Bulimia: sintomas, causas e tratamentos deste transtorno alimentar

Douglas Muniz | Saúde mental | Atualizado em: 16/01/2026

A bulimia é considerada um transtorno alimentar caracterizado por episódios de ingestão de grandes quantidades de alimentos, normalmente com um alto teor calórico, seguidos de comportamentos compensatórios, como provocar vômitos, realizar jejuns prolongados ou utilizar laxantes e diuréticos.

Esse comportamento está geralmente associado à tentativa de controlar o peso corporal e reduzir a culpa relacionada à compulsão alimentar. Conhecer essa condição pode ajudar a reconhecer os sinais e buscar um tratamento adequado. 

Leia o nosso artigo!

Qual a diferença de anorexia e bulimia?

Embora ambos os transtornos alimentares compartilhem de uma grande preocupação com o controle de peso e a aparência física, a anorexia e a bulimia são condições que se manifestam de formas distintas. 

No caso da bulimia, ela é descrita por episódios de compulsão alimentar, seguidos por comportamentos compensatórios, visando a eliminação das calorias ingeridas. 

Em contrapartida, a anorexia é um transtorno no qual a pessoa, com medo de ganhar peso, adota uma dieta altamente restritiva e realiza atividades físicas intensas para manter o controle sobre seu corpo. 

Em muitos casos, também podem ocorrer comportamentos purgativos, mas o ponto central na anorexia é a restrição alimentar severa e persistente, que leva a um peso corporal significativamente baixo.

Como diferenciar a bulimia de outras condições?

A bulimia é um transtorno com características próprias, embora compartilhe alguns fatores em comum com outras condições à alimentação. Cada transtorno alimentar se manifesta de forma específica, o que torna a diferenciação clínica essencial. 

Entenda a seguir:

  • Bulimia: caracterizada por episódio de ingestão excessiva de alimentos em um curto período, seguidos por comportamentos compensatórios, como vômitos autoinduzidos, uso de laxantes, diuréticos ou prática excessiva de exercícios físicos.
  • Anorexia: condição marcada pela restrição extrema da ingestão de alimentos, associada a uma percepção distorcida da imagem corporal, que leva a um peso corporal significativamente abaixo do esperado, em função do medo intenso de ganhar peso.
  • Transtorno da compulsão alimentar: envolve episódios recorrentes de ingestão de grandes quantidades de alimentos em pouco tempo, sem a presença de comportamentos compensatórios, como ocorre na bulimia.

Vale lembrar que cada transtorno apresenta critérios diagnósticos próprios e, por isso, o diagnóstico preciso é fundamental para a definição do tratamento mais adequado.

Quais são as causas da bulimia?

As causas da bulimia não são completamente determinadas, porém, acredita-se que esse transtorno alimentar esteja relacionado a fatores genéticos, psicológicos e sociais..

Pessoas com bulimia, frequentemente, se sentem uma forte pressão social relacionada ao padrão corporal ideal, no qual a magreza é altamente valorizada. Esse contexto sociocultural pode contribuir para o desenvolvimento do transtorno alimentar.

Além disso, fatores genéticos também estão associados à bulimia. Estudos indicam que pessoas com históricos familiares de transtornos alimentares apresentam maior vulnerabilidade ao desenvolvimento da condição.

Aspectos psicológicos também podem ter relação com esse tipo de transtorno, uma vez que fatores, como dificuldades emocionais, baixa autoestima e ideia de perfeccionismo podem influenciar no desenvolvimento da bulimia.

Uma análise publicada pelo site JAMA Pediatrics, e realizada em 16 países, incluindo o Brasil, revelou uma maior preponderância de transtornos alimentares, como a bulimia, em crianças e adolescentes entre 6 e 18 anos.

De acordo com o levantamento, um em cada cinco jovens, em torno de 22%, apresentou sinais de transtornos da alimentação. A maior prevalência foi observada entre as meninas,  alcançando cerca de 30%, enquanto entre os meninos, foi de 17%.

Associação com outras patologias psiquiátricas

A bulimia nervosa costuma estar associada a outras condições psiquiátricas, tornando o diagnóstico e o tratamento mais complexos.

Nesse sentido, os bulímicos podem apresentar comorbidades, como transtornos de humor, incluindo a depressão, além de outras condições, como ansiedade generalizada, pânico e fobia

Casos de transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) e transtornos de personalidade, especialmente o borderline, também frequentemente observados em pessoas com bulimia.

Além disso, essa condição pode estar associada ao abuso de substâncias, como álcool e outras drogas, o que agrava o quadro clínico e aumenta os riscos a saúde física e emocional.

Quais os fatores de risco da bulimia?

Os fatores de risco que podem contribuir para o desenvolvimento desse transtorno incluem componentes biológicos, psicológicos, sociais e culturais. Entenda a seguir como cada um deles pode influenciar esse comportamento:

  • Fatores psicológicos: pessoas com baixa autoestima, traços de impulsividades e tendência ao perfeccionismo.
  • Fatores ambientais: indivíduos que passaram por experiências traumáticas, sofreram bullying na infância ou vivenciaram abusos físicos, ou emocionais, assim como aqueles com histórico familiar de transtornos alimentares.
  • Fatores sociais e culturais: a pressão social para atender a padrões estéticos irreais contribui para a insatisfação com o corpo. Em muitos países e culturas, a magreza está associada à beleza, o que pode intensificar comportamentos alimentares disfuncionais..

Quais são os sintomas da bulimia?

Os sintomas da bulimia, normalmente, incluem sinais físicos, emocionais e comportamentais, que podem se manifestar em diferentes níveis de intensidade e conforme a individualidade de cada pessoa.

Entenda a seguir:

Sintomas físicos

  • Problemas dentários: sensibilidade, cáries, erosão do esmalte em razão do contato recorrente com o ácido gástrico nos episódios de vômitos;
  • Alterações gastrointestinais: refluxo, dor abdominal, inflamação no estômago ou no esôfago; 
  • Fraqueza: cansaço constante devido a uma possível desnutrição;
  • Desmaio: pode ocorrer em razão da baixa glicemia, desidratação ou desequilíbrios eletrolíticos;
  • Oscilação de peso significativa: mudanças abruptas de peso em períodos curtos;
  • Constipação intestinal: ocorre devido ao uso de laxantes ou por conta do desequilíbrio do sistema digestivo;
  • Deficiência de minerais e potássio: potencializa os riscos de complicações, como arritmias cardíacas e fraqueza muscular;
  • Mau hálito: causado por alterações digestivas e pelos episódios frequentes de vômitos.

     

Sintomas emocionais e comportamentais

  • Dificuldade para controlar a alimentação: episódios recorrentes de compulsão com ingestão de uma grande quantidade de alimentos;
  • Incômodo com a sua aparência: preocupação exagerada com peso, em muitos caso, sem fundamento legítimo;
  • Visão distorcida do corpo: mesmo magro, a pessoa acredita estar acima do peso;
  • Rotina de uso de laxantes: uso de fármacos para compensar a alta ingestão calórica;
  • Indução de vômitos após as refeições: prática secreta e recorrente na tentativa de evitar o aumento de peso. 

Como é feito o diagnóstico da bulimia?

O diagnóstico da bulimia é feito por profissionais de saúde, como psiquiatra e psicólogo, que realizam uma avaliação abrangente dos comportamentos e também do histórico do paciente.

Nesse caso, ele também investiga os relatos de compulsão alimentar e as preocupações relacionadas ao corpo e aos sentimentos de culpa após o consumo excessivo de alimentos, além do histórico familiar. 

Questionários psicológicos também podem ser aplicados para ajudar na análise dos padrões de comportamento e compreender o impacto emocional do transtorno.

Além disso, o médico costuma realizar exames clínicos, para a identificação de sinais físicos, como inchaço nas glândulas salivares e baixos níveis de potássio no sangue, que são indicativos de vômitos frequentes.

Se necessário, exames laboratoriais também podem ser solicitados para analisar eventuais deficiências nutricionais ou desequilíbrios eletrolíticos, além de outros testes, como hemograma, glicemia, endoscopia, entre outros. 

Todos esses procedimentos auxiliam na confirmação do diagnóstico e também na identificação de possíveis complicações relacionadas à bulimia. 

Ao buscar por atendimento de saúde, a Conexa Saúde, um ecossistema de saúde física e mental, oferece consultas online onde os médicos podem solicitar exames físicos para confirmar o diagnóstico, e o paciente pode contar para avaliação dos resultados e acompanhamento. 

Sinais de alerta para familiares

Alguns sinais de alerta podem auxiliar as famílias a identificarem indícios de transtornos alimentares:

  • Idas ao banheiro após as refeições;
  • Atividade física compulsiva; para “compensar” refeições. 
  • Utilização frequente de laxantes e diuréticos;
  • Comer escondido;
  • Reclamações e preocupações exageradas sobre a forma corporal;
  • Presença de inchaço abdominal, dores estomacais;
  • Variações bruscas de peso sem motivo;
  • ou vestuário folgado e apertado por causa de variações de peso. 
  • Isolamento social ou evitar convites para comer;
  • Irritabilidade, sentimentos de culpa e ansiedade;
  • Negação em admitir que há problemas relacionados a transtornos alimentares.

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Quais as possíveis complicações da bulimia?

A longo prazo, a bulimia pode levar a complicações severas, como problemas cardíacos por conta do desequilíbrio eletrolítico e da deficiência de potássio no organismo.

Além disso, é comum que os bulímicos apresentem inflamação na laringe, sangramentos estomacais e danos ao esôfago em razão da irritação causada por constantes episódios de vômitos. 

Outras complicações envolvem problemas dentários, que incluem erosão do esmalte em razão do contato com o ácido estomacal, além de cáries e sensibilidade dos dentes, como mencionamos ao longo do artigo.  

Como ocorre o tratamento da bulimia?

O tratamento da bulimia precisa ser feito com uma abordagem abrangente com a atuação de uma equipe multidisciplinar, que envolve diferentes profissionais, como psiquiatras, psicólogos e nutricionistas.

Entenda a seguir 

  • Abordagens terapêuticas:

O suporte psicológico e psiquiátrico permite que o paciente possa conhecer e também enfrentar questões emocionais que levam a esse comportamento, o que possibilita uma mudança na percepção do seu próprio corpo. 

  • Abordagens nutricionais: os profissionais de nutrição trabalham para uma reeducação alimentar, auxiliando também na restauração de novos hábitos relacionados à comida.
  • Abordagens médicas: em casos que envolvem ansiedade e depressão, medicamentos antidepressivos costumam ser indicados para tratar essas condições e obter um resultado satisfatório no tratamento da bulimia. 

Vale ressaltar que, no caso do uso de fármacos, a automedicação não é recomendada, pois ela pode agravar ainda mais os sintomas. 

Bulimia tem cura?

A bulimia pode ter recuperação com o tratamento adequado. A melhora do transtorno é progressiva e varia conforme a gravidade do quadro, o apoio profissional recebido e a adesão do paciente ao tratamento. 

Vale ressaltar que durante o processo terapêutico, recaídas podem ocorrer, principalmente, se o paciente não tiver um acompanhamento contínuo, não adotar estratégias para lidar com os gatilhos e não contar com o suporte familiar. 

É possível prevenir a bulimia?

A prevenção contra a bulimia requer a adoção de algumas medidas importantes, que são as seguintes: 

  • Promova uma autoimagem positiva: incentive a aceitação e valorização do próprio corpo, independentemente dos padrões sociais. 
  • Educação alimentar: ensine a importância de uma alimentação saudável faz diferença na prevenção contra a bulimia. Além disso, é importante sempre descartar que dietas extremas e soluções milagrosas para perda de peso são perigosas.
  • Cultive um ambiente familiar saudável: evite críticas ou comentários sobre a existência de um padrão de corpo ideal.
  • Busque ajuda profissional: ao surgir os primeiros sinais de transtorno alimentar, consulte um profissional de saúde mental para orientação e suporte adequado.
  • Participação em grupos de risco: pessoas com predisposição e com histórico familiar de transtornos alimentares devem participar de programas de apoio para compartilhar experiências e obter suporte adequado. 

Qual profissional procurar para tratar a minha bulimia?

Os profissionais mais indicados para tratar a bulimia são os psicólogos, psiquiatras e também nutricionistas, pois, cada um oferecerá suporte adequado para 

 diferentes aspectos que influenciam esse transtorno alimentar.

A boa notícia é que a Conexa Saúde conta com uma equipe multidisciplinar com psicólogos e psiquiatras que podem oferecer total suporte no tratamento para a bulimia. 

Aproveite os benefícios da telemedicina e conheça o nosso ecossistema de saúde física e mental, que conta com médicos e mais de 30 especialidades, além de outros profissionais de saúde. 

Apresenta ou conhece alguém com sintomas de bulimia? Então, agende uma consulta com nossos especialistas agora mesmo.


Douglas Muniz

Meu nome é Douglas Fantoni e estou aqui para te ajudar a lidar de forma mais leve com esse momento tão delicado que está enfrentando. Minha missão como terapeuta é te ajudar a identificar seus comportamentos disfuncionais, ou seja, aqueles que causam sofrimento e trazem prejuízos à saúde, sejam eles sociais, emocionais ou comportamentais.

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