A alexitimia é uma condição psicológica marcada pela dificuldade em identificar, entender e expressar as próprias emoções, além da incapacidade de interpretar os sentimentos dos outros.
Pessoas com alexitimia costumam ter pouca expressão emocional e um grande desafio para se relacionar e regular o estresse, impactando na saúde mental e no bem-estar.
Leia o nosso artigo!
O que é alexitimia?
A alexitimia é uma condição psicológica relatada pela primeira vez em 1970 pelo psiquiatra Peter Sifneos, sendo caracterizada pela dificuldade em reconhecer, compreender e expressar suas emoções.
Essa condição não está relacionada à frieza emocional voluntária ou falta de empatia, já que envolve uma limitação no processamento emocional.
Sintomas e sinais da alexitimia
Os sintomas da alexitimia podem se manifestar de diferentes maneiras, variando em formas de impacto, contexto e intensidade, comprometendo as relações sociais e profissionais e a vida emocional.
Confira os principais:
- Dificuldade de identificar e descrever as próprias emoções;
- Imaginação reduzida e pouca curiosidade com fantasias e sonhos;
- Incapacidade de descrever emoções em palavras;
- Pensamento concreto com pouca atenção sobre estados emocionais;
- Limitação na empatia com dificuldade em compreender as emoções dos outros;
- Impactos na comunicação emocional diária, nos relacionamentos e no bem-estar;
- Confundir ou não perceber a ligação entre as sensações físicas e as emoções.
Principais causas e origem da alexitimia
A alexitimia possui origem multifatorial, que resulta na interação entre aspectos neurobiológicos, genéticos, psicossociais e traumáticos.
Alterações em regiões do cérebro responsáveis pelo processamento das emoções, além de hereditariedade, favorecem o surgimento dessa condição.
Entenda a seguir:
Fatores neurobiológicos
A alexitimia pode ser desencadeada em razão de alterações em circuitos cerebrais que fazem o processamento e a expressão das emoções.
Alguns estudos de neuroimagem apontam que áreas como a amígdala, o córtex pré‑frontal medial e a ínsula anterior têm menor ativação em indivíduos com níveis de alexitimia elevados, principalmente em momentos de reconhecimento e processamento de emoções.
Fatores genéticos e hereditários
Essa cegueira emocional também está associada a fatores genéticos comprovados. Inclusive, há estudos feitos com gêmeos que revelam que em torno de 30 a 33% da mutabilidade na alexitimia possui relação com predisposição genética.
Além disso, pesquisas indicam ainda que variações genéticas em genes associados à serotonina, dopamina e BDNF podem afetar a capacidade de expressar sentimentos e a sensibilidade emocional.
Isso pode elevar o risco de desenvolver essa condição quando combinadas a aspectos ambientais.
Fatores psicossociais e trauma
Fatores psicossociais e experiências traumáticas têm atuação direta na formação da alexitimia.
Ambientes familiares onde não há uma abertura para expressar as emoções, com convivência rígida ou emocionalmente distante, também contribuem para o desenvolvimento dessa condição.
Inclusive, há pesquisas que revelam que a ausência de reconhecimento das emoções na infância e ambientes quereprimem a expressão emocional estão diretamente ligados ao surgimento da alexitimia na fase adulta.
Tipos de alexitimia
A alexitimia pode se apresentar de maneiras diferentes: alexitimia primária e alexitimia secundária, sendo que cada uma possui características, origens e graus de estabilidade distintos.
Entenda a seguir:
Alexitimia primária
A alexitimia primária possui natureza inata ou de desenvolvimento precoce, sendo, portanto, um traço estável da personalidade.
Normalmente, esse tipo de alexitimia tem ligação com aspectos genéticos e neurobiológicos, como oscilações na integração entre os sentimentos e a linguagem.
A alexitimia primária pode ser observada em indivíduos com Transtorno do Espectro Autista (TEA), sendo caracterizada pela dificuldade persistente em identificar e expressar emoções, mas sem que haja ligação com experiências traumáticas.
Alexitimia secundária
Já a alexitimia secundária pode ser desenvolvida ao longo da vida, especialmente após doenças graves, estresse intenso ou traumas, surgindo como umadefesa emocional, em que o indivíduo tem uma desconexão com seus próprios sentimentos.
Diferente do tipo primário, a alexitimia secundária costuma ser mais instável, mas tem bons resultados com a terapia.
Alexitimia tem cura?
Essa condição não tem cura tradicional, mas seus sintomas podem ser gerenciados com terapias e estratégias específicas, como a psicoterapia, que ajuda a identificar e expressar emoções.
Outras práticas, como mindfulness e o tratamento de condições específicas, como ansiedade e depressão, contribuem para a regulação das emoções e melhor qualidade de vida.
Diagnóstico da alexitimia: como é identificada
Não há exames específicos para diagnosticar a alexitimia, sendo feito por meio de uma análise clínica e métodos de avaliação, que incluem os seguintes:
- Entrevista clínica: feita por profissionais de saúde mental, como psicólogo e psiquiatra, que avaliam história emocional, eventuais doenças e padrões de expressão afetiva.
- Questionários padronizados: o TAS‑20 (Toronto Alexithymia Scale) analisa três dimensões, que incluem a dificuldade de reconhecer sentimentos, incapacidade de descrever emoções e dificuldade em refletir sobre emoções e sentimentos.
Para excluir ou identificar a presença de outros transtornos de humor, ansiedade, traumas ou condições neurológicas, é importante fazer uma avaliação minuciosa, considerando histórico médico, sintomas e resultados de exames.
Vale ressaltar que a avaliação por profissionais de saúde mental é fundamental para interpretar os resultados adequadamente, evitando atribuir de forma equivocada traços de personalidade como distúrbio.
Teste de alexitimia
A alexitimia pode ser rastreada a partir de testes de triagem, como a Escala de Alexitimia de Toronto (TAS-20), que mede a incapacidade em reconhecer e expressar sentimentos.
Responda às perguntas com sim ou não:
Tenho dificuldade em compreender o que estou sentindo. [SIM]/[NÃO]
Não consigo explicar claramente minhas emoções para outras pessoas. [SIM]/[NÃO]
Prefiro conversar sobre fatos do que sobre minhas emoções.[SIM]/[NÃO]
Costumo confundir emoções com sintomas físicos [SIM]/[NÃO]
Dificilmente penso em sonhos e fantasias. [SIM]/[NÃO]
A interpretação do resultado deve ser feita da seguinte forma:
0 a 1 resposta “Sim”: baixa probabilidade de alexitimia
2 a 3 respostas “Sim”: eventual alexitimia
4 a 5 respostas “Sim”: sintomas prováveis de alexitimia
Qual é o tratamento para alexitimia?
Não há um tratamento único para a alexitimia, mas a combinação de abordagens terapêuticas podem ajudar a melhorar essa condição.
De modo geral, o tratamento envolve o aumento da consciência emocional, o desenvolvimento de habilidades de comunicação afetiva e redução do impacto do distanciamento emocional nas relações pessoais.
As abordagens mais usadas são a Terapia Cognitivo-Comportamental, que ajuda a pessoa a reconhecer e nomear emoções de maneira prática, a psicoterapia, que ajuda a melhorar a expressão emocional, e a psicodinâmica, que atua no autoconhecimento.
Como a psicoterapia pode ajudar pessoas com alexitimia?
A psicoterapia contribui de forma significativa no tratamento da alexitimia, ajudando o indivíduo a identificar, compreender e nomear suas emoções, além de criar um espaço seguro para que o paciente consiga observar suas emoções e sensações corporais.
O profissional de saúde mental atua como um mediador emocional, reconhecendo e acolhendo experiências afetivas, sugerindo palavras para emoções que o paciente ainda tem dificuldade para expressar sozinho.
Como ajudar alguém com alexitimia?
Ajudar uma pessoa com alexitimia requer empatia, paciência e uma comunicação transparente. Familiares e amigos podem incentivar a pessoa a conversar sobre situações para que ela desenvolva a consciência gradativamente.
É importante ainda validar pequenas expressões afetivas, mas sem que isso seja interpretado como uma pressão.
Um cuidado essencial nesse processo é aprender sobre a alexitimia e estimular a busca por apoio psicológico. Tudo isso ajuda a fortalecer o vínculo e contribui para o desenvolvimento emocional.
Relação entre alexitimia e outras condições de saúde
Esse distúrbio costuma ser associado a outras condições físicas e mentais. Isso ocorre porque indivíduos com níveis elevados de alexitimia têm maior risco de transtornos psicossomáticos, onde emoções não reconhecidas se manifestam em sintomas físicos.
Somado a isso, ela também pode surgir simultaneamente com Transtorno do Espectro Autista, Transtorno de Estresse Pós‑Traumático, depressão e ansiedade, dificultando o diagnóstico e o tratamento.
Inclusive, estudos de neuroimagem e revisões sugerem que essa condição está associada a doenças autoimunes ou condições cardíacas, indicando que a influência do impacto vai além das emoções.
Quando procurar um médico para alexitimia?
Busque ajuda médica ao observar que essa incapacidade em reconhecer ou expressar emoções está provocando sofrimento, comprometendo as relações, as rotinas diárias e manifestando-se por meio de sintomas físicos.
Em caso de ansiedade e depressão, é importante buscar orientação profissional. Ao buscar ajuda profissional, conte com o auxílio da telemedicina, que proporciona privacidade e conveniência.
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