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Lipedema: o que é, sintomas, causas, tratamento e como desinflamar

Imagem mostra uma pessoa segurando a sua panturrilha inflamada, indicativa de dor ou edema, com pele normal e sem sinais de ferimentos visibles.
Imagem mostra uma pessoa segurando a sua panturrilha inflamada, indicativa de dor ou edema, com pele normal e sem sinais de ferimentos visibles.

O lipedema é uma condição crônica que provoca o acúmulo anormal de gordura principalmente nas pernas e braços. Afeta majoritariamente mulheres e causa sintomas como dor, inchaço e sensibilidade ao toque. 

Descubra as diferenças entre lipedema e obesidade, os principais sintomas, diagnóstico e como lidar com o lipedema no dia a dia. É só continuar a leitura!

Quais são os sintomas do lipedema?

O lipedema apresenta sintomas que vão além do simples acúmulo de gordura. Confira os principais sinais que indicam a presença dessa condição:

  • Acúmulo desproporcional de gordura concentrado nas pernas, coxas, quadris e braços, com pouca ou nenhuma presença no tronco.

  • Dor ao toque na região afetada mesmo ao menor contato.

  • Sensação de peso e fadiga nas pernas, especialmente após ficar muito tempo em pé ou caminhando.

  • Inchaço persistente que pode piorar ao longo do dia.

  • Facilidade para hematomas mesmo após pequenos impactos.

  • Pele fria e aspecto “em casca de laranja” semelhante à celulite.

Esses sintomas tendem a piorar com o tempo e, se não tratados, podem levar a dificuldades de mobilidade e impacto na qualidade de vida.

Quais os estágios do lipedema?

O lipedema evolui em quatro estágios, que indicam a progressão da doença e o impacto na estrutura do corpo:

Estágio 1

A gordura começa a se acumular de forma discreta, a pele ainda é lisa, mas já há dor ao toque e sensibilidade nas áreas afetadas. O volume das pernas ou braços está levemente aumentado.

Estágio 2

A pele apresenta irregularidades, com ondulações e nódulos visíveis, parecidos com celulite. A dor e o desconforto aumentam, assim como o inchaço.

Estágio 3

O acúmulo de gordura se torna volumoso, causando deformidades mais evidentes nos membros inferiores e superiores. A mobilidade pode ficar limitada e o desconforto constante.

Estágio 4

Além do lipedema, ocorre o linfedema (acúmulo de líquido), aumentando ainda mais o inchaço. Este estágio é o mais grave, com grande comprometimento funcional e necessidade de tratamento intensivo.

Como saber se tenho lipedema?

Identificar o lipedema pode ser difícil quando tentamos um autodiagnóstico. Isso porque os sintomas são parecidos com o de outtras condições, como a obesidade e o linfedema. 

Para saber se tem lipedema, você deve ficar atento a sinais como:

  • Acúmulo de gordura desproporcional especialmente nas pernas e braços, onde os dois lados do corpo são afetados igualmente;

  • Dor ao toque na região afetada pelo menor contato ou pressão;

  • Sensação de peso no corpo e inchaço especialmente no final do dia ou após atividades físicas;

  • Dificuldade em perder gordura mesmo com dieta e exercícios;

  • A pele fica mais sensível e roxa com facilidade e é fácil surgirem hematomas;

  • Histórico familiar da condição, já que o lipedema tem forte componente genético.

O diagnóstico é clínico, feito por um médico especialista (angiologista ou cirurgião vascular) que avalia o histórico, exame físico e pode solicitar exames para descartar outras causas. Se notar esses sinais, procure ajuda médica para avaliação e diagnóstico correto.

O que causa o lipedema?

Ainda não se sabe exatamente o que provoca lipedema, mas estudos indicam que a condição está relacionada a vários fatores, entre eles:

  • Predisposição genética: o lipedema costuma afetar várias mulheres na mesma família, indicando um componente hereditário importante.

  • Influências hormonais: o desenvolvimento do lipedema também está ligado a alterações hormonais, como puberdade, gravidez e menopausa.

  • Alterações no sistema linfático: apesar de não ser um linfedema, o lipedema pode afetar o funcionamento da circulação linfática local.

  • Fatores ambientais e de estilo de vida: obesidade, sedentarismo e ganho de peso podem agravar os sintomas e a progressão da doença.

O que piora o lipedema?

Mesmo que o lipedema tenha origem genética e hormonal, alguns hábitos e fatores do dia a dia podem agravar os sintomas e acelerar a progressão da condição. Por isso, evitá-los é uma parte essencial do tratamento.

Veja o que pode piorar o lipedema:

  • Sedentarismo: a falta de atividade física compromete a circulação e agrava o inchaço e a dor.

  • Ganho de peso: embora o lipedema não esteja diretamente ligado à obesidade, o acúmulo de gordura corporal sobrecarrega ainda mais as áreas afetadas.

  • Uso de roupas apertadas: calças, meias ou sapatos muito justos podem dificultar a circulação e piorar os sintomas.

  • Longos períodos em pé ou sentada: ficar na mesma posição por muito tempo pode aumentar a sensação de peso nas pernas e o inchaço.

  • Alimentação inflamatória: dietas ricas em açúcar, ultraprocessados e gorduras ruins podem intensificar o processo inflamatório do lipedema.

  • Falta de tratamento adequado: a ausência de acompanhamento médico e terapias específicas pode levar à progressão dos estágios da doença.

Como é feito o diagnóstico de lipedema?

O diagnóstico do lipedema é clínico e deve ser feito por um profissional especializado, como angiologista, cirurgião vascular ou endocrinologista. Essa avaliação leva em conta os sintomas, o histórico da paciente e um exame físico detalhado.

Como não existe um exame laboratorial específico para detectar o lipedema, o diagnóstico envolve a exclusão de outras condições, como obesidade, celulite ou linfedema. Em alguns casos, exames de imagem podem ser solicitados para apoiar a investigação.

O profissional avalia principalmente o acúmulo de gordura desproporcional, dor ao toque e inchaço simétrico nas pernas ou braços, o histórico da paciente.

Como saber se é celulite ou lipedema?

Celulite e lipedema são condições diferentes, embora ambas envolvam alterações na gordura corporal e possam causar incômodo estético ou físico. 

Confira na tabela abaixo as principais diferenças entre lipedema e celulite: 

Critério

Celulite

Lipedema

Localização mais comum

Coxas, nádegas e abdômen.

Principalmente pernas e, às vezes, braços. Pés e mãos geralmente são poupados.

Dor ao toque

Geralmente indolor, exceto em casos mais avançados.

Causa dor mesmo com toques leves e sensação de peso nas pernas.

Sensação na pele

Pele com aspecto de “casca de laranja” e ondulações visíveis.

Nódulos de gordura sob a pele, sem o padrão típico da celulite.

Resposta à dieta e exercícios

Melhora com alimentação saudável e prática regular de atividades físicas.

Não melhora com dieta ou exercícios e tende a piorar com o tempo.

Simetria

Pode afetar um lado do corpo mais que o outro.

Afeta os dois lados do corpo de forma simétrica.

Apesar das diferenças, apenas um profissional pode fazer o diagnóstico correto. Ao notar dor persistente, inchaço e gordura localizada que não melhora com dieta ou atividade física, é importante procurar um especialista.

Diferenças entre lipedema, obesidade e linfedema

Lipedema, obesidade e linfedema são condições distintas, mas que frequentemente geram confusão por apresentarem inchaço e aumento de volume corporal. 

Entender como cada uma se manifesta ajuda no diagnóstico correto e evita tratamentos inadequados.

Veja as principais diferenças entre elas na tabela abaixo:

Característica

Lipedema

Obesidade

Linfedema

Causa principal

Fatores hormonais e predisposição genética

Excesso de calorias e sedentarismo

Comprometimento do sistema linfático

Localização da gordura/inchaço

Pernas e braços, poupando mãos e pés

Distribuição generalizada por todo o corpo

Afeta geralmente um membro ou parte dele, incluindo pés ou mãos

Simetria

Simétrica (atinge ambos os lados do corpo igualmente)

Assimétrica ou simétrica

Geralmente assimétrica

Dor ao toque

Presente e frequente

Inexistente, exceto em casos de inflamação

Inexistente, exceto em casos graves

Textura da pele

Pele com nódulos de gordura, pode ter hematomas

Lisa ou com dobras dependendo do grau

Pele pode se tornar espessa e endurecida

Resposta a dieta e exercícios

Não melhora significativamente

Melhora com emagrecimento

Não responde a dieta; melhora com fisioterapia linfática

Progressão

Crônica e tende a piorar com o tempo

Pode ser revertida com mudanças no estilo de vida

Progressiva, se não tratada pode gerar complicações

Qual médico procurar para lipedema?

Se você suspeita que pode ter lipedema, o primeiro passo é procurar ajuda médica especializada. 

Como essa condição envolve alterações no sistema vascular e na distribuição da gordura corporal, o diagnóstico e tratamento costumam ser conduzidos por diferentes especialidades médicas.

Os profissionais mais indicados para o tratamento do lipedema são:

  • Angiologista ou Cirurgião Vascular

São os especialistas mais indicados para iniciar a investigação. Eles avaliam a circulação sanguínea e linfática, fazem o diagnóstico diferencial com outras condições (como linfedema) e indicam o tratamento mais adequado.

  • Endocrinologista

Pode ser consultado para avaliar questões hormonais envolvidas no lipedema, principalmente quando há associação com alterações metabólicas, obesidade ou resistência à insulina.

  • Dermatologista

Em alguns casos, esse especialista pode ser acionado para diferenciar o lipedema de alterações dermatológicas como celulite avançada ou alterações na textura da pele.

  • Fisioterapeuta vascular ou linfática

Não realiza o diagnóstico, mas é essencial no acompanhamento com técnicas como drenagem linfática manual, terapia compressiva e exercícios adaptados.

  • Nutricionista

Auxilia no controle da obesidade e na adoção de uma dieta anti-inflamatória que ajuda a controlar os sintomas e evitar a progressão do lipedema.

É importante ressaltar que não é necessário consultar todos esses profissionais ao mesmo tempo. O ideal é iniciar com um angiologista ou cirurgião vascular, que fará a avaliação inicial e orientará o encaminhamento para outras especialidades, se necessário.

Na Conexa Saúde, você agenda uma consulta com um angiologista em poucos minutos. Com um processo ágil do início ao fim, você realiza a consulta do conforto da sua casa e inicia o tratamento o quanto antes. 

Qual o tratamento para lipedema?

O tratamento do lipedema é multidisciplinar e tem como principal objetivo reduzir os sintomas, controlar a progressão da doença e melhorar a qualidade de vida da paciente. 

Como se trata de uma condição crônica, os cuidados precisam ser contínuos, com foco na redução da dor, do inchaço e do impacto estético e funcional causado pelo acúmulo de gordura.

Exercícios físicos

A prática regular de atividade física ajuda na circulação linfática e na redução do inchaço. Os mais recomendados são:

  • Caminhadas

  • Hidroginástica

  • Natação

  • Treinos de baixo impacto: Esses exercícios fortalecem a musculatura e aliviam a sensação de peso nas pernas, sem agravar a inflamação.

Dieta

Embora o lipedema não seja causado por excesso de peso, manter uma alimentação equilibrada é essencial para controlar a inflamação. A dieta, em geral, é baseada em:

  • Anti-inflamatória

  • Rica em frutas, vegetais e proteínas magras

  • Pobre em alimentos ultraprocessados, açúcares e sódio

Drenagem linfática manual

Essa técnica terapêutica estimula o sistema linfático e auxilia na eliminação de líquidos retidos. A drenagem é feita por fisioterapeutas especializados e ajuda a:

  • Reduzir o inchaço

  • Aliviar a dor

  • Melhorar a sensação de peso nos membros

Remédios

Embora não existam medicamentos específicos para o lipedema, alguns casos podem ser tratados com:

  • Analgésicos para dor

  • Antiinflamatórios

  • Medicamentos para melhorar a circulação

Mas, lembre-se de que a prescrição deve ser feita por um médico com base nos sintomas de cada paciente. A automedicação pode gerar riscos à saúde e piorar o quadro. 

Terapia compressiva

O uso de meias de compressão específicas ajuda a reduzir o inchaço e a dor, além de melhorar o retorno venoso. Elas devem ser ajustadas corretamente para o corpo da paciente e usadas conforme orientação médica ou fisioterapêutica.

Fisioterapia

A fisioterapia é uma das abordagens mais importantes no tratamento do lipedema, especialmente nos estágios iniciais e intermediários. Ela atua no controle do inchaço e da dor e é essencial para impedir o avanço da doença e manter a mobilidade. 

A fisioterapia especializada no sistema linfático geralmente inclui técnicas como:

  • Mobilizações específicas

  • Exercícios de ativação muscular

  • Drenagem linfática associada a outras terapias manuais

Cirurgia

A lipoaspiração especializada para lipedema (chamada de lipoaspiração tumescente) pode ser indicada em casos mais avançados, especialmente quando há comprometimento funcional. 

A cirurgia remove excesso de gordura e melhora a estética e o bem-estar da paciente.

Como desinflamar lipedema?

Embora o lipedema seja uma condição crônica, é possível controlar a inflamação e reduzir o desconforto com algumas mudanças na rotina. 

O objetivo não é curar a doença, mas amenizar os sintomas e melhorar a qualidade de vida. A seguir, listamos orientações práticas e eficazes que fazem parte do tratamento contínuo do lipedema:

  • Alimentação anti-inflamatória: priorize uma dieta rica em frutas, vegetais, oleaginosas, peixes e grãos integrais. Evite alimentos ultraprocessados, embutidos, açúcar refinado, bebidas alcoólicas e excesso de sal.

  • Hidratação adequada: beber água ao longo do dia ajuda na circulação e no funcionamento do sistema linfático, o que contribui para reduzir o inchaço e o acúmulo de líquidos.

  • Prática regular de atividade física: caminhadas, natação, pilates e exercícios de baixo impacto ajudam a melhorar a circulação e fortalecer os músculos, sem sobrecarregar as articulações.

  • Drenagem linfática manual: feita por profissional qualificado, a técnica estimula o sistema linfático, aliviando o inchaço e promovendo sensação de leveza nas pernas.

  • Uso de meias de compressão: auxilia na melhora da circulação, reduz o inchaço e alivia a sensação de peso nas pernas. Deve ser usada conforme orientação médica.

  • Sono de qualidade: dormir bem regula os hormônios e o sistema imunológico, o que tem impacto direto na inflamação do organismo.

  • Controle do estresse: o estresse intenso e constante pode piorar a inflamação. Meditação, yoga ou acompanhamento psicológico podem ajudar no equilíbrio emocional.

  • Evitar roupas apertadas: peças muito justas dificultam a circulação, o que pode agravar os sintomas do lipedema. Prefira roupas confortáveis e de tecidos leves.

Lipedema tem cura?

O lipedema não tem cura definitiva, mas isso não significa que não exista tratamento. 

Com o acompanhamento adequado, é possível controlar os sintomas, evitar a progressão da doença e melhorar a qualidade de vida.

O tratamento é contínuo e deve ser adaptado às necessidades de cada paciente. Apesar de não ter como reverter o lipedema, é possível alcançar bons resultados e viver bem com a condição, desde que o diagnóstico seja feito precocemente e o tratamento seguido com disciplina.

Como conviver com lipedema?

Conviver com o lipedema exige consciência, cuidado e acompanhamento constante. Adotar hábitos saudáveis e seguir as orientações médicas faz toda a diferença no controle dos sintomas e na qualidade de vida.

  • Adote uma alimentação equilibrada com alimentos anti-inflamatórios, naturais e pouco processados

  • Reduza o consumo de açúcar, farinha branca, frituras e embutidos

  • Mantenha uma rotina de exercícios físicos leves a moderados para melhorar a circulação e reduzir o avanço do lipedema

  • Use meias de compressão para controlar o inchaço e a dor

  • Evite roupas apertadas que comprimem a cintura, quadris ou pernas

  • Beba bastante água para ajudar o organismo a eliminar toxinas 

  • Busque acompanhamento médico contínuo

  • Cuide também da saúde emocional com um psicólogo

O diagnóstico precoce e o tratamento adequado fazem toda a diferença no controle do lipedema. Se você identificou sintomas ou tem dúvidas sobre a condição, procure orientação profissional.

Na Conexa, você pode agendar uma consulta online com angiologistas, endocrinologistas, fisioterapeutas e psicólogos, sem sair de casa. Nosso time está preparado para te acompanhar em todas as etapas do cuidado com sua saúde.

Agende agora sua consulta na Conexa Saúde e comece seu tratamento o quanto antes. 

Quem orienta

Rafael Leite Aguilar

Médico

CRM-ES 18586

Pós graduando em gestão de saúde pela FGV. Atua como Rotina Médica no Pronto Atendimento Conexa Saúde.

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