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Psico-oncologia na prática médica

Atualizado

Duas pessoas conversando em uma sessão de apoio psicológico
Duas pessoas conversando em uma sessão de apoio psicológico

No século XX, Sigmund Freud observou que diversos pacientes apresentavam sintomas de doenças físicas, mas sem nenhuma causa orgânica, firmando a relação entre os processos emocionais e manifestações sistêmicas.

Assim, o modelo biomédico foi sendo substituído pelo modelo biopsicossocial ao longo dos anos, em virtude da relação entre os fatores biológicos, psicológicos e sociais presentes na vida dos pacientes no processo saúde-doença.

Sob a óptica do sofrimento emocional, associado à doenças crônicas, pode gerar redução da qualidade de vida dos pacientes e familiares, além de afetar negativamente a adesão terapêutica e o estímulo à reabilitação. 

Com isso, surge a Psico-oncologia, uma área de interface e ajuda entre a Psicologia e a Oncologia. Essa área assiste pacientes oncológicos e seus familiares para melhor qualidade de vida, incentivo à prevenção, tratamento e reabilitação do paciente de câncer, incluindo na fase terminal da doença.

Ficou interessado no assunto? Então, continue a leitura e confira os benefícios da Psico-oncologia e equipe multidisciplinar no acompanhamento do paciente oncológico.

Convivendo com o Medo da doença 

Muitos familiares omitem aos pacientes com câncer sobre a doença, visto que a doença é tida como uma sentença de morte e além disso, o peso da palavra é forte na sociedade.

Assim, a Psico-oncologia surge como uma área sistematizada do conhecimento, com papel fundamental tanto no aparecimento quanto ao longo do tratamento e remissão do câncer, potencializando o conceito que o processo de adoecimento ultrapassa o conceito biomédico, somente. 

Dessa forma, o papel da psicologia nessa área é proporcionar apoio psicossocial e psicoterapêutico, aliviando os medos inerentes ao impacto do diagnóstico e de suas consequências, auxiliando no enfrentamento da doença com qualidade de vida. 

Aumento das possibilidades de melhora e remissão e aumento da sobrevida estão intimamente relacionados aos aspectos emocionaisdesses pacientes.

Participação da psico- oncologia na atenção básica

A atuação da Psicologia na atenção primária, visa atuar no estilo de vida do indivíduo, no estresse diário, promovendo mudanças de atitudes e comportamentais para estilos de vida mais saudáveis. 

Sabe-se que essa área capacita e educa os pacientes para reconhecer e saber lidar com o estresse da vida diária e adaptação dos limites e mudanças relacionada à doença, prepara aos pacientes para realização de procedimentos invasivos dolorosos, auxílio no enfrentamento das consequências e efeitos adversos do tratamento, entre outros benefícios na saúde. 

Além disso, orienta aos familiares para desenvolver estratégias adequadas para superar situações do ciclo vital, como o envelhecimento e a morte.

Fatores psicológicos ao saber do câncer

Em relação ao nível secundário, a psicologia possui papel importante na educação aos familiares do paciente oncológico promovendo hábitos periódicos e sistemáticos para a detecção precoce e treina os profissionais sobre a melhor forma de informar aos pacientes e familiares sobre a doença. 

Possui papel fundamental na adesão terapêutica desses pacientes, promove técnicas de enfrentamento psicológico em pacientes diagnosticados com câncer, bem como medidas para auxiliar de forma eficiente com a depressão e ansiedade diante do diagnóstico. 

Abordagem da psico- oncologia na terminalidade da vida relacionada ao câncer

Na terminalidade da vida, a atuação da psico-oncologia consiste em atender às necessidades emocionais da pessoa, em relação ao medo e ansiedade diante do sofrimento e iminência da morte, auxilia no processo de tomada de decisões em conjunto com a família e proporciona apoio familiar. 

Vale lembrar, que essa área também atua no apoio à equipe de saúde da família, que estava envolvida na assistência ao paciente terminal, para que possa lidar com possíveis sentimentos de frustração e perda do seu paciente. 

Sendo assim, o principal objetivo na fase terminal, é respeitar a dignidade do paciente proporcionando melhor qualidade de vida. 

A ambiguidade da vida no processo de transplante de órgão

Sabe-se que a o Transplante de medula óssea, por exemplo, é uma alternativa de tratamento para diversas doenças hematológicas. No entanto, os pacientes submetidos ao transplante possui maior ansiedade, uma vez que após o impacto do diagnóstico, o paciente precisa decidir juntamente com a família sobre a escolha do procedimento. 

Após a escolha, a ansiedade ainda persiste, devido às incertezas em relação a aceitação do seu organismo ao transplante. Tudo isso somado ao medo das mudanças, como comprometimento da autonomia e iminência de morte pode gerar mais angústias. 

Diante disso, há a necessidade do suporte Psicológico individual e em grupos de apoio familiar, promovendo o espaço para a escuta, aliviando os sentimentos de ambiguidade entre a esperança de viver sem doença e a morte, que acompanha o paciente ao longo do tratamento.

Outro fator existente é em relação aos grupos de apoio, que proporciona troca de vivências, sentimentos e dificuldades entre os acompanhantes. Isso proporciona redução do estresse do cuidador e reflete de maneira direta no cuidado com o paciente. 

Em virtude disso, a psico-oncologia se preocupa em proporcionar ao pacienteo prazer pela vida, auxiliando a lidar com as angústias, fortalecendo suas crenças e convicções, motivando-o em relação ao tratamento e desmistificando as crenças errôneas sobre a doença. Enfim, fortalece os pacientes e familiares em acreditar e participar ativamente na busca pela melhor qualidade de vida. 

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Quem orienta

Ana Luisa G. O. Credidio

Médica de Família e Comunidade

CRM 183841, RQE 93958

Médica com residência em Medicina de Família e Comunidade pelo Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa do Hospital Israelita Albert Einstein, pós-graduada em Liderança e Inovação pela Fundação Getúlio Vargas, pós-graduada em Data Science e Informática na Saúde pelo Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa do Hospital Israelita Albert Einstein.

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Paciente da conexa realizando chamada de vídeo em seu celular
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