A cleptomania é um transtorno do controle de impulsos, que faz com que a pessoa tenha uma necessidade incontrolável de cometer furtos de objetos, mesmo sem ter motivos financeiros ou utilidade real.
Essa condição é caracterizada por uma compulsão e, em sua maioria, esses objetos têm baixo valor, principalmente, porque a pessoa é movida pela vontade incontrolável de furtar e, pelo alívio momentâneo de praticar o ato, e não pelo desejo da posse.
Leia o nosso artigo e entenda quais as causas da cleptomania, os sintomas mais comuns e os tratamentos indicados para esse transtorno. Vem com a gente!
Índice
- Sintomas da cleptomania
- Causas e fatores de risco da cleptomania
- Como é feito o diagnóstico da cleptomania?
- Tratamentos para cleptomania
- Quais as consequências da cleptomania não tratada?
- Como ajudar alguém com cleptomania?
- Cuidar da saúde ficou mais fácil com a Conexa Saúde
Sintomas da cleptomania
Os sintomas de cleptomania são bem definidos, mas podem variar de pessoa para pessoa.
Segundo o DSM-5, manual de referência para diagnósticos de transtornos mentais, essa condição envolve impulsos frequentes de furtar, acompanhados de medo e tensão antes do ato e, posteriormente, prazer e alívio ao concretizá-lo.
Após esse êxtase, a pessoa tende a sentir culpa, vergonha e arrependimento por não conseguir controlar seus impulsos.
Esse ciclo que envolve a necessidade de furtar, a tensão, o prazer e a culpa é um padrão que se repete, sendo difícil de controlar, mesmo quando a pessoa compreende as consequências legais e sociais dessa prática.
Esse comportamento impacta a saúde mental e até o convívio social, comprometendo a autoestima e as relações pessoais, que carregam desconfiança e conflitos, especialmente, quando essa prática é conhecida.
Além disso, a cleptomania também pode estar associada a outros problemas emocionais, como ansiedade, depressão, abuso de álcool e drogas, além de transtornos alimentares, intensificando ainda mais o sofrimento emocional do indivíduo.
Cleptomania vs. roubo comum: veja as diferenças
Por vezes, a cleptomania pode ser confundida com o roubo comum, mas saiba que há muitos fatores que os diferenciam. Compreender as diferenças permite a busca por ajuda profissional especializada.
O furto comum costuma ser motivado por necessidades financeiras e o desejo de posse, enquanto a cleptomania é uma vontade irracional e impulsiva, sendo que, muitas vezes, o indivíduo nem precisa daquele item.
Nesse caso, a motivação real está associada ao alívio emocional que o ato proporciona.
No furto, a motivação tende a ser racional, envolvendo um planejamento para executar o ato e, assim, obter vantagem financeira, como vender o item ou usá-lo para seu benefício.
Sinais de alerta e comportamentos associados
O cleptomaníaco costuma apresentar sinais de alerta e comportamentos muito comuns associados ao impulso de furtar, que são os seguintes:
- Furtos repetitivos de objetos de baixo ou sem utilidade real;
- Desculpas inconsistentes para justificar o ato;
- Acúmulos de objetos escondidos.
Familiares e pessoas mais próximas podem observar ainda outros padrões de comportamento, como atos impulsivos e sem planejamento, tensão antes do ato, alívio momentâneo, seguido de sentimento de culpa e receio de serem descobertos.
Fique de olho também em alguns gatilhos que antecedem o impulso pelo furto, como forte ansiedade, frustração, solidão e sobrecarga emocional.
Causas e fatores de risco da cleptomania
As causas da cleptomania estão condicionadas aos mais diferentes aspectos, e não a um único único fator isolado.
Pesquisas indicam que pessoas com desequilíbrios nos neurotransmissores, como níveis reduzidos de serotonina, são mais suscetíveis a desenvolver a compulsão por furto.
Ao praticar o ato de furtar, o cérebro libera a dopamina e proporciona prazer e alívio momentâneo, o que reforça o comportamento.
Somado a isso, a predisposição genética também tem papel importante no desenvolvimento da cleptomania. Indivíduos com histórico familiar de controle de impulsos ou transtorno de humor tendem a apresentar sintomas da compulsão por furto.
Outros fatores, como experiências traumáticas na infância, como negligência, perdas relevantes, também podem estar associados ao transtorno.
A cleptomania pode ser compreendida como uma maneira inconsciente de lidar com problemas emocionais e conflitos internos, em que a compulsão por furto funciona como um mecanismo de compensação. Ou ainda como um transtorno do controle de impulsos considerado resultado de um ciclo de reforços: primeiro surge a tensão, depois o alívio e prazer, o que reforça a necessidade de furtar.
Vale ressaltar que a cleptomania pode estar ligada à outras condições, como ansiedade, depressão, abuso de substâncias, transtornos alimentares, transtorno obsessivo-compulsivo e transtorno bipolar.
Comorbidades associadas frequentes
Algumas comorbidades costumam estar associadas a cleptomania, como as seguintes:
- Transtornos do humor, como depressão e bipolaridade;
- Transtornos de ansiedade;
- Transtorno obsessivo‑compulsivo (TOC);
- Piromania;
- Tricotilomania;
- Jogo patológico;
- Uso de substâncias, como álcool e drogas.
Como é feito o diagnóstico da cleptomania?
O diagnóstico da cleptomania deve ser conduzido por psicólogos ou psiquiatras, baseado em critérios do DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais), que estabelece sinais específicos do transtorno.
Entre eles estão a dificuldade recorrentes de resistir ao impulso de furtar itens sem valor, a tensão elevada antes do ato, o alívio e o prazo durante a prática, além de falta de condições específicas, como delírio, vingança e alucinação.
Para confirmar o diagnóstico, o profissional de saúde mental realiza entrevistas e aplica questionários, além de avaliar outros aspectos, como histórico comportamental, frequência, contextos e sensações envolvidas.
Essas metodologias possibilitam diferenciar a cleptomania de outros transtornos mentais para a definição do tratamento mais adequado.
Quando procurar ajuda profissional?
Busque ajuda especializada quando os furtos passam a ser frequentes e viram um padrão preocupante. Alguns sinais de alerta incluem os seguintes:
- Falta de controle;
- Riscos de consequências legais;
- Prejuízos sociais;
- Sofrimento emocional significativo.
- Conflitos familiares;
- Presença de outros transtornos psiquiátricos.
Diante desses sintomas de cleptomania, os familiares têm papel fundamental no incentivo para buscar ajuda profissional e obtenção do tratamento mais adequado.
Na hora de procurar orientação especializada, a psicologia online pode ser uma alternativa acessível e prática para quem deseja obter atendimento de maneira discreta, confortável e sem precisar sair de casa.
Tratamentos para cleptomania
O tratamento para cleptomania é multidisciplinar e deve ser conduzido de forma personalizada, considerando comorbidades e as necessidades de cada pessoa.
A boa notícia é que o prognóstico é positivo se o paciente aderir ao tratamento adequadamente. Entenda a seguir:
Abordagens psicoterapêuticas
Uma das abordagens terapêuticas mais usadas para tratar a cleptomania é a Terapia Cognitivo‑Comportamental.
Ela adota técnicas como reestruturação cognitiva, prevenção de recaídas, controle de impulsos, dessensibilização imaginária e sistemática, sensibilização encoberta e desenvolvimento de mecanismos de satisfação.
Isso possibilita que o paciente reconheça os gatilhos, mude padrões de pensamento disfuncionais e desenvolva estratégias para lidar com o impulso de praticar o furto.
Outras abordagens, como a psicanálise e ACT (Terapia de Aceitação e Compromisso), também são usadas para tratar a cleptomania.
Nesse caso, elas focam na compreensão de conflitos internos, na aceitação de pensamentos negativos e no fortalecimento do controle sobre os impulsos.
Além disso, a participação em grupos de apoio e terapia familiar também contribuem para o sucesso do tratamento quando as dinâmicas familiares são comprometidas.
Tratamentos medicamentosos
Algumas classes de medicamentos são usadas no tratamento de cleptomania, como complemento, já que esses fármacos não substituem a psicoterapia, essencial para uma melhora duradoura.
Entre elas estão os ISRSs, medicamentos que auxiliam no controle da impulsividade, além de estabilizadores de humor, usados quando o paciente apresenta instabilidade emocional.
Além disso, os antagonistas opioides também podem ser indicados para o tratamento de cleptomania, atuando na redução do impulso ao coibir a sensação de prazer associado ao ato de furtar.
Vale ressaltar que os resultados podem variar de pessoa para pessoa, exigindo, assim, um acompanhamento médico regular.
Quais as consequências da cleptomania não tratada?
Quando não tratada adequadamente, a cleptomania pode trazer consequências negativas relevantes não só para o cleptomaníaco, mas também para seus familiares.
Entenda quais são:
- Conflitos familiares e sociais: desconfiança, brigas frequentes e afastamento social;
- Implicações legais: presença de antecedentes criminais, processos judiciais e possibilidade de prisão;
- Baixa autoestima: sentimentos de vergonha, culpa e comprometimento da autoimagem;
- Problemas emocionais: ansiedade, maior risco de depressão e isolamento social.
- Dificuldades no trabalho ou nos estudos: baixa produtividade, problemas profissional e acadêmico, perda de oportunidades, falta de desempenho, etc.
Como ajudar alguém com cleptomania?
Para ajudar uma pessoa com cleptomania, o primeiro passo é agir com empatia e evitar julgamos. É importante entender que essa condição não é uma falha de caráter, mas um transtorno mental que precisa de tratamento.
Além disso, crie um ambiente acolhedor para abordar o tema com cuidado e respeito, expressando a preocupação por essa condição de maneira cuidadosa e oferecendo escuta ativa para incentivar a busca de ajuda profissional para superar esse quadro.
Se possível, acompanhe a pessoa em consultas e sugira a participação em grupos de apoio que ajudam a compreender essa condição, compartilhar sentimentos e estratégias eficazes para superar a cleptomania.
É importante também que familiares cuidem da própria saúde emocional para manter o equilíbrio e a resiliência para ajudar nesse processo.
Cuidar da saúde ficou mais fácil com a Conexa Saúde
Quer tratar a cleptomania de forma discreta, confortável e prática? Conte com a Conexa Saúde, que oferece consultas online com psicólogos e psiquiatras de forma prática, segura e sem sair de casa.
A telepsicologia pode ajudar o paciente a entender melhor os impulsos, desenvolvendo estratégias para controlar e lidar com emoções e gatilhos que desencadeiam os furtos.
Lembre-se que buscar ajuda profissional é o primeiro passo para superar esse desafio com mais confiança e bem-estar.
