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Dermatite atópica: o que é, sintomas, causas e tratamentos

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A dermatite atópica é uma inflamação de pele crônica, caracterizada por lesões  avermelhadas, descamação, ressecamento e pele seca, manifestando-se em diferentes fases da vida, principalmente, na infância. 

Essa condição pode estar associada a predisposição hereditária ou alergia, como asma, rinite alérgica e alergia alimentar.  Embora não seja contagiosa, a dermatite atópica pode impactar a qualidade de vida, afetando a autoestima e até as relações sociais.

Entender o que é essa condição, os principais sintomas e causas mais comuns permite que você identifique os sinais de alerta e busque orientação médica. Leia o nosso artigo!

Causas e fatores de risco da dermatite atópica

A dermatite atópica  pode ser desencadeada por diferentes fatores como herança genética, desequilíbrio da barreira cutânea, além de aspectos ambientais e alterações do sistema imunológico. 

Nesse sentido, indivíduos que possuem histórias de condições alérgicas, como rinite ou asma, possuem maior risco de desenvolver a dermatite atópica. 

Além disso, ela também pode se manifestar em pessoas que têm uma fragilidade da barreira de proteção da pele, principalmente, aqueles que possuem uma baixa produção de proteínas essenciais e de lipídios, o que contribui para o ressecamento e o ingresso de agentes alérgenos e irritantes no organismo.

Outro fator desencadeante são elementos ambientais, como clima seco, poluição, suor excessivo, banhos quentes ou mesmo o estresse emocional.

Essa inflamação de pele crônica também pode ter ligação com o sistema  imunológico, que tem uma reação exagerada, liberando substâncias inflamatórias e aumentando a sensibilidade a microrganismos.

Essa condição faz com que o ciclo de coceira seja mantido de forma prolongada, causando a inflamação típica da doença.

Quais os sintomas da dermatite atópica?

Entre os principais sintomas da dermatite atópica estão pele sensível e seca, coceira, além de lesões avermelhadas, que podem evoluir para feridas abertas, vesículas e crostas, provocando descamação.

Em casos de dermatite atópica persistente, o ato de coçar repetidamente também pode levar ao espessamento da pele. 

Isso acontece porque a pele seca produz prurido e, ao coçar repetidamente, essa condição evolui para uma inflamação, aumentando o desconforto na região e perpetuando o quadro.  

Sintomas em bebês (3 meses a 2 anos)

Os sintomas da dermatite em bebês costumam aparecer no rosto, principalmente, nas bochechas, braços, pernas e couro cabeludo. As feridas, de modo geral, liberam líquidos e são úmidas, com bolhas, crostas e rachaduras. 

Essa coceira intensa pode resultar em dificuldade para dormir, levando a irritação e até problemas na alimentação. 

Sintomas em crianças (2 a 12 anos)

No caso de crianças entre 2 a 12 anos, os sintomas da dermatite atópica incluem lesões localizadas ao redor da boca, olhos, tornozelos, pulsos, pescoço, cotovelos e joelhos.

A pele costuma ficar espessa e seca, levando a uma textura de pele endurecida, evidenciando os sulcos cutâneos.

Essa condição impacta de forma significativa o convívio social e escolar, já que as crianças podem se sentir envergonhadas em razão das lesões, culminando no afastamento social.

Sintomas em adolescentes e adultos

As áreas mais afetadas em adolescentes e adultos, são o rosto, pescoço e mãos, além de dobras cutâneas, como atrás do joelho ou no antebraço. 

Além disso, a pele também tem um espessamento crônico, com sulcos evidentes e textura endurecida em razão da coceira contínua. 

Os sintomas são recorrentes e persistentes, apresentando um ciclo de melhora e piora, comprometendo o controle da inflamação. 

Diagnóstico do eczema atópico

O diagnóstico da dermatite atópica é feito a partir de uma avaliação clínica, considerando os sintomas relatados, histórico do paciente e as características das erupções de pele.

Alguns critérios, como  Hanifin e Rajka, são usados para confirmar as suspeitas de eczema atópico baseado na localização das lesões, na intensidade do prurido, histórico familiar de alergias de pele e a evolução crônica.

Nem sempre é necessário a realização de exames complementares, mas eles podem ser indicados em caso de  suspeita de alergias específicas ou quando ainda há dúvidas sobre a condição. 

Nesses casos, exames, como testes de contato ou biópsia em situações mais complexas, são usados para descartar outras doenças. 

O diagnóstico correto de dermatite atópica é essencial, principalmente, para diferenciar essa condição de outras doenças de pele, como dermatite seborreica, dermatite de contato e psoríase.

Complicações da dermatite atópica

A dermatite atópica pode resultar em complicações em diferentes aspectos da saúde, comprometendo não somente a pele, mas também a saúde emocional, o bem-estar físico e o convívio social.

Entenda quais são elas:

  • Infecções secundárias: a dermatite atópica deixa a pele fragilizada, o que pode contribuir com o ingresso de bactérias como o Staphylococcus aureus, causando outras condições como abscessos, foliculite e impetigo, além de infecçõessérias.

  • Eczema herpético: condição rara provocada pelo herpes simplex, manifestando-se por meio de bolhas, febre e mal-estar, exigindo cuidados e atendimento médico imediato.

  • Distúrbio de sono e comprometimento do desempenho: a coceira intensa e persistente impacta o descanso, já que a pessoa tem dificuldade para dormir, afetando o bem-estar geral, o desempenho no trabalho e nos estudos. 

  • Consequências emocionais e sociais: a dermatite de contato causa lesões, muitas vezes, bem  visíveis, gerando o desconforto e vergonha, que podem impactar a autoestima, provocando o isolamento social e até depressão.

Como é o tratamento para dermatite atópica?

O tratamento da dermatite atópica é feito de forma individualizada e conduzida por um dermatologista ou alergista, a partir do histórico do paciente e intensidade do quadro. 

Embora não haja uma cura, os sintomas podem ser controlados com a abordagem terapêutica adequada e a prevenção de surtos. Entenda como o tratamento ocorre:

Cuidados básicos com a pele

  • Hidratação cremes sem fragrância diariamente;

  • Banhos com água morna por, no máximo, 10 minutos;

  • Usar sabonetes com pH fisiológico;

  • Secar a pele com suavidade;

  • Lavar roupas novas com sabão neutro;

  • Usar roupas leves;

  • Evitar lã e fibras sintéticas.

Tratamentos tópicos

  • Hidratantes indicados pelo médico;

  • Corticosteroides tópicos;

  • Inibidores da calcineurina (indicado principalmente em áreas sensíveis como por exemplo: face, pálpebra, dobras);

  • Antibióticos tópicos ou sistêmicos (conforme prescrição médica.

Tratamentos sistêmicos

  • Corticosteroides orais (casos graves e agudos);

  • Imunossupressores sistêmicos.

Fototerapia

A fototerapia, utiliza luz ultravioleta,  também pode ser indicada quando os cuidados e tratamentos conservadores não deram resultado e para casos de dermatite atópica moderados e graves.

Esse tratamento possui uma ação anti-inflamatória e imunossupressora, reduzindo os surtos e melhorando o aspecto da pele.

Contudo, a fototerapia pode gerar efeitos colaterais, como envelhecimento precoce da pele, vermelhidão e  irritação, além do risco aumentado de câncer de pele.

Como prevenir crises de dermatite atópica?

Uma das principais medidas para prevenir crises de dermatite atópica são os cuidados com a pele, que inclui a hidratação que deve ser realizada todos os dias, mesmo quando não há a presença de erupções.

Esse cuidado contribui com o fortalecimento da barreira cutânea, reduzindo o risco de novas inflamações. É importante incluir na rotina de cuidados, o uso de loções e cremes sem fragrância e específicos, para garantir maior proteção contra o ressecamento da pele.

Além disso, é essencial controlar as condições do ambiente, como não ficar por muito tempo em lugares com temperaturas muito altas e manter a umidade do ar adequada, especialmente, durante o inverno ou regiões mais secas. 

É importante ainda evitar banhos quentes, pois á agua em temperaturas elevadas pode retirar a umidade natural da pele. No banho, prefira morna, nunca esfregue a pele com força e use sempre hidratante após banhar-se.  

Sempre que possível, reduza a exposição a poeira, produtos irritantes, pelos de animais e mofo para reduzir os gatilhos que podem desencadear crises de dermatite atópica. 

A escolha das roupas também é essencial para prevenir o surgimento de lesões. Prefira tecidos naturais e leves, como algodão e, antes de vestir, lave as peças com sabão neutro para retirar quaisquer resíduos que possam irritar a pele.

Essas medidas simples ajudam a preservar a saúde da pele, reduzindo o risco de crises de dermatite atópica.

Vivendo com eczema atópico

Viver com o eczema atópico pode ser desafiador, mas saiba que ajustes na rotina podem fazer toda a diferença para controlar os sintomas e garantir uma boa qualidade de vida.

Nesse sentido, é importante sempre manter hábitos saudáveis que preservam a saúde da pele, como a escolha de roupas leves, a hidratação diária e o controle de fatores ambientais, que podem desencadear crises de dermatite atópica. 

No caso das crianças e adolescentes, informar à escola sobre a existência dessa condição é essencial, pois isso facilita ajustes na rotina, como autorizar intervalos para aplicar hidratantes ou evitar atividades em dias de calor intenso. 

No trabalho, os cuidados não podem ser negligenciados. Evite o contato com agentes irritantes, controle a carga de estresse e adote medidas diárias para manter a pele sempre protegida. 

O bem-estar emocional também é fundamental para viver com a dermatite atópica, já que são necessárias algumas restrições na rotina. 

Isso porque, em momentos de crise, as lesões podem ser mais visíveis, o que pode impactar a autoestima, levando ao isolamento. 

Por isso, mantenha um suporte psicológico contínuo para ajudar a lidar com o estresse e a ansiedade associados a essa condição.

Uma medida importante é adotar práticas de  autocuidado, como praticar atividade física,  mindfulness, técnicas de relaxamento e adotar uma rotina de sono adequada para reduzir os gatilhos que possam agravar o quadro.

Quando procurar um médico?

A dermatite atópica é uma condição que exige cuidados e tratamento correto para garantir uma recuperação adequada e uma melhor qualidade de vida. Sendo assim, fique atento a alguns sinais de alerta, que incluem:

  • Febre associada;

  • Lesões com pus ou secreção;

  • Coceira intensa;

  • Dor no local;

  • Falha no tratamento caseiro

Ao apresentar esses sintomas, procure um alergista ou um dermatologista, que são os profissionais mais indicados para identificar e tratar essa condição adequadamente. 

No momento da consulta, é importante que você anote os sintomas mais comuns, quando surgiram e a evolução da inflamação, além de listar todos os aspectos que tendem a melhorar ou piorar os sintomas, como clima, nível de estresse e produtos. 

Liste também os produtos usados habitualmente na pele, como sabonetes, hidratantes, loções e medicamentos. Se preferir, anote perguntas para fazer ao médico. 

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Se necessário, é possível que o paciente seja encaminhado para realização de exames e para uma consulta presencial. Marque uma consulta com um especialista para tratar dermatite atópica agora mesmo.

Quem orienta

Juliana Seixas

Médica de Família e do Trabalho

CREMERJ 52981249

Especialista em Medicina de Família pela UERJ. Médica do Trabalho pela Funorte. Pós graduanda em gestão de saúde pela FGV.

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