Automutilação: Porque as pessoas se cortam?

Vanisse Barros Guido | Saúde | Atualizado em: 23/01/2026

O questionário não deve ser considerado como um diagnóstico, apenas como uma orientação dos níveis dos sinais. Nesse caso, sempre é recomendado consultar um profissional capacitado para uma avaliação completa.

Se você acaba ferindo a si mesmo quando não se sente bem, saiba que isso é um assunto sério e que merece atenção.

A automutilação é um assunto conhecido, mas pouco comentado nas rodas sociais. Muitos já conheceram um amigo próximo ou distante que se feria de uma forma branda, ou grave quando estava em momento de estresse.  

Este artigo busca esclarecer dúvidas de pessoas que passam por esta realidade, e de pessoas que convivem com alguém que enfrenta esse problema. O nosso objetivo é orientar a busca pelo tratamento necessário.

Automutilação: o que isso significa?

Essa violência contra si mesmo acontece quando foge do controle lidar com a situação vivida e tantos os atos de violência maior —  como bater a cabeça contra a parede, criar cortes em seu corpo, se queimar, se arranhar— e até mesmo atos menores — arrancar pelo, cabelo ou evitar que feridas cicatrizem—  são um meio de extravasar a carga emocional contida, seguidos por um sentimento de alívio.

Ainda é um tabu falar sobre essas crises. Elas são responsáveis por causarem tensão e sofrimento em quem tem dificuldade em lidar com grandes cargas emocionais do dia a dia.

Dessa forma, a pessoa fere seu próprio corpo quando está em um desses momentos de tensão extrema.

É importante lembrar que isso é um resultado de um sofrimento real, e que ninguém deve se sentir culpado por atos que muitas vezes podem ser indícios de transtornos maiores, que precisam ser tratados.

Além disso, as autolesões podem ser porta de entradas para formas mais perigosas de tentar sanar suas dores internas, como a automutilação ou o suicídio.

Por que crio lesões em meu corpo?

Para entender sobre esse assunto de forma mais clara, precisamos conhecer primeiro as causas de tais atos.

Em um mundo onde frequentemente precisamos mostrar que somos fortes para sociedade, e que somos capazes de lidar com todos os afazeres, acabamos por mascarar e esconder nossos conflitos emocionais, quando deveríamos reconhecê-los e tratá-los para ficarmos livres do peso deles.

Quando não conseguimos falar ou demonstrar nosso sofrimento emocional, nossa mente cria formas de aliviá-lo. Algumas pessoas ao não se expressarem, por exemplo,  ficam doentes, enquanto outras sentem uma forte tendência em manter rituais nos quais se machucam.

Se você se machuca quando está com problemas, entenda que esta é uma forma não saudável de aliviar as tensões emocionais. Mas que a intenção deste artigo não é fazê-lo se sentir culpado, e sim servir como uma porta de entrada para você entender e discutir sobre esse assunto e, principalmente, para mostrar que existe tratamento.

Posso estar doente?

A autolesão não é entendida como uma doença, mas sim como um sintoma, podendo ter ou não algum transtorno mais grave associado.

Algum transtornos mais sérios podem levar a autolesão, sendo eles: quadros de Esquizofrenia, Autismo, Síndrome de Asperger, Depressão, Transtorno Borderline, Transtorno Bipolar do Humor, entre outros. A avaliação deve sempre ser feita por um profissional.

Será que minha autoestima está baixa?

Infelizmente uma das maiores causas da autolesão em adolescentes é a autoestima baixa, aquele jovem acredita que não é importante e tem dificuldade em se enxergar de forma positiva.

Os sinais de baixa autoestima podem ser:

  • Autocrítica excessiva: Hábito de se depreciar verbalmente com frases como “eu sou burro”, “não sirvo para nada” ou “tudo dá errado comigo”.
  • Dificuldade em aceitar elogios: Desconfiança ou negação quando alguém reconhece suas qualidades ou conquistas.
  • Medo paralisante de falhar: Evitar novas experiências ou desafios escolares por pavor de cometer erros ou ser julgado.
  • Perfeccionismo exagerado: Crença de que precisa ser infalível para ser amado ou aceito, gerando muita ansiedade diante de tarefas simples.
  • Comparação constante nas redes sociais: Sentimento de inferioridade ao comparar sua realidade com a vida “perfeita” exibida por amigos ou influenciadores.
  • Necessidade de aprovação externa: Mudança de comportamento ou anulação das próprias vontades apenas para agradar o grupo e sentir-se parte dele.
  • Dificuldade em dizer “não”: Medo de rejeição que leva o jovem a ceder a pressões, mesmo quando se sente desconfortável.
  • Isolamento social: Tendência a se retirar, passar muito tempo no quarto e evitar interações sociais por achar que “incomoda”.
  • Linguagem corporal fechada: Postura curvada, ombros caídos, evitar contato visual e falar em tom de voz muito baixo.
  • Procrastinação por insegurança: Adiar tarefas não por preguiça, mas pelo medo de não conseguir realizá-las com a qualidade esperada.
  • Atribuição de culpa: Assumir responsabilidade excessiva quando algo dá errado, mas atribuir o sucesso apenas à “sorte”.

Para determinar qualquer diagnóstico potencial discuta seu resultado com um psicólogo.

Qual tratamento devo procurar?

Por ser um quadro que causa um grau de risco para a pessoa, é preciso buscar com urgência um tratamento adequado, para que esse ritual de autopunição não se transforme em automutilação.

A automutilação, forma mais grave que a autolesão, ocorre em maior grau em casos alucinatórios como a esquizofrenia e uso de drogas; transtornos onde há dificuldade de controle de impulsos, como o bipolar; podem ocorrer também em casos de fanatismo religioso, onde a pessoa passa a acreditar que precisar pagar por algum pecado cometido, ou em desordens de cunho sexual onde ocorre a castração.

Em quadros graves de depressão, além de tentar automutilação, o paciente pode ter ainda o impulso de suicídio.

O psicólogo precisará entender de onde surge a raiva contida que o paciente possui — e acaba por direcionar a si mesmo — e oferecer meios para que o paciente consiga superar esses hábitos, conquistando uma vida mais saudável.

É recomendado, em quadros de transtornos, que acompanhamento conte também com o psiquiatra e medicamentos, favorecendo assim o tratamento psicológico.

Aqui no psicologia viva, contamos com profissionais capacitados e dispostos a ajudar. Se você vivencia esse problema, não deixe de buscar ajuda.

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