Em 30 de junho de 2026, a Conexa tinha 4.071.929 pessoas menores de 18 anos cadastradas. Os cadastros eram 5.909.150, número maior porque o mesmo adolescente pode aparecer mais de uma vez quando a família tem plano de saúde e benefício corporativo ao mesmo tempo.
Uma base desse tamanho coloca uma pergunta prática. Quando o serviço é consulta médica, e não entretenimento, como saber quem está do outro lado da tela e garantir que um responsável autorizou aquele acesso?
A Conexa publicou em 17 de setembro o seu Relatório Semestral de Transparência ligado ao ECA Digital, a lei que criou regras específicas de proteção de crianças e adolescentes em ambientes digitais. O documento cobre janeiro a junho de 2026 e descreve, item por item, como esses controles funcionam na prática.
O que é importante saber
4.071.929 crianças e adolescentes cadastrados na plataforma em 30 de junho de 2026.
Nenhuma conta de menor é liberada antes do aceite do responsável legal.
A idade informada é confrontada com o CPF em consulta a fonte oficial.
Os dados de saúde desse público seguem regras específicas de acesso e de segurança.
Cadastro concluído não significa acesso liberado
O percurso tem etapas separadas e é essa separação que faz a diferença.
Informar uma data de nascimento não basta. A plataforma confronta a informação com o CPF em consulta à fonte oficial, por meio de solução especializada de terceiro. A autodeclaração de idade, sozinha, não é aceita. Havendo divergência, o sistema pede correção, limita o número de tentativas e encaminha o caso ao suporte. Se a fonte oficial estiver indisponível no momento, a verificação é refeita em um acesso posterior.
Cada verificação fica registrada para auditoria. O sistema diferencia divergência de CPF de divergência de data de nascimento, o que muda o tipo de correção pedida ao usuário.
A segunda trava é independente da primeira. Mesmo com a idade confirmada e o cadastro concluído, o menor continua com acesso restrito na página inicial até que o responsável legal registre o aceite. O registro é eletrônico, com data e hora, e pode ser revogado depois por solicitação aos canais de atendimento ou ao encarregado de dados da empresa.
Proteger o menor também é proteger o prontuário dele
Uma teleconsulta produz o tipo de informação que ninguém quer ver circulando: sintoma, diagnóstico, histórico, prescrição. No caso de crianças e adolescentes, o relatório trata esse conjunto como dado sensível desde a coleta.
Os dados trafegam e ficam armazenados de forma criptografada. O acesso interno segue o princípio do menor privilégio, com autenticação multifator, o que significa que cada profissional enxerga apenas o necessário para o seu trabalho. O prontuário eletrônico tem acesso segregado e a lista de quem pode abrir o quê passa por revisão periódica. O ambiente é submetido a testes de intrusão e a auditoria externa independente, e dados reais de pacientes não podem ser usados em ambientes de teste.
Há também o que a empresa declara não fazer. A Conexa informa que não cria perfis comportamentais de crianças e adolescentes para direcionar publicidade comercial. A arquitetura ajuda nesse ponto: a plataforma não tem feed, mural, perfil público nem recomendação de conteúdo de terceiros. A interação acontece entre paciente e profissional de saúde identificado, em ambiente clínico fechado.
Publicar os indicadores faz parte da proteção
Existe um canal externo de denúncias, operado por empresa independente, disponível 24 horas por dia e aberto a relatos anônimos. Ele fica no rodapé do site e no menu de ajuda do aplicativo do paciente, acessível também a responsáveis legais e a profissionais de saúde.
Na triagem, relatos que envolvam risco à integridade física ou psicológica de criança ou adolescente recebem tratamento prioritário. Medidas imediatas de proteção não esperam o fim da apuração.
No primeiro semestre de 2026, a Conexa não recebeu notificações enquadradas nas categorias de violação de direitos de crianças e adolescentes contabilizadas pelo relatório. O documento não afirma que nada ocorreu na plataforma. Afirma que, nessas categorias e nesse período, não houve notificação registrada.
O relatório também lista os riscos que a empresa mapeou, com o grau de severidade atribuído a cada um. Acesso indevido a dados de saúde de menor aparece como risco alto. Idade declarada incorretamente no cadastro, como risco médio. Publicar essa lista é uma escolha: ela mostra onde a empresa acredita estar mais exposta.
Proteger crianças e adolescentes na saúde digital não se resume a controlar quem entra. Envolve confirmar quem está acessando, trazer o responsável para dentro da decisão, cuidar de informações clínicas que acompanham a pessoa por anos e manter um caminho aberto para agir quando algo der errado. O relatório é um retrato de como esse conjunto funciona hoje. Sendo semestral, ele recoloca os mesmos indicadores em público no próximo período.
Perguntas frequentes
O que é o ECA Digital?
É a Lei nº 15.211/2025, que estabelece regras de proteção de crianças e adolescentes em serviços digitais. Ela trata de verificação de idade, participação do responsável legal, proteção de dados e canais de denúncia, e obriga plataformas com grande número de usuários menores de idade a publicar relatórios periódicos de transparência.
Como a Conexa verifica a idade de crianças e adolescentes?
A data de nascimento informada no cadastro é confrontada com o CPF em consulta a fonte oficial, feita por solução especializada de terceiro. A autodeclaração não é suficiente. Se houver divergência, o sistema solicita correção, limita as tentativas e encaminha o caso ao suporte. Cada verificação fica registrada para auditoria.
Menores podem acessar a Conexa sem autorização do responsável?
Não. O cadastro pode ser concluído, mas o acesso permanece restrito até que o responsável legal registre o aceite, colhido de forma específica antes da liberação da conta. O aceite fica registrado com data e hora e pode ser revogado depois.












