Epilepsia: o que é, sintomas, causas e tratamentos

Julianna Siciliano de Araújo | Saúde | Atualizado em: 21/06/2026

Epilepsia é uma condição neurológica, e não uma doença mental, caracterizada pela alteração temporária e reversível no funcionamento do cérebro, onde um grupo de células cerebrais emite sinais excessivos e desordenados. Essa condição pode afetar qualquer pessoa em qualquer idade, exigindo acompanhamento adequado para o controle dos episódios.

Quais são os primeiros sinais de epilepsia?

Antes que uma crise aconteça, algumas pessoas vivenciam sensações específicas conhecidas como auras. Esses sinais funcionam como um aviso prévio do próprio corpo, variando muito de pessoa para pessoa, o que ajuda o paciente a se prevenir antes de uma crise maior.

Os principais sinais que antecedem um episódio incluem:

  • Percepção súbita de odores ou sons estranhos no ambiente;
  • Sensação de mal-estar ou desconforto no estômago;
  • Formigamento em partes do corpo;
  • Uma forte onda de déjà vu (a nítida impressão de já ter vivido aquele momento exato).

Principais sintomas e tipos de crises epilépticas

Muitos acreditam que a condição se resume a quedas e convulsões fortes, mas a verdade é que existem diferentes manifestações para as crises, a depender da área do cérebro afetada.

Crises generalizadas e tônico-clônicas

Esta é a manifestação mais conhecida. Nela, o paciente sofre perda de consciência, queda, rigidez muscular e abalos nos membros (tremores involuntários). Também podem surgir sintomas como salivação excessiva e, em alguns casos, a perda do controle urinário.

Crises de ausência

Muito comum em crianças, esse tipo de crise faz com que a pessoa pareça “desligar” por alguns segundos. Ela interrompe o que está fazendo, fica com o olhar fixo no vazio e retorna logo em seguida, sem se lembrar do ocorrido.

Crises focais

Também chamadas de parciais, as crises focais limitam-se a apenas uma parte do corpo ou provocam movimentos automáticos e repetitivos (como estalar os lábios ou mexer nas roupas). Nelas, não há necessariamente a perda total da consciência.

Precisa de orientação especializada para identificar esses sintomas? Agende uma consulta com um neurologista na Conexa Saúde e cuide da sua saúde com praticidade.

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Causas da epilepsia

A epilepsia pode ter origens diversas, manifestando-se em qualquer momento da vida, desde o nascimento até a fase idosa. Embora em muitos casos a causa exata permaneça desconhecida (quadro chamado de epilepsia idiopática), as principais origens mapeadas são:

  • Lesões cerebrais por traumas ou pancadas na cabeça;
  • Falta de oxigenação adequada durante o parto;
  • Tumores cerebrais;
  • Infecções graves, como a meningite;
  • Acidentes vasculares cerebrais (AVC);
  • Predisposição genética.

Como é feito o diagnóstico de epilepsia?

O diagnóstico da condição é essencialmente clínico, baseado no relato detalhado das crises feito pelo próprio paciente ou por testemunhas que presenciaram os episódios. O médico neurologista analisa criteriosamente a frequência, a duração e o comportamento do paciente durante os eventos.

Exames complementares para diagnóstico de epilepsia

Para confirmar a suspeita e direcionar a melhor abordagem, o médico pode solicitar:

  • Eletroencefalograma (EEG): o principal exame para mapear e detectar alterações na atividade elétrica do cérebro;
  • Ressonância magnética ou tomografia: exames de imagem utilizados para identificar possíveis lesões estruturais no cérebro que possam estar gerando as crises.

O que fazer durante uma crise epiléptica?

Saber como agir diante de uma crise ajuda a evitar acidentes e protege a integridade física do paciente. Se presenciar um episódio, siga as instruções:

  1. Mantenha a calma para agir com segurança;
  2. Coloque a pessoa deitada de lado, posição que evita engasgos com a saliva ou vômito;
  3. Proteja a cabeça apoiando-a sobre algo macio, como um casaco ou almofada;
  4. Não coloque nada na boca da pessoa e nunca tente segurar a língua dela;
  5. Não tente deter os movimentos ou prender os braços e pernas de quem está convulsionando;
  6. Cronometre o tempo da crise e chame ajuda médica emergencial caso o episódio dure mais de 5 minutos.

Tratamento para epilepsia e controle de crises

O objetivo principal do tratamento é eliminar ou reduzir drasticamente os episódios, permitindo que o paciente leve uma vida normal, segura e produtiva.

Uso de medicamentos antiepilépticos

A grande maioria dos casos é controlada com sucesso por meio do uso contínuo de fármacos que estabilizam a atividade elétrica do cérebro. É fundamental reforçar que a medicação não deve ser interrompida sem orientação médica, sob o grave risco de desencadear crises severas.

Outras opções terapêuticas

Para casos onde os medicamentos não fazem efeito (epilepsia refratária), existem alternativas eficazes:

  • Dieta cetogênica: Alimentação rica em gorduras saudáveis e restrita em carboidratos, muito indicada para crianças com crises de difícil controle;
  • Estimulador do nervo vago (VNS): Um pequeno dispositivo implantado que ajuda a regular os impulsos elétricos cerebrais;
  • Cirurgia de epilepsia: Procedimento cirúrgico para remover a área exata do cérebro onde as crises se originam.
  • Cannabis medicinal: o controle de crises convulsivas vem sendo demonstrado em diversos casos ao longo das últimas décadas, sendo necessário seguimento com profissional especializado na área.

Epilepsia tem cura?

A epilepsia é uma condição crônica controlável e muitos pacientes conseguem entrar em uma remissão prolongada das crises. Após passar anos sem apresentar novos episódios, e sempre sob rigorosa supervisão médica, as medicações podem ser gradualmente retiradas, permitindo que a pessoa viva sem a necessidade de remédios.

Não altere ou interrompa seu tratamento por conta própria. Fale agora mesmo com um especialista na Conexa Saúde.

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Direitos do paciente: epilepsia é deficiência ou aposenta?

A epilepsia, por si só, não é considerada uma deficiência por lei. No entanto, quando o impacto das crises impede comprovadamente a capacidade de trabalhar, o paciente passa a ter direitos previdenciários. É possível solicitar o auxílio-doença ou a aposentadoria por invalidez, benefícios que dependem de uma perícia médica realizada pelo INSS para avaliar a gravidade e a frequência do quadro laboral.

Como prevenir crises de epilepsia?

Além do uso dos remédios, manter hábitos saudáveis de vida funciona como uma barreira de proteção contra novos episódios. Adote as seguintes práticas no dia a dia:

  • Higiene do sono, pois a privação é um dos maiores gatilhos para crises;
  • Evitar o consumo de álcool e outras substâncias estimulantes;
  • Gerenciar o estresse por meio de atividades relaxantes ou terapia;
  • Primordialmente, tomar a medicação rigorosamente nos horários prescritos.

Quando procurar um neurologista online na Conexa Saúde?

O acompanhamento frequente é a chave para o sucesso no tratamento da epilepsia. A telemedicina traz total praticidade, permitindo realizar consultas de rotina, monitorar sintomas, ajustar doses e fazer a renovação de receitas sem a necessidade de deslocamentos.

Um diagnóstico ágil e o monitoramento frequente são fundamentais para garantir a segurança e o bem-estar do paciente. Na Conexa Saúde, você conta com um atendimento humanizado e com a segurança de uma plataforma disponível 24 horas por dia, 7 dias por semana, pronta para cuidar da sua saúde neurológica com comodidade.

Julianna Siciliano de Araújo

Médica formada pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, especialista em Medicina de Família e Comunidade pela SMS/RJ. Atua há 4 anos na Atenção Primária à Saúde, com foco na prevenção e tratamento de doenças em regiões de alta vulnerabilidade. Mestre e doutora em Ciências pelo IOC/Fiocruz.

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