A distimia é uma forma crônica de depressão caracterizada por sintomas leves a moderados que duram por pelo menos dois anos em adultos. Nas crianças e adolescentes, o problema dura cerca de um ano.
Diferente da depressão maior, a distimia, também chamada de transtorno depressivo persistente, apresenta sintomas duradouros, mas menos intensos. Mesmo assim, prejudicam a qualidade da vida, haja vista que afetam o humor, a energia e a motivação da pessoa.
Leia o nosso artigo e entenda tudo que envolve o transtorno depressivo persistente e as formas de tratamentos disponíveis. Confira!
Como é uma pessoa com distimia?
Uma pessoa com distimia, ou transtorno depressivo persistente, vive com sintomas depressivos de forma contínua e prolongada. O problema pode acompanhar o paciente por anos.
Embora os sintomas sejam menos intensos que na depressão maior, eles são constantes e impactam a qualidade de vida
Pessoas com distimia geralmente:
- se isolam e evitam contato social;
- sofrem de uma tristeza constante;
- têm baixa autoestima e autocrítica exagerada;
- se sentem sempre cansadas e sem energia;
- perdem o interesse em atividades que antes gostavam;
- ficam irritadas e impacientes com facilidade;
- apresentam mudanças no apetite e no sono;
- sentem-se inadequadas e desmotivadas para as tarefas do dia a dia.
Esses sinais podem passar despercebidos por familiares e amigos, já que a pessoa costuma manter uma rotina aparentemente normal.
É como se ela estivesse sempre com a vida na nota 5. A vitalidade e energia são apenas suficientes para cumprir suas tarefas obrigatórias (como trabalho, estudos…). Porém, dificilmente se sentem alegres e, internamente, enfrentam um sofrimento contínuo.
Qual a diferença entre distimia e depressão?
A principal diferença entre distimia e depressão maior é a duração e a intensidade dos sintomas.
A depressão maior envolve episódios de sintomas severos que duram, pelo menos, duas semanas, enquanto a distimia é uma condição crônica com sintomas menos intensos, mas que persistem por dois anos ou mais.
Enquanto a depressão maior pode causar uma interrupção significativa na vida da pessoa, a distimia tende a ser mais insidiosa, afetando lentamente o bem-estar e a funcionalidade ao longo do tempo.
Quais os principais sintomas da distimia?
A principal característica da distimia é o humor rebaixado, durando 2 anos ou mais, mas apresentando sintomas mais moderados. Em geral, os sintomas são:
- Sentimentos persistentes de tristeza ou vazio;
- Perda de interesse em atividades anteriormente apreciadas;
- Sentimentos de desesperança;
- Baixa autoestima;
- Irritabilidade (particularmente em crianças e adolescentes);
- Atenção ou concentração reduzidas;
- Fadiga ou falta de energia;
- Alterações no apetite (perda ou ganho de peso);
- Problemas de sono (insônia ou sono excessivo);
- Dores e desconfortos físicos sem causa aparente.
Quais são as principais causas da distimia?
As causas da distimia não são completamente compreendidas, mas acredita-se que uma combinação de fatores biológicos, genéticos, ambientais e psicológicos contribua para o seu desenvolvimento:
- Genética: histórico familiar de depressão pode aumentar o risco de desenvolver distimia.
- Química cerebral: desequilíbrios nos neurotransmissores do cérebro, como serotonina e dopamina, podem desempenhar um papel importante.
- Fatores ambientais e sociais: experiências de vida estressantes, como traumas, abuso, perda de um ente querido ou estresse crônico.
- Fatores psicológicos: traços de personalidade, como baixa autoestima, pessimismo e autocrítica severa, podem aumentar a vulnerabilidade à distimia.
Qual o tempo de duração da distimia?
A distimia é caracterizada pela presença contínua de sintomas depressivos por pelo menos dois anos em adultos.
Em crianças e adolescentes, o diagnóstico pode ser feito quando os sintomas persistem por um ano ou mais.
Sem tratamento adequado, a distimia pode durar muitos anos e se tornar uma condição crônica.
Fatores que podem contribuir para a distimia
Existem diferentes fatores de risco para desenvolver a distimia, que são os seguintes:
- Histórico familiar: ter parentes próximos, como pais ou irmãos, que sofrem de transtornos de humor ou depressão.
- Predisposição genética: determinadas variantes genéticas podem predispor um indivíduo a transtornos de humor.
- Experiências traumáticas ou estressantes: situações adversas, especialmente, na infância, como abuso físico ou psicológico, perdas emocionais, negligência, abandono, etc.
- Presença de outras condições de saúde mental: transtornos de ansiedade, abuso de substâncias.
- Isolamento social: falta de uma rede de apoio são fatores que podem agravar a sensação de solidão e desesperança.
- Aspectos psicológicos: pessoas com um estilo de pensamento pessimista ou baixa resiliência emocional.
- Dificuldade de gerenciar o estresse: a capacidade de lidar com o estresse de maneira adaptativa ou que têm uma visão negativa do futuro.
Como é feito o diagnóstico da distimia?
O diagnóstico da distimia é feito por um profissional de saúde mental, como um psicólogo ou psiquiatra, com base nos critérios estabelecidos pelo DSM-5.
Isso é essencial porque os sintomas podem se confundir com os de outras condições, como o transtorno de ansiedade generalizada ou a depressão maior.
Um dos principais sintomas que diferenciam a distimia de outras condições é a duração dos sintomas: eles devem ser constantes por pelo menos dois anos em adultos (ou por um ano em crianças e adolescentes), sem períodos de alívio superiores a dois meses.
Esse padrão persistente é uma das coisas que ajudam os especialistas a identificarem o transtorno corretamente e diferenciarem de episódios isolados de tristeza ou outras condições do humor.
Em uma consulta, além da duração, o profissional também observa se os sintomas:
- causam sofrimento emocional significativo;
- atrapalham a rotina em áreas como trabalho, estudos e relacionamentos;
Buscar ajuda especializada é essencial para o diagnóstico correto. Mas, não só isso, a consulta com um profissional é essencial para iniciar o tratamento o quanto antes e evitar a evolução do problema.
Do mesmo modo que as doenças físicas, a evolução do quadro de distimia também oferece riscos à vida.
Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a depressão está entre os principais fatores de risco para o suicídio, que é a quarta principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos.
Pessoas com distimia não tratada podem desenvolver episódios de depressão maior e apresentar maior vulnerabilidade a pensamentos suicidas.
Se você ou alguém próximo percebe sinais persistentes de desânimo, falta de energia, baixa autoestima e desesperança por um período prolongado, procure um profissional da saúde mental.
Um diagnóstico preciso e o início do tratamento podem mudar a trajetória da doença e salvar vidas.
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A distimia pode afetar crianças e adolescentes?
A distimia, também chamada de transtorno depressivo persistente, pode afetar não apenas adultos, mas também crianças e adolescentes.
Nesses grupos, os sintomas costumam se manifestar de forma diferente, o que pode dificultar a identificação do transtorno.
Em crianças, os sinais mais comuns incluem:
- Irritabilidade persistente
- Queda no rendimento escolar
- Dificuldade para demonstrar sentimentos
- Falta de interesse por brincadeiras ou atividades que antes eram prazerosas
- Afastamento de outras crianças ou apego excessivo aos cuidadores
Nos adolescentes, alguns dos principais sintomas são:
- Irritabilidade que surge junto a comportamentos de rebeldia
- Isolamento social
- Baixa autoestima
- Desinteresse por atividades escolares ou sociais
- Alterações no sono e no apetite
- Falta de motivação ou de perspectiva de futuro
Nessas faixas etárias, o diagnóstico é ainda mais delicado, uma vez que muitos desses sinais podem ser confundidos com comportamentos comuns no desenvolvimento de crianças e adolescentes.
Neste caso, pais, responsáveis e professores têm um papel vital: estar sempre atentos às mudanças de comportamento e sinais fora do comum que eles possam apresentar.
Na suspeita, o encaminhamento para ajuda profissional é sempre bem-vindo.
Distimia tem cura?
A distimia não tem uma cura imediata, mas pode ter a remissão total dos sintomas com tratamento adequado.
Com acompanhamento psicológico, uso de medicação quando necessário e mudanças no estilo de vida, muitas pessoas conseguem reduzir significativamente os sintomas e ter qualidade de vida.
Tratamentos para distimia
O tratamento da distimia, geralmente, envolve uma combinação de terapias e, em alguns casos, medicação. Entenda mais a seguir:
- Psicoterapia: ajuda a identificar e modificar padrões de pensamento negativos e comportamentos depressivos. É a abordagem mais utilizada no tratamento da distimia, por oferecer resultados consistentes a longo prazo e atuar diretamente na causa dos sintomas.
- Terapias complementares: técnicas como mindfulness, meditação e exercício físico regular podem ajudar a reduzir os níveis de estresse e melhorar o bem-estar geral.
- Medicação: dependendo do quadro, fármacos como antidepressivos, principalmente os inibidores seletivos da recaptação de serotonina e os inibidores da recaptação de serotonina e noradrenalina, podem ser prescritos para reduzir os sintomas da distimia.
- Mudanças no estilo de vida: adotar uma dieta balanceada, manter uma rotina de sono regular e evitar o uso de álcool e drogas.
Como ajudar alguém com distimia?
Se você conhece alguém com distimia, existem várias maneiras de ajudar a pessoa superar essa condição. Confira abaixo quais são elas:
- Ofereça apoio emocional: seja um ouvinte atento e compreensivo, mostrando empatia sem julgamento.
- Encoraje a busca de ajuda profissional: incentive, de forma respeitosa e cautelosa, a pessoa a procurar um psicólogo ou psiquiatra para uma avaliação e tratamento adequado. Explique que o tratamento é um ato de cuidado e não de fraqueza. Isso ajuda a diminuir o estigma.
- Eduque-se sobre a distimia: aprender sobre a condição pode ajudar a entender melhor o que a pessoa está passando e como oferecer suporte eficaz, diminuindo as chances de interpretações erradas.
- Apoie na adesão ao tratamento: ajude, de maneira gentil, a pessoa a seguir as recomendações médicas, como tomar medicação e participar de sessões de terapia.
- Esteja presente na rotina do dia a dia: ajudar nas atividades diárias, fazer companhia e estar disponível traz uma sensação de acolhimento e conforto.
Além disso, é importante evitar certas frases e atitudes, que não contribuem com a recuperação, que incluem:
- Usar frases como “é só ficar feliz”, “tem gente em situação pior” ou “isso é frescura”.
- Sugerir que a pessoa “pense positivo” ou “reaja”.
Lembre-se que essas frases e comportamentos desvalorizam o sofrimento da pessoa, podendo contribuir para o isolamento e o sentimento de culpa, dificultando ainda mais a busca por ajuda psicológica.
Quando procurar um médico para tratar a distimia?
Reconhecer os sinais que indicam a necessidade de buscar ajuda médica é fundamental para garantir um diagnóstico correto e iniciar o tratamento adequado da distimia.
Fique atento a sinais como:
- Sentimentos constantes de tristeza, desânimo, irritabilidade ou desesperança;
- Dificuldade para realizar atividades diárias, como trabalhar, estudar ou manter relacionamentos sociais;
- Baixa autoestima e perda de interesse em atividades que antes eram prazerosas;
- Alterações no sono e no apetite;
- Isolamento social ou dificuldade para se relacionar com outras pessoas;
- Pensamentos frequentes sobre morte ou suicídio.
Caso você ou alguém próximo apresente um ou mais desses sinais, é importante procurar um profissional de saúde mental, como um psicólogo ou psiquiatra.
Como consultar um médico?
Buscar ajuda especializada quanto antes é essencial para obter um diagnóstico precoce e aumentar as chances de sucesso no tratamento.
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