Luto: estágios, sintomas e comportamentos para enfrentar o processo

Rafael Leite Aguilar | Saúde mental | Atualizado em: 22/07/2024

foto de uma mulher idosa, sentada na ponta de sua cama, olhando para a janela e abraçando um retrato

O luto é uma reação emocional intensa diante de uma perda de uma pessoa querida ou algo significativo, marcada por sentimentos como intensa tristeza, raiva, culpa e saudade, afetando a saúde física e mental. 

Esse processo de adaptação à perda é natural e permite que a pessoa possa compreender e reorganizar os pensamentos e, aos poucos, encontrar novas maneiras de seguir em frente sem aquele vínculo afetivo. 

Leia o nosso artigo e entenda o que é luto, estágios, sintomas mais comuns e comportamentos necessários para enfrentar o processo. 

Tipos de perdas que podem desencadear o luto

Embora o luto seja comumente associado à morte de um ente querido, é importante reconhecer que essa experiência pode ser desencadeada por diversas outras situações que impliquem perda e ruptura.

Perdas que provocam luto:

  • Morte: a perda de um familiar, amigo ou animal de estimação é uma das formas mais conhecidas de luto;
  • Fim de relacionamentos: o término de um namoro, casamento ou amizade pode gerar um luto significativo, marcado por sentimentos de tristeza, saudade e raiva;
  • Perdas profissionais: a perda de um emprego, a aposentadoria ou a mudança de carreira podem trazer consigo sentimentos de luto, principalmente relacionados à identidade e ao propósito na vida;
  • Doenças e limitações: diagnósticos médicos, acidentes ou doenças graves costumam desencadear luto, tanto pela perda da saúde quanto pelas mudanças que impõem na vida da pessoa;
  • Mudanças significativas: mudanças de residência, divórcios, filhos indo morar longe, entre outras grandes mudanças na vida, podem ser percebidas como perdas e gerar luto.

Fases do luto

Os 5 estágios do luto, conforme descritos pela psiquiatra Elisabeth Kübler-Ross, são uma estrutura que ajuda a entender as reações emocionais comuns à perda. 

Esses estágios não são necessariamente lineares, e nem todas as pessoas passam por todos eles. No entanto, eles fornecem um guia útil para compreender o processo de luto

1. Negação

A fase de negação e isolamento é geralmente a reação inicial à perda. Durante essa fase, a pessoa pode ter dificuldade em aceitar a realidade do que aconteceu. Frases como “isso não pode estar acontecendo” ou “não acredito que é verdade” são comuns. 

A negação funciona como um mecanismo de defesa temporário que nos ajuda a lidar com o choque da perda, permitindo que a realidade comece a se infiltrar aos poucos.

2. Raiva

À medida que a negação começa a diminuir, a realidade e a dor emergem. A fase de raiva pode se manifestar de várias formas: raiva direcionada ao falecido, a si, aos outros ou até a uma entidade superior. 

Perguntas como “por que isso aconteceu comigo?” ou “quem é o culpado?” são frequentes. 

Essa raiva é uma expressão da intensidade da dor emocional, e é uma tentativa de lidar com a vulnerabilidade e a impotência que a perda traz.

3. Barganha

Na fase de barganha, a pessoa tenta negociar para reverter ou minimizar a perda. Pensamentos como “se eu tivesse feito isso de outra forma…” ou “eu prometo ser uma pessoa melhor se…” são comuns. 

Essa fase representa uma busca desesperada por controle ou uma tentativa de adiar o inevitável. A barganha é uma maneira de enfrentar a dor ao tentar encontrar maneiras de evitar a realidade da perda.

4. Depressão

A fase de depressão é caracterizada por uma profunda tristeza e sensação de vazio. Nesse estágio, a realidade da perda se instala, e a pessoa pode sentir-se sobrecarregada pela dor. Sentimentos de desesperança, solidão e desamparo são comuns. 

Esse estágio não deve ser confundido com a depressão clínica, embora possa compartilhar alguns sintomas. É um passo natural e necessário no processo de luto.

5. Aceitação

Na fase de aceitação, a pessoa começa a encontrar maneiras de seguir em frente. Isso não significa que a dor da perda desaparece completamente, mas sim que a pessoa encontra uma forma de lidar com ela e reestruturar sua vida sem a presença do que foi perdido. 

Frases como “vai ficar tudo bem” ou “posso seguir em frente” refletem essa aceitação. É um momento de recomeço, onde a pessoa pode começar a construir uma nova normalidade e encontrar paz.

Por que cada pessoa vive o luto de maneira única?

Cada pessoa enfrenta o luto de maneira única, principalmente, porque esse processo é influenciado pelos mais diferentes fatores, como tipo de vínculo, circunstância da perda, história pessoal, experiências anteriores com perdas e a existência de rede de apoio. 

Isso significa que não há “jeito certo” de viver o luto, nem um período exato para que a dor diminua, a pessoa volte às suas atividades e a reconstruir sua vida.

As reações podem ser as mais diversas: há pessoas que se recolhem, outras que choram constantemente. Há ainda indivíduos que não querem falar sobre a perda e aqueles que falam muito sobre esse processo. 

Além disso, há fatores culturais e religiosos que também impactam significativamente a forma como o luto é vivenciado; ou seja, há crenças sobre a morte e formas de expressar a dor que podem variar entre culturas e religiões.

Isso reforça que o luto é um processo individual, e que todas as formas de viver o luto são válidas e devem ser respeitadas. 

Sintomas do luto

O luto pode manifestar-se de diversas maneiras, tanto física quanto emocionalmente. Cada pessoa pode experimentar esses sintomas de forma diferente, mas há alguns que são comuns durante o processo de luto.

Sintomas emocionais do luto

  • Tristeza profunda: sensação persistente de tristeza que pode ser acompanhada de crises de choro e vazio emocional;
  • Raiva: sentimentos de revolta e irritação que podem ser direcionados a outras pessoas, a si, ou a uma entidade superior;
  • Culpa: sensações de culpa ou arrependimento, questionando o que poderia ter sido feito de diferente;
  • Ansiedade: preocupações intensas sobre o futuro e a capacidade de enfrentar a vida sem a pessoa ou coisa perdida;
  • Desespero: sensação de vazio e falta de propósito, como se a vida tivesse perdido o significado;
  • Entorpecimento: sensação de estar desligado das emoções e da realidade ao redor;
  • Solidão: sentimento de isolamento e de que ninguém compreende a profundidade da sua dor.

Sintomas físicos do luto

  • Fadiga: sensação constante de cansaço e falta de energia, mesmo após períodos de descanso;
  • Alterações no sono: dificuldades para dormir (insônia) ou sono excessivo;
  • Alterações no apetite: perda de apetite ou, em alguns casos, comer em excesso como forma de lidar com a dor;
  • Problemas digestivos: dores de estômago, náuseas ou outros desconfortos digestivos;
  • Dores e tensões musculares: dores físicas, como dores de cabeça, dores no peito, ou tensão muscular;
  • Sistema imunológico enfraquecido: maior suscetibilidade a resfriados e outras doenças devido ao estresse emocional;
  • Palpitações cardíacas: sensação de coração acelerado ou irregularidades nos batimentos cardíacos devido à ansiedade.

Esses sintomas são reações normais ao luto e podem variar em intensidade e duração. 

É importante que as pessoas que estão passando por isso reconheçam esses sinais e procurem apoio, seja de amigos, familiares ou profissionais de saúde mental, para enfrentar esse período difícil.

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Como o luto se manifesta em crianças e adolescentes?

Crianças e adolescentes podem viver o luto de forma completamente diferente de adultos, principalmente, porque a compressão da morte e a maneira de lidar com as emoções podem variar conforme a idade e o desenvolvimento emocional.

Os adultos costumam entender o contexto e verbalizar os sentimentos, enquanto os adolescentes podem expressar sua dor por meio de reações e comportamentos, como: 

  • Mudanças de humor; 
  • Dificuldades escolares, queda no desempenho e falta de concentração
  • Regressão (volta a comportamentos de fases anteriores);
  • Retração social.

Esses sinais indicam que o luto pode se disfarçar de mudanças comportamentais e emocionais. Por isso, é sempre importante observar essas alterações para garantir o apoio adequado.

Quanto tempo o luto pode durar?

O luto é uma experiência individual e não existe um tempo exato para a sua duração. Ou seja, esse processo não linear, pode ser influenciado por fatores, como a natureza da perda, o tipo de relação existente, o apoio social e as experiências anteriores de luto. 

Algumas pessoas podem começar a sentir-se melhor após algumas semanas ou meses, enquanto outras podem levar anos para se adaptar completamente à perda.

Além disso, é normal que o luto se intensifique em determinadas datas significativas, como aniversários, feriados ou datas comemorativas relacionadas à pessoa, ou coisa perdida.

Luto comum x luto patológico

A diferenciação entre o luto comum e o luto patológico é importante para entender como esse processo varia e quando pode ser necessário buscar ajuda profissional.

Entenda a seguir como ambas as condições se diferenciam:

Luto comum

  • Resposta emocional natural diante de uma perda;
  • Sentimentos como raiva, tristeza, culpa, além de sintomas físicos;
  • Possibilita retomada gradual da rotina;
  • A dor não desaparece por completo, mas torna-se mais manejável;

Luto patológico

  • Persistência da dor intensa;
  • Foco excessivo na perda;
  • Dificuldade em aceitar a realidade;
  • Isolamento social;
  • Dificuldade em retomar atividades diárias;
  • Sentimentos de inutilidade ou culpa excessiva;
  • Sintomas físicos prolongados.

Embora o luto comum e o patológico sejam desencadeados pela experiência da perda, o impacto na saúde mental e física é o principal ponto de diferenciação.

No luto comum, a dor é parte do processo de adaptação, sendo mais intensa no início, e tende a amenizar ao longo do tempo, o que permite que a pessoa volte de forma gradual às suas atividades.

Por outro lado, o luto patológico tem sintomas mais intensos e persistentes, interferindo na saúde física e mental.   Nesse caso, a dor deixa de fazer parte de um processo natural e passa a ser um sinal de alerta

Conhecer essas diferenças permite compreender quando buscar ajuda profissional para restabelecer o bem-estar.

depressão trabalho

O que é luto antecipatório?

O luto antecipatório é o luto que é vivido antes mesmo que a perda ocorra, quando há a confirmação de que a morte é iminente. 

Esse tipo de luto ocorre em situações, como doenças terminais, nas quais os familiares já sentem medo, ansiedade, angústia e tristeza antes mesmo da morte do familiar.

Lidar com o luto antecipatório pode trazer muitos desafios, como cansaço mental prolongado, oscilação emocional constante e, claro, a dificuldade de lidar com a iminência da perda.

Diante disso, reconhecer esses sentimentos como legítimos é importantíssimo para promover o acolhimento emocional, impedindo o sofrimento intenso e silencioso. Se possível, busque apoio especializado para compreender melhor esse processo. 

Lembre-se de valorizar o tempo e os vínculos com a pessoa que está doente para tornar esse processo menos solitário e mais acolhido.

Como lidar com o luto?

Lidar com o luto é um processo desafiador, mas há passos importantes para enfrentá-lo de maneira saudável. 

Aqui estão algumas orientações práticas que podem ajudar:

Suporte social

Contar com uma rede de apoio de amigos e familiares é importante para enfrentar o processo de luto. Por isso, sempre que possível, converse com pessoas de confiança sobre os sentimentos e experiências, pois isso pode trazer conforto e alívio emocional.

Participar de grupos de apoio para pessoas enlutadas também pode ser benéfico, pois permite compartilhar experiências com outros que passam por situações semelhantes.

Terapia e aconselhamento

Contar com a ajuda de um psicólogo pode te auxiliar a compreender suas emoções, desenvolver mecanismos de enfrentamento e encontrar formas saudáveis de lidar com a perda. 

As diferentes abordagens de psicoterapias podem ser úteis para lidar com pensamentos negativos e encontrar formas de reestruturar a vida após a perda

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Autocuidado

Praticar o autocuidado é essencial durante o período de luto. Algumas práticas de autocuidado incluem:

  • Manter uma alimentação saudável;
  • Prática de exercício físico regular;
  • Garantir uma boa qualidade de sono;
  • Realizar atividades prazerosas;
  • Aceitar os sentimentos e não escondê-los.

Como lidar com datas e situações que despertam gatilhos emocionais?

Algumas datas, como feriados, aniversários ou o dia do falecimento, podem despertar gatilhos emocionais intensos, porque esses momentos trazem lembranças e memórias muito dolorosas, reforçando ainda mais a perda. 

Sem contar que muitos desses momentos estão ligados a celebração e alegria, intensificando ainda mais a dor de uma pessoa enlutada.

Para lidar com esses momentos, há algumas estratégias que ajudam a enfrentar essas datas de uma maneira mais acolhedora:

  • Planejar a rotina antecipadamente: analisar o que faz sentido ou não para fazer nesse dia;
  • Compreender as emoções: permitir que sensações venham à tona, como choro e tristeza, sem se julgar;
  • Criar pequenos rituais de homenagem: escrever uma carta, visitar um lugar especial, contar histórias sobre a pessoa ou mesmo acender uma vela;
  • Contar com o apoio de familiares e amigos: isso ajuda a tornar esses momentos menos dolorosos e solitários.

Como ajudar alguém que está passando pelo luto?

Para ajudar alguém que está passando por luto, é importante agir com respeito e empatia, além de estar presente, mesmo quando não há nada a dizer. 

Mantenha sempre uma escuta ativa, permitindo que a pessoa sinta-se à vontade para falar sobre seus sentimentos sem julgamentos. 

Outra forma de ajudar é oferecer apoio para tarefas domésticas, cuidados com as crianças ou animais, pois isso alivia o peso da rotina e demonstra apoio real. 

Algumas frases podem servir de acalento nesses momentos:

  • “Estou aqui sempre que precisar”
  • “Sinto muito pela sua perda”
  • “Não consigo sentir a sua dor, mas me importo com você”

Essas frases são formas de reconhecer a dor, mas sem tentar minimizar o sofrimento.

Em contrapartida, é importante evitar frases como:

  • “Você precisa ser forte”
  • “Tudo acontece por um motivo”
  • “Ele está em um lugar melhor”

Essas expressões podem parecer insensíveis ou uma tentativa de minimizar a dor. Lembre-se que o luto é individual, e cada pessoa tem uma forma e um ritmo de enfrentar a perda. 

Por isso, busque oferecer apoio a longo prazo, não somente nos primeiros dias. Ligue, pergunte, tire um tempo para ouvi-lá e ajude com tarefas do dia a dia, pois essas atitudes reforçam que ela não está sozinha nesse momento

Quem tem direito à licença por luto?

A CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) assegura ao trabalhador o direito de até 2 dias consecutivos de licença remunerada em situações que envolvem o falecimento de pais, filhos, irmãos e cônjuge, assim como uma pessoa que viva sob dependência econômica comprovada.

Essa dispensa garante que o empregado que se ausente sem que haja quaisquer prejuízos de salário para que possa lidar com o luto. 

Além disso, há políticas internas das organizações, acordos sindicais e convenções coletivas que podem estender o benefício para outros parentes próximos, como enteados, sogros e avós, conforme a categoria e dos acordos firmados. 

Quando o luto pode requerer apoio profissional?

Embora seja natural sentir tristeza, raiva, saudade e outras emoções após uma perda significativa, nem sempre é fácil lidar com esses sentimentos por conta própria. 

Por isso, é importante ficar atento aos sinais de alerta que indicam a necessidade de buscar apoio profissional:

  • Pensamentos persistentes de culpa excessiva e inutilidade;
  • Pensamentos suicidas;
  • Alucinações;
  • Sentimentos de desrealização ou comportamentos extremos.

Nesses casos, busque imediatamente o suporte especializado para obter orientação profissional adequada. 

Como a Conexa Saúde pode te ajudar a lidar com o luto?

O luto é uma jornada individual e dolorosa, mas você não precisa percorrê-la sozinho. Lembre-se que a dor faz parte do processo, e buscar apoio especializado pode ser fundamental para cuidar da saúde emocional.

Na Conexa Saúde, você encontra um espaço seguro, profissional e acessível de especialistas. Nossa plataforma oferece atendimento com psicólogos e psiquiatras, em caso de luto complicado ou a presença de sintomas depressivos, ou ansiosos. 

Com a telemedicina, você pode agendar consultas de forma fácil, contar com o apoio de profissionais qualificados e acolhedores e sem sair de casa. 

Você não precisa atravessar o luto sozinho, a Conexa Saúde pode te ajudar.

Rafael Leite Aguilar

Pós graduando em gestão de saúde pela FGV. Atua como Rotina Médica no Pronto Atendimento Conexa Saúde. CRM-ES 18586.

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