A dor no peito tem mais de 13 causas comuns, e nem todas vêm do coração. Segundo a Diretriz Brasileira de Atendimento à Dor Torácica da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC, 2025), o sintoma motiva entre 5 e 8 milhões de atendimentos de emergência por ano no Brasil. Mas apenas 5% a 20% dos casos são um ataque cardíaco..
Mesmo assim, qualquer dor no peito intensa, com mais de 20 minutos, ou acompanhada de falta de ar, suor frio, náusea ou irradiação para braço esquerdo, mandíbula ou costas, exige atendimento de emergência imediato. Nesses casos, ligue para o SAMU 192.
Neste guia você encontra as 13 principais causas de dor no peito, uma tabela rápida para diferenciar dor cardíaca de dor não cardíaca, sinais atípicos em mulheres, idosos e diabéticos, e o roteiro do que fazer quando a dor aparece, do pronto-socorro físico ao Pronto Atendimento Virtual da Conexa Saúde.
O que é considerado uma dor no peito?
A dor no peito é qualquer desconforto, pressão, aperto ou dor que ocorre na área torácica, com intensidade e duração variáveis. Pode aparecer como queimação, pontadas, aperto ou peso no peito.
Nem toda dor no peito está relacionada a problemas cardíacos. Muitas vezes ela vem de condições menos graves, como indigestão, tensão muscular, ansiedade ou inflamação na parede torácica.
Pela possibilidade de problemas cardíacos sérios, qualquer dor no peito deve ser avaliada por um médico para identificar a causa e garantir o tratamento adequado. Atenção redobrada quando a dor vier acompanhada de falta de ar, sudorese, náuseas ou irradiação para braço, pescoço ou mandíbula.
Como avaliar a gravidade da dor no peito
Avaliar a gravidade da dor é importante porque ela pode indicar uma série de condições médicas, algumas graves. Observar as características da dor ajuda a identificar se você está ou não tendo um infarto.
Estas perguntas objetivas servem como roteiro caso você precise procurar atendimento e descrever o que sente:
- Você tem algum histórico médico relevante? (hipertensão, diabetes, colesterol alto, tabagismo, infarto na família)
- De 0 a 10, qual a intensidade da dor? Sendo 0 ausência de dor e 10 a pior dor possível.
- Qual o tipo de dor? Pode ir de aperto e pressão até dor aguda, latejante ou em queimação.
- Quando a dor começou? Houve algum evento específico que possa tê-la desencadeado?
- Com que frequência você sente essa dor? Já aconteceu antes?
- Existem outros sintomas associados? (falta de ar, suor frio, náusea, palpitações, tontura)
Como saber se a dor no peito é um infarto?
O infarto ocorre quando o fluxo sanguíneo para uma parte do músculo cardíaco é bloqueado, geralmente por um coágulo. A dor no peito é o sintoma mais clássico de um ataque cardíaco, mas nem toda dor torácica é cardíaca, e nem todo infarto se manifesta como dor torácica típica.
Os sinais que apontam para um infarto iminente e que não devem ser ignorados são:
- Dor no peito intensa e persistente, em aperto, pressão ou queimação no centro do tórax
- Dor que irradia para braço esquerdo, mandíbula, ombro, costas ou pescoço
- Falta de ar
- Náuseas e vômitos
- Suor frio
- Palpitações
- Fraqueza repentina
Dor cardíaca vs. dor não cardíaca: como diferenciar
| Critério | Dor cardíaca (infarto ou angina) | Dor não cardíaca |
|---|---|---|
| Localização | Centro do peito, atrás do esterno. Difusa, sem ponto exato | Pode ser apontada com o dedo (muscular), retroesternal (refluxo) ou difusa (ansiedade) |
| Caráter da dor | Aperto, pressão, peso ou queimação. Descrita como sensação de elefante sentado no peito | Pontada, fisgada, ardor, queimação localizada |
| Duração | Geralmente acima de 20 minutos, contínua | Variável, muitas vezes intermitente, pode durar segundos a horas |
| Irradiação | Braço esquerdo, mandíbula, costas, pescoço e ombros | Raramente irradia |
| Sintomas associados | Falta de ar, suor frio, náusea, palpitação, palidez, tontura | Azia (refluxo), tosse (pulmonar), tremor (ansiedade), febre (infecção) |
| Relação com movimento e respiração | Não muda ao mover-se ou respirar fundo | Muscular piora ao mover ou pressionar; pulmonar piora ao respirar fundo |
| Alívio com repouso | Não melhora com repouso, nem com analgésicos comuns | Muscular pode aliviar em repouso; refluxo, com antiácido |
A localização da dor ajuda, mas não fecha o diagnóstico. Dor no lado esquerdo do peito é a mais associada ao coração, principalmente quando irradia para o braço e a mandíbula. Dor no meio do peito (retroesternal) acontece tanto em infarto quanto em refluxo. Dor no lado direito costuma ter origem pulmonar, hepática ou muscular. Em qualquer um dos casos, são os sintomas associados que dão a pista mais confiável.
Importante: essa tabela é orientativa e não substitui avaliação médica. A Diretriz SBC 2025 desaconselha o uso dos termos “dor típica” e “atípica” porque podem induzir interpretação equivocada de “não cardíaca” sem investigação adequada.
Sintomas atípicos em mulheres, idosos e diabéticos
Em mulheres, pessoas com mais de 65 anos e diabéticos, o infarto pode não causar dor torácica clássica. Os sinais aparecem como cansaço súbito e extremo, dor na região do estômago, falta de ar isolada ou desconforto na mandíbula, costas ou braços, sem aperto evidente no peito.
Outro critério prático apontado pela Sociedade Brasileira de Cardiologia: dores torácicas que persistem por mais de 20 minutos merecem avaliação imediata, independentemente da intensidade. Tempo é músculo cardíaco. Quanto antes o atendimento, menor a lesão definitiva.
Se você ou alguém próximo apresentar esses sintomas, ligue para o SAMU 192 imediatamente. No infarto, tempo é o fator que mais pesa, e o atendimento rápido pode salvar vidas.
Se você tem fatores de risco para doenças cardíacas (histórico familiar, pressão alta, diabetes, colesterol alto ou tabagismo), a atenção a esses sinais precisa ser ainda maior, com avaliação preventiva regular.
Quais as causas comuns de dor no peito?
A dor no peito pode ter origem em diferentes sistemas do corpo. Reunimos abaixo as 13 causas mais comuns, organizadas por categoria. Em seguida, tratamos separadamente a crise de ansiedade, que merece destaque por ser frequentemente confundida com infarto.
Causas cardíacas
A dor no peito pode vir de diversos problemas cardíacos. Entre as principais causas estão:
- Infarto do miocárdio: uma das artérias coronárias fica bloqueada e impede o fornecimento de sangue para parte do músculo cardíaco. Os principais sintomas são dor no peito intensa e prolongada, falta de ar, náuseas e sudorese.
- Arritmias cardíacas: distúrbios do ritmo cardíaco que podem causar palpitações, tonturas e, em alguns casos, dor no peito.
- Miocardite: inflamação do músculo cardíaco. Pode causar dor no peito ao respirar profundamente, junto com febre, fadiga e falta de ar.
Causas gastrointestinais
Problemas gastrointestinais também podem causar dor no peito. As principais condições são:
- Refluxo gastroesofágico (DRGE): o ácido do estômago volta para o esôfago e causa queimação no peito (azia). A dor é sentida atrás do esterno e piora após as refeições ou ao deitar.
- Pancreatite: a inflamação do pâncreas pode causar dor abdominal superior que irradia para o peito, com náuseas, vômito, febre e batimentos acelerados.
- Esofagite (inflamação do esôfago): regurgitação ácida, azia e dor para engolir são os sintomas mais comuns. A esofagite costuma ter origem em refluxo ácido crônico e pode causar dor no peito.
Causas ósseas e musculares
A dor no peito também pode ter origem em problemas ósseos e musculares. Entre eles:
- Artrite: artrite reumatoide, osteoartrite e espondilite anquilosante podem afetar as articulações da coluna e das costelas e causar dor no peito. Sintomas associados: febre, mal-estar, fadiga, inchaço articular e rigidez.
- Distúrbios musculares: condições como fibromialgia afetam a sensibilidade muscular e podem causar dor generalizada, incluindo no peito, com fadiga, fraqueza e atrofia.
- Doenças da coluna vertebral: hérnias de disco e compressão de nervos espinhais podem causar dor no peito irradiada pela inflamação ou compressão dos nervos. Os principais sintomas são dor irradiada, formigamento, perda de força no braço e piora ao mover a coluna.
Causas pulmonares
Problemas pulmonares também são causas comuns de dor no peito. Exemplos:
- Asma: doença crônica que causa inflamação e estreitamento das vias respiratórias. As crises podem provocar dor no peito pela dificuldade em respirar. Sintomas associados: falta de ar, dificuldade para respirar, tosse, aperto e chiado no peito.
- Câncer de pulmão: pode causar dor no peito pelo crescimento do tumor ou pela disseminação para estruturas próximas, como a parede torácica. Outros sintomas: falta de ar, tosse persistente (às vezes com sangue) e rouquidão.
- Derrame pleural: acúmulo anormal de líquido entre as camadas da pleura. Causa dor no peito, falta de ar e tosse.
- Pneumonia: infecção nos pulmões que causa dor no peito por inflamação dos tecidos pulmonares. A dor é aguda e piora ao tossir ou respirar fundo. Outros sintomas: febre, calafrios, respiração rápida e superficial, confusão mental.
Como diferenciar infarto de uma crise de ansiedade?
Durante uma crise de ansiedade, o corpo tem uma resposta física intensa ao estresse, que pode incluir dor no peito em aperto, pressão, queimação ou pontadas. Essa dor é preocupante porque imita sintomas cardíacos. Na maioria dos casos, ela está ligada à resposta fisiológica ao estresse agudo, não a uma obstrução coronariana.
Diferenças que ajudam a separar uma da outra: a dor da crise de ansiedade tende a variar com o estado emocional, pode ser localizada e melhorar com técnicas de respiração. A dor do infarto é constante, não responde ao repouso e geralmente vem acompanhada de suor frio, falta de ar e irradiação. Em caso de dúvida, busque atendimento médico. Só exames como o eletrocardiograma podem descartar uma origem cardíaca.
O que fazer quando a dor no peito aparece?
Quando a dor surge, a primeira decisão não é diagnosticar. É escolher o caminho certo de atendimento. Use este roteiro como guia.
1. Emergência: SAMU 192 ou pronto-socorro físico
Se a dor for intensa, súbita, com mais de 20 minutos, ou se vier acompanhada de qualquer um destes sinais, irradiação para braço esquerdo, mandíbula ou costas; falta de ar; suor frio; náusea; tontura; sensação de desmaio; histórico cardíaco prévio com dor súbita, não tente conduzir o próprio carro. Ligue para o SAMU 192 imediatamente ou peça que alguém leve você ao pronto-socorro mais próximo.
2. Dor leve, persistente ou recorrente
Para dores no peito leves, sem sinais de emergência, mas que se repetem ou geram preocupação (sensação de queimação ligada a refeições, dor muscular após esforço, episódios de ansiedade com aperto no peito), o Pronto Atendimento Virtual da Conexa Saúde oferece avaliação médica 24 horas por dia, em minutos, pelo celular ou computador. O médico orienta condutas iniciais, prescreve quando indicado e encaminha para especialista ou emergência presencial se identificar sinais de alerta.
3. Avaliação preventiva e fatores de risco
Se você tem histórico familiar de infarto, pressão alta, diabetes, colesterol alto ou já sentiu episódios anteriores, agende uma teleconsulta com cardiologista pela Conexa para mapear fatores de risco, solicitar exames complementares e estruturar um plano de prevenção contínuo.
Como é feito o diagnóstico de dor no peito?
Diagnosticar a dor no peito exige atenção, porque o sintoma acompanha condições muito diferentes entre si. O processo começa com uma história clínica detalhada, em que o médico investiga características da dor, histórico médico, fatores de risco e possíveis desencadeadores.
Em seguida vem o exame físico para avaliar sinais vitais (pressão arterial, pulso e ausculta de pulmões e coração). Dependendo da hipótese, podem ser solicitados exames complementares como eletrocardiograma (ECG) para registrar a atividade elétrica do coração, radiografia de tórax e ecocardiograma para avaliar a estrutura e a função do coração e dos pulmões.
O diagnóstico pode envolver uma equipe multidisciplinar: cardiologistas, pneumologistas e gastroenterologistas trabalhando em conjunto para identificar a causa com precisão e iniciar o tratamento o quanto antes.
Quando devo ir ao médico investigar a dor no peito?
Se a dor no peito se intensifica ou persiste, busque atendimento médico imediatamente, sobretudo quando for intensa, prolongada ou acompanhada de falta de ar, sudorese, náuseas, vômitos, tonturas ou palpitações.
Esses sinais podem indicar condição séria, como infarto, embolia pulmonar ou outras doenças cardiovasculares graves. Mesmo dores leves ou intermitentes merecem avaliação médica. Elas podem ser alertas precoces de problemas subjacentes.
Como é feito o tratamento para dor no peito?
O tratamento da dor no peito varia conforme a causa subjacente. Em dores de origem cardíaca, o tratamento de emergência pode envolver medicamentos para diluir o sangue, abrir artérias obstruídas e reduzir a sobrecarga sobre o coração. Procedimentos como angioplastia coronariana e cirurgia de bypass podem ser indicados para restaurar o fluxo sanguíneo.
Para outras condições cardíacas, como a angina, podem ser prescritos medicamentos que controlam a pressão arterial, reduzem o colesterol e previnem coágulos sanguíneos.
Em dores de origem respiratória, como pneumonia ou embolia pulmonar, o tratamento inclui antibióticos, anticoagulantes e terapia respiratória, com medidas que mantêm a oxigenação adequada.
Para dores ligadas a distúrbios digestivos, como azia ou refluxo, são prescritos medicamentos que reduzem a produção de ácido estomacal, combinados com mudanças no estilo de vida (dieta e horários das refeições).
O tratamento da dor no peito é sempre individualizado: considera a causa específica e as condições de saúde do paciente.
Como evitar dores no peito
A prevenção passa por hábitos sustentáveis ao longo do tempo. Para começar, adote uma dieta equilibrada, rica em frutas, vegetais, grãos integrais e proteínas magras. Evite alimentos ultraprocessados, gorduras saturadas e excesso de sal.
Exercício físico regular protege o coração e ajuda no controle do estresse, da pressão arterial e do colesterol. Quem está fora de forma deve começar com intensidade leve e progressão gradual, idealmente com orientação profissional.
Controle do peso, sono adequado, abandono do tabagismo e checkup anual completam o conjunto de fatores protetores. Se há histórico familiar de infarto precoce, hipertensão ou diabetes em pais ou irmãos, a avaliação cardiológica deve começar mais cedo.
Na Conexa Saúde, você pode fazer seu acompanhamento de saúde do conforto da sua casa, com equipe médica especializada e teleconsulta em mais de 30 especialidades.

