Bicho-de-pé: o que é, sintomas, como se pega, o que fazer e como tirar

Juliana Seixas | Telemedicina | Atualizado em: 21/10/2025

O bicho-de-pé (Tunga penetrans) é causado pela fêmea da pulga Tunga penetrans, encontrada principalmente em solos arenosos, em ambientes como praias, chiqueiros e quintais, podendo também estar associada a animais como cães e porcos, que atuam como hospedeiros. A pulga penetra na pele humana, especialmente nos pés, provocando uma infecção conhecida como tungíase, caracterizada por nódulo inflamado, dor e coceira.

Embora não seja uma condição grave, o bicho-de-areia pode causar dificuldade para caminhar, deformidades nos pés e infecções secundárias se não tratado corretamente.

Leia o nosso artigo e descubra o que provoca o bicho-de-pé, seus sintomas e como agir nesses casos. Vem com a gente!

Como a pulga do bicho-de-pé age no corpo?

O bicho-de-pé inicia seu ciclo na pele humana no momento em que a fêmea fecundada ingressa no corpo, normalmente nos pés, mantendo somente a parte posterior de fora. 

Já na parte interna da pele, a pulga se alimenta de fluidos e de sangue, que culmina na formação de um nódulo inflamado. 

Após alguns dias, o bicho-de-pé começa a liberar ovos que caem no solo a partir de uma pequena abertura na pele. Esse processo ocorre por cerca de três semanas, até que o inseto morre, sendo eliminado naturalmente pelo organismo.

No ambiente, os ovos rompem a casca, dando origem a larvas, que evoluem para pupas e, posteriormente, para pulgas adultas, reiniciando o ciclo de infestação. A fêmea que penetra na pele humana leva em média 7 a 10 dias para maturar, mas pode permanecer até três semanas. A eliminação espontânea nem sempre ocorre de forma completa, e há risco de infecção bacteriana secundária se não houver higiene adequada.

Quais os sintomas do bicho de pé?

Os sintomas que indicam a presença do bicho-de-pé incluem os seguintes sinais:

  • Nódulo inflamado: a lesão apresenta um nódulo amarelado ou esbranquiçado, com um ponto preto central, que corresponde ao orifício por onde a pulga respira e elimina ovos e fezes, circundado por área avermelhada.
  • Dor na área afetada: as múltiplas lesões existentes na pele podem gerar desconforto, principalmente, ao andar.
  • Descamação da pele: conforme a pulga aumenta e, depois morre, forma-se uma crosta no local. 
  • Coceira intensa: a região afetada pela lesão fica sensível, provocando desconforto. 
  • Inchaço e vermelhidão: ao redor do nódulo, surge uma área vermelha, que indica inflamação.
  • Sensação de corpo estranho: ocorre desconforto contínuo, como se houvesse algo sobre a pele. Em casos múltiplos, pode haver dor intensa, dificuldade para caminhar e até deformidades nas unhas. Quando complicados, há risco de infecção bacteriana secundária, como celulite ou impetigo, e até tétano, caso a vacinação não esteja atualizada

Áreas mais afetadas

As regiões do corpo mais frequentemente afetadas pelo bicho-de-pé são os pés, especialmente, entre os dedos ou ao redor, calcanhares, na área plantar ou sob as unhas.

Isso ocorre em razão da exposição dos pés ao solo, o que favorece o ingresso da fêmea da pulga. 

Contudo, em casos de uma maior contato, como falta de calçados ou locais de piso com terra batida, o bicho-de-pé também pode afetar outras regiões do corpo, como cotovelos, mãos e joelhos.

Pessoas que vivem em condições sem higiene ou em áreas endêmicas, o inseto pode afetar outras áreas, como região perianal e escroto.

botão agendar consulta rosa

Como se pega bicho de pé?

A transmissão ocorre quando a fêmea fecundada da pulga Tunga penetrans penetra na pele humana, especialmente nos pés, ao andar descalço em solos arenosos e secos contaminados. Os ovos não penetram na pele, mas fazem parte do ciclo de contaminação ambiental.

Contudo, em casos de ambiente contaminado ou contato prolongado, esse parasita também pode afetar outras áreas do corpo, como nádegas, joelhos, região perianal, escroto, etc, como mencionamos. 

Locais de risco comuns

Os locais de risco comuns incluem hortas, chiqueiros, pisos de terra batida, galinheiros, praias arenosas, locais com circulação de animais  e estábulos, principalmente, em regiões rurais ou em locais com saneamento precário, com lixo ou acúmulo de matéria orgânica.  

Como o bicho de pé é diagnosticado?

O diagnóstico do bicho-de-pé é feito de forma clínica por um médico a partir da análise física da pele e das lesões e dos relatos do paciente, como contato com solo seco e arenoso ou residir em regiões rurais. 

Dependendo do caso, um exame de dermatoscopia pode ser necessário para visualizar as estruturas da pele que não são perceptíveis a olho nu.

Qual médico procurar para bicho-de-pé?

Em caso de suspeita de bicho-de-pé, o mais indicado é consultar um dermatologista, especialmente, se a pessoa apresenta múltiplas lesões, infecção secundária, dor ao caminhar, sinais de inflamação ou infecção ou dificuldade de remoção do parasita. 

Em regiões endêmicas ou sem infraestrutura adequada, o clínico geral também pode fazer o diagnóstico, se necessário. 

botão agendar consulta rosa

Tratamento para bicho-de-pé

O tratamento envolve a remoção completa da pulga com instrumentos estéreis. Em casos de reação inflamatória intensa, podem ser utilizados antialérgicos ou corticoides para alívio dos sintomas. Uma alternativa segura à extração, recomendada por OMS e CDC, é o uso de dimeticona tópica. Além disso, é fundamental manter a vacinação antitetânica atualizada. Para prevenir infecções secundárias, podem ser aplicados antibióticos tópicos quando necessário.

O que passar após tirar bicho-de-pé?

Após retirar o parasita, manter cuidados com a pele é importantíssimo para prevenir infecções e acelerar o processo de cicatrização. Confira o que passar após tirar o bicho-de-pé

Medicamentos indicados

Os fármacos mais indicados para tratar a infeção por Tunga penetrans incluem pomadas cicatrizantes e antibióticas, que atuam na recuperação da pele. Dependendo do caso, antiparasitários orais também podem ser prescritos.

Cuidados pós-remoção e prevenção de infecções

Após remover o bicho-de-pé, é importante manter alguns cuidados para prevenir infecções. Sendo assim, não deixe de seguir as recomendações médicas, como aplicar  pomada antibiótica sobre a área afetada após a limpeza, para proteger a pele. 

Além disso, dependendo do caso, é importante cobrir a ferida com um curativo para manter a região seca.

Outros cuidados incluem o acompanhamento do aspecto da lesão para observar a presença de edema, vermelhidão ou pus, além de evitar exposição ao solo contaminado até a total cicatrização 

O que fazer para matar o bicho-do-pé?

Para eliminar o bicho-de-pé de forma segura, recomenda-se o uso de dimeticona de baixa viscosidade, aplicada diretamente na lesão para imobilizar e eliminar a pulga, sem necessidade de extração manual. Práticas populares, como banhos com carbonato de sódio a 5%, não são recomendadas oficialmente e não constam nos protocolos atuais.

Além disso, há outras opções como banhos com solução de carbonato de sódio a 5% , que ajudam a matar o parasita, além de remoção manual feita por um médico.

Pode estourar o bicho-de-pé?

Estourar o bicho-de-pé não é recomendado, já que essa prática pode provocar inflamação severa e infecções graves ou mesmo complicações, como gangrena, abscesso e necrose.

A remoção incorreta com o uso de equipamentos não esterilizados também pode maximizar risco de contaminação e transmissão de doenças. 

O que acontece se não tirar o bicho-de-pé?

Quando o bicho-de-pé permanece por muito tempo na pele, é possível a ocorrência de complicações graves, que começam com uma lesão inflamatória, dolorosa e com pus. 

Quando não é feita a remoção da Tunga penetrans, essa lesão pode evoluir para infecções bacterianas, como abscessos, celulite, linfangite, septicemia, gangrena ou até tétano.

Além disso, a presença do bicho-de-pé na pele pode resultar em deformação de unhas e dedos, úlceras, necrose, que podem levar até a mutilação dos pés ou amputação.

Quais os sinais de que o bicho-de-pé foi mal tirado?

Quando não o bicho-de-pé não é removido adequadamente, os sinais incluem os seguintes:

  • Presença do ponto escuro na parte central da lesão;
  • Dor, coceira e vermelhidão permanente;
  • Pus, secreção e aumento do local. 

Nesses casos, o ideal é procurar atendimento médico imediatamente para avaliar a situação e fazer a remoção adequada. 

Como prevenir o bicho-de-pé?

Para prevenir o bicho-de-pé, há algumas estratégias simples que são eficazes, principalmente, em regiões e ambientes de maior risco. Confira quais são os cuidados recomendados:

Higiene pessoal e uso de calçados

A realização de higiene pessoal e o uso de calçados são medidas fundamentais. Sendo assim, evite andar descalço em áreas que circulam animais, de solo batido ou ambientes, como chiqueiros, estábulos e galinheiros.

Mantenha também uma rotina adequada de lavagem e higienização dos pés, secando entre os dedos.

Controle ambiental

A prevenção requer ainda um controle frequente e adequado do ambiente, como realizar a limpeza frequente de ambientes domésticos, impedindo que o inseto possa se proliferar.

Em áreas endêmicas, é importante a realização de campanhas de educação em saúde e melhoria do saneamento básico para reduzir a transmissão.

Bicho-de-pé em crianças e animais

A infecção pelo bicho-de-pé é mais comum em crianças e adolescentes entre 5 e 14 anos, especialmente, em regiões com saneamento precário, locais de terra batida ou quando não há uso adequado de calçados. 

Isso acontece principalmente em razão do hábito de brincar descalços em solos contaminados, potencializando, assim, o risco de infecção. 

Os animais domésticos, como cães e gatos, também são afetados pelo bicho-de-pé, sendo importantes hospedeiros da Tunga penetrans. E com a presença e com o contato desses animais em casa, sem tratamento, a contaminação é ainda mais facilitada.

Para evitar a transmissão desse parasita, é importante sempre o uso de calçados fechados e manter um acompanhamento veterinário nos animais, além de fazer a limpeza e higienização de quintais e outros ambientes que favorecem a proliferação da pulga. 

Diferenças e cuidados específicos

Crianças e animais possuem algumas diferenças em relação à infestação por bicho-de-pé, o que requer cuidados específicos. 

Crianças na faixa etária de 5 e 14 anos, tendem a ser mais suscetíveis à infecção, já que costumam andar descalços em locais de terra batida.

Além disso, as crianças podem apresentar dor intensa, dificuldade para andar e forte coceira, o que pode comprometer as atividades do dia a dia, como ir para a escola. 

No caso dos animais, é importante observar frequentemente as patas e procurar atendimento veterinário ao primeiro sinal de infecção para evitar o agravamento das lesões e a transmissão para as crianças. 

Fale com um profissional da Conexa Saúde

Se você ou alguém está com sintomas relacionados à presença de bicho-de-pé, conte com a Conexa Saúde. A nossa plataforma de saúde digital oferece consultas online, onde você pode agendar com o profissional de qualquer lugar e com horário flexível. 

Na Conexa Saúde, você tem acesso a mais de 30 especialidades, como clínico geral e dermatologista. 
Marque uma consulta com um especialista para tratar essa infecção agora mesmo. Se necessário, o paciente pode ser encaminhado para uma consulta presencial. 


Juliana Seixas

Especialista em Medicina de Família pela UERJ. Médica do Trabalho pela Funorte. Pós graduanda em gestão de saúde pela FGV. CREMERJ 52981249.

Programa

Emagrecer Bem

Menos peso. Mais saúde. Emagreça de forma definitiva e sem sofrimento.

Verifique elegibilidade