Masculinidade tóxica é um conjunto de comportamentos e normas culturais associadas aos homens, que estimula atitudes ofensivas, destrutivas e nocivas, prejudiciais não apenas para as mulheres, mas para outros homens e sociedade em geral.
Esses padrões sociais são, muitas vezes, celebrados e incentivados socialmente, contribuindo para a propagação da violência, da homofobia e da desigualdade de gênero.
Homens que não se enquadram nesse modelo social de masculinidade tendem a ser desvalorizados, o que pode desencadear sofrimento emocional, isolamento e outros problemas que afetam, principalmente, a saúde mental.
Leia o nosso artigo e entenda o que é masculinidade tóxica, quais os comportamentos mais característicos e como combater esse padrão social. Confira!
Como identificar masculinidade tóxica?
Reconhecer a masculinidade tóxica é essencial para cessar com padrões sociais prejudiciais que, muitas vezes, são aprendidos e já propagados na infância, ganhando ainda mais força na vida adulta.
Para isso, é necessário romper com a normalização desse comportamento e ter um olhar mais atento para identificar os sinais. Confira como:
- Atitudes de controle e dominação: homens que querem impor sua vontade a todo custo, tomam decisões sozinhos ou não aceitam opiniões.
- Desvalorização da mulher: comportamentos de zombaria de atitudes femininas, senso de superioridade em relação às mulheres, rejeição de tarefas consideradas femininas.
- Competitividade excessiva: necessidade constante de provar a força e superioridade em relação à mulher e também a outros homens, tornando tudo uma disputa.
- Dificuldade em expressar emoções: repressão de sentimentos, dificuldade de demonstrar vulnerabilidade e de criar conexões saudáveis.
- Falas depreciativas ou agressivas: frases como “homem não chora” alimentam a desigualdade de gênero e a homofobia, comportamentos típicos da masculinidade tóxica.
Comportamentos tóxicos
A masculinidade tóxica é carregada de comportamentos nocivos, que podem ser manifestados de diferentes formas no dia a dia. Confira alguns dos comportamentos tóxicos mais comuns:
- Controle exagerado: tentativas de dominar conversas, pessoas e decisões, principalmente, por acreditar que está no comando por ser homem.
- Prática comum da violência: solucionar conflitos ou discussões por meio de agressões físicas ou verbais para impor autoridade, medo ou respeito.
- Não demonstrar emoções: esconder sentimentos, recusar ajuda por parecer fraco e evitar situações de vulnerabilidade.
- Discriminação sutil ou explícita: comportamentos de total desrespeito, exclusão de pessoas baseada em raça, classe social, identidade de gênero e orientação sexual.
- Competitividade prejudicial: tornar todas as situações uma disputa para se validar ou se destacar a qualquer custo.
- Falas e comportamentos machistas: usar frases e piadas que buscam inferiorizar mulheres ou outras pessoas por conta de preconceitos de gênero.
- Descuido com a saúde e imagem: não realizar exames periodicamente e resistência.
O que é ser um homem tóxico?
Ser um homem tóxico, basicamente, está relacionado a atitudes e comportamentos que valorizam e reforçam a necessidade de repressão, agressividade, controle emocional e o desprezo a tudo que envolve as mulheres.
Muitas vezes, homens tóxicos agem de maneira dominadora, desvalorizam falas e sentimentos, não respeitam limites e apresentam atitudes machistas e preconceituosas.
Entre os aspectos que tornam o homem tóxico estão a pressão por seguir padrões rígidos de masculinidade, a cultura do silêncio das emoções, medo de vulnerabilidade, sensação de superioridade masculina e normalização de atitudes abusivas.
Os principais fatores que tornam um homem tóxico incluem a pressão para se encaixar em padrões rígidos de “masculinidade”, a cultura do silêncio emocional, o medo de parecer vulnerável, a crença na superioridade masculina e a naturalização de
Como a masculinidade tóxica afeta os homens?
Os homens são afetados por comportamentos decorrentes da masculinidade tóxica de diferentes formas, como baixa autoestima e pouca confiança.
Dessa forma, eles tendem a ter pouca inteligência emocional para lidar com os desafios, gerando, muitas vezes, comportamentos agressivos, hostis e desrespeitosos.
Isso acontece porque a masculinidade tóxica está relacionada à aversão a atitudes e interesses, geralmente, comum no público feminino, como o autocuidado, por exemplo.
De acordo com uma pesquisa de 2011 do Journal of Health and Social Behavior, homens com uma visão mais inflexível sobre o que significa “ser homem” possuem metade da probabilidade de receber cuidados médicos preventivos em comparação àqueles com uma ideia mais moderada sobre a masculinidade.
Mas não é só isso, outro estudo realizado em 2007, apontou que homens que seguem as regras de masculinidade tóxica têm maior probabilidade de aderir a comportamentos arriscados ou considerando normais, como fumar e beber em excesso.
Como a masculinidade tóxica aparece no dia a dia?*
A masculinidade tóxica surge no dia a dia de diferentes maneiras, gerando desconforto e prejuízo nas relações pessoais e profissionais. Confira algumas das atitudes tóxicas mais comuns:
- Repressão das emoções: dificuldade de expressar sentimentos, o que pode levar a apatia e até ao isolamento social.
- Agressividade como fuga: utiliza a violência física ou verbal como mecanismo para impor medo ou respeito.
- Necessidade de dominação: busca por controlar situações e pessoas, principalmente mulheres. Essa é uma atitude muito comum em relacionamentos tóxicos.
- Negligência emocional e relacional: não reconhece erros e não pede desculpas por acreditar que isso prejudica sua imagem masculina.
Como a masculinidade tóxica afeta homens e mulheres?
A masculinidade tóxica gera impactos negativos em diferentes áreas da vida em sociedade, afetando homens e mulheres. Entenda:
Propagação e perpetuação da homofobia
Esse tipo de comportamento reforça a ideia de que qualquer conduta diferente desse padrão de “masculino tradicional” não deve ser aceito.
Essa situação alimenta ainda mais a homofobia, resultando em discriminação, violência e exclusão de pessoas LGBTQIA+, princpalmente homens gays.
Acidentes
Em muitos casos, a necessidade de provar força ou superioridade masculina pode levar a comportamentos imprudentes, como consumo excessivo de álcool, direção perigosa, abuso de álcool e brigas, colocando em risco a própria segurança.
Essas atitudes aumentam as chaves de acidentes graves ou até fatais.
Machismo
Essa conduta também reforça o machismo na sociedade, que é uma forma de preconceito, expresso por meio de palavras e atitudes que vão contra a igualdade de gêneros – favorecendo o gênero masculino em declínio do feminino.
Misoginia
A misoginia também pode ser resultado da masculinidade tóxica. Esse conceito está associado ao ódio às mulheres.
Ou seja, trata-se de um ato de descriminação sexual para com o público feminino, negativamente – por isso, é também uma forma de sexismo.
Estupro e violência sexual
Homens com essa ideia de superioridade tendem a dominar e impor seus desejos de maneira rígida, desrespeitando limites, especialmente das mulheres, o que contribui para a perpetuação de estupro e violência sexual.
Homicídios
A masculinidade tóxica também incentiva comportamentos agressivos e violência para a resolução de quaisquer conflitos .
Esse comportamento contribui para o envolvimento de homens em brigas, confronto, vingança e crimes passionais, como autores ou mesmo como vítimas.
Suicídio masculino
A pressão e a repressão emocional fazem com que muitos homens sofram em silêncio, o que dificulta expressar sentimentos e a busca por ajuda profissional. Essa situação pode levar ao sucídio.
Exemplos de masculinidade tóxica
Há algumas frases e expressões que reproduzimos sem perceber os significados que elas carregam. Essas reproduções são responsáveis por garantir que a masculinidade tóxica, obrigatória e dominante se propague.
Confira alguns exemplos:
Homem não chora
Essa é uma frase que de tão reproduzida se tornou um sucesso musical. Trata-se de fazer com que os homens se recusem a demonstrar seus sentimentos e emoções com outras pessoas, especialmente com outros homens.
Homem não usa rosa
Podemos dizer que nem todas as atitudes são realmente por maldade, mas mesmo os gestos mais sutis precisam de atenção.
Imposições sociais como “não usar roupas cor-de-rosa”, embora pareçam inofensivas, contribuem para a normalização e disseminação da masculinidade tóxica.
Homem precisa ser violento
Alguns pais, mesmo sem notar,estimulam atitudes violentas ao tentarem afastar seus filhos de qualquer comportamento associado ao feminino.
Essa influência — verbal ou física — ajuda a disseminar a masculinidade tóxica e formar homens predispostos à agressividade e baixa tolerância em diferentes situações.
O homem não heterossexual deve ser diminuído
A ideia de que o homem não heterossexual deve ser diminuido ou ridiculrizado é um exemplo de masculinidade tóxica.
A discriminação contra o público LGBTQIA+ e a homofobia, muitas vezes, é minimizada, disfarçada e normalizada. Contudo, é importante destacar que essa prática é considerada crime, com pena de até 3 anos de reclusão.
O homem deve buscar sexo a todo instante
O discurso de que homens sempre estão em busca de sexo é extremante prejudicial. Essa visão estimula a ideia de que as relações sexuais estão ligadas à conquista e, portanto, não têm sentimentos envolvidos, diminuindo as mulheres como meros objetivos.
Além de disseminar a masculinidade tóxica, essa pressão pode causar problemas de saúde, como impotência sexual, ansiedade e disfunção erétil, conforme apontam especialistas em saúde sexual.
“Boys will be boys”
Tal frase pode ser traduzida como “Garotos serão Garotos”, justificando comportamentos tóxicos dos homens ao dizer que eles são assim e não há nada a se fazer.
Esse conceito dá permissão para homens com masculinidade tóxica, machistas, preconceituosas e violentas, além de minimizar seus impactos, principalmente sobre as mulheres.
Ao normalizar essas atitudes, a sociedade perpetua e incentiva a discriminação que precisa ser rompido.
Quais os comportamentos de masculinidade tóxica no trabalho?
A masculinidade tóxica, muitas vezes, manifesta-se de maneira sutil no trabalho, mas pode provocar impactos negativos nas relações com outros profissionais.
Alguns comportamentos de masculinidade tóxica incluem o mansplaining, um comportamento no qual o homem explica uma questão óbvia e já dominado por uma mulheres com um tom complacente, desvalorizando a capacidade intelectual da mulher.
Outro comportamento muito comum no ambiente de trabalho é chamado de manterrupting, caracterizado por interrupções constantes de homens enquanto mulheres tentam falar ou expor suas ideias, impossibilitando que elas concluam seus raciocínios.
Mesmo sendo sutil e, muitas vezes, considerado comportamentos inofensivos, eles reforçam esse padrão masculino e comportamentos de desigualdade de gênero nos espaços profissionais.
Por isso, é importante que todos fiquem atentos a esses sinais para combater atitudes nocivas.
Impactos na saúde mental devido à masculinidade tóxica no trabalho
A masculinidade tóxica também pode interferir na saúde mental dos homens, inclusive, com consequências graves.
Isso acontece principalmente em razão da pressão que o homem enfrenta de parecer sempre forte, não expressar sentimentos e evitar demonstração de fragilidade.
Tudo isso pode levar ao desenvolvimento de problemas de saúde, como depressão, ansiedade e baixa autoestima.
Em muitos casos, devido a essa pressão social, muitos homens recorrem ao álcool ou ao uso de outras substâncias para conseguir lidar com o sofrimento.
Um documentário feito pelo portal “Papo de Homem” junto com a instituição ONU Mulheres, em 2019, apontou dados preocupantes.
A cada 10 homens, 7 afirmam terem sido ensinados na infância e na adolescência a não demonstrarem fragilidade e a cada 10 homens, 7 têm que lidar com algum distúrbio emocional.
Essas situações também são ainda mais preocupantes, pois o silêncio emocional pode resultar em consequências ainda mais graves, visto que estudos indicam que os homens representam a maioria de casos de morte por suicídio
Por isso, é de extrema importância combater comportamentos prejudiciais relacionados à masculinidade tóxica e investir nas empresas em ações de saúde mental e a promoção por equidade de gênero.
Como combater a masculinidade tóxica nas relações de trabalho?
Para combater a masculinidade tóxica nas relações de trabalho, é preciso adotar algumas práticas importantes, que são as seguintes
- Eliminar as expressões machistas, que foram normalizadas no vocabulário dos colaboradores da empresa.
- Adotar uma rotina de feedbacks, abordando, inclusive, aspectos comportamentais associados à masculinidade tóxica.
- Criar um comitê de diversidade para abordar temas diversos, promovendo uma cultura mais acolhedora e segura para todos.
- Analisar a possibilidade de aumentar o período de licença-paternidade, pois essa iniciativa contribui com o aumento de produtividade e reduz a desigualdade de gênero no mercado de trabalho.
Como as ações do RH podem contribuir para combater a masculinidade tóxica?
O departamento de Recursos Humanos de uma empresa tem papel fundamental na promoção de espaços mais saudáveis e igualitários.
Dessa forma, muito mais do que contratar e promover mulheres, é importante realizar ações que envolvam todos, incluindo os homens, em iniciativas de combate à masculinidade tóxica.
Portanto, campanhas que incentivem a empatia e o respeito à diversidade como cultura da organização são essenciais, assim como a criação de espaços seguros para escuta e troca entre os colaboradores e a implementação de políticas claras de inclusão.
Ao abordar esse tema, a empresa consegue promover uma consciência coletiva para a construção de um ambiente mais justo e colaborativo.
A masculinidade tóxica tem tratamento?
A masculinidade tóxica, na verdade, não é uma condição de saúde e, portanto, não há um tratamento específico para esse comportamento.
Contudo, ela pode ser modificada com autoconhecimento, educação e suporte psicológico por meio de terapia, o que possibilita que o homem desenvolva relações mais saudáveis e obtenha uma melhor inteligência emocional.
Muitas vezes, grupos de apoio também contribuem com essa evolução pessoal. Em casos mais complexos de homens que também apresentam condições, como ansiedade, depressão ou abuso de substâncias, é importante buscar ajuda médica.
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Dicas de livros sobre masculinidade tóxica
A masculinidade tóxica pode ser transformada por meio de apoio psicológico e um processo contínuo de autoconhecimento pessoal e reflexão.
Nesse sentido, a leitura pode ser um grande aliado. Confira algumas dicas de livros sobre masculinidade tóxica:
- “Seja homem: a masculinidade desmascarada”: esse livro, do autor JJ Bola, faz uma análise profunda e acessível sobre como os padrões impostos aos homens moldam seu caráter, atitudes e relações. Essa obra oferece uma nova visão de masculinidade mais empática e saudável.
- “A nova revolução sexual: como a masculinidade tóxica e o fascismo moderno estão destruindo o mundo e como o contra-ataque feminista pode salvá-lo”: Esrito por Laurie Penny”, esse livro explica como a masculinidade tóxica se conecta a estruturas de poder autoritárias, além de deferneder o papel do feminismo na transformação da sociedade.
- “Seis balas num buraco só”: essa obra, do autor João Silvério Trevisan, aborda a crise do modelo masculino atual no mundo e traz críticas aos estereótipos e ideias de caminhos mais humanos para homens na sociedade.
Quando procurar um médico para tratar masculinidade tóxica?
É importante buscar ajuda médica quando a pessoa apresentar comportamentos altamente nocivos, que incluem agressividade, isolamento e dificuldade em lidar com emoções.
Além disso, o uso excessivo de álcool ou sintomas de ansiedade e depressão também devem ser sinais de alerta para a necessidade de suporte profissional.
Esse cuidado é fundamental para evitar que os efeitos da masculinidade tóxica prejudiquem a saúde mental de maneira significativa.
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