Eletrocardiograma (ECG): Entenda como funciona e como analisar os dados

Atualizado

Ana Luisa G. O. Credidio

Médica de Família e Comunidade

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O eletrocardiograma (ECG) registra a atividade elétrica do coração. É um exame rápido, não invasivo e usado conforme indicação clínica.

O que é ECG?

O eletrocardiograma nada mais é que um exame não invasivo, ou seja, é um exame em que não é necessário fazer nenhum tipo de corte ou qualquer outro procedimento de maior complexidade no paciente, além de ser indolor.

Para que precisamos fazer o ECG (exame de eletrocardiograma)?


Como o próprio nome sugere, o eletrocardiograma diz respeito ao exame no qual o aparelho avalia a atividade elétrica do coração. A partir disso, é observada a frequência cardíaca, assim como o ritmo e a velocidade dos batimentos.

Ele é muito utilizado para detectar condições de doenças silenciosas, que não são tão facilmente detectadas. Alguns exemplos delas são:

  • Arritmias cardíacas: caracterizadas por batimentos cardíacos fora de hora, lentos ou mais rápidos que o padrão. Os sintomas comuns são palpitações, tontura ou até desmaios;

  • Infarto agudo do miocárdio: também conhecido como infarto ou ataque cardíaco, ocorre quando há uma interrupção da passagem de sangue das veias para o coração, provocando a morte de células. Pode ocasionar uma forte dor no peito e uma parada cardiorrespiratória;

  • Pericardite ou miocardites: inflamação nas paredes do coração, que pode causar tontura, dor no peito, febre e falta de ar.

A indicação considera sintomas, histórico e fatores de risco, como hipertensão e diabetes.

Como é realizado o ECG?

Para realizar o exame, o paciente deve se deitar em uma maca, de barriga para cima, com um pequeno aparelho de nome eletrocardiógrafo portátil do seu, o qual é usado para fazer o registro do ECG no computador.

Eletrodos são posicionados no tórax e nos membros para captar os sinais. A equipe prepara a pele e orienta o paciente a permanecer imóvel.

Pré-requisitos

O ECG de repouso geralmente não exige preparo complexo.

Informe os medicamentos em uso e siga as orientações do serviço. Não suspenda tratamentos por conta própria.

Preparo do exame

Agora vamos passar as instruções básicas para a realização do exame.

  • Chegar com 10 minutos de antecedência;

  • O exame não deve ser feito com acessórios, tais como jóias no pescoço, braços ou pulso;

  • O paciente deve sempre relatar ao médico os medicamentos que faz uso, já que alguns deles podem causar alterações no resultado do exame;

  • Não é recomendado praticar exercícios físicos antes do exame, pois pode alterar o nível do batimento cardíaco;

  • Levar o pedido do médico e um documento de identidade, e;

  • Menores de 18 anos devem estar acompanhados de um responsável.

Tempo de duração

O eletrocardiograma geralmente leva de 5 a 10 minutos para ser concluído.

Periodicidade do eletrocardiograma

A periodicidade é definida pelo médico conforme sintomas e riscos. Não existe recomendação universal de ECG anual apenas por idade ou sexo.

Como é o aparelho de eletrocardiograma?


O aparelho para realizar o eletrocardiograma, também  chamado de eletrocardiógrafo, pode ser tanto analógico quanto digital. 

O aparelho transforma os sinais captados pelos eletrodos em traçados impressos ou digitais.

Um ponto importante a se destacar é que, independente de o aparelho de eletrocardiograma ser analógico ou digital, ele deve ser registrado pela ANVISA. 

A clínica também pode escolher os aparelhos digitais mais atualizados. Tais aparelhos permitem a conexão aos serviços de telemedicina, permitindo que o médico analise o exame de forma remota e faça o laudo de forma online.

Entre as principais qualidades de um eletrocardiógrafo, podemos destacar:

  • Precisão;

  • Facilidade de leitura das curvas de resultados;

  • Ter um software intuitivo, com ferramentas de auxílio à interpretação e análise de resultados;

  • Ser compatível com diferentes bancos de dados médicos e de personalização de laudos.

Como deve ser feita a preparação do ECG?

No ECG de repouso, geralmente não é necessário jejum. A equipe informa os cuidados específicos; testes de esforço têm orientações próprias.

Há riscos para quem realiza os exames de ECG?

O ECG de repouso não usa radiação nem aplica choques. Pode ocorrer irritação na pele pelo adesivo dos eletrodos.

Avise a equipe se houver alergia a adesivos ou sensibilidade na pele.

Quais são as contraindicações do ECG?

O ECG de repouso costuma ser seguro. Movimentos, tremores ou problemas no contato dos eletrodos podem interferir no registro. As contraindicações do teste de esforço são diferentes.

O que é ECG com laudo?

O ECG com laudo é o exame que vem com um documento onde está descrito de todos os elementos que foram encontrados pelo exame bem como as informações referentes a frequência cardíaca, eixo elétrico, ondas P e outros aspectos cardiovasculares do paciente. 

Esse documento precisa seguir os padrões sugeridos pela Sociedade Brasileira de Cardiologia, constando os termos técnicos da classe médica.

O laudo reúne a interpretação médica do traçado, considerando o contexto clínico.

Como analisar os resultados de um eletrocardiograma?


O médico avalia ritmo, frequência, intervalos e outras características. A interpretação não deve ser feita por um parâmetro isolado.

Alguns resultados que inspiram cuidados são:

  • Bloqueio atrioventricular de segundo e terceiro graus;

  • Sobrecarga dos átrios ou ventrículos;

  • Taquicardia sinusal, entre outros.

Como saber se o ECG está normal?

Os parâmetros abaixo são referências gerais, não substituem a interpretação médica:

  • Frequência cardíaca entre 60 e 100 batimentos por minuto.

  • Onda P presente, indicando ritmo sinusal. A onda P normal costuma ter menos de 0,12 segundos de duração.

  • Intervalo PR tem duração entre entre 0,12 e 0,20 segundos.

  • Complexo QRS tem duração entre 0,06 e 0,10 segundos.

  • Eixo elétrico normal situa-se entre -30º e +90º.

O que é ECG alterado?


Agora que você já aprendeu a respeito do exame e quando é indicado fazê-lo bem como os resultados que são considerados normais, fica mais fácil para aprender a alteração no exame. 

Isso porque, somente um médico especializado pode conversar com você a respeito dos resultados reais e as medidas que deverão ser tomadas, por isso, sempre que tiver qualquer alteração no seu eletrocardiograma é extremamente  importante ir ao retorno médico.

  • Alteração na repolarização ventricular

A alteração na repolarização ventricular é uma alteração comum e nada mais é que um algum problema que acontece no processo de preparação do coração para uma nova contração.

  • Bloqueios de ramos

Bloqueios de ramo alteram a condução elétrica. Sua relevância depende do tipo, dos sintomas e do histórico clínico.

Tal bloqueio de ramos significa que existe uma parte do coração que não é capaz de conduzir o impulso elétrico para o ventrículo em questão. 

  • Arritmia sinusal

A arritmia sinusal é uma alteração bastante comum que o eletrocardiograma detecta. Tal condição é benigna e extremamente comum em pessoas jovens.

A arritmia sinusal pode acompanhar a respiração e ser uma variação fisiológica. A avaliação define seu significado.

  • Fibrilação atrial

A fibrilação atrial, conhecida como FA, é um tipo de arritmia que acontece quando existe uma geração não controlada de estímulos elétricos em um átrio, câmara superior do coração. 

  • Extrassístoles

Extrassístoles são batimentos antecipados. Sua importância depende da frequência, dos sintomas e de outras condições cardíacas.

O que pode interferir no resultado do ECG?

Alguns fatores podem prejudicar a qualidade do registro:

  • Falta de calibração do aparelho: a manutenção é fundamental para que os resultados do exame sejam fidedignos. No caso, é necessário fazer um ajuste anual, incluindo a calibração do aparelho;

  • Aparelhos obsoletos: aparelhagens muito antigas tendem a apresentar defeitos com maior recorrência, mesmo com as manutenções periódicas, bem como disparidades durante o seu uso, podendo comprometer a exatidão do diagnóstico;

  • Interferências eletromagnéticas geradas por uma captação natural do corpo humano;

  • Contrações musculares que podem gerar voltagem o suficiente para afetar os dados;

  • Interferências sobre o próprio eletrodo, entre outros.

Se houver alguma suspeita sobre o resultado do exame ser irregular, a clínica poderá entrar em contato com o paciente e pedir para que ele seja refeito, sugerir a realização do Holter ou, então, de outros exames complementares para tirar eventuais dúvidas.

Qual a periodicidade com a qual o ECG deve ser realizado?

Converse com o médico sobre quando repetir o exame. Sintomas novos podem exigir avaliação antes de qualquer acompanhamento programado.

Monitorização de ECG contínua (Holter) e Prova de Esforço

Em alguns casos onde os sintomas não estão sempre presentes, os problemas cardíacos podem acabar não sendo identificados durante um registo de eletrocardiograma padrão. 

Quando necessário, o médico pode solicitar registros prolongados ou exames durante esforço.

Essa monitorização contínua pode ocorrer das seguintes formas:

  • Holter: que é um dispositivo móvel pequeno que regista um ECG contínuo, normalmente usado entre 24 a 48 horas. A pessoa transporta esse aparelho preso à cintura durante todo esse período. Posteriormente, os dados recolhidos são analisados pelo médico cardiologista;

  • Monitor de eventos: tal este dispositivo portátil é bem parecido com um Holter, entretanto ele grava apenas em determinados momentos (alguns minutos de cada vez), de acordo com a detecção de arritmias pelo aparelho ou pela ativação do paciente. Normalmente, o paciente aplica um botão quando sente os sintomas e o aparelho registra o ECG no período imediatamente antes, durante e após essas queixas. Estes monitores podem gravar a atividade cardíaca durante 7 ou até 30 dias. Existe ainda o registador cardíaco implantável (ILR) implantado pelo cardiologista debaixo da pele na região do tórax, que permite detectar arritmias durante mais de 3 anos;

  • ECG com prova de esforço (teste ergométrico): tal exame é parecido com o ECG padrão, entretanto, os dados são recolhidos enquanto a pessoa realiza esforço físico (normalmente em uma passadeira ou numa bicicleta). Este exame permite a deteção de alterações cardíacas durante o esforço físico. Reveste-se de algum risco pelo que é realizado na presença de um médico.

Outros exames do coração

Além do eletrocardiograma, podemos citar os seguintes exames cardiológicos, confira:

  • Holter;

  • Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial (MAPA);

  • Teste ergométrico ;

  • Raio-X de tórax;

  • Tomografia computadorizada;

  • Ecocardiograma ;

  • Ressonância magnética do coração e vasos (RM);

  • Angiografia digital;  

  • Cintilografia do miocárdio.

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A Conexa conecta pacientes a profissionais de saúde por atendimento digital. A necessidade de exame presencial deve ser avaliada na consulta.

Conclusão


Agora que você já sabe um pouco mais sobre como é feito o eletrocardiograma, suas implicações e seu funcionamento, poderá ficar mais seguro na hora de realizá-lo. Tire também suas dúvidas com especialistas e realize um acompanhamento médico a distância por meio da telemedicina.

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Quem orienta

Ana Luisa G. O. Credidio

Médica de Família e Comunidade

CRM 183841, RQE 93958

Médica com residência em Medicina de Família e Comunidade pelo Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa do Hospital Israelita Albert Einstein, pós-graduada em Liderança e Inovação pela Fundação Getúlio Vargas, pós-graduada em Data Science e Informática na Saúde pelo Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa do Hospital Israelita Albert Einstein.

Quem orienta

Ana Luisa G. O. Credidio

Médica de Família e Comunidade

CRM 183841, RQE 93958

Médica com residência em Medicina de Família e Comunidade pelo Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa do Hospital Israelita Albert Einstein, pós-graduada em Liderança e Inovação pela Fundação Getúlio Vargas, pós-graduada em Data Science e Informática na Saúde pelo Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa do Hospital Israelita Albert Einstein.