Segunda onda Covid: o que está acontecendo?

Desde que a OMS declarou a pandemia do novo coronavírus, o mundo vive uma corrida para entender melhor o vírus e com isso combatê-lo, seja com prevenção ou tratamento.

Particularmente na segunda onda, iniciada no segundo semestre do ano passado em países da Europa e nos Estados Unidos, mas que só chegou por aqui no início deste ano, essa corrida vem acelerando.

Assim, recebemos diariamente informações de todas as fontes, cientificas, autoridades em saúde, e nem sempre conseguimos acompanhar todas na velocidade em que são divulgadas.

Pensando nisso, a Conexa, que está sempre conectada com os avanços das pesquisas científicas, abrimos este espaço para compartilhar com os nossos leitores, as novidades sobre a doença.

Quer saber como está a segunda onda da Covid-19? Então continue com a gente e atualize-se sobre a pandemia!

Segunda onda na Europa

A segunda onda da pandemia de Covid-19 começou em momentos diferentes na Europa e no Brasil. Por lá foi antes, no quarto trimestre do ano passado, resultado de uma nova variante identificada no Reino Unido.

O número de mortes ultrapassou 50 mil, levando as autoridades a enrijecer as medidas restritivas, em outubro de 2020. Com a implantação das medidas, os casos caíram 30%, em dezembro.

Mas com a reabertura, começaram a aumentar novamente a sobrecarregar do sistema de saúde, obrigando a um novo lockdown, de um mês, entre fevereiro e março deste ano.

Um estudo do Imperial College de Londres mostrou a eficácia dessa ação. Pesquisadores analisaram amostras de 100 mil pessoas no Reino Unido com ou sem sintomas e escolhidas aleatoriamente.

Antes do lockdown, os casos dobravam a cada 9 dias. Após a restrição, as infecções caíram 30% com estimativa de dobrar a cada quase 40 dias.

Segunda onda no Brasil

ENo caso do Brasil, a discussão é se realmente estamos em uma segunda onda da pandemia ou se é apenas uma extensão da primeira. O fato é que a oscilação de casos preocupa autoridades de saúde.

O país já tinha registrado seu pior mês, desde que a pandemia começou, em março, com mais de 60 mil mortos. Número superado em 24 dias de abril, com 67.723 vítimas, contra 66.868, do mês anterior.

O país também tem a maior taxa de mortalidade no continente americano, no hemisfério sul e o segundo no mundo, com 375 mil mortos, sendo os EUA no topo da lista, com 570 mil óbitos.

Flexibilização da quarentena

A maior transmissibilidade, segundo o estudo, associada aos encontros do final de ano e férias de janeiro pode ser responsável pela explosão de casos no início do ano. Isso também justificaria a predominância entre os jovens, que são mais expostos.

Com o encerramento de medidas mais restritivas, mais pessoas passaram a circular nas cidades, juntamente com a nova cepa do vírus, com maior capacidade de contaminação.

A redução do distanciamento social, aliado ao ritmo lento da vacinação no Brasil e a precariedade na prevenção, também podem explicar o aumento de casos da doença.

Rejuvenescimento de cenário

O último Boletim do Observatório Fiocruz Covid-19, publicado no dia 23 de março, aponta para o cenário de rejuvenescimento dos casos da Covid-19 no Brasil. A faixa etária de 20 a 29 anos, foi a que teve maior número de mortes (1.081,82%).

Já o maior número de casos, apareceu entre os indivíduos com idades entre 40 e 49 anos (1.173,75%). No caso do aumento global, para todas as idades, essa elevação foi de 642,80%,

Segurança

A telemedicina já provou a sua importância na primeira onda da Covid-19 no Brasil. Assim que foi aprovada, consultórios, hospitais e planos de saúde recorreram a ela. O crescimento foi exponencial.

A possibilidade de receber um atendimento na própria casa, através de aplicativos específicos, levou conforto tranquilizando pacientes e profissionais.

Ter um médico na palma da mão para tirar suas dúvidas, receita online, em um ambiente digital seguro, fez toda a diferença nesse momento.

Para os médicos, garantir o suporte a pacientes crônicos em acompanhamento com estrutura que possibilita prontuário eletrônico na nuvem, exames à distância e contato com colegas para discussão de diagnósticos foi uma solução rápida.

Isso sem falar na manutenção da receita do consultório possibilitando a manutenção de serviços e funcionários.

Direcionamento

Além das questões estruturais temos o capital humano, que foi muito penalizado nessa pandemia. Muitas horas de trabalho, estresse, ansiedade. E esses são os mesmos profissionais que estão tendo que lidar agora com a segunda onda.

A sobrecarga pode ser amenizada com a telemedicina. Equipes específicas podem atuar no atendimento online, direcionando a especialidade e desafogando as filas nas emergências, evitando também a proliferação do vírus.

Saúde para todos

Também com a pandemia a telemedicina ganhou ainda mais respeito de entidades governamentais, através de programas que levaram a saúde mais longe para populações vulneráveis.

A democratização da saúde é um dos pilares importantes da telemedicina que alcança usuários de todas as classes sociais, levando atendimento a locais com ausência ou deficiência, sem limites territoriais.

O que esperar?

Especialistas ouvidos pelo Jornal O Globo, em março deste ano, estimam que a pandemia só dará trégua no final do ano. E o principal motivo é a falta de uma política pública nacional eficaz no combate à doença.

O vacinologista Herbert Guedes, professor do Instituto de Microbiologia Paulo de Góes/UFRJ, lista três fatores para voltarmos à normalidade: números de vacinados, de casos graves de Covid-19 e de novos casos.

Já a sanitarista e epidemiologista Carla Domingues, que esteve à frente do Programa Nacional de Imunizações, argumenta que o país nunca fez distanciamento correto, nem vacinação em massa.

Terceira onda

Especialistas também alertam para o risco do Brasil viver uma terceira onda da pandemia a partir de junho. E levantam duas hipóteses para isso: flexibilização da quarentena e vacinação lenta.

Com a reabertura dos setores econômicos e a cobertura vacinal ainda aquém do necessário, pode haver novamente uma explosão de casos. Alguns estados, como o Amazonas que viveu momentos dramáticos recentemente, já se prepara para isso.

Outros, como o Paraná, informam que cinco municípios já chegaram à terceira onda.

Nunca é demais lembrar para mantermos os cuidados preventivos: higiene das mãos, máscara e distanciamento social.

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