Colesterol bom e ruim: o que são e qual a diferença

Julianna Siciliano de Araújo | Telemedicina | Atualizado em: 16/01/2026

O colesterol é uma gordura essencial para o corpo, mas existe em duas formas principais: o colesterol “bom” (HDL) e o “ruim” (LDL). O HDL age como uma “faxineira” para remover o excesso de colesterol das artérias, protegendo o coração. Já o LDL, em excesso, se deposita nas paredes dos vasos, aumentando o risco de doenças.

É importante lembrar que este texto tem fins informativos e não substitui a busca por um profissional médico ou nutricionista.

O que é colesterol?

O colesterol é uma substância gordurosa (lipídio) vital para a formação das membranas celulares, produção de hormônios (como estrogênio e testosterona) e síntese de vitamina D. 

Cerca de 70% a 80% do colesterol do seu corpo é produzido pelofígado, sendo o restante obtido através da alimentação. Tanto o bom quanto o ruim são tipos de gorduras.

Ele não se dissolve no sangue, por isso é transportado por meio de “pacotes” chamados lipoproteínas.

  • Colesterol total: a soma de todos os tipos de colesterol.
  • HDL (lipoproteína de alta densidade): remove o excesso de gordura.
  • LDL (lipoproteína de baixa densidade): deposita a gordura nas artérias.

O que é colesterol bom?

O colesterol HDL é conhecido como colesterol “bom” por seu papel protetor. Ele funciona como um “caminhão de lixo”, capturando o colesterol excedente e o transportando de volta para o fígado, onde é processado e eliminado.

Esse processo, chamado de transporte reverso de colesterol, ajuda a prevenir a formação de placas de gordura (aterosclerose) e, consequentemente, reduz o risco de infarto e AVC. 

Fatores como atividade física regular, consumo baixo de álcool e uma dieta rica em gorduras monoinsaturadas (azeite de oliva e abacate) tendem a aumentá-lo.

Valores normais de HDL

Os valores de referência do HDL são importantes e geralmente devem ser quanto mais altos, melhor. Valores de referência podem variar ligeiramente entre laboratórios, mas o ideal é:

Faixa de Valor (mg/dL)Classificação
Homens: Abaixo de 40Baixo (Preocupante)
Mulheres: Abaixo de 50Baixo (Preocupante)
Homens: Acima de 60Ideal/Desejável (Proteção)
Mulheres: Acima de 60Ideal/Desejável (Proteção)

Quando o colesterol HDL é preocupante?

O HDL é preocupante quando está abaixo dos valores de referência. Um HDL baixo, especialmente em pessoas que já têm LDL alto, hipertensão ou diabetes, aumenta significativamente o risco cardiovascular.

Em raras ocasiões, valores extremamente altos (acima de 90 mg/dL), podem indicar um mau funcionamento das enzimas envolvidas no metabolismo do colesterol por alguma questão genética. 

O que é colesterol ruim?

O LDL é classificado como colesterol “ruim” porque ele transporta o colesterol do fígado para as células. Se houver excesso de LDL, ele tende a se depositar nas paredes internas das artérias, iniciando o processo de aterosclerose.

Com o tempo, essas placas endurecem e estreitam os vasos, dificultando o fluxo sanguíneo. Se uma placa se romper, pode formar um coágulo que bloqueia a artéria, causando um infarto (no coração) ou um AVC (no cérebro)

Valores normais de LDL

Os valores de LDL são os mais importantes no manejo do risco cardiovascular e o ideal atual é: “quanto mais baixo, melhor”. Os valores de referência são ajustados de acordo com o risco de cada pessoa, conforme a recomendação médica:

Nível de Risco CardiovascularÓtimo (Meta)LimítrofeAlto
Baixo Risco (Sem fatores de risco)Abaixo de 130 mg/dL130 – 159 mg/dLAcima de 160 mg/dL
Risco IntermediárioAbaixo de 100 mg/dL100 – 129 mg/dLAcima de 130 mg/dL
Alto Risco (Doença cardíaca estabelecida, diabetes, múltiplos fatores)Abaixo de 70 mg/dL70 – 99 mg/dLAcima de 100 mg/dL
Risco Muito Alto (Eventos cardiovasculares graves e recorrentes)Abaixo de 50 mg/dLNão há valor seguroNão há valor seguro

Quando o colesterol LDL é perigoso?

O colesterol LDL é perigoso quando se mantém elevado, especialmente acima de 160 mg/dL para quem não possui fatores de risco. Para quem já é considerado de alto risco, qualquer valor acima da meta individualizada representa um perigo aumentado.

Sinais indiretos de que o seu perfil lipídico pode estar em risco incluem: histórico familiar de doenças cardíacas precoces, obesidade, hipertensão e diabetes

Nesses casos, a mudança de hábitos pode não ser suficiente, e o tratamento medicamentoso costuma ser iniciado para atingir as metas de LDL e reduzir o risco de eventos graves.

Agende sua consulta com um médico de família, cardiologista ou nutricionista abaixo!

Outros tipos de lipoproteínas importantes

Embora HDL e LDL sejam os mais conhecidos, existem outras lipoproteínas e gorduras que compõem o perfil lipídico e também são relevantes para a saúde cardiovascular.

O VLDL (lipoproteína de densidade muito baixa) é o precursor do LDL e é responsável por transportar triglicerídeos, principalmente aqueles produzidos pelo fígado. Seus níveis estão intimamente ligados aos triglicerídeos elevados.

Já os triglicerídeos são o tipo de gordura mais abundante no corpo e a principal fonte de energia. O excesso é armazenado e, se elevado, está associado ao aumento do risco cardiovascular e, em níveis muito altos, à pancreatite

Também é um marcador de má alimentação (excesso de carboidratos refinados e açúcares), sedentarismo e, muitas vezes, acompanha um HDL baixo.

O colesterol bom compensa o colesterol ruim?

Não, o colesterol bom (HDL) não compensa o colesterol ruim (LDL) em excesso.

Embora ter um HDL alto seja um fator protetor, ele não anula o perigo do LDL elevado. Estudos científicos reforçam que cada tipo de colesterol tem um impacto independente e distinto no risco cardiovascular.

O acúmulo de placas nas artérias é impulsionado pelo excesso de LDL. Portanto, mesmo com um HDL excelente, se o LDL estiver alto, o risco de aterosclerose e suas consequências continua presente. 

O que causa mudanças no colesterol?

As mudanças nos níveis de colesterol são multifatoriais. É importante entender as causas para adotar as melhores estratégias de controle.

  • Alimentação: o consumo de gorduras saturadas e trans (encontradas em ultraprocessados, frituras, e cortes gordos de carne) aumenta o LDL. Existe uma grande associação entre alimentação e doenças cardiovasculares.
  • Sedentarismo: a falta de atividade física contribui para a redução do HDL e o aumento do LDL e dos triglicerídeos.
  • Genética (hipercolesterolemia familiar): algumas pessoas nascem com uma predisposição genética que faz o fígado produzir muito LDL, exigindo, muitas vezes, tratamento medicamentoso desde cedo.
  • Doenças: diabetes tipo 2, hipotireoidismo e doenças renais podem influenciar negativamente o perfil lipídico.
  • Medicamentos: certos remédios (como corticoides e alguns diuréticos) podem alterar temporariamente os níveis de colesterol e triglicerídeos.

Como melhorar HDL e reduzir o LDL?

A boa notícia é que, para a maioria das pessoas, o controle do colesterol começa com a adoção de um estilo de vida mais saudável.

Mudanças na alimentação

A dieta é uma das principais ferramentas para regular o colesterol. O foco deve ser em reduzir as gorduras ruins e aumentar as gorduras boas e fibras. Buscar um nutricionista online pode ser o primeiro passo para a melhora!

Para aumentar o HDL, consuma peixes gordurosos (salmão, sardinha), azeite de oliva extravirgem, abacate, e castanhas/nozes.

Já para reduzir o LDL, aumente a ingestão de fibras solúveis (aveia, feijão, leguminosas e frutas) e evite ultraprocessados, frituras e gorduras trans.

Exercícios físicos

A atividade física é essencial, principalmente para elevar o HDL.

O treino aeróbico (caminhada rápida, corrida, natação) é o mais eficiente para aumentar o HDL. O treinamento de força (musculação) também é fundamental para a saúde metabólica.

Recomenda-se a frequência mínima de 150 minutos por semana de atividade aeróbica moderada.

Quando usar medicamentos para colesterol?

O uso de medicamentos, como as estatinas, é indicado quando as mudanças no estilo de vida não são suficientes para atingir as metas de LDL ou quando o paciente já apresenta um risco cardiovascular global muito alto.

A decisão de iniciar o tratamento medicamentoso é sempre individualizada e depende da avaliação médica que considera o seu LDL, HDL, triglicerídeos, histórico familiar, pressão arterial, presença de diabetes e outros fatores.

Agende já uma consulta online com um dos nossos profissionais médicos e nutricionistas para realizar sua avaliação!

Mitos e verdades sobre o colesterol

Para desmistificar o assunto, respondemos às perguntas mais comuns.

  1. Mito ou verdade: o ovo aumenta o colesterol?

Mito. O colesterol presente nos ovos tem um impacto muito menor no colesterol sanguíneo para a maioria das pessoas do que as gorduras saturadas. A menos que você tenha uma condição específica, o consumo moderado não é o vilão.

  1. Mito ou verdade: o óleo de coco ajuda a reduzir o colesterol?

Mito. O óleo de coco é rico em gordura saturada, que pode, na verdade, aumentar o colesterol LDL em algumas pessoas. Não é recomendado como tratamento para o colesterol alto.

  1. Mito ou verdade: apenas pessoas obesas têm colesterol alto?

Mito. Pessoas magras e até atletas podem ter colesterol alto, principalmente devido à genética ou maus hábitos alimentares. O peso não é o único indicador de risco.

  1. Mito ou verdade: água com limão em jejum reduz o colesterol?

Mito. Não há comprovação científica de que a água com limão em jejum tenha qualquer efeito significativo na redução do colesterol ou dos triglicerídeos.

  1. Mito ou verdade: é possível ter colesterol alto mesmo sendo jovem?

Verdade. Pessoas jovens podem ter colesterol alto por questões genéticas ou por hábitos de vida ruins. O acompanhamento médico e exames de rotina são importantes em todas as idades.

Quando procurar ajuda médica por conta do colesterol?

O colesterol alto geralmente não apresenta sintomas, por isso o exame de sangue é crucial. Você deve procurar ou manter o acompanhamento médico nos seguintes perfis:

  • Pessoas com histórico familiar de colesterol alto ou doenças cardíacas precoces.
  • Indivíduos com obesidade, diabetes ou hipertensão.
  • Qualquer adulto com mais de 20 anos deve realizar um check-up regular (geralmente a cada 1 a 5 anos, dependendo do risco).
  • Se os seus exames recentes mostraram LDL limítrofe ou alto e você ainda não iniciou um plano de tratamento.

Sempre se lembre da importância de interpretar os resultados com um especialista, pois apenas ele pode traçar as metas ideais para o seu perfil de saúde.

Como a Conexa Saúde pode te ajudar a manter o equilíbrio?

Manter o colesterol sob controle exige monitoramento contínuo e suporte de especialistas. A Conexa Saúde oferece um acompanhamento completo para você cuidar do seu coração.Através de consultas online, você pode agendar com rapidez com médicos de família, cardiologistas e nutricionistas que vão te ajudar a analisar seus exames, ajustar seus hábitos e indicar o tratamento medicamentoso, quando necessário.

Julianna Siciliano de Araújo

Médica formada pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, especialista em Medicina de Família e Comunidade pela SMS/RJ. Atua há 4 anos na Atenção Primária à Saúde, com foco na prevenção e tratamento de doenças em regiões de alta vulnerabilidade. Mestre e doutora em Ciências pelo IOC/Fiocruz.

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