivo Haberfeld. Head Idomed Hubs. Mestrando em Telemedicina e 3D tech pela UERJ. PO Revalida e Prático Aristo. Gestão de Consultórios. Nexialista. Médico formado pela UNIRIO, Neurologista pela Universidade Federal Fluminense e Mestrando em Telemedicina e Saúde digital pela UERJ.

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