Fragilidade nos tempos atuais: qual a importância em ser frágil?

Karla Pierri

Psicanalista clínica

Imagem de apoio à saúde mental e ao cuidado psicológico
Imagem de apoio à saúde mental e ao cuidado psicológico

Você, quando criança, já deve ter ouvido que não podia chorar em público, ficar triste e mostrar a sua fragilidade aos outros, não é mesmo?

Mas qual a importância da fragilidade? Veja só!

O que é fragilidade

Afinal, o que é ser emocionalmente frágil? Uma pessoa com emoções frágeis tem dificuldades em gerenciar as emoções, se desestabilizando mesmo com pequenas preocupações.

“Alguns teóricos consideram a fragilidade como algo quebradiço”, diz a profissional.

É importante salientar que os momentos de tristeza e de irritação podem causar uma instabilidade emocional.

 

E qual a diferença ente fragilidade e vulnerabilidade?

Pensando na epistemologia da palavra, a vulnerabilidade vem do latim e significa o que pode ser ferido ou atacado. Dessa forma, as pessoas vulneráveis são aquelas que estão “desprotegidas”, em alguma situação frágil.

Sexo frágil

Provavelmente, você já ouviu que as mulheres são o sexo frágil.  A frase, inclusive, é dita há muito tempo e historiadores apontam registros na Idade Média.

E por que isso acontece?

A sociedade ainda entende fragilidade à fraqueza física, não emocional. Dessa forma, a mulher é colocada em uma posição de sexo frágil. Entretanto, estatisticamente, as mulheres vivem mais anos por cuidarem mais de suas emoções.

Vale a reflexão: todos nós não somos apenas potência e força. Ninguém é só luz e ninguém é só sombra.

 

Como agir

O importante é entender que não há um certo e um errado e que é preciso entender o que estamos sentindo. É muito nesse sentido de olhar para as emoções, olhar para o que emerge.

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Um poema de Renata Stein:

Pessoas vulneráveis são a beleza manifesta do que brota da Terra.
São seres que pulsam, transbordam, rompem, arriscam.
Corpos em revolta se contorcendo de raiva, medo, deleite e prazer, estabelecendo conexões verdadeiras, gargalhando felicidades e nervosismo, se descascando de suas certezas e abraçando a mudança, se despedindo de suas armaduras, proteções e medos para viverem trocas reais e conectadas. 
Conscientes de seus corações dão voz às pulsações.
Sentindo a terra e a água de ser quem se é, percorrem caminhos de renovação.
Seres que não paralisam suas emoções, vulneráveis, se doando, olhando no olho, sendo fortes e corajosos, contorcendo de dor, de insatisfação revolvendo suas entranhas em busca de reflorescimento, se despedaçando para se reconstruir.
Estar vulnerável é estar vivo.
Se não, o corpo é como um pedaço de carne.
Se não vazio e frio, desamor e desconexão.
Vulnerabilidade é permissão para uma nova pele a todo momento, para estar um passo mais perto do eu. Descascar-se de apegos, passado, preconceitos e verdades. 
Reconhecer quando a pele que habitava não é mais capaz de acolher o novo e a nova que habitará e um dia tampouco representará. Ir descansando-se aos poucos do que você pensa ser, renascendo quem você tem potencial para ser.
Vulnerabilidade é sobre a verdade do coração exposta ao mundo.
Esconder é couraça de proteção e vulneráveis são corpos-exposição.
Vulnerabilidade é sobre sinceridade profunda.

Quem orienta

Karla Pierri

Psicanalista clínica

Psicanalista clínica, pesquisadora em psicossomática, organizadora de grupos de estudos sobre a teoria de Sándor Ferenczi, mentora de alunos de psicanálise em estruturas psíquicas e casos clínicos de Freud, entusiasta da práxis lacaniana, criadora de conteúdo e crocheteira.

Quem orienta

Karla Pierri

Psicanalista clínica

Psicanalista clínica, pesquisadora em psicossomática, organizadora de grupos de estudos sobre a teoria de Sándor Ferenczi, mentora de alunos de psicanálise em estruturas psíquicas e casos clínicos de Freud, entusiasta da práxis lacaniana, criadora de conteúdo e crocheteira.