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Narcolepsia: o que é, sintomas e quando procurar um médico

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A narcolepsia é um distúrbio neurológico que afeta a regulação do sono, causando episódios de sonolência diurna excessiva, comprometendo significativamente a qualidade de vida do indivíduo.

Os ataques irresistíveis de sono são recorrentes e incontroláveis, e ocorrem a qualquer momento do dia e em qualquer lugar, mesmo quando a pessoa está realizando atividades rotineiras.

Leia o nosso artigo e entenda o que é narcolepsia do sono, principais sintomas e quando procurar ajuda médica. Vem com a gente!

Quais são os sintomas da narcolepsia?

Os sintomas da narcolepsia podem variar de pessoa para pessoa, e tendem a surgir durante a adolescência e se perpetuar ao longo da fase adulta. Entre os principais sintomas, podemos citar os seguintes:

  1. Sonolência diurna: os ataques de sono são simplesmente incontroláveis e podem acontecer em qualquer hora dia, mesmo depois de uma noite bem dormida. Isso acontece porque essa condição é caracterizada pela redução do nível de atenção e da capacidade de se manter alerta.

  2. Cataplexia: essa condição não está presente em todos os casos, mas na maioria deles, sendo caracterizada pela perda súbita do tônus muscular, que pode ser desencadeada por emoções, como riso, susto ou raiva. 

  3. Paralisia do sono:  uma sensação de estar acordado, mas incapaz de movimentar os membros, a cabeça ou mesmo falar, normalmente, ao adormecer ou despertar.

  4. Alucinações hipnagógicas e hipnopômpicas: experiências delirantes, muitas vezes, assustadoras, que ocorrem na transição entre o sono e a vigília. Esses episódios são muito comuns devido ao início incomumente rápido da fase REM.

  5. Sono noturno fragmentado: apesar de apresentar sonolência durante o dia, o sono noturno costuma ser conturbado e leve, com muitos despertares.  

  6. Dificuldade de concentração: em razão da sonolência frequente e, consequentemente, do cansaço crônico, a pessoa pode ter dificuldade de manter o foco, o que pode afetar a memória e o desempenho profissional e acadêmico. 

Além das disfunções associadas ao sono, essa condição também pode impactar outras funções do organismo, incluindo o funcionamento do sistema nervoso autônomo, metabolismo, apetite, humor e controle emocional.

Narcolepsia em crianças e adolescentes

Em jovens, os sintomas da narcolepsia nem sempre se manifestam da maneira clássica. 

Em vez de sonolência, crianças e adolescentes podem apresentar irritação, agitação, queda no rendimento escolar, alterações de comportamento, além do ganho de peso, que costuma ser um dos primeiros sinais identificados. 

A cataplexia em pessoas mais jovens pode surgir por meio de expressões faciais, como movimentos involuntários e boca aberta, principalmente, ao rir.

Esses sintomas, muitas vezes, podem ser confundidos com distúrbios de comportamentos, crises epilépticas e tiques.

Por isso, pais, responsáveis e cuidadores devem ficar atentos aos sinais de narcolepsia para buscar orientação médica especializada.

Quais são as causas da narcolepsia?

Nos últimos anos, estudos científicos aprofundaram-se no entendimento sobre a fisiopatologia desta condição, principalmente, no que tange à  substância hipocretina, conhecida também como orexina.

Nesta doença, a causa mais conhecida está relacionada, justamente, à diminuição ou a ausência drástica desta substância no cérebro, que é fundamental para regulação do ciclo sono-vigília. 

Segundo dados destes estudos, esse distúrbio pode ter origem autoimune, isto é, o próprio sistema imunológico do indivíduo ataca de maneira seletiva os neurônios produtores da hipocretina, o que pode explicar a perda gradual desses neurônios no hipotálamo e o aparecimento dos sintomas.

Somado a isso, predisposições genéticas, como a existência do gene HLA-DQB1*06:02, eleva as chances de desenvolver a  narcolepsia

Contudo, fatores ambientais como infecções, estresse extremo ou até algumas imunizações, podem favorecer o início da doença, como a vacina da gripe H1N1.

Qual a diferença entre narcolepsia e cataplexia?

Não. Embora possam ser confundidos, a narcolepsia e cataplexia são distúrbios neurológicos diferentes.

A narcolepsia tipo 1 manifesta-se com episódios de cataplexia, já a narcolepsia tipo 2 não apresenta esse sintoma.

Durante a cataplexia, o indivíduo se mantém consciente, mesmo com a perda repentina de força muscular, podendo durar segundos ou alguns minutos.

Como é feito o diagnóstico da narcolepsia?

O diagnóstico da narcolepsia, em muitos casos, pode ser desafiador, o que exige uma análise especializada cuidadosa, visto que os sintomas podem se confundir com outras disfunções do sono ou problemas psiquiátricos. 

Sendo assim, a investigação baseia-se, primeiramente, em uma avaliação clínica completa, considerando os sintomas relatados, histórico médico e familiar do paciente, hábitos de sono e impactos no cotidiano.

Além disso, para um diagnóstico preciso, o médico pode solicitar o PSG (Polissonografia noturna), exame para monitorar o sono em um espaço controlado. O objetivo é identificar alterações no padrão do sono.

Outro exame necessário é a dosagem de hipocretina no líquor, que costuma ser solicitado quando há suspeita de narcolepsia tipo 1. Ele é usado para medir a concentração de hipocretina no líquido cefalorraquidiano por punção lombar. 

Nesse caso, resultados que apresentam  níveis baixos ou indetectáveis podem ser sinais da presença  de narcolepsia tipo 1. O TLMS (Teste de Latência Múltipla do Sono) também faz parte dos exames necessários para um diagnóstico correto. Ele avalia o tempo necessário para a pessoa adormecer durante o dia e identifica o início precoce do sono  REM.

Quais profissionais podem realizar o diagnóstico?

O diagnóstico pode ser feito por neurologistas, psiquiatra ou especialistas em medicina do sono. 

Como mencionamos, para uma investigação precisa, são avaliados diferentes aspectos, como histórico de vida, médico e familiar, além de exames específicos, citados anteriormente.

Como é feito o tratamento para narcolepsia?

Embora não haja cura para a narcolepsia, hoje em dia, existem tratamentos eficazes para controlar os sintomas por meio de abordagens adequadas, que proporcionam uma rotina saudável e o bem-estar do paciente.

Contudo, é importante destacar a importância de um tratamento personalizado e integrado com profissionais de várias áreas, incluindo médicos, psicólogos, nutricionistas e educadores físicos.

Tratamento farmacológico

A abordagem medicamentosa é adotada para que o paciente consiga lidar com a sonolência intensa durante o dia, além de controlar episódios de cataplexia.

Nesse caso, o profissional pode indicar o uso de estimulantes do sistema nervoso central, que incluem o pitolisanto ou modafinil para combater os episódios de sonolência.

Dependendo do caso, é possível ainda que sejam usados antidepressivos tricíclicos ou inibidores seletivos da recaptação de serotonina/noradrenalina, que apresentam eficácia em tratamentos de cataplexia, paralisia do sono e alucinações.

Outro medicamento que pode fazer parte da abordagem medicamentosa é o oxitato de sódio, muito usado na Europa e nos Estados Unidos. 

Embora seja adotado para tratar a sonolência quanto e a cataplexia, ele ainda não é aprovado no Brasil pela Anvisa, limitando sua utilização aqui no país.

Vale lembrar que o uso de medicamentos deve ser indicado e acompanhado por um médico especialista, pois é preciso analisar as respostas, a necessidade de ajustes de dosagem e os efeitos colaterais. 

Medidas comportamentais

O tratamento inclui ainda mudanças na rotina do indivíduo, que são as seguintes:

  • Adotar uma rotina regular de sono, com horários padronizados, além de incluir cochilos durante o dia;

  • Evitar o consumo de substâncias estimulantes, como cafeína e álcool, além de realizar refeições leves antes de dormir;

  • Praticar exercícios físicos de forma moderada;

  • Manter acompanhamento com psicólogo para aprender a lidar com os eventuais impactos emocionais da narcolepsia. 

Quais possíveis complicações por não saber o diagnóstico ou não aderir ao tratamento?

Quando a narcolepsia não é diagnosticada ou o paciente não adere ao tratamento, essa condição pode provocar complicações sérias, que incluem o risco de acidente, especialmente, ao operar equipamentos e maquinários ou ao dirigir. 

Além disso, é comum que ocorra a queda no desempenho acadêmico ou profissional, visto que a pessoa tem dificuldade de concentração e cansaço excessivo ao longo do dia. 

Em muitos casos, a narcolepsia pode desencadear transtornos, como ansiedade, depressão  e isolamento social, além de obesidade em razão da  disfunção na regulação do apetite, associada à hipocretina.

Por isso, o diagnóstico precoce e o tratamento precoce desta condição é essencial, possibilitando que o indivíduo consiga ter qualidade de vida e maior autonomia.

Como lidar com a narcolepsia no dia a dia?

Conviver com a narcolepsia pode representar um grande desafio, exigindo adaptações e suporte emocional para lidar com diferentes situações que envolvem essa condição. 

O entendimento desse distúrbio e o apoio de profissionais de diferentes áreas, assim como de redes de apoio, são essenciais para garantir o bem-estar do indivíduo e de seus familiares.

Entenda mais:

Adaptações no ambiente de trabalho e estudo

Para tornar o ambiente escolar e de trabalho acessível, é importante solicitar ajustes nas rotinas, como flexibilidade de horários, autorização para pausas durante o dia, seja no trabalho ou na escola, além de oferecer espaços para pequenos cochilos ao longo do dia. 

Vale ressaltar que a Lei nº 13.146/2015 garante o direito a adaptações razoáveis para  pessoas que possuem condições que afetam sua funcionalidade, como é o caso da narcolepsia.

O primeiro passo para isso é comunicar a condição de maneira clara, juntamente com um laudo médico  para formalizar essas solicitações junto a gestores ou escolas.

Impacto emocional e psicológico

Além de influenciar o estado físico do narcoléptico, há impactos emocionais e psicológicos significativos, especialmente quando esses sintomas comprometem a participação social.

Indivíduos com a narcolepsia, principalmente, do tipo 1, tendem a ter maior sensibilidade emocional, episódios depressivos e ansiedade. 

Esses efeitos ocorrem somente devido às limitações provocadas pela doença, mas também por alterações na estrutura e nas funções de áreas do cérebro responsáveis pela regulação das emoções.

Essa condição contribui para emoções mais intensas, maior tendência à ansiedade e dificuldade de regulação emocional, sobretudo, durante episódios de cataplexia.

Dessa forma, o apoio psicológico é essencial para o desenvolvimento de estratégias emocionais mais saudáveis. Participar de grupos de apoio também contribui para o  compartilhamento de experiências e proporciona alívio emocional.

Todas essas estratégias são fundamentais para que a pessoa tenha qualidade de vida, mantenha sua produtividade, relações sociais sólidas e bem-estar emocional.

Quando procurar um médico para tratar a narcolepsia?

É recomendável procurar ajuda médica diante de sinais como sonolência intensa ao longo do dia, redução de tônus muscular sem razão aparente, paralisia do sono ou alucinações visuais relacionadas ao sono.

Apresenta esses sintomas ou conhece alguém com esses sinais de alerta? Procure ajuda na Conexa Saúde, uma plataforma de saúde digital, que oferece psicologia online, consultas com psiquiatra, onde a pessoa pode obter apoio adequado e discreto, sem precisar sair de casa. 

Grupos de apoio também estão disponíveis na nossa plataforma para ajudar a superar essa situação. Aproveite os benefícios da telemedicina e encontre o suporte psicológico que você precisa agora mesmo.

Quem orienta

Felipe Haberfeld

Neurologista

CRM RJ/1082264

Neurologista. Chefe de Especialidades Clínicas na Conexa. Diretor Executivo Haberfeld. Head Idomed Hubs. Mestrando em Telemedicina e 3D tech pela UERJ. PO Revalida e Prático Aristo. Gestão de Consultórios. Nexialista. Médico formado pela UNIRIO, Neurologista pela Universidade Federal Fluminense e Mestrando em Telemedicina e Saúde digital pela UERJ.

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